Sem dúvida Harrison Ford e Karen Allen estão velhos, mas isso não é motivo para não se fazer um ótimo Indiana Jones. O filme, até certa parte, trás toda a emoção, aventura e gags de um verdadeiro filme de Indiana Jones. Até o fato de lidar com o Puc (Puc é como Spielberg chamava seu "E.T." cabeçudo de Contatos Imediatos do 3º Grau), não estragou o inicio da aventura, pois a mensagem alienigena estava apenas implicita com um Dr. Jones sempre descrente das teorias de Cate Blanchet. Misticismo e sobrenatural sempre estiveram presentes nos filmes de Indy (a Arca da Aliança, o Templo da Perdição e o Santo Graal), mas neste eles se superaram no mau gosto.
Claro que há exageros como Shia LeBouf virando o personagem de Edgar Rice Burroughs (Tarzan seus incultos!) , a queda nas cachoeiras (pelo amor de Deus, nem tentaram disfarçar que filmaram em Foz do Iguaçu, pior que isso só as ruínas de Petra/Jordânia na Última Cruzada), as piadas previsíveis, os tiroteios que não acertam ninguém e a explosão nuclear (totalmente desnecessária), mas dá pra engolir e é um filmaço de Indiana Jones até que eles chegam no templo. Daí a coisa foge de controle...
Sei que é dificil manter um estilo antigo (afinal como artista, como você vai fazer a mesma arte de anos atrás? É impossível lembrar o seu conhecimento ou feeling a 15 anos, sempre vai ter algo de novo incomodando), mas trazer as caracteristicas de um blockbuster do ano 2000, para uma saga histórica que marcou o cinema nos anos 80, é um pecado muito grave. Eu já estava esperando nas cenas de ação começar a tocar uma música do Linkin Park ou do System of a Down como trilha da aventura.
Não siga adiante se ainda não viu o filme. Estes exageros aparecem nos enormes blocos que se movem, a sala dos E.T.s com esqueletos de cristal, a destruição de uma cidade de pedra inteira e pra piorar, um enorme disco voador. E pra chorar de agonia e fazer qualquer múmia, cavaleiro do Graal ou nazista rolar na cova, a explicação é de que são seres interdimensionais!! Camon people!!! Dá pra cair nessa? Estragaram o final de um bom filme com um absurdo.
Pelo jeito o único que acertou com estes "Revivals" foi Stallone com Rocky (por que o novo Rambo não é bom) que manteve o mesmo clima do primeiro filme. Quando vão aprender que se quiser fazer um novo filme de uma saga clássica, seja simples, pense pequeno, não tente fazer o melhor filme da saga ou a melhor película de todos os tempos. É tiro no pé na certa.
O filme diverte, é muito bom e vale a pena ver, mas sugiro esperar passar na Tela Quente ou Sessão da Tarde (isso mesmo, uam turma do barulho arrumando muita confusão), pois não passa de um filme tipo "passatempo". Se quiser ver um filme bom veja um filme da produtora Marvel Studios que entra este ano com todo o gás na indústria de filmes de super-heróis. E rezem para que Spielberg e George Lucas susseguem o facho e voltem a fazer apenas os filmes adultos que começaram a fazer na década de 90.
Crítica: Indiana Jones e a Caveira de Cristal
sábado, maio 24, 2008
Crítica: Leões e Cordeiros
sexta-feira, novembro 23, 2007
Uma pena que os bobões que frequentam cinema só por causa de propaganda e passatempo nem verão este filme. Nós sempre desconfiamos um pouco quando um ator resolve sentar na cadeira de diretor e começar uma carreira por trás das câmeras. Porém, muitos provaram que esta idéia errônea não se aplica em alguns casos. Robert Redford, Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima e Conquista da Honra), Sylvester Stallone e até alguns mais recentes como Zachary Braff (da série Scrubs, diretor de Garden State - Hora de Voltar), fizeram ótimas películas renovando o verdadeiro cinema, indo contra os clichês e fórmulas de fácil assimilação de Hollywood.
Durante o tempo do filme, 3 histórias acontecem em paralelo mostrando a hipocrisia, o descaso e a falta de engajamento da sociedade em geral, políticos, estudantes, professores e do povo. Não é o político o responsável pelo mal, pelas escolhas erradas, a falta de visão social do povo e a distorção e afastamento da realidade é a culpada pela condição do mundo.
A primeira história trata de um aluno inadimplente que insiste em faltar aulas mesmo tirando notas altíssimas nas provas. O professor (Robert Redford) dá uma lição de moral, mostrando não só sua preocupação com o aluno, mas a sua revolta com a banalização, com a forma como o estudante trata os acontecimentos do mundo e de seu país. A segunda história é uma jornalista (Meryl Streep) que revisita os seus valores e do jornal onde trabalha, após falar com um senador (Tom Cruise) responsável por ofensivas militares no Afeganistão. A terceira história são dois alunos do professor interpretado por Redford que por sua condição de "Outsiders" em uma universidade de estudantes ricos e brancos, se alistam no exército para mostrar que se importam, acabando ambos no Afeganistão.
Me surpreendi com este filme. Não chega aos pés de Todos os Homens do Presidente (além de ser totalmente ficcional) nem de Os 13 Dias que Abalaram o Mundo ou JFK, mas possui boas tiradas, partes para refletir e discutir e ainda, não insere no conteúdo da filmagem nenhum clichê barato de Hollywood como fez Babel, Crash ou Traffic (você sabe, clichês sobre ricos, pobres, preconceito, descaso, etc.). O fim não tenta explicar o filme, o que foi ótimo para o tema pois deixa ao espectador tirar suas próprias conclusões sobre: Qual a razão para viver? Qual a razão para morrer? Qual a razão para lutar? Qual a razão para resistir? ("quotando" o filme)
Vale a pena, não perca Leões e Cordeiros (Lions for Lambs) da 20th Century Fox, um filme bom entre tantas porcarias no cinema ultimamente. Aproveite enquanto pode, pois 2008 promete ser o pior ano do cinema nesta década por causa da greve de roteiristas (em andamento), atores e diretores (ano que vem). Para maiores informaçoes sobre a greve consultem os links ao lado sobre o Writers' Guild. Abraços a todos, keep the faith in the big screen!
Site oficial: http://www.lionsforlambsmovie.com