Meu amigo, como posso contar o horror que vivo. Não sei como começar a falar sobre estas velas que iluminaram minha mente e que se apagaram enquanto a trupe celeste terminava sua obra cômica. Pois sim, não a vi mais. Nas mudanças que ocorreram, de tudo o que deixou saudade, creio que na felicidade, ao final caro amigo, ela só deixou poesia. Não esperava promessas, pois ela não sabia, mas este foi um engodo que eu próprio infligi ao meu ego, ao meu orgulho, ao meu desejo, ao meu futuro. Não quero que ela seja mais uma...
Mais uma nos meus arrependimentos, mais uma na linha do “se”... se eu pudesse, se ela quisesse, se eu tivesse, se ela soubesse... Ah se ela soubesse. Agora é tarde, pois ao receberes esta carta estarei longe. Não longe de ti meu amigo, mas longe do rosto pálido, do sorriso largo e dos fios rubros daquela que deixei para trás. Se da infelicidade não me faço rir, é por que a alma pesada e os pés inquietos ainda querem que ela saiba. Ah se ela soubesse...
Estou farto de poesia meu amigo, cansado das noites com a mão na pena. Agora quero o diálogo do marquês, o sussurar do amante, a valsa do libertino... a poesia não funciona meu amigo, é a bebida que entorpece o bufão e que oferece os fios rubros àqueles que cortejam sem amor. Que bonitas palavras, ela diz... mas não me acompanha...
Certo é o homem que da tribulação constrói a farsa e da farsa ergue seu império. Da farsa tira o sangue, beija-lhe os lábios, entrelaça os dedos nas madeixas alaranjadas. Respiro. Caio de novo. Desculpe-me meu amigo. Quem pode dizer o que ela faria? Ah se ela soubesse... Ela nunca soube.
Não misturo mais, não vou jogá-la aos leões da minha imaginação e impaciência, ou ao declínio de meus devaneios. Se nunca me expressei, se nunca ergui meus braços, não há o que reclamar de minha pantomima... reclamo é da arte e dos vicínus que roubaram meu espírito para entregar luxúria no lugar de paixão. Por que ela aceita? Meu coração dói... Por que ela compactua com as forças da libido e renega que a combinação de desejo, amizade e gratidão está sob seus olhos? Ah se ela soubesse.
Vida é para ser vivida meu amigo, e talvez, talvez ela será reimaginada, repaginada, esquecida, substituída. Só queria que ela soubesse...
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Poesia: Se Ela Soubesse
terça-feira, setembro 07, 2010
Poesia - Retrato
sábado, fevereiro 21, 2009
Este texto escrevi quando realmente esqueci
Na velha caixa de balsa, perto de muitas canetas e lápis de colorir, jazia ela em silêncio. Meio desbotada, com as pontas rasgadas, cabeças cortadas e estampas antigas, ela chamou de volta aquele que um dia a amou. - Lembra de onde eu estava? - Perguntava ela. E mesmo assim recusava-se a escutar a loucura daquele pedaço de papel. – Ei, olha pra mim... – Novamente. Não resistiu..., não reconheceu.... Olhou alguns segundos e suspirou. Levantou e esqueceu. - Por quê eu? – Perguntou a si mesmo.
Continue sua arrumação perante a poeira e as roupas velhas! Lembrou-se do local. Sim. Um dia, muitos anos atrás, havia estudado naquele local. Um curso. Sim. Uma daquelas coisas que a gente faz pensando no futuro...o futuro...quantas chances, quantas mágoas, quantas oportunidades perdidas! Mesmo assim foi maravilhoso. Por quê? Reflete. Procurou encontrar respostas para a felicidade. Retornou à caixa de balsa e olhou os rostos.
Quem está comigo ali? Quem esteve comigo antes? Quem me acompanhou...O futuro... Ali estava o futuro. Não, não, digo, o futuro de agora, mas o futuro naquela época... As esperanças, sonhos, amores, ansiedades, medos...PARE!!! Puxa, são tantas coisas...eram tantas coisas... Agora me lembro de você pedaço de papel. Me lembro do dia, me lembro da hora e do local...sabe, me lembro até do que aconteceu antes de eu chegar lá...
As imagens vêm aos meus olhos desbotadas e azuladas, como você papelzinho..., papelote, papelão...mas que papelão. Juro que não vou chorar. Naquele dia, não trabalhei. Fiquei em casa, angustiado para que o relógio me dissesse o momento certo de dizer adeus ao corredor da sala. Esqueci livros e canetas, mas sabia que não importava. As escadas, os corredores, o professor, o intervalo, PARE!! A cabeça dói...não quero lembrar. Mas lembrou.
Lembrou por que não havia como não recordar...- suspiro - ... azulada, desbotada, estampas antigas e pontas rasgadas, ela estava ali. Com os pés cortados, olhos vermelhos e o brilho do flash no rosto, eu lembrei dela. Talvez nem o tempo, nem minha mente que já me falha e nem o amor de meus netos possam arrancar as lembranças das melhores semanas da minha vida.
Este retrato? Bem, este retrato não tem nada...por um descuido meu, deixei a máquina ligada e apertei o botão sem querer...Que magnífica foto do assoalho! O assoalho...a janela...o quadro negro...é papelzinho, você não quer me mostrar...mas ela estava ali...ela estava ali...
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Poesia - Filmes Antigos
Esta foi a segunda para a mesma pessoa
Como um relâmpago de vida ela surgiu. Juro que quando entrei no recinto e pus meus pertences sobre a mesa, tentei colocar meus pensamentos em sintonia com o que se passava no meu coração. As poucas vezes em que isto aconteceu comigo, coloquei meus pés no chão para os fatos, porém naquele segundo, naquele lugar, no lado oposto da mesa, tudo parecia flutuar num encanto que só vemos em filmes antigos.
Tudo parecia tão perfeito – eu vivia repetindo em minha mente – mas ainda tão preto-e-branco...sim...como nos filmes antigos...E a mágica se encontrava em tomar a decisão certa, em colorir cenas repletas de tons de cinza que viajavam em palavras que nenhum de nós dois entendia muito bem. Mas como conhecê-la ? Como poder conquistar o direito de poder escutar sua voz mais de perto, de esquecer todos os problemas do dia-a-dia em lábios doces e convencê-la de que minha vida hoje melhorou ?
Pois é, não sou mais o mesmo...não sou mais o mesmo pois tenho responsabilidades. Tenho a responsabilidade de fazê-la sorrir, de fazer seus pequenos olhinhos brilharem, de poder conquistá-la todos os dias como se fosse a primeira vez, de segurá-la em meus braços e dizer coisas lindas...sim, não se preocupe, você é uma pessoa super especial e vai conseguir tudo o que você sonha.
E mesmo com os erros e faltas só consigo elogiar seus passos... Passos estes, como vento vespertino, batem em meu rosto a cada vez que te perco. – Odeio te ver ir embora... – Ah se eu pudesse te dizer estas coisas...tantas coisas...como eu queria poder te mostrar o turbilhão de emoções a cada vez que te encontro, e esse seria meu único arrependimento – suspiro - te amei por semanas e nunca encontrei o momento certo para te dizer estas três palavras de afeto.
Queria pegar-te em meus braços, beijá-la sempre que as palavras se tornassem supérfluas e nossos diálogos sem sentido...como seria bom deixar minha imaginação superar minha inteligência, a razão, e com você ter momentos dignos de um filme romântico...filmes antigos...marcados para sempre na memória de muitos...ou só de nós dois...nós dois...
Entreguei sim, em tuas mãos, aquilo que há de mais precioso em meu corpo, em meu peito, meu coração. Agora carrego de ti um cheiro, uma voz, um rosto lindo, uma lembrança...Das tribulações que me afligiam tirei poesia, do sofrimento arranquei música, das ilusões criei amor...mas preciso de você para transformar tudo em paixão. Sim, como nos filmes antigos...
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Poesia - Perto de Você
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Não acredito em registrar tudo o que escrevemos, desenhamos ou filmamos, muito menos no que os artistas dizem, que a arte deve ser a "expressão do artista" única e simplesmente. A arte, em todas as suas manifestações, deve ser algo voltado ao público, aberto para quem quer abraçar e admirar a vontade criativa dos autores. Este texto escrevi em 2004 (não vou citar nomes), não cabe aqui descrever a inspiração, mas sim deixar aos leitores imaginar, criar, se inspirar e refletir.
Poucas vezes em nossas vidas, temos a oportunidade de conhecer pessoas das quais realmente sentimos falta. Sentimos falta num momento alegre, sentimos falta quando um filme nos faz chorar, sentimos falta mesmo estando tão perto ao nosso lado e até sentimos falta nos momentos difíceis quando o mundo parece ruir sobre nossas cabeças. A palavra e o verbo não são fáceis de utilizar, gestos muitas vezes passam despercebidos.
Dizer coisas dignas de serem aceitas, como a sinceridade de um tolo, muitas vezes não nos liberta. Mas como se portar nesta situação mágica onde a química e o bem-estar falam mais alto do que qualquer sentimento, onde o simples fato de saber que vai encontrá-la consegue mover 14 músculos de sua face e deixar sua mente boba dizendo palavras para fazer esta pessoa especial sorrir? Palavras...sim, palavras. Palavras que lutam para dizer: - Gosto de estar perto de você! – e hoje não consegui calar este grito...
Não é que a oportunidade nunca tenha aparecido sabe...mas é tão difícil achar o momento certo para coisas e sentimentos que não entendemos...Às vezes me indago se tentar entender é deixar passar um momento sublime, jogar fora o clima que acabou de ocorrer ou deixar as mágoas correrem atrás de um pontinho sumindo no final da rua no término da madrugada quando você vai embora...
Tentar entender? Sim, por que tentar entender, se muitas coisas até hoje não compreendo? Não compreendo a felicidade de chegar em casa após um dia difícil, muito menos compreendo a felicidade de estar em uma festa com amigos reunidos...não, não compreendo os diferentes conceitos de felicidade para te dizer o que estou sentindo neste momento. Mas bem que eu tento...e no fundo, adoraria compreender você.
Adoraria entender o que te move a buscar alegria, aquilo que te fascina, as pequenas coisas que te fazem mergulhar na solidão, estudar profundamente os seus medos e poder te consolar e dizer que tudo vai ficar bem. Não é sempre que encontro alguém assim sabe...sinto poder dizer coisas a você que não conto para mais ninguém – suspiro – e cada vez que você diz algo interessante há no meu peito uma vontade louca de te abraçar...e você consegue dizer coisas interessantes a cada segundo... – saudade – nestes momentos, tenho a sensação de ser também interessante, de ser a pessoa mais importante do mundo.
Não posso negar, minha vida sem dúvida está cheia. Cheia de amigos, cheia de boas oportunidades, cheia de portas que se abrem todos os dias, mas de alguma forma, de repente, elas não significaram mais nada...Perto de você...perto de você eu queria escrever uma canção cheia de significado... - seus olhos brilham – e que nos momentos difíceis de sua vida você pudesse cantá-la e lembrar-se de mim – meus olhos brilham.
Desculpa se falo baixinho, se muitas vezes não controlo meus lábios e explodo minhas emoções em palavras que talvez não façam o menor sentido. - Hei você! Sim, a menina da cadeira ao lado, do banco do metrô, da bolsa amarrada na cintura, dos três chopes, que gosta de orquídeas, que curte a música do comercial de cerveja (não esqueci nada... e mesmo assim parece tão pouco...),...você acredita que não consigo ficar longe de você?
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Morre Michael Crichton
quinta-feira, novembro 06, 2008
Quando eu tinha 14 anos ainda queria muito trabalhar com cinema. Ficava fascinado com os efeitos especiais, pirotecnia, miniaturas, maquiagem, monstros, robôs hidráulicos e tudo mais que criava a magia do cinema. Nem preciso dizer que quando tinha 14 anos fiquei meio deslumbrado com toda aquela tecnologia utilizada para trazer a vida os dinossauros de Jurassic Park, filme baseado no best-seller de Michael Crichton. Como bom viciado em mídias desde pequeno, comprei o livro antes do lançamento do filme por que sabia que ia sair a película, e vejam só, acabei devorando 300 das 500 páginas do livro em apenas uma noite.
Em tempos em que mentirosos como Dan Brown escrevem livros populares utilizando falsas informações como marketing de vendas, Michael era médico de verdade, e mesmo quando suas verdades não eram reais, ele nunca negava a ficção de suas palavras. Hoje pessoas que nunca tocavam em um livro, que não liam livros na escola e que adoram publicações de auto-ajuda, vivem comprando best-sellers do momento como Código Da Vinci ou Marley e Eu, mas perderam a melhor época da recente literatura de ficção por ignorarem (como ignorância) os melhores escritores dos anos 80 e 90 que quase nunca saíam na mídia. Crichton sem dúvida foi fantástico.
Michael Crichton, que também é o criador de Plantão Médico (ER), morreu nesta terça-feira aos 66 anos, vítima de câncer. Nascido em Chicago em 1942, Crichton era filho de um jornalista e publicou seu primeiro texto no New York Times aos 14 anos. Em 1960 entrou em Harvard com o objetivo de se tornar escritor, mas mudou para antropologia quando seu estilo foi criticado por um professor. Após completar antropologia e passar um ano como conferencista em Cambridge, voltou aos Estados Unidos para estudar medicina em Harvard e escrever oito livros sob o pseudônimo de John Lange. O autor também usou o pseudônimo de Jeffery Hudson e chegou a trabalhar como médico um ano no Salk Institute antes de se dedicar à carreira de escritor em tempo integral
Eu tinha tudo de Jurassic Park, desde camisas e livros até maquetes e revistas especializadas. Não tinha passado por este vício desde o primeiro Batman de Tim Burton em 1988. Quando fui a Universal Studios na Florida, a excursão não ia ao local de Jurassic Park, portanto entrei numa discussão com o os guias de que eu, com 15 anos, havia pago uma viagem caríssima e não ia ver o que eu mais queria. Deixei eles lá onde estavam e fui sozinho, tirei fotos com os carros e com os modelos em tamanho real utilizados no filme escrito por Crichton.
Desde Odds On, O Homem Terminal até Jurassic Park e Next, os livros de Crichton deixam sua incrível capacidade de criar hisórias e envolver o leitor. Muitos filmes ainda vão sair baseados em seus livros, e acredito que Stan Winston e Crichton estejam só esperando a morte de Spielberg para fazer mais um grande blockbuster no céu.