Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens

Melhores Filmes Românticos

sábado, dezembro 25, 2010

Conversando com uma amiga no Facebook sobre o filme (500) Dias com ela, parei para pensar, é sempre difícil aceitar ver um filme ou comédia romântica com a namorada, com a esposa, uma amiga ou mesmo com um grupo que tem mais mulheres que homens. Mas será isso uma constante? Eu digo que não. Existem dezenas de filmes românticos que você pode ver acompanhado e ainda assim aproveitar o filme e se identificar com os personagens e situações.

Fiz uma lista de filmes para você sugerir imediatamente sempre que namoradas, esposas ou amigas quiserem te obrigar a ver filmes que você não quer (pelo menos esses são bons). Considerei 30 filmes que estão entre os meus 50 favoritos de todos os tempos, daqueles que sempre paro para ver de novo se estiver passando. Dividi a lista em duas partes para não ficar cansativa. Fiquem tranquilos que tirei todos os insuportáveis filmes de Jennifer Aniston e Julia Roberts. A lista não está em ordem de preferidos.

1. 500 Dias com Ela (500 Days of Summer)
Dos filmes citados aqui, o mais recente. Eu também tive vários momentos de Tom Hansen na minha vida, mas nada melhor do que um filme com a bela Zooey Deschanel para curar qualquer coisa. Destaque para Joseph Gordon-Levitt da série 3rd Rock From the Sun. Veja o trailer.



2. Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle)
Não gosta de Meg Ryan? Mas você vai gostar desse filme da época em que não tinhamos internet. Aborrecido com a tristeza do pai, que está viúvo há um ano e meio e não consegue se recuperar da morte de sua esposa, um garoto liga para um programa de rádio à procura de uma namorada para ele. Longe dali está Annie Reed que, viajando de carro, ouve o programa e acaba apaixonada. Veja o trailer.



3. O Pescador de Ilusões (The Fisher King)
Definitivamente o meu preferido. Muito antes do Rappa fazer a música, este nome já era conhecido. Com Jeff Bridges, Robin Williams e Amanda Plummer (frilha de Christopher Plummer), não é possível ter um filme ruim. O filme emociona pela delicadeza com que aborda a história do mendigo Perry e a redenção do personagem de Bridges. A declaração de amor de Perry na escadaria é uma das melhores cenas do cinema.



4. Harry & Sally - Feitos Um para o Outro (When Harry Met Sally)
Apesar do preconceito contra as comédias românticas de Meg Ryan, Billy Crystal é o cara. Não tem como não se identificar com Harry, afinal, quem nunca se apaixonou por uma melhor amiga? Atenção para a cena do orgasmo no restaurante, uma cena que é reprisada em todas as apresentações da noite do Oscar.



5. ABC do Amor (Little Manhattan)
Eu também tive algumas Rosemarys quando criança. Sabe aquela sensação de sentir falta de alguém e não sabe o porquê? Não saber exatamente o que é amor, mas querer ver aquela menina de novo e cada vez mais, todos os dias? Little Manhattan é essa descoberta.



6. Quero Ser Grande (Big)
Mais do que uma comédia romântica, é uma comédia sobre descobertas e o prazer de ser criança. Não tem como não gostar do personagem de Tom Hanks e seu relacionamento com Elizabeth Perkins. A cena final também é uma daquelas que mais me emocionam.



7. Além da Eternidade (Always)
Um filme de Steven Spielberg com Richard Dreyfuss e a Bonequinha de Luxo Audrey Hepburn. Parece uma mistura de filme de ação com romance, mas é uma maravilhosa história sobre seguir adiante.



8. Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time)
Esse filme me marcou muito quando pequeno. O eterno Superman Christopher Reeve e a Medicine Woman Jane Seymour trazem uma história de amor impossível em épocas diferentes.



9. Procura-se Amy (Chasing Amy)
Um clássico de Kevin Smith (O Balconista) que serve para nerds, geeks e pessoas comuns. Um escritor de histórias em quadrinhos vira melhor amigo de uma lésbica e descobre que cada vez mais está se apaixonando por ela.



10. Ilusões Perigosas (Haunted)
Mistura de horror fantasmagórico com romance, tem uma das melhores trilhas sonoras de piano que já ouvi. Um professor vai investigar relatos de fantasmas em uma casa de campo. Lá se apaixona por uma moça enquanto percebe estranhos acontecimentos na residência.



11. Círculo de Paixões (Inventing the Abbots)
Apesar de filmes com muita gente bonitinha me incomodar (pois o mundo tem suas imperfeições), esse texto é muito bom. Dois irmãos cortejando três irmãs com as quais não podem ficar.



12. Eterno Amor (Un Long Dimanche de Fiançailles)
A tradução para o português deste filme não faz juz a sua história. É uma história de guerra. Ok, mas por que é romântico? Por que a menina de Amelie Poulain passa o filme todo atrás de seu amado sumido durante a primeira guerra mundial. Ver esse filme no cinema foi umas melhores experiências cinematográficas da minha vida.



13. Meu Primeiro Amor (My Girl)
Sério, me apaixonei várias vezes por Anna Chlumsky quando era criança só por causa desse filme. Se você, como eu, viu esse filme quando criança, ele se torna um marco, mas mesmo para adultos, não tem como não se emocionar.



14. Amor nos Tempos do Cólera (Love in the Time of Cholera)
Javier Berden está em alta e vale a pena ver a adaptação de Gabriel Garcia Márquez. Um homem se apaixona por uma mulher que também o quer. Eles são afastados pelo pai dela mas, quando ela retorna, nada mais quer com ele. Ele passa a acompanhar sua vida, sonhando com o momento em que ficarão juntos.



15. Amor Além da Vida (What Dreams May Come)
Robin Williams vem nesta bonita produção. Os filhos de um casal morrem em um acidente e o casal é bastante afetado. Quatro anos depois é a vez do homem morrer em um acidente e ser mandado para o paraíso. O paraíso é mostrado para ele como uma das pinturas de sua esposa, e ele fará de tudo para reecontrá-la neste lugar.



16. Fonte da Vida (The Fountain)
Bem, a temática não é tão romântica assim, mas emociona a luta do pesquisador médico vivido por Hugh Jackman para salvar sua esposa interpretada pela bela Rachel Weiss.

+ Continue a ler este texto

Crítica: Resident Evil 4 - Recomeço

domingo, outubro 03, 2010

Eu li críticas na internet de pessoas confiáveis e já sabia o que esperar. Resident Evil Recomeço (Resident Evil: After Life) mantém o que você já viu nos filmes anteriores, sangue a lá Tarantino, mulheres lindas com metralhadoras e espadas, veículos futuristas japoneses, os surrados carros tipo Mad Max e ainda, os zumbis mutantes.

Depois de uma descrição dessas você espera ver um filme de Ed Wood né? Relaxe, é Paul W.S. Anderson (não confundir com Paul Thomas Anderson). Este filme não é o After Life de Liam Neeson e Christina Ricci, mas também têm mortos. E põe mortos nisso. O filme não trás absolutamente nada de novo, diversas coisas copiadas, diversos conceitos muito conhecidos da cultura pop. Isto estragou um pouco a produção pois como leio muito, vejo muitos filmes e dezenas de seriados, é difícil algo me surrpreender como foi com Kick-Ass.

Estão lá as pessoas pessoas confinadas em um presídio com mortos ao redor como nos quadrinhos indie The Walking Dead. As multiões absurdas de zumbis foram usadas no último de George Romero e em Zumbilândia. Os cenários e veículos futuristas da corporação Umbrella são das animações de Final Fantasy e Apple Seed. Apenas o vilão foi copiado dos jogos (se parece com Matrix, mas é mais antigo, dos primeiros Resident Evils). Coitado é do Shinji Mikami, criador dos games... Só a idéia do game é utilizada, o restante é descartado sem piedade.

Mas é uma ótima diversão. O 3D realmente trás um nível de imersão às cenas que é fantástico, mesmo em uma história sem pé-nem-cabeça. Eu me senti como gosto, dentro do filme. Tudo foi trabalhado em prol da experiência 3D. Coisas que caem, objetos lançados na direção da tela, tiros sem parar e em câmera lenta, cenas mentirosas que dão prazer de assistir e monstros que parecem saídos de um conto de H.P. Lovecraft. Fique atento para o gigante do machado que não tem explicação de existir (totalmente Deus ex-machina), mas fica muito legal em 3D.

O 3D ajuda, mas este filme não passa de um episódio de série de TV, não tem cara de filme. Desde o início da saga que Alice procura sobreviventes, e em todos os filmes isso é tudo o que ela faz, tentar se vingar e cuidar dos sobreviventes com o mínimo de baixas possível. Veja no cinema, ou não veja.

Não vale a pena vê-lo depois em 2D na sua TV LED 40'. É para ser visto no cinema e em 3D. O que acho risível é as lindas Milla Jovovich (The Three Musketeers) e ELi Larter (Heroes) em entrevista ao Omelete falando como se este fosse Shakespeare e que a atuação é de primeira... Mas não tem problema, o rosto de Mila já faz meu coração bater mais forte!

+ Continue a ler este texto

As Melhores Animações

segunda-feira, abril 05, 2010

Como acho que as pessoas não estão entrando muito nos meus canais do Vimeo e YouTube, decidi por postar minhas animações preferidas por aqui mesmo. Muitas são animações que ganharam o Oscar, outras são ótimos trabalhos de amadores, mas todas têm em comum a paixão por contar uma história. Sejam toscas ou vencedoras do Oscar, aproveitem, vejam e comentem. Para uma experiência melhor, espere carregar o video por completo.







+ Continue a ler este texto

Crítica Filme: Educação

sexta-feira, março 12, 2010

Quando eu viajava para a Bahia com os amigos em época de carnaval, apesar de me sair bem, eu não tinha o mesmo desempenho que meus amigos mostravam na folia. Eles diziam que eu parecia um lorde inglês. Não por ser convencido ou pomposo, mas pelas coisas que eu conversava, jeio que falava e sendo educado demais. Talvez seja por isso que eu gosto de ver este tipo de filme, por mais que a história seja cliché.

Talvez incoscientemente eu tenha o desejo de ter nascido em uma época de inocência (nem era tanto assim) como a era vitoriana ou os anos 60 (antes da revolução sexual), e ter sido o homem pelo qual as meninas ficam fascinadas pelo estilo de vida libertário, moderno, inteligente e louco.

Por que clichés? Por que a história da menina tímida e controlada pelo pai (Alfred Molina) que se apaixona pelo homem mais velho, experiente e inconsequente já foi feita em dezenas de filmes, centenas de séries e milhares de livros. Nada é novo. A história, a ambientação, os bailes de jazz, a cultura francesa, a sociedade inglesa, as escolas rígidas, tudo está lá.

Mas o que faz do filme tão bom? Boa pergunta. O alarde feito em torno da produção não é justificado visto o que é apresentado, entretanto a atuação, figurino e fotografia tem seus méritos. Até a adaptação do roteiro ficou boa, só poderiam ter feito um "twist" melhor para que a história não fosse uma sequencia de coisas previsíveis.

Educação (An Education) é a história de Jenny, uma menina de 16 anos (intepretada por Carey Mulligan de 24 anos), que vive com o pai que insiste que ela passe para Oxford, e a mãe dividida entre apoiar os gostos da filha ou os caprichos do marido. Jenny toca violoncelo, adora música e ama francês, mas isso não irá ajudá-la a entrar em Oxford, portanto ela tem que melhorar suas notas em latim.

Após um concerto na escola onde ela toca violoncelo, Jenny conhece David, um homem mais velho do qual ela desconfia no incio, mas logo fica fascinada com seus amigos e estilo de vida. Parece que David não quer nada, apenas apreentar o mundo de verdade para a menina, mas aos poucos Jenny descobre que não é a primeira vez que ele faz isso.

Peter Sarsgaard tem aquela cara que serve tanto para galã de filme de época quanto para vilão de filme do Bruce Willis, mas apesar de sua ótima atuação, é um daqueles atores estilo Selto Mello, ou seja, não importa o personagem, é sempre o mesmo tipo de atuação, é sempre igual.

Já Carey eu não posso falar muito pois não vi muitos trabalhos dela, entretanto não há como não elogiar a "beleza inglesa" da novata, sua aparência em roupas de época e expressões de raiva e tristeza fazem com que você queria ter uma mulher assim do seu lado. Me lembra Larisa Oleynick do seriado Alex Mack.

Na minha opinião quem roubou a maioria das cenas foi Danny (Dominic Cooper) e a bela Helen (Rosamund Pike), o amigo de David e a namorada burra de Danny. Alfred Molina (a.k.a. Dr Octopus) e Emma Thompson são atores de alto escalão que foram mal aproveitados neste filme. Senti falta também de uma força "Pink Floydiana" de revolta, de luta contra o sistema escolar inglês e suas tradições e rigidez. Parece que quando seu sonho pode não dar certo, Jenny simplesmente volta a fazer o que todo mundo espera dela pedindo de joelhos para ser aceita de volta no sistema.

Isso realmente não ensina nada às novas gerações que precisam lutar contra as tradições, contra preceitos culturais que ficam arraigados nas raízes da sociedade e que nosso pais e avós (principalmente quando não têm instrução) trazem no insconsciente como se fosse lei. Você não deve se machucar, ferir os outros e se destruir, o restante tudo é válido. Não existe lei quando o objetivo é ser feliz (e se tiver que visitar Paris, por que não?).

Os cinemas do Grupo Estação nas salas de Botafogo, RJ, melhoraram seus assentos. Vale a pena conferir. Está bem melhor e mais confortável. Ah, e o cheiro de carpete dos assentos de cinemas antigos continua lá.


+ Continue a ler este texto

Crítica: 2012

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Não, não foi para testar novas tecnologias, e nem para apresentar um novo clássico, 2012 é ruim. Ruim em diversos aspectos. A quantidade de clichés cinematrográficos é tão grande que chega-se ao ponto em que fica impossível contá-los ou listá-los. Fui ver 2012 no dia em que tentei ver Avatar, mas descobri que as sessões de Avatar estavam todas lotadas. Pelo marketing entorno da produção, você acaba ficando curioso para ver o que mais um filme catátrofe de Roland Emmerich pode lhe trazer.

O filme começa como todo filme blockbuster feito para o senso comum. Um grupo de cientistas, como no "Dia em que a Terra Parou" com Keanu Reeves, abre o filme descobrindo a catástrofe iminente. No início eles não acreditam, mas quando vêem que a coisa é séria tentam convencer o governo, mas ninguém acredita de primeira. Após convencê-los, por coincidência (e para acelerar o filme) há uma reunião do G8 em andamento. Agora o presidente americano pode anunciar aos líderes mundias que o mundo vai acabar, no melhor tom dos grandes pioneiros e pastores americanos, um discurso a lá Independence Day.

Segue a introdução dos personagens que criam a empatia com a história (alguém lembrou de Syd Field?). Por enquanto nada aconteceu, a não ser rachaduras nas ruas que assustadoramente perseguem os carros exatamente na direção para onde se dirigem. De repente, quando o presidente resolve falar na TV, aí sim a Terra fica zangada e começa a destruição de verdade (pô senhor presidente, que papelão!).

Nisso seguem diversas frases de impacto como "Hoje salvamos o mundo", "Hoje a humanidade se despede" e outros clichés do discurso de filmes para as massas. Milagrosamente a energia em todos os Estados Unidos não caiu, todos estão com as luzes acesas, usam seus notebooks sem economizar energia e conseguem se comunicar por celular com o mundo inteiro, mesmo sem antenas. Um viva para os satélites!

Como se sabe, o mundo não vai acabar de verdade. Os maias, por acaso, só escreveram seu calendário até 2012, mas nunca disseram que seria o fim do mundo. De repente quando Cortez (ou foi Pizarro?) chegou para destrui-los, não deu tempo de fazer 2013? A realidade é que ninguém fala de fim de mundo neste ano em específico. Tomara que não achem no futuro aquele calendário legal na caneta colorida que eu tinha quando criança, pois ele só vai até 2040!

Quando 2012 começa eu pensei estar vendo Guerra dos Mundos de Steven Spielberg, com Tom Cruise. O pai separado que tem que cuidar dos filhos nos finais de semana. A filha adora o pai mas o filho mais velho odeia. No decorrer do filme eles vêem que têm muita coisa em comum e fazem as pazes. O herói faz as pazes com a ex-esposa e todos vivem felizes para sempre pois a tragédia acabou milagrosamente.

Depois pensei peraí, não é Guerra dos Mundos, é The Cosby Show! Nada contra, o bisavô da minha mãe era afro-brasileiro casado com uma mulher branca, mas colocar todo o elenco de "líderes do filme", todos como afro-americanos? Por favor expliquem o porquê. Por causa da eleição do Obama? Não sei... Sei que é a terceira vez que vejo a cara de Danny Glover suja de pó branco (a primeira foi em Máquina Mortífera e a segunda em Predador II).

Quando fazia arte sequencial (lê-se quadrinhos), normalmente guardava uma caixa de imagens de referência para desenho de pessos e objetos. A impressão que tive ao ver 2012 é que pegaram essa caixa de referências e simplesmente usaram para fazer um filme. Lembra daquelas mesmas imagens que aparecem em todos os filmes catástrofe, por exemplo, muçulmanos rezando em Meca ao redor do cubo, multidão no Vaticano, judeus no muro das lamentações, não é brincadeira, as imagens são exatamente as mesmas em todos os filmes, para dizer que a população mundial se uniu contra a tragédia.

Agora vamos a alguns bloopers. Na India, o amigo de Adrian Helmsley estuda a movimentação das placas tectônicas com computadores altamente sofisticados enfiados em uma mina, com um pequeno ventilador branco em cima da mesa, enquanto o cientista-chefe coloca gelo nos pés! Meu Deus, os computadores têm coolers alienígenas? Como são refrigerados? E os computadores com interfaces complexas de globos em 3D que se atualizam em tempo real? Onde eles arranjam esses brinquedos maravilhosos? (citando Coringa). E na decisâo de abrir as portas, os americanos sâo os ùltimos a decidir fazer a coisa certa.

Outra coisa que me incomoda é por que o personagem de John Cusak nunca jogou na loteria federal americana. Quando o chão está desabando no último segundo o avião sobe. Quando o viaduto está caindo, no último segundo o carro passa, quando o trailer cai no buraco, no último segundo ele pula! Meu Deus cara, vai pra Las Vegas! Será que não podiam pelo menos ter disfarçado isso né? E fala a verdade, a garotinha usou fraldas no início do filme só como pretexto para fazer a piada de fechamento da produção...

Parabéns também à equipe de product placement que não tentou esconder nada. A Sony deve ter pago um dinheirão para que todos os notebooks no filme fossem Sony Vaio. Não vou nem falar do carro Bentley. Aliás, quanto a Globo pagou para aparecer no filme? Para piorar todo termo americano foi traduzido como algo "familiar" à cultura brasileira, o que soa ridículo (trocar Kumbaya por "cantar um coro"), já é tempo de estarmos familiarizados com os termos usuais dos filmes que vemos, não precisa inventar termos abrasileirados.

Filmes encomendados à parte, os efeitos especiais são muito bem feitos, é fantástico ver toda a destruição tão bem produzida pela equipe de pós-produção (com exceção dos cromaquis - fundos verdes - quando os atores estão em cena, principalmente viajando de carro, muito mal feito). Não vejo a hora de receber minha revista Cinefex para ver como foram feitas as cenas de desabamento.

O que ainda me incomoda nos efeitos de certos filmes como este e Avatar, é o uso de técnicas de renderização de radiosidade e/ou tipo v-ray que fazem com que todas as cenas de efeitos tenham um tom escurecido, acinzentado e com sombras exageradas. Você nunca vê uma cena de efeitos em campo muito aberto, muito de perto e/ou com luz do sol muito evidente. Isso iria deixar o visual de 2012 com cara de Toy Story.

Minha reclamação vai mais uma vez à equipe do Cinemark Botafogo que estava extremamente desorganizada neste dia pois não conseguiram administrar a quantidade de pessoas nas salas de cinema para ver o filme Avatar.

Poucos funcionários e medo de que pessoas entrassem em salas sem pagar fez com que fossemos enviados a porta de emergência para sair pela parte de trás das salas, sem ninguém da rede Cinemark para nos guiar pelas escadas. Tinham velhinhas nas salas com netos que estavam com dificuldade de descer as escadarias e diversas pessoas perdidas sem saber como sair no mesmo andar em que estavam. Cinemark está cada vez mais piorando os seus serviços, esta minha experiência foi péssima.


+ Continue a ler este texto

Crítica: Avatar 3D

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Por um milagre daqueles que acontecem de repente, consegui ver Avatar em 3D na primeira semana. Um amigo comprou os ingressos com antecedência e não pôde ver, portanto o ingresso a mais ficou para mim. Cinema lotado, semana lotada, Avatar é a sensação da semana nos cinemas de todo o país. É um deleite visual tanto para o cinéfilo quanto para os que vão ao cinema por passatempo. Mesmo sabendo que não passa de um exercício de James Cameron para testar a nova tecnologia, vale a pena conhecer o mundo de Pandora, seus clichés, sua semelhança com outros filmes ou os sons e modelos 3D aproveitados pela Industrial Light & Magic (ILM) a partir de outros filmes feitos no passado.

Antes, um pouco de história do cinema. Lawrence da Arábia (Peter O'Toole) é enviado como espião para verificar o avanço dos árabes na luta contra os turcos durante a I Guerra Mundial. Lawrence eventualmente consegue unir várias tribos árabes na luta contra o império otomano ao lado de um general britânico. Agora pense bem. Um estrangeiro é enviado para conhecer e espionar um povo. Este se identifica com a cultura e com a causa e, através do seu carisma e vitórias, consegue unir tribos para lutar por um objetivo em comum.

Avatar conta a história do fuzileiro naval Jake Sully que fica paraplégico no campo de batalha. Seu irmão é um cientista em um projeto secreto do governo na busca de novas fontes de energia em um planeta distante. Neste planeta os cientistas humanos tentam uma aproximação maior com os nativos, os Na'vi, se passando por seres da espécie através de uma técnica chamada Avatar. Os avatares são corpos alienígenas criados geneticamente mas que não possuem consciência, ou seja, são inertes até que uma consciência humana seja transmitida a eles por um sofisticado maquinário que lembra Matrix.

O irmão de Jake morre em campo, e como o avatar está programado para o DNA da família, só Jake, irmão gêmeo, pode substituir o irmão no controle do ser. Jake aceita a missão e trabalha para os cisntista enquanto uma empresa inescrupulosa e um general linha-dura pedem que ele investigue o povo desconhecido e suas intenções de se mudar do local onde há mais minérios. Eventualmente Jake simpatiza com a raça indígena local e resolve protegê-los custe o que custar.

Diferente de técnicas convencionais de motion-capture como as utilizadas por Robert Zemeckis (revolucionárias na época), onde o ambiente digital é adicionado após os atores, a nova camera de James Cameron permite observar nos monitores como os personagens virtuais interagem com o mundo digital, tudo em tempo real, da mesma forma como é filmado em locações reais. É possível voar por cima da cena, mudar ângulos, é como uma miniatura viva.

Outra técnica é um novo recurso que permite captar expressões faciais com uma câmera na frente da face do ator transmitindo os movimentos ao computador. Também era possível aos atores interagir com os seres virtuais no set de filmagem. Peter Jackson, Steven Spielberg e Geroge Lucas chegaram a visitar os sets de Avatar para ver a nova tecnologia em operação.

Agora vamos parar para analisar o áudio-visual. Por ser um exercício, talvez James Cameron não tenha se preocupado em disfarçar certas "reciclagens" de outros filmes. Os sons dos animais na floresta de Pandora são exatamente os mesmos utilizados na série Jurassic Park. Os gritos do velociraptor, o ataque do T-Rex, todos os sons foram aproveitados de forma explícita. Muitos dos modelos 3D de naves e mechas (lê-se 'mekas', os robôs que permitem um homem dentro), são aproveitados de filmes como Matrix (nã osei se a ILM fez Matrix, mas o conceito é idêntico).

Os Na'vi são o povo de Apocalypto de Mel Gibson (a diferença é que, diferente de George Lucas que cortou os Wookies no meio para fazer Ewoks, Cameron fez um smurf gigante). Ah, e tem a comemoração do final do Retorno de Jedi quando a batalha é ganha (alguém falou nas casas iluminadas no topo das árvores?).

Alguns clichés são as cenas de romance (como a alienígena sabia o que era um beijo?), o se apaixonar por outra espécie, o estrangeiro (ou inapto) ser o "the chosen one", Jake dominar uma fera alada que só os grandes da tribo já tinham domado, o general louco que força a barra da guerra e ainda o homem de negócios interpretado por Giovani Ribisi que lembra o personagem de Paul Reiser em Aliens (toda vez que Sigourney Weaver levantava da cama do avatar e acendia um cigarro eu me lembrava da Sgt. Ripley).

Não senti muita diferença no uso do 3D, apesar de meus amigos terem percebido mais efeitos de profundidade do que eu. A impressão que tive é de assistir ao antigo brinquedo americano View Master, só que em uma tela grande. Claro que muitas cenas levantaram piadas. A pintura de Jake que nem a do grupo Timbalada, onde estavam os Na'vi gordos, a Ana Lucia de Lost (Michelle Rodriguez), Sam Worthington que não consegue ser humano no cinema, os Nazguls (Senhor dos Anéis) pilotados pelos Na'vi, as plantas de fibra ótica, a árvore da vida do parque da Disney, entre outros. Ainda me incomoda todo alienígena do cinema ser humanóide (o que em Avatar é até que justificável). A semelhança com atores reais foi desnecessária (a cara de Sigourney Weaver no Na'vi vai me dar até pesadelos).

Reaproveitamentos a parte, o filme tem um visual fantástico e uma idéia forte sobre a ligação com a natureza. Pandora não mostra a baboseira espiritual de "Gaia" ou qualquer outra teoria hippie de conexão com a Terra, a união dos Na'vi com seu mundo, plantas e animais, é física, é uma rede neuronal, é algo palpável e real. O design é maravilhoso, a criação de híbridos de criaturas com plantas, a floresta detalhista, o trabalho de 3D super elaborado, tudo acrescenta à obra de Mr. Cameron.

Meus parabéns aos cinemas da rede Kinoplex (fui no da Tijuca pela primeira vez). Não achei as cadeiras tão confortáveis, mas as salas são excelentes, tudo bem organizado e as pessoas viram o filme quietas, sem falar muito ou comer pipoca do meu lado (thank god...). Os novos cinemas do grupo Severiano Ribeiro são uma boa opção contra os cinemas da rede Cinemark que não acompanharam as mudanças visuais e organizacionais das salas mundiais.



[Avatar Dublado]

Esta semana fui ver Avatar de novo, desta vez dublado, no UCI do New York City Center na Barra da Tijuca. Ver o filme dublado permite reparar em diversos elementos da construção visual que antes passaram despercebidos por causa das legendas. Mesmo falando inglês desde os 8 anos de idade, é difícil desviar os olhos daquela coisa amarela piscando na área inferior da tela, acaba chamando muito a atenção, como um banner chato.

No inicio você se sente estranho pois, além da falta de sincronização labial, as vozes parecem não pertencer ao filme. A trilha dos diálogos é eliminada mantendo os efeitos sonoros, mas percebe-se claramente que foram gravações diferentes, usando equipamentos diferentes, pois a dublagem é mais nítida e menos "estéreo" do que os demais sons. Entretanto, depois de uns 20 minutos já não se repara mais.

Claro que as falas dos Na'vis não foram dubladas, uma vez que a censura do filme é de 12 anos. Uma pena ver pais descerebrados levando crianças de menos de 9 anos para um filme destes sem saber do que se trata. Havia várias crianças pequenas na sala para ver os "bichinhos azuis", e quando a batalha realmente começa você vê os pais tapando os olhos das crianças, olhando de rabo de olho, levando a criança para fora do cinema ou reclamando da violência.

Pais, por favor verifiquem a censura! Na censura de 12 anos, menores podem entrar com os pais, mas isso não significa que se pode levar uma criança de 4 anos para ver pessoas explodindo, levando flechadas e se agredindo. Mas para pais aculturados, se o McDonalds vende os bichinhos então é filme de criança (da mesma forma que desenhos animados e quadrinhos adultos). Esses pais qualquer dia vão comprar gibi do Milo Mainara para seus filhos "por engano".

Creio que o problema maior na dublagem foram os dubladores conhecidos. A voz do chefe da mineradora é feita por Nizo Neto, o filho de Chico Anysio e dublador de Ferris Bueller. Toda vez que Nizo abria a boca eu lembrava de Matthew Broderick. Não encontrei quem foram os demais dubladores, mas a direção foi feita por Guilherme Briggs. E por favor caro Guilherme, por que os Na'vis falavam com sotaque de Recife? Tudo bem, meu pai é de Pernambuco, mas fica difícil engolir esses aliens com sotaque nordestino.

Apesar da dublagem não atrapalhar, a tradução é perturbadora. A péssima tradução poderia ser feita de forma limpa, clara, no entanto a tradução me lembrou Batman quando Robin grita Kawabanga e aqui foi traduzido como "Uh tererê". Durante todo o filme você vai escutar gírias cariocas e outras expressões brasileiras como "vamos nessa", "sujou", "filhinha, este é meu video", "meu querido", "chocante", "manero", "beleza", entre outras.  Isso é um grande erro até por que gírias são organismos vivos, daqui a cinco anos os adolescentes vão querer ver o filme e não vão entender. Opte por coisas neutras e seu trabalho se torna atemporal e menos ridículo. Por isso existem as dublagens toscas que vemos hoje na TV, de filmes como De Volta para o Futuro, tudo refeito. Saudade das dublagens clássicas...

Apesar da raiva de ter meus dois primeiros parágrafos apagados pelo Blogger (blogspot) por erro de sistema do Google, esta foi uma tentativa de replicar os dois primeiros parágrafos deste texto de atualização. É complicado quando você desenvolve uma linha de pensamento e os responsáveis pelo sistema não criam um mecanismo eficiente de backup que salve o seu texto em casos de crash no servidor ou erros de desenvolvimento.


+ Continue a ler este texto

Crítica: Nova York Eu te Amo

segunda-feira, dezembro 21, 2009

É cada vez mais difícil ver um filme no Grupo Estação uma vez que a maioria dos filmes só são lançados nos cinemas cariocas com grande atraso em relação ao mercado estrangeiro, o que acaba me levando a ver os filmes com antecedência de outras formas (nada de pirataria por favor, há outros meios de ver filmes inéditos no Brasil). Quando falo atraso, são grandes atrasos, meses. Mas hoje tive a sorte de ver um filme que há muito esperava, "Nova York, Eu Te Amo" (New York, I Love You, 2009).

O filme faz parte de um projeto do francês Emmanuel Benbihy entitulado "Cities of Love", e já teve seu primeiro título em "Paris, Eu Te Amo" (Paris, je t'aime). Inclusive haverá o "Rio, Eu Te Amo", no mesmo estilo (confira: http://www.omelete.com.br/Rio_Eu_Te_Amo), pequenas histórias de amor (no sentido de afeto e não necessariamente romance), interligadas pela vontade humana de fazer parte da vida do outro, de ser aceito, de manter a felicidade e fazer a coisa certa (mesmo quando se faz as coisas erradas).

O filme lembra diversos filmes de "contos da cidade", muitos inclusive recentes, onde os personagens não se conhecem mas de alguma forma possuem ligações e aos poucos percebem como até um enconto casual pode mudar a vida de quem conversa conosco por 2 minutos, mesmo sem nunca nos tornarmos íntimos. É talvez um novo gênero, digo, um gênero antigo que se firma no ideal cult de Hollywood (onde mais você conseguiria juntar tantos atores talentosos? Em 2012? Não creio...).

Todos os pequenos trechos são excelentes, mas me emocionou mais o garoto no baile de formatura, a conversa entre a judia e o indiano, e ainda o casal de velhinhos. Outro episódio com Hayden Christensen mostra que em NY, você sempre vai achar alguém melhor que você. Já a judia interpretada por Natalie Portman, junto ao indiano Irrfan Khan (Natalie é israelense de verdade) mostra as diferenças entre pessoas, entre culturas, as perguntas dos porquês e ao mesmo tempo a aceitação das tradições com um sorriso no rosto. Acho que esta é a melhor definição de Nova York, um local onde as culturas se entendem e onde tudo pode acontecer.

O melhor deste estilo não são apenas as mensagens, mas a aula de teatro que faria Stella Adler e Stanislavski sorrir em suas tumbas (pardon Lovecraft), uma aula de interpretação e um exercicio e respiro mais do que merecido para alguns atores que são obrigados a fazer filmes para o senso comum (de vez em quando), para sobreviver ao seu estilo de vida. Você pode ver a lista de atores no IMDB (http://www.imdb.com/NY) .

Destaco a linda e doce Blake Lively no papel da menina deficiente e a linda, inteligente e talentosa Natalie Portman. Esses elogios não são de fã e nem despropositados, Natalie pula de um blockbuster a um filme de arte, da atuação a direção, de ensaios fotográficos da alta costura à cabeça raspada em V de Vingança, da conversa boba e besteirol para a seriedade da psicologia que aprendeu em Harvard. Se encontrarem uma "Natalie" no Brasil por favor me apresentem. Frau Portman inclusive dirige um dos episódios de "Nova York, Eu Te Amo". Não jogaria fora também Emily blunt, minha nova Zooey Deschanel.

Quem está muito em alta agora, além de Shia LeBouf, é Anton Yelchin. Depois de Chekov em "Star Trek" e Kyle Reese em "Exterminador, A Salvação", Anton entra em mais um filme destaque da temporada.

Mais elogios e gratidão vão também a Anthony Minghella pelos grandes filmes e por um dos episódios mais emocionantes desta obra onde uma atriz reflete todo o seu passado esquecido pelo mundo, na criação de um garoto deficiente (Shia LeBouf) auxiliar do hotel (se eu explicar estrago a reflexão). O bom deste episódio é ver novamente o saudoso John Hurt.

Se você gosta de entender a atuação, o processo narrativo e os estilos de diretores, como eu gosto, não perca "Nova York, Eu Te Amo". Nota de rodapé, visitar Nova York o mais rápido possível, pegar o tour cinematográfico e voltar lá diversas vezes!

Uma pena que ainda se encontre problemas básicos nos cinemas do Grupo Estação como a visualização das cadeiras na compra do ingresso não corresponderem ao posicionamento dos assentos nas salas, obrigando você a escolher às cegas se não conhecer o recinto. Outro problema é um grupo de tradição artística, de filmes cult, se render aos comerciais antes do filme. Se estou pagando R$ 16,00 para entrar, tenho o direito de não ver propagandas para que o cinema ganhe ainda mais dinheiro às minhas custas.


+ Continue a ler este texto

Crítica: A Onda (Die Welle)

domingo, novembro 08, 2009

Normalmente eu não elaboro críticas de filmes que vejo em casa, mas apesar de me incomodar filmes repetitivos (cujo conceito já foi trabalhado diversas vezes), os filmes europeus que envolvem estudantes em uma posição crítica da sociedade sempre me surpreendem. Aconteceu recentemente com Entre os Muros da Escola, e agora novamente com A Onda (Die Welle). O filme é baseado em fatos reais, uma experiência chamada "The Third Wave" onde o professor Ron Jones questionou seus alunos sobre a origem de um movimento como o nazismo. A história já foi retratada em 1981 em um média-metragem para a TV.

A Onda fala de uma escola alemã (note que na Alemanha a maioria das escolas é mista, ou seja, não há uma divisão entre ricos, pobres, classe média, na maioria das vezes todos estudam juntos). Na escola, diferente do Brasil, os alunos são obrigados a escolher matérias eletivas, e uma dessas matérias é política, cuja classe é dividida entre autocracia e anarquia. O Prof. Wenger é um roqueiro invicto e quer pegar a turma de anarquia, mas o direto da escola o coloca entre os autocratas.

Wenger tem a idéia de lançar uma pergunta, seria possível um movimento ditatorial fascista surgir novamente na nova Alemanha? Os alunos dizem que não, dizem que deve-se viver para o povo e pelo povo. Nesta construção de comunidade, o preconceito contra os de fora, a expulsão de "traidores", a recriminação de idéias progressistas, tudo começa a sair do controle de Wenger até um ponto em que a massa se torna atraente demais para ser freada.

Como sempre digo, em arte nada se cria, portanto as referências estão espalhadas pela produção. As camisas brancas criticando o movimento Rosa Branca (critica-se o poder, mas se você estivesse no poder, o que aconteceria, seria a mesma coisa?), o filme de Julia Jentsch como Sophie Scholl (os panflhetos espalhados pela escola), os documentários nazistas (a câmera atrás da cabeça do professor mostrando a turba obediente), o garoto problemático (que me lembra Gus Van Sant), entre outras referências e técnicas clássicas do cinema ficção e documental.

SPOILER - Certas coisas no filme são um pouco forçadas. O garoto geek que é perturbado e leva armas para a escola, os bullies, os punks produzidos, os grupos em A Onda são estereótipos da sociedade alemã que normalmente você não vê com tanta frequencia andando pelas ruas (talvez nas cidades maiores).Também os alunos podendo perambular pela escola no meio da noite para tirar cópias e usar equipamentos escolares, e ainda, grafitar toda a cidade só correndo pelas ruas. Será que isso é tão fácil numa grande cidade alemã? Eu não vi isso quando fiquei lá por um mês.

já citei em posts anteriores o problema manipulado por Anna Freud. O descontentamento das massas, o desemprego, inflação, pobreza, enstrangeiros, existem diversos motivos para que pessoas descontentes sucumbam às idéias de um líder influente. Vemos isso nas prisóes americanas, na II Guerra Mundial, em países comunistas e socialistas, e em diversas outras situações. o problema não é julgar o movimento, a ideologia, o problema são as pessoas, estamos lidando com seres humanos que possuem comportamentos estranhos quando em cojunto, e mesmo o líder toma a posição do controlador, o führer, todas os seus julgamentos se tornam deturpados e inconsequentes.

Citando casos recentes, como a diretoria de uma universidade como a UNIBAN controlaria uma turba de estudantes caçoando de uma colega ou chutando o carro de outra? Melhor, por que a diretoria abraça a causa da massa e julga as estudantes sem reprimir o grupo? Não pense nisso como uma revolta, mas como um experimento psicológico. Você usaria a demagogia para apoiar e ter apoio do grupo, ou protegeria o outsider? No Brasil os políticos usam da demagogia para atrair os descontentes, e talvez só não chegue a uma ditadura por causa das pressões internacionais (quem conhece história sabe que o Brasil sempre jogou dos dois lados, Olga que o diga).

Destaque para a atriz brasileira Cristina do Rego, a rebelde rastafari que contesta o professor. Também as lindas atrizes alemãs Jennifer Ulrich, Odine Johne e Amelie Kiefer. Nota pessoal, o visual dos atores e locações está mais para subúrbio inglês do que o universo alemão (mesmo das cidades pequenas).

O média-metragem de 1981: http://www.youtube.com/watch?v=fwZdYuqKGdE&feature=related
O experimento original: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Third_Wave (em inglês)


+ Continue a ler este texto

Crítica: Distrito 9

sábado, novembro 07, 2009

Quando fiz mestrado tive um professor chamado Ronaldo. O Prof. Ronaldo fez com que nós fizéssemos um exercicio em ergonomia chamado "Caminhada da Empatia". A caminhada da empatia consiste em uma entrevista informal e amiga com alguém fora de sua realidade, social, cultural, emocional, etc. Esta pode ser uma prostituta, um morador de rua, um travesti, um refugiado, um morador de bairros perigosos, qualquer um cujo choque de realidade seja suficiente para mudar sua forma de pensar em relação ao outro, sobre aquelas coisas que você acha que aquelas pessoas são ou fazem.

Distrito 9 é um filme político. A novidade foi trazer a ficção científica para falar abertamente sobre o que podemos ver em qualquer país, inclusive no Brasil. Seja o medo daquilo que é "estrangeiro", o descaso com o que não nos afeta ou a perda de civilidade de um grupo que perdeu as esperanças dentro de um universo contra o qual eles não conseguem lutar.

Não é só contra grupos marginalizados. Quando sento em uma mesa com amigos mais tímidos, ou que não conhecem ninguém, puxo estes para dentro da conversa, nunca os deixo deslocados, mas creio que essa "marginalização" do próprio "amigo" acontece com muita gente sem mesmo perceberem. A própria empatia de uma autoridade menor, como um policial de rua, com um individuo pobre, mostra como a truculência pode sair ao controle (Zimbardo em Stanford que o diga, será que amizade depende de uma situação de igualdade? Não se pode ser amigo do diferente? Do menos hábil?).

Distrito 9 trata de uma nave alienígena que quebra em cima da cidade de Johannesburgo na África e paira por 3 meses até que o governo decide abrir suas portas lacradas. O governo descobre entãio que estão diante de quase 1 milhão de seres em más condições pois por 3 meses não tiveram comida, energia, produtos de higiene, como náufragos em terras desconhecidas. As autoridades decidem trazê-los para o chão e cria um assentamento embaixo da nave.

Aos poucos o assentamento se transforma em uma enorme favela descontrolada, grades e muros são colocados no entorno, a violência é enorme, a criminalidade se acentua. Para resolver este problema o governo decidade que fará um reassentamento dos alienígenas em outra região, mas para isso tem que despejá-los e deslocá-los, o que não é de interesse dos ETs. Ao bater de porta em porta na favela junto a uma tropa de choque, o chefe da operação entre em contato com uma substância diferente é daí começa a ação.

Atenção, SPOILERS. Como pode se ver no filme, a empatia só aconteceu no momento em que um humano começou a se transformar em um dos seres oprimidos. Todo o preconceito e pré-conceitos sumiram dando lugar a uma guerra por proteção aos direitos, um sentimento que creio eu muitos sentem ao decidir proteger o próximo.

Um bom exemplo são mães de classe média alta da zona sul carioca se juntando a mães pobres da Vila do João por que ambos filhos sumiram ou foram mortos por causa da violência. A empatia, a consciência da existência parece só ser percebida quando precisamos passar pelas mesmas emoções de perda.

A mensagem do filme é muito boa, mas esteja avisado que o filme é extremamente violento. E não podia ser diferente. A violência não é gratuita, ela é contextual e, sem quere entrar no mérito de citar Anna Freud e Edward Bernays, o maior medo do governo americano pós depressão e no pós-gerra, era que a população saísse de controle por causa de ansiedades, depressão, tristezas, o American Way of Life foi um produto de pesquisas onde foi implantado um sistema comportamentalista para que o americano comum estivesse feliz com sua condição, apoiasse o governo, apoiasse o crescimento.

Isto não é um discurso Marxista (odeio intelectual de botequim), mas se você ver (ou baixar na internet) documentários de Adam Curtis, vai ver que isso foi real e bizarro. Como controlar uma população que pode ficar descontente e sair do controle, sem necessariamente ter que gastar dinheiro com eles? Pela força? Julgando criminosos somente pela "falta de caráter"? Parece que as autoridades e senso comum acham que sim.

Você começa o filme simpatizando com a própria raça, no meio fica na balança, mais para o final fica do lado dos aliens e no final do filme torce para que Peter Jackson produza a parte II e Christopher volte com seu filho após 03 anos para resgatar seus compatriotas.

O filme não é tão bom assim, é um típico filme com uma idéia excelente e um encadeamento ruim. O chefe da operação parece mais um personagem de Sacha Baron Coen e os alienigenas são nojentos e rápidos demais para ajudar o espectador a compreender melhor a cena sem se preocupar em perder a história ou virar o rosto.

SPOILER - Se não bastasse isso, ainda tem o exoesqueleteo da tenente Ripley, ou um mecha de Ex-Machina no final do filme. Também não me agrada muito este conceito artistico de todo alineígena ter que parecer um inseto e ser nojento (foi feito para ampliar a repulsa do espectador que fica na balança?). O filme também me lembrou o mexicano La Zona de Rodrigo Plá por causa da expansão da favela e isolamento do problema.

Bem, em Hollywood nada se cria, tudo se copia. Nota 10 por terem escolhido Johannesburgo como locação. Manteve os curiosos longe das filmagens, usou pessoas da região e conseguiu transformar o filme em surpresa, algo que em Hollywood é quase impossível hoje em dia com todos os papparazi, jornalistas, curiosos, fãs e outros que estragam a emoção do boca-a-boca que existia nos anos 70 e 80.


+ Continue a ler este texto

Crítica: Bons Costumes

sexta-feira, novembro 06, 2009

Parece que os melhores filmes que vejo sempre são aqueles que eu descubro quando vou ao cinema sem intenção, sem planejar, de surpresa. Hoje tive que esperar alguns amigos por duas horas e para matar o tempo resolvi entrar no Espaço de Cinema do Grupo Estação para ver Bons Costumes (Easy Virtue), um filme de época na melhor tradição inglesa.

Eu tinha duas horas, portanto tinha que ser o filme que estivesse começando naquele minuto. Li no cartaz que era com a Jessica Biel e comprei meu ingresso (Jessica não teve lá um inicio de carreira muito bom, mas por que não testá-la mais uma vez se O Ilusionista foi tão bom?).

Apesar de desde meus 8 anos de idade a minha relação com o inglês ter sido 80% dentro da cultura americana, me fascina o jeito inglês do inicio do século 20. A pomposidade, o sotaque aristocrata e é claro, as mentes livres que ousavam transgredir a sociedade (muito comum nos E.U.A., mas raro em terras britânicas). Este filme não tem nada de novo. Você já viu a aristocracia inglesa em diversos filmes, Adorável Julia, Howard's End, Muito Barulho por Nada, mas é sempre um prazer ver no cinema interpretações dignas de palcos shakesperianos e fazendo valer tudo o que Stanislavski escreveu.

Você vai ver o choque da cultura americana free spirit, a mãe manipuladora (pode-se dizer que a sociedade inglesa era matriarcal por suas rainhas?), as "irmãs de Cinderela" que nunca conseguem nada e são vencidas pela outsider, e o marido infeliz que é indiferente (mas não covarde) aos problemas do orgulho besta do restante da família.

Há muito tempo aguardava ver Dorian Grey com Ben Barnes (o príncipe Caspian de Narnia) e Colin Firth, mas velos juntos em mais um filme foi uma boa surpresa. Kristin Scott Thomas (A Outra - Boleyn Girl) deixa de lado o papel da mulher bonita sedutora da década de 90 e amadurece em papéis que até então eram dados para mulheres como Helen Mirren. O elenco de apoio, criados, vizinhos, trazem um toque de humor e de sarcasmo digno dos melhores textos de Oscar Wilde.

Não preciso nem falar muito de Jessica Biel. São aqueles filmes que te fazem perguntar se essas mulheres são assim mesmo na vida real. Um deleite visual ver as roupas de época no corpo curvilíneo da namorada de Justin Timberlake.

O filme valeu cada centavo (ainda mais agora sem carteira de estudante), e eu ainda saí do cinema pensando em tudo o que eu posso usar para forçar meu sotaque britânico. Um respiro em meio aos blockbusters que vi essa semana. Rosane Gofman, Tablado e CAL que me perdoem, mas se um dia os atores brasileiros não alcançarem esta excelência, tanto no talento quanto no ensino e aprendizado, sempre teremos os "atores de novela" fazendo cinema e teatro sem ter a mínima noção do que é interpretar para um público que quer mais cultura, e não mais do senso comum que atrai massas.


+ Continue a ler este texto

Crítica: Bastardos Inglórios

segunda-feira, novembro 02, 2009

Um bom artista sabe diversificar suas obras, ou seja, se sente bem com um novo "produto", algo diferente que possa lhe trazer experiência. Na minha profissão é ótimo fazer o design de sites de e-commerce tanto quanto é bom fazer um site para uma rádio, entretanto, manter-me nos e-commerce geraria uma estagnação das idéias a ponto de criar o vício em técnicas, referências, etc.

Bastardos Inglórios não é um filme ruim, é um “Tarantino” da melhor qualidade, mas não é possível deixar de ver uma cena sequer sem se perguntar: É Pulp Fiction? É Cães de Aluguel? O filme dividido em atos, acontecimentos não-lineares, a mulher que quer vingança, a música a la Ennio Morricone, o diálogo canastrão (em interpretações memoráveis e engraçadas), tudo está lá para você ver de novo.

Bastardos Inglórios conta a história de um grupo de soldados americanos descendentes de judeus que, como os boina verdes no Vietnam, entram em território inimigo com alguns poucos homens para uma missão suicida, neste caso, matar 100 alemães cada um. Ao mesmo tempo uma mulher judia, sobrevivente do massacre de judeus na França, se esconde em um cinema sob outro nome enquanto prepara uma vingança inesquecível para aqueles que mataram sua família. O destino de todos irá se cruzar de uma forma tragicômica que irá surpreender até Joachin Fest.

Ter um Tarantino novo nos cinemas é tão excitante quanto saber que Woody Allen, Almodovar ou Steven Spielberg estão lançando um novo filme. São diretores que costumam acertar em 80% das vezes (senão mais), independente se você acha um mais “comercial” que o outro. Cenas e frases viram cult, viram jargões, entram para a história. Mas e se você tem mais do mesmo?

Diria que isso é um problema, mas no caso destes diretores, a fórmula parece dar sempre certo. Você sabe o que vai ver a seguir, mas você não liga. Da mesma forma, os atores milionários também não ligam e lutam por uma vaga nas produções independentes ou de baixo orçamento de diretores consagrados.

Quem me conhece sabe que sou um admirador da cultura alemã e fiquei muito feliz em ver atores conhecidos do cinema alemão e austriaco como Christoph Waltz, Daniel Bruhl (de Edukators e Adeus Lenin),Til Schweiger (de Agnes e Seus Irmãos), Gedeon Burkhard (o inspetor de policia do seriado Kommissar Rex) e Christian Berkel (que interpretou nazistas em A Queda, Operação Valquíria, Milagre de Saint'Anna e agora Bastardos Inglórios).

Não obstante, ao lado deste fantástico elenco germânico estão pequenas estrelas da tv americana contracenando com um Brad Pitt fanfarrão, em um papel memorável. Destaque para B.J. Novak, astro da série remake The Office com Steve Carrel. E para mais uma vez firmar minha crença, Melanie Laurent aparece em tela provando que as mulheres francesas são mais naturais, mais bonitas, mesmo sem maquiagem e despenteadas

Clichés "tarantinescos" a parte, Bastardos é um exercício dentro de um gênero que está sem criatividade desde que O Resgate do Soldado Ryan chegou aos cinemas em 1998. Não que seja algo novo, é o Quentin de sempre, mas ver guerra ao estilo Quentin, Luciano Vincenzoni, Sergio Leone e John Ford, não tem preço. Chega de câmeras pulando, películas desbotadas e recrutas gritando pela mãe, os Bastardos querem se vingar, ver sangue, tortura, escalpos, sem pedir para voltar para casa (e tudo ao som de David Bowie).

Claro que nenhum oficial do socialismo nacional iria agir como Christoph Waltz, mas assim como em O Grande Ditador ou Primaver para Hitler, é ótimo ver um nazista bem-humorado com sua própria condição de carrasco, lutando para sobreviver, não importa de que lado esteja.

Uma das cenas finais com Brad Pitt e Waltz ao rádio com o oficial americano é uma escola de teatro. Aliás, que me desculpem aqueles que não falam inglês (ou que não gostam de legendas), mas os sotaques e as entonações caricatas são 80% da diversão.

Trazer de volta esta "fanfarronice" nos diálogos, típica dos filmes da década de 40 e 50, foi uma ótima idéia para Bastardos. Até mesmo o aspecto sedutor de mulheres como Lauren Bacall está presente no último ato, na interpretação de Melanie Laurent. O queixo de Brad Pitt a la Marlon Brando é outra caracteristica sensacional da construção do personagem.

Enfim, assim como em Benjamin Button, não espere algo diferente (Button teve o mesmo escritor de Forrest Gump e isso ficou escancarado na tela), mas acredite, você vai se divertir muito, rir, torcer, ficar com raiva e até mesmo gravar algumas frases para o seu repertório. fique agora com a crítica de Isabela Boscov.


+ Continue a ler este texto

Marketing de Cinema

sexta-feira, abril 24, 2009

Você com certeza já viu milhares de vezes as diversas formas que os grandes estúdios utilizam para divulgar seus filmes. Hoje em dia certas ações de marketing e publicidade se tornaram previsíveis, virando até mesmo motivo de chacota como no filme "O Show de Truman", entretanto continuam em prática ao lado de procedimentos virais ligados às novas mídias (como foi feito com Batman Dark Knight em diversos locais do mundo, inclusive em São Paulo). Se você não conhece eu vou te apresentar às formas de marketing mais comuns na indústria atual. Se eu esquecer de algum detalhe por favor me lembrem que irei adicionar aqui ao post.

Televisão e Rádio
Estes são os meios preferidos dos "marketeiros" oldschool. Começamos com os anúncios pagos apresentando trailers curtos, também chamados de "spots de TV". Raramente trailers são apresentados na íntegra, mas mostra-se apenas teasers dos melhores momentos do filme (mesmo que a montagem do spot seja melhor do que o filme).

O product placement também é bem comum, não é uma prática exclusiva dos filmes. Produtos, posters, bonecos (action figures), gadgets e outros itens do filme anunciadio são colocados em programas de TV, séries, sitcoms, webTV, videocasts, podcasts, etc. Em alguma situações os filmes são apenas mencionados no diálogo escrito pelos roteiristas. Por exemplo, a Fox pagou em American Chopper, uma moto totalmente baseada no filme Eu Robô (I, Robot).

Outra forma comum na tv americana é um programa ser totalmente dedicado a filme especifico. Pode ser um programa de entrevistas, um desenho animado, uma série de TV, ou seja, um episódio temático que constrói a marca do filme ou reforça a marca de filmes já conhecidos (Star Wars é campeão neste marketing televisivo). A prática se estende aos programas de entrevista que chamam atores e diretor para falar, ou ainda aos especiais para TV que mostram bastidores, efeitos especiais, entrevistas, etc (prática muito comum em canais de entretenimento como MTV, Nickelodeon, Cartoon Network, E!, Multishow, FX, Fox, entre outros). Muitas vezes esses programas especiais são pagos pelos estudios.

Por último estão os trailers longos, previews e cenas de bastidores colocadas em DVDs para locação, webTV (já viu aqueles programas na internet que aparece um comercial antes de começar o video?) , etc.

Internet
Apesar de já ter citado os videocasts e podcasts (que na minha opinião se misturam dividindo a audiência com a TV e o rádio), há ainda outras práticas para o patinho feio dos estúdios (por que os executivos acham que é apenas uma pequena parte da estratégia e não um dos principais meios). A mais conhecida talvez sejam os hotsites, websites feitos especificamente para o filme em questão e divulgados em posters, revistas, anuncios, etc. Normalmente no endereço do website as palavras do tíutlo são separadas por hífen (ex. batman-dark-knight.com).

Outra prática é a distribuição prévia de trailers e spoilers (cenas curtas que você não deveria ver) para sites, blogs e redes sociais, construindo assim uma campanha viral ond em algumas situações o video por até ser baixado, enviado para amigos ou anexado ao seu website (através de um código copiado do site original).

O marketing iral no meio digital está presente como qualquer ã ação de qualquer outra empresa, mas tem um roteiro mais ou menos pronto e não foge muito deste esquema. Quem fugiu mais do esquema "hotsite, trailers e fotos exclusivas" foi o último Batman que enviou pistas no meio virtual e colocou objetos escondidos pelas cidades, incluindo São Paulo.

Impressos
Anúncios em revistas, jornais, fanzines, quadrinhos, livros e postais (daqueles que você encontra em restaurantes) . Nos livros é a prática mais curiosa pois muitas vezes uma versão novelizada do roteiro é lançada como literatura. Outras vezes a capa do livro ou a dust jacket (capa contra poeira) é modificada ilustrando atores e cenas do filme em que o livro foi baseado. Em alguns casos há o selo "do filme..." ou "que gerou o filme...".

Nos quadrinhos a prática são similares às séries de tv, cenas no fundo, palavras no diálogo, contra-capas com propagandas, mas o mais comum, principalmente em filmes de super-heróis, é a editora lançar muitas revistas especiais, títulos novos, coletâneas, oferecer brindes junto com os gibis, etc. Neste caso a promoção do filme é quase uma troca de favores entre editora e estudio.



Merchandising

Além do muito criticado product placement, outras práticas são o co-branding e o co-advertising. Assim como Eu Robô, Eragon também esteve em dois episódios de American Chopper. Ainda a BMW tem uma parceria de sucesso com os filmes de James Bond e alguns fabricantes já formaram aliança com a saga de Transformers.

A segunda e talvez uma das práticas que mais dão dinheiro (veja George Lucas) são os brindes e produtos licenciados. Estas peças são distribuidas a jornalistas, "blogueiros" e até mesmo para alguns fãs em promoções, locais especificos (shoppings, cinemas) ou estréias exclusivas.

Tour Promocional
Esta é só para jornalistas, blogueiros e outros que escrevem sobre cinema e que são bem acompanhados pelos fãs (como é o caso do Omelete e do Collider). Atores, diretor, produtores, técnicos em efeitos, aparecem para a televisão, rádio e mídias impressas para entrevistas sobre o filme, na maioria das vezes intercalada com clips do filme. As entrevistas são conduzidas pessoalmente ou remotamente por telefone ou pela web.

Durante a produção do filme esses "sortudos" são chamados para realizar seu trabalho nos próprios sets de filmagem. Depois de terminada as filmagens são realizadas aparições do elenco nas principais cidades. Este trabalho caracteriza uma prática estranha neste meio que são as "entrevistas controladas", as chamadas Junkets. Fiz uma curta entrevista com Erico Borgo do site Omelete através do Twitter e o que ele me disse é que as Junkets são corredores ou circulos onde cada ator, diretor ou produtor está dentro de uma saleta e os jornalistas é que circulam por cada uma carregando suas perguntas. O tempo de cada entrevista é rigidamente cronometrado. O pessoal técnico é todo do estúdio e ao final das entrevistas os jornalistas recebem a fita beta com as duas câmeras (do jornalista e do ator) para poderem editar por conta própria intercalando cenas do filme.

É estranho sim, mas creio ser mais cansativo para os atores e diretor que precisam responder a mesma pergunta diversas vezes. Já se perguntou por que todo programa de cinema que você vê tem o mesmo fundo (com posters)? Respondido, todos os canais de tv, revistas, videocasts, etc, utilizam o mesmo cenário, na mesma sala, no mesmo lugar. Se um canal de mídia lhe disser que tem uma entrevista exclusiva, não acredite. Era assim que a quase extinta revista SET conseguia a maioria das suas entrevistas (que nas últimas edições eram a única coisa que prestava... até eu descobrir este esquema).

Nos Cinemas e Locadoras
"Em um cinema perto de você!" Com esta frase terminavam os trailers e propagandas do grupo Severiano Ribeiro. Na tela grande o que se vê são basicamente trailers. No cinema americano ainda existe a propaganda de games baseados no filme, hotsites, quiz (jogo de perguntas), promoções, etc.

Para as redes de cinema e para as locadoras (mais para os cinemas), existem peças promocionais físicas, como os posters (em tamanho normal ou gigantes), banners (aquele anúncio que você prende de uma parede à outra ou pendura em um prego), standups (figuras em tamanho real feitas em papelão mostrando personagens ou cenas de um filme) e por último os displays 3D que são aquelas grandes peças de papelão montadas na frente dos cinemas, muitas vezes dando alguma sensação de profundidade e às vezes com efeitos sonoros. Em poucos casos foram utilizados bonecos e cenários gigantes em complexos de cinema maiores como na promoção dos filmes King Kong, Senhor dos Anéis, Indiana Jones, entre outros.

Referências
Será que eu esqueci alguma coisa? Por favor me informem para que eu possa adicionar novas práticas do marketing de cinema a esta lista. Referências:

http://en.wikipedia.org/wiki/Movie_junket
http://www.chicagoreader.com/movies
http://en.wikipedia.org/wiki/Product_placement
http://productplacementtoday.blogspot.com/2007
http://www.developmentguruji.com/Blog/Online_Movie_Marketing
http://biblioteca.universia.net/
http://lazer.hsw.uol.com.br/
http://pipocadebits.blogspot.com/2009

+ Continue a ler este texto

Crítica: A Fronteira da Alvorada

segunda-feira, abril 20, 2009

Hoje, mesmo doente, fiz uma daquelas "andanças" surpresa pelos cinemas de Botafogo. Na procura pelo "filme da hora", ou seja, o que estava começando naquele exato momento, entrei para ver A Fronteira da Alvorada (La Frontière de l'aube), principalmente por que no cartaz estava o ator de Sonhadores (de Bertolucci), Louis Garrel.

Conheço o trabalho de Garrel e de seu pai, por isso esta acabou sendo a escolha certa, nenhum arrependimento. Sem a pretensão de elevar o filme a um nível artístico exagerado, o diretor Philippe Garrel se atém a uma constante do cinema francês, a relação homem-mulher e as tragédias oriundas do amor, rejeição e por consequinte a perda.

O que me impressionou mais no filme foi como cada quadro se apresentava como uma linda fotografia preto-e-branco dos anos 60, um trabalho maravilhoso do diretor de fotografia que acentuou os contrastes dando um ar soturno, sombrio e ao mesmo tempo melancólico e romântico (não sei por que me lembrou Brigitte Bardot em filmes coloridos). As passagens de cena são similares aos filmes dos anos 60 de Truffaut (aquele pulo que não finaliza a cena anterior e nem introduz a próxima cena) e, sempre que uma cena necessitava ficar mais sombria, utilizava-se o círculo negro dos filmes mudos que abre e fecha para a passagem de cena (um ar quase expressionista).

O filme também é muito focado no movimento dos atores e nas expressões faciais. Eu já disse como fiquei impressionado quando entrei no Filmmuseum Berlin e vi aquelas telas com rostos enormes? É para isto que o cinema existe, para mostrar imensos closes em tela grande. Só o rosto da linda Laura Smet já fica um longo período na tela logo no incio do filme. Quanto aos movimentos, destaco a cena em que Carole (Laura Smet) está deitada no chão lendo um livro e se contorce para todos os lados, impaciente, uma cena linda com uma mulher linda, no melhor estilo do cinema francês (é como dizem, as mulheres francesas parecem mais naturais que as outras).

Sem enrolar e sem oferecer spoilers. O filme trata da relação entre o fotógrafo François (Louis Garrel) e a atriz em ascensão Carole. Carole é casada com um ator que está crescendo em Hollywood e quase não visita a cidade, o que dá margem a uma relação livre entre ela e o fotógrafo. Entretanto, a relação entre Carole e François começa a passar por problemas levando ambos ao extremo da culpa, depressão e a outro arco que se contrói devido a obsessão de ambos um pelo outro. Se eu contar mais estrago a diversão.

Não siga adiante se você ainda irá ver o filme. O que o filme tenta falar (talvez) nas entrelinhas é que, as mulheres tendem a sofrer por amor mas ao mesmo tempo querem jogar o jogo do ciúme, da rejeição, ignorando o parceiro sem se dar conta de que aquilo desgasta o outro. O homem por conquinte se afasta e a mulher acaba culpando-o pelo fracasso do relacionamento (sem entender que suas atitudes é que levaram à queda). A mulher real é sempre a metade da relação que tem a opção, ou seja, ela pode ter o amante, pode voltar ao marido e pode ainda se insinuar para um amigo em uma festa (como Carole faz na presença de François), mas no fundo está brincando em um jogo que não leva a lugar nenhum e que pode levá-la a perder o grande amor de sua vida.

Por outro lado, o homem não sabe lidar com este "grande amor", vivendo uma fachada de despreendimento que por dentro se materializa como dependência, a obsessão que faz crescer o medo de ser abandonado devido ao fato de que a mulher tem mais opções de relacionamentos novos do que ele. Entretanto, a mulher grávida retorna aos braços do homem na tentativa de manter uma relação e dar um bom pai para seus filhos, mas ela não enxerga que a combinação bom amante e bom marido/pai não existe, é preciso fazer uma escolha (como diz o pai de Eve, interpretada por Clémentine Poidatz). Todas estas caracteristicas podem ser definidas como puro e simples desentendimento consciente, ou seja, a tentativa de possuir e ao mesmo tempo jogar com o outro mantendo-se neutro no teatro da vida, a consciência é plena mas prefere-se não enxergar as consequencias.

O amor prisioneiro fica para sempre assombrando as novas relações, e François não consegue esquecer Carole, mesmo após sua morte, fica obcecado com o fantasma que lhe aparece de tempos em tempos através do espelho. Deixando a conversa pseudo-intelecutal de lado, recomendo este filme para todos, principalmente os que conseguem enxergar as minucias da fotografia e dos paralelos que o filme faz com situações da vida real. Copiando Marcelo Hessel:
"A certa altura, quando ele diz à sua noiva que não pode usar um salão nos fundos da casa do sogro como estúdio fotográfico "porque ali tem luz demais", há um significado embutido na frase: François prefere a imagem enevoada de uma idealização à luz da realidade."

Observação que os cinemas do grupo Estação se renderam de vez às propagandas no cinema. Uma das maiores reclamações dos frequentadores de cinema, as propagandas agora afetam até as salas "cult". Antes de começar o filme me abriu uma grande tela azul da TIM com uma menina estática na lateral direita. Daí um balão de quadrinhos sai da boca dela e dentro do balão passam os trailers! Meu Deus! Que bizarro foi isso! Se é para me dar comerciais, me dá o ingresso de graça!

Em breve críticas de Segurando as Pontas (Pineapple Express - 2008) e Appaloosa - Uma Cidade sem Lei (
Appaloosa - 2008)

+ Continue a ler este texto