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Crítica: Operação Valquíria

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Operação Valquíria não tem nada de novo, e desculpe a minha intolerância, mas se você tem mais de 18 anos e é de classe média pra cima e não sabe o que foi a Operação Valquíria, você é bem burrinho(a)..... (pra que Bryan Singer diz no começo que é uma história real?) A tentativa de Stauffenberg de matar o führer já teve um filme alemão (com Sebastian Koch) em 2004, também um especial de 2 horas no Discovery Channel, um documentário da National Geographic, outro no History Channel, e sem contar todos os outros filmes, livros e revistas que falaram do atentado. Por este motivo o filme soa como um dejá vu, algo que você já viu antes.

Isto não tira o mérito do filme, é um bom passatempo, mas uma experiência pobre. É duro aguentar, a cada cena, a tomada terminar com uma "frase de impacto" do tipo: "- Temos que salvar a Alemanha!" aí Tom sai de uma sala: "- Estamos fazendo isso pelo mundo" e depois vai ao banheiro: "- Preciso correr para destruir o mal na Europa!". Meu Deus, pra que frase de efeito toda hora? Mas a reconstituição histórica é muito boa e algumas cenas da Toca do Lobo me lembraram a vez em que fiquei perdido na floresta perto do campo Buchenwald em Weimar em 2005.

Se você forçar um pouco o cérebro dá até para tirar uma mensagem disso tudo. A maioria do povo e dos soldados alemães não tinha simpatia pelas ações do governo. Mesmo aqueles que não gostavam de judeus, homossexuais, imigrantes, etc., não queriam ver essas pessoas mortas e sim fora do país (o que também é errado, mas é menos radical). Só mesmo um grupo de oficiais para perceber que aquela megalomania estava destruindo o país e toda a Europa, e que tudo iria acabar rápido com a chegada dos aliados.

Sempre reclamo de personagens não-americanos falando inglês, mas a "sacada" de Operação Valquíria foi interessante. O filme começa em alemão e o inglês vai se fundindo ao alemão bem devagar até que a única língua seja o inglês. Escute Tom Cruise falando alemão! Muito bom ver Terence Stamp representando novamente um general (seu outro general foi o General Zod de Superman - O Filme) .Tom Wilkinson também prova mais uma vez que é um ótimo ator, e Kenneth Branagah também rouba a cena algumas vezes. Destaque para o ator alemão Christian Berkel que fez um médico do exército alemão em A Queda. Nunca ouvi falar de David, mas David Bamber como Hitler quase me confunde com Bruno Ganz, os movimentos de Hitler parecem ter sido perfeitamente ensaiados, verdadeiro trabalho de um grande ator.

Gostei de ver um filme da II guerra que não mostra só a guerra na Alemanha e Rússia, mostrando a campanha na África que praticamente nunca aparece nas produções. Este filme tinha tudo para ser um novo clássico de guerra (já que os americanos não gostam de filmes em outros idiomas), mas a presença de Tom Cruise não convence e Bryan Singer, pelo amor de Deus, tem que voltar para X-Men pois com filmes de guerra e com Superman ele só consegue fazer filme para o "povão" chorar e não uma real obra artística-comercial.

Há hoje um movimento muito forte nas mídias em geral em defender os alemães civis e soldados rasos (Menino do Pijama Listrado, Um Homem Bom, entre outros). Concordo e apóio pois muitos não podiam deixar de cumprir ordens, outros não sabiam de tudo e outros ficaram calados para não serem presos, e qualquer ditadura é prejudicial para o seu próprio povo. A Alemanha de hoje ainda tem violência contra estrangeiros, mas é menos de 1% da população que sofre de preconceito. É impressionante como eles recebem bem os estrangeiros, gostam de conhecer novas culturas, gostam de festivais brasileiros, jamaicanos, africanos, latinos, e o mais surpreendente é em Berlin o Paralmento ter aquela linda abóbada para que o povo esteja acima do governo.

Tom Cruise é o garoto-propaganda da Cientologia, a igreja criada por L. Ron Hubbard. A Cientologia tem na Alemanha um dos mais elevados índices de resistência, processos, alegações críticas, os alemães detestam a Cientologia. Colocar Tom Cruise no papel de um herói da Alemanha obedece uma estratégia de marketing planejada. Operação Valquíria é um bom filme, mas não espere grande coisa de suas qualidades cinematográficas.
Mais críticas em: http://www.omelete.com.br



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Crítica: Leões e Cordeiros

sexta-feira, novembro 23, 2007

Uma pena que os bobões que frequentam cinema só por causa de propaganda e passatempo nem verão este filme. Nós sempre desconfiamos um pouco quando um ator resolve sentar na cadeira de diretor e começar uma carreira por trás das câmeras. Porém, muitos provaram que esta idéia errônea não se aplica em alguns casos. Robert Redford, Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima e Conquista da Honra), Sylvester Stallone e até alguns mais recentes como Zachary Braff (da série Scrubs, diretor de Garden State - Hora de Voltar), fizeram ótimas películas renovando o verdadeiro cinema, indo contra os clichês e fórmulas de fácil assimilação de Hollywood.

Durante o tempo do filme, 3 histórias acontecem em paralelo mostrando a hipocrisia, o descaso e a falta de engajamento da sociedade em geral, políticos, estudantes, professores e do povo. Não é o político o responsável pelo mal, pelas escolhas erradas, a falta de visão social do povo e a distorção e afastamento da realidade é a culpada pela condição do mundo.

A primeira história trata de um aluno inadimplente que insiste em faltar aulas mesmo tirando notas altíssimas nas provas. O professor (Robert Redford) dá uma lição de moral, mostrando não só sua preocupação com o aluno, mas a sua revolta com a banalização, com a forma como o estudante trata os acontecimentos do mundo e de seu país. A segunda história é uma jornalista (Meryl Streep) que revisita os seus valores e do jornal onde trabalha, após falar com um senador (Tom Cruise) responsável por ofensivas militares no Afeganistão. A terceira história são dois alunos do professor interpretado por Redford que por sua condição de "Outsiders" em uma universidade de estudantes ricos e brancos, se alistam no exército para mostrar que se importam, acabando ambos no Afeganistão.

Me surpreendi com este filme. Não chega aos pés de Todos os Homens do Presidente (além de ser totalmente ficcional) nem de Os 13 Dias que Abalaram o Mundo ou JFK, mas possui boas tiradas, partes para refletir e discutir e ainda, não insere no conteúdo da filmagem nenhum clichê barato de Hollywood como fez Babel, Crash ou Traffic (você sabe, clichês sobre ricos, pobres, preconceito, descaso, etc.). O fim não tenta explicar o filme, o que foi ótimo para o tema pois deixa ao espectador tirar suas próprias conclusões sobre: Qual a razão para viver? Qual a razão para morrer? Qual a razão para lutar? Qual a razão para resistir? ("quotando" o filme)

Vale a pena, não perca Leões e Cordeiros (Lions for Lambs) da 20th Century Fox, um filme bom entre tantas porcarias no cinema ultimamente. Aproveite enquanto pode, pois 2008 promete ser o pior ano do cinema nesta década por causa da greve de roteiristas (em andamento), atores e diretores (ano que vem). Para maiores informaçoes sobre a greve consultem os links ao lado sobre o Writers' Guild. Abraços a todos, keep the faith in the big screen!

Site oficial: http://www.lionsforlambsmovie.com

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