Hoje vi três filmes no cinema (pra variar), e nenhum dos três me decepcionou. Começo pelo último pois foi o mais curioso. Sombras (Shadows - 1959) foi um dos primeiros filmes de John Cassavetes, um ator que nós que somos mais novos reconhecemos melhor pelo seu trabalho de ator em O Bebê de Rosemary e na série sessentista Viagem ao Fundo do Mar (que passa na TV a cabo). Alguns ainda lembram de Whose Life Is It Anyway?, filme de onde o comediante Drew Carey tirou o nome para o seu programa de tv.
Sombras não possui um roteiro bem definido, e isso se percebe logo nas primeiras falas do filme. As interpretações soam falsas, a movimentação um pouco caricata e os takes um pouco nervosos e acelerados. Na medida em que o filme avança, esquecemos a falta de roteiro para prestar mais atenção na evolução que o filme trás ao longo de 81 minutos de descoberta cinematográfica. Descoberta sim, pois ao final do filme Cassavetes revela que toda a película foi uma improvisação. Isso mesmo, é claro na passagem do tempo o desenvolvimento da intepretação, a interação entre os atores, o conforto na frente da câmera, e da parte da produção vê-se que a câmera passa a ser mais forte, quase que como mais um personagem da cena que de repente se habituou a conviver com aquelas personas. Esta passagem é um show a parte.
Basicamente o filme não tem uma história, mas gira em torno de 3 irmãos (02 jovens e 01 garota) que tentam passar o seu dia-a-dia da melhor forma possível. A garota, a mais nova, busca um amor sincero e confiável, mas ao mesmo tempo gosta de provocar os homens. O irmão mais velho é um cantor cuja fama aos poucos decai na medida em que novos shows mais populares são apresentados nos cabarets. O irmão do meio é um trompetista de jazz que adora farrear com os amigos mas vê seu ganha pão indo embora por causa da forte ascensão do rock'n'roll nos bailes da cidade (mostra de forma implicita esta passagem dos jovens que largaram as danças com as bands de jazz para dançar o rock e o twist). Os irmãos ainda tem que lidar com o preconceito racial e os males da cidade.
Outra coisa legal foi que só haviam 3 pessoas na sala (contando eu) e o técnico do cinema demorou a colocar o filme. Como a sala 02 do Estação Botafogo é pequena, levantei e fiquei olhando lá pra trás onde o técnico pegou aquele rolo enorme de filme, observou os fotogramas, colocou na máquina e botou pra rodar! Pura nostalgia que só os filmes mais antigos podem trazer. Ver aqueles milhares de quadros no rolo de filme pra mim já valeu o ingresso.
Dificilmente você vai ver este filme no cinema com esta facilidade que eu tive, mas vale a pena baixar (duvido que você consiga alugá-lo) e fazer uma sessão meio "cinemão dos anos 60". Fico pensando também onde estão hoje esses atores, todos tinham aqueles rostos jovens e agora estão velhinhos, mas será que estão atuando? Será que estão vivos? Mais uma curiosidade, John é pai de Nick Cassavetes, diretor de filmes bem atuais como Alpha Dog.
Crítica - Sombras: Cassavetes
domingo, novembro 16, 2008
Crítica: Indiana Jones e a Caveira de Cristal
sábado, maio 24, 2008
Sem dúvida Harrison Ford e Karen Allen estão velhos, mas isso não é motivo para não se fazer um ótimo Indiana Jones. O filme, até certa parte, trás toda a emoção, aventura e gags de um verdadeiro filme de Indiana Jones. Até o fato de lidar com o Puc (Puc é como Spielberg chamava seu "E.T." cabeçudo de Contatos Imediatos do 3º Grau), não estragou o inicio da aventura, pois a mensagem alienigena estava apenas implicita com um Dr. Jones sempre descrente das teorias de Cate Blanchet. Misticismo e sobrenatural sempre estiveram presentes nos filmes de Indy (a Arca da Aliança, o Templo da Perdição e o Santo Graal), mas neste eles se superaram no mau gosto.
Claro que há exageros como Shia LeBouf virando o personagem de Edgar Rice Burroughs (Tarzan seus incultos!) , a queda nas cachoeiras (pelo amor de Deus, nem tentaram disfarçar que filmaram em Foz do Iguaçu, pior que isso só as ruínas de Petra/Jordânia na Última Cruzada), as piadas previsíveis, os tiroteios que não acertam ninguém e a explosão nuclear (totalmente desnecessária), mas dá pra engolir e é um filmaço de Indiana Jones até que eles chegam no templo. Daí a coisa foge de controle...
Sei que é dificil manter um estilo antigo (afinal como artista, como você vai fazer a mesma arte de anos atrás? É impossível lembrar o seu conhecimento ou feeling a 15 anos, sempre vai ter algo de novo incomodando), mas trazer as caracteristicas de um blockbuster do ano 2000, para uma saga histórica que marcou o cinema nos anos 80, é um pecado muito grave. Eu já estava esperando nas cenas de ação começar a tocar uma música do Linkin Park ou do System of a Down como trilha da aventura.
Não siga adiante se ainda não viu o filme. Estes exageros aparecem nos enormes blocos que se movem, a sala dos E.T.s com esqueletos de cristal, a destruição de uma cidade de pedra inteira e pra piorar, um enorme disco voador. E pra chorar de agonia e fazer qualquer múmia, cavaleiro do Graal ou nazista rolar na cova, a explicação é de que são seres interdimensionais!! Camon people!!! Dá pra cair nessa? Estragaram o final de um bom filme com um absurdo.
Pelo jeito o único que acertou com estes "Revivals" foi Stallone com Rocky (por que o novo Rambo não é bom) que manteve o mesmo clima do primeiro filme. Quando vão aprender que se quiser fazer um novo filme de uma saga clássica, seja simples, pense pequeno, não tente fazer o melhor filme da saga ou a melhor película de todos os tempos. É tiro no pé na certa.
O filme diverte, é muito bom e vale a pena ver, mas sugiro esperar passar na Tela Quente ou Sessão da Tarde (isso mesmo, uam turma do barulho arrumando muita confusão), pois não passa de um filme tipo "passatempo". Se quiser ver um filme bom veja um filme da produtora Marvel Studios que entra este ano com todo o gás na indústria de filmes de super-heróis. E rezem para que Spielberg e George Lucas susseguem o facho e voltem a fazer apenas os filmes adultos que começaram a fazer na década de 90.