Esta foi a segunda para a mesma pessoa
Como um relâmpago de vida ela surgiu. Juro que quando entrei no recinto e pus meus pertences sobre a mesa, tentei colocar meus pensamentos em sintonia com o que se passava no meu coração. As poucas vezes em que isto aconteceu comigo, coloquei meus pés no chão para os fatos, porém naquele segundo, naquele lugar, no lado oposto da mesa, tudo parecia flutuar num encanto que só vemos em filmes antigos.
Tudo parecia tão perfeito – eu vivia repetindo em minha mente – mas ainda tão preto-e-branco...sim...como nos filmes antigos...E a mágica se encontrava em tomar a decisão certa, em colorir cenas repletas de tons de cinza que viajavam em palavras que nenhum de nós dois entendia muito bem. Mas como conhecê-la ? Como poder conquistar o direito de poder escutar sua voz mais de perto, de esquecer todos os problemas do dia-a-dia em lábios doces e convencê-la de que minha vida hoje melhorou ?
Pois é, não sou mais o mesmo...não sou mais o mesmo pois tenho responsabilidades. Tenho a responsabilidade de fazê-la sorrir, de fazer seus pequenos olhinhos brilharem, de poder conquistá-la todos os dias como se fosse a primeira vez, de segurá-la em meus braços e dizer coisas lindas...sim, não se preocupe, você é uma pessoa super especial e vai conseguir tudo o que você sonha.
E mesmo com os erros e faltas só consigo elogiar seus passos... Passos estes, como vento vespertino, batem em meu rosto a cada vez que te perco. – Odeio te ver ir embora... – Ah se eu pudesse te dizer estas coisas...tantas coisas...como eu queria poder te mostrar o turbilhão de emoções a cada vez que te encontro, e esse seria meu único arrependimento – suspiro - te amei por semanas e nunca encontrei o momento certo para te dizer estas três palavras de afeto.
Queria pegar-te em meus braços, beijá-la sempre que as palavras se tornassem supérfluas e nossos diálogos sem sentido...como seria bom deixar minha imaginação superar minha inteligência, a razão, e com você ter momentos dignos de um filme romântico...filmes antigos...marcados para sempre na memória de muitos...ou só de nós dois...nós dois...
Entreguei sim, em tuas mãos, aquilo que há de mais precioso em meu corpo, em meu peito, meu coração. Agora carrego de ti um cheiro, uma voz, um rosto lindo, uma lembrança...Das tribulações que me afligiam tirei poesia, do sofrimento arranquei música, das ilusões criei amor...mas preciso de você para transformar tudo em paixão. Sim, como nos filmes antigos...
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Poesia - Filmes Antigos
sábado, fevereiro 21, 2009
Poesia - Perto de Você
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Não acredito em registrar tudo o que escrevemos, desenhamos ou filmamos, muito menos no que os artistas dizem, que a arte deve ser a "expressão do artista" única e simplesmente. A arte, em todas as suas manifestações, deve ser algo voltado ao público, aberto para quem quer abraçar e admirar a vontade criativa dos autores. Este texto escrevi em 2004 (não vou citar nomes), não cabe aqui descrever a inspiração, mas sim deixar aos leitores imaginar, criar, se inspirar e refletir.
Poucas vezes em nossas vidas, temos a oportunidade de conhecer pessoas das quais realmente sentimos falta. Sentimos falta num momento alegre, sentimos falta quando um filme nos faz chorar, sentimos falta mesmo estando tão perto ao nosso lado e até sentimos falta nos momentos difíceis quando o mundo parece ruir sobre nossas cabeças. A palavra e o verbo não são fáceis de utilizar, gestos muitas vezes passam despercebidos.
Dizer coisas dignas de serem aceitas, como a sinceridade de um tolo, muitas vezes não nos liberta. Mas como se portar nesta situação mágica onde a química e o bem-estar falam mais alto do que qualquer sentimento, onde o simples fato de saber que vai encontrá-la consegue mover 14 músculos de sua face e deixar sua mente boba dizendo palavras para fazer esta pessoa especial sorrir? Palavras...sim, palavras. Palavras que lutam para dizer: - Gosto de estar perto de você! – e hoje não consegui calar este grito...
Não é que a oportunidade nunca tenha aparecido sabe...mas é tão difícil achar o momento certo para coisas e sentimentos que não entendemos...Às vezes me indago se tentar entender é deixar passar um momento sublime, jogar fora o clima que acabou de ocorrer ou deixar as mágoas correrem atrás de um pontinho sumindo no final da rua no término da madrugada quando você vai embora...
Tentar entender? Sim, por que tentar entender, se muitas coisas até hoje não compreendo? Não compreendo a felicidade de chegar em casa após um dia difícil, muito menos compreendo a felicidade de estar em uma festa com amigos reunidos...não, não compreendo os diferentes conceitos de felicidade para te dizer o que estou sentindo neste momento. Mas bem que eu tento...e no fundo, adoraria compreender você.
Adoraria entender o que te move a buscar alegria, aquilo que te fascina, as pequenas coisas que te fazem mergulhar na solidão, estudar profundamente os seus medos e poder te consolar e dizer que tudo vai ficar bem. Não é sempre que encontro alguém assim sabe...sinto poder dizer coisas a você que não conto para mais ninguém – suspiro – e cada vez que você diz algo interessante há no meu peito uma vontade louca de te abraçar...e você consegue dizer coisas interessantes a cada segundo... – saudade – nestes momentos, tenho a sensação de ser também interessante, de ser a pessoa mais importante do mundo.
Não posso negar, minha vida sem dúvida está cheia. Cheia de amigos, cheia de boas oportunidades, cheia de portas que se abrem todos os dias, mas de alguma forma, de repente, elas não significaram mais nada...Perto de você...perto de você eu queria escrever uma canção cheia de significado... - seus olhos brilham – e que nos momentos difíceis de sua vida você pudesse cantá-la e lembrar-se de mim – meus olhos brilham.
Desculpa se falo baixinho, se muitas vezes não controlo meus lábios e explodo minhas emoções em palavras que talvez não façam o menor sentido. - Hei você! Sim, a menina da cadeira ao lado, do banco do metrô, da bolsa amarrada na cintura, dos três chopes, que gosta de orquídeas, que curte a música do comercial de cerveja (não esqueci nada... e mesmo assim parece tão pouco...),...você acredita que não consigo ficar longe de você?
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Que faz o Produtor de Cinema?
sábado, janeiro 24, 2009
É fácil para todos nós descrevermos o que faz um ator, mesmo sem conhecer as artes dramáticas. É até fácil, até certo ponto, dizer o que faz o diretor do filme, o diretor de fotografia, câmeras, etc., mas quando perguntam para você o que faz um produtor de cinema, a resposta mais comum é dizer que ele ajuda o diretor (ou você diz que não faz a mínima idéia).
Mas ser produtor de cinema, de filmes, de grandes ou pequenas produções é muito mais que isso. É talvez o trabalho mais dificil e complicado e menos reconhecido dentro deste mercado, principalmente no nível "hollywoodiano". Muitos diretores fizeram esta transição e alguns até fazem acordos com grandes estudios para produzirem filmes e séries de tv em troca de poderem fazer filmes com mais liberdade (emprestar o nome para uma série de tv como produtor é dar um pouco de status à produção).
O produtor é indicado pelos executivos dos estudios, e normalmente é quem recebe o Oscar e outros prêmios de melhor filme, e essa é a única chance que ele tem de ser famoso. O produtor é a figura que garente que todos estarão lá, no momento certo, quando são necessários. No dia-a-dia de uma produção, o produtor aparece sempre que há um problema, mas na verdade este profisisonal está envolvido desde o início. No período inteiro, da pré a pós-produção, o produtor cuidará da:
- Aceitação ou distribuição do filme por uma produtora e/ou estudio (famoso sinal verde);
- Pesquisas mercadológicas (público alvo, aceitação, retorno financeiro esperado);
- Financiamento para a produção;
- Acertos de comissionamento das partes envolvidas;
- Formatação do roteiro para que se encaixe dentro do orçamento;
- Contratação de diretores, roteiristas, atores, técnicos e outros membros da equipe;
- Visão macro de locações, figurino, sets, etc.;
- Organização de fornecedores e serviços (alimentação, acomodação, material técnico, objetos de cena, cenários, etc.);
- Aprovação do cronograma da pré-produção, filmagem, edição, pós-produção, etc.;
- Realização de acordos de marketing como os "product-placement";
- Direcionamento para marketing, divulgação, publicidade, propagandas;
- Ajustar a visão do diretor às necessidades do estudio (filmes de estudio);
- Lidar com os problemas do dia-a-dia.
Com exceção dos trabalhos "burocráticos", o diretor do filme é quem tem a resposta final sobre atores, designers de produção, diretores de fotografia, roteiro, edição, efeitos especiais ,etc. Considere esta relação como o gerente de um restaurante e o chef de cozinha.
Apesar da visão "mercadológica", isso nos trás uma idéia de que filmes são processos, e não apenas obras de arte ou blcokbusters. Até Pasolini, Fellini e todos os diretores que terminam com "ini" ou têm nome francês precisam passar por algumas destas etapas junto aos seus produtores. Lembrem que mesmo com a visão do diretor, um filme nunca é o trabalho de uma pessoa só, ele nunca é "direcionado" exclusivamente pela visão do diretor.
A influência de atores, câmeras, diretores de fotografia, produtores e outros profissionais é que molda a película, por mais que você ache que o diretor é um "artista" solitário e tirano, você está errado. Cinema é um trabalho criativo coletivo, colaborativo e dinâmico. O "engessamento" só aocntece quando os executivos de estudios resolvem dar "pitacos" na produção. Daí nem o produtor faz milagres...
O cinema é arte, mas também é negócio. É dificil para os pseudo-intelectuais entenderem isso, mas margens e lucros são uma grande parte de fazer cinema, e o produtor muitas vezes precisa balancear estas duas variáveis, arte e negócios. Até mesmo um pintor quer vender seus quadros e/ou obter a aceitação do público, por isso dizer que a arte existe por si própria como expressão do autor é mentira, pois no fundo todos conhecemos a psique humana e sua relação com o "outro". E pense assim, se um produtor for bem sucedido nesta empreitada, sua mensagem será passada a vários espectadores, atingirá um público maior e irá criar pensadores melhores.
O cara do video não sou eu...
Crítica: Dia que a Terra Parou
domingo, janeiro 18, 2009
Apesar de já conhecer a história de O Dia em que a Terra Parou pelo filme de Robert Wise, fui ao cinema já um pouco desconfiado: - Vamos lá, outro filme catástrofe no estilo Roland Emmerich. Entretanto foi bom pegarem um diretor que não tem experiência com este tipo de filme (apesar de Scott Derrickson ter feito desastres como Hellraiser Inferno e Lenda Urbana). Com Derrickson no comando o filme ficou bem diferente e com menos clichês do que normalmente costumamos ver. Claro que as ridículas cenas sem nexo estão lá, mas bem menos exageradas ou engraçadinhas.
Tanto quanto ver Cate Blanchet em Benjamim Button, ver a linda Jennifer Connelly logo no inicio do filme é um colirio para os olhos e tem um sabor de infância por lembrar da Sarah de Labirinto, a Deborah de Era Uma Vez na América e a Jenny de Rocketeer. Claro que é um pouco de "forçação" ter Jaden Smith no meio da história (trazendo aquele dramazinho desnecessário de filho adotivo), o protagonista da série de Mad Men como um cientista "pintoso" (fala sério né...cientistas que não são excêntricos?) e ainda o Monty Python John Cleese como um matemático (ring, ding, ding, ding Mr. Hilter!). Keanu Reeves até está legal e sério como um Spock pacifista, mas sua atuação lembra bastante seus personagens em filmes de ação e ficção cientifica.
O filme vale a pena de se ver, mesmo com as falhas que descrevi abaixo. Se não quiser saber das falhas, pule para o final do post. Agora vamos para as "balelas" de filmes hollywoodianos, shall we?
O filme é bom, mesmo com seus problemas, é diversão pipoca garantida. Claro que não é um filme que atravessa décadas como os dos anos 80, mas vale as 2 horas. A idéia de substituir a nave espacial de 1951 por uma esfera de energia também foi muito criativa e uma boa "previsão" do que podem vir a ser os meios de transporte daqui a mil anos.
Veja também a resenha do site Omelete. Abaixo crítica da Veja.
Crítica: Benjamim Button
sábado, janeiro 17, 2009
Apesar de encarar mais uma vez o péssimo atendimento do Cinemark Botafogo (uma só pessoa para atender uma fila imensa em um guichê de 07 baias), os assentos desconfortáveis, anti-ergonômicos e sem apoio de cabeça, e os pequenos espaços de circulação (típico de um complexo comercial de cinemas sem amor à 7ª arte), vi um filme muito bom hoje que recomendo.
No final de minha infância e inicio da minha adolescência, eu costumava dizer para minha mãe que eu havia nascido na época errada e no lugar errado. Eu queria dançar o dixieland jazz nos clubes nova iorquinhos dos anos 30, ver Jerry Lee Lewis no palco, ver o show dos Beatles no Ed Sullivan Show, participar de uma grande guerra e voltar pra casa para a garota dos meus sonhos, voar com a Esquadrilha Lafayete, descobrir segredos de milhares de anos como um arqueólogo vitoriano, colecionar fotos de Bettie Page, me impressionar com os primeiros quadrinhos do super-homem e ficar encantado com as matinês dos pequenos cinemas americanos.
Mas a vida nos dá nossa própria época e memórias, e muitas vezes não sabemos como aproveitá-las ou até mesmo garantir que nossos sobrinhos, filhos e netos poderão um dia ver filmes sobre o fascínio que tinhamos sobre nossa cultura pop. Benjamim trás um pouco desta volta ao passado, em diversas épocas, mostrando que no fundo somos todos iguais. Nossos medos, aspirações, preconceitos, e que o mais dificil é largar a falta de esperança e o "tecnocracismo" para se entregar-se a uma vida cheia de surpresas espontâneas e incríveis.
Benjamim Button é um menino que nasce velho, enrugado e feioso, e por isso é abandonado pelo pai na porta de um asilo (referência a uma família ficticia, os Button, que inventaram os botões e têm como concorrente o inventor do zíper). A zeladora do asilo adota a criança que incrivelmente fica mais nova a cada ano. Durante esse rejuvenescimento Benjamim descobre as amizades, o amor, o sexo, o álcool, tudo com o olhar de uma criança que acabou de descobrir que uma formiga queima à luz da lupa, que as dormideiras fecham com o toque, que não existem monstros no escuro, a vida de Benjamim é pura descoberta no sentido inverso de tudo o que nós já vivemos. Imagine só descobrir o sexo com 13 anos quando todos acham que você tem 80...
O filme já começa com uma cena bem emocional. Um grande inventor faz um relógio para uma estação de trem, mas o relógio roda ao contrário... Emocionado o inventor diz que o relógio roda ao contrário para que seu filho volte vivo da 1ª guerra, algo que nunca deveria ter acontecido. Junto ao seu discurso aparecem cenas da 1ª guerra como que "rebobinadas", e as pessoas da estação entendem e se identificam com a mágoa do homem que só espera que a humanidade um dia acorde e resolva fazer a coisa certa.
A mensagem do filme cresce ao longo da projeção e vai ficando mais forte fazendo até as mentes menos acadêmicas refletirem sobre sua própria condição no mundo, idade e identidade, as coisas que deixamos de fazer depois de velhos por que queremos ser "adultos responsáveis", e tantas outras coisas que deixamos entrar na nossa cabeça por uma falta de um "pensar próprio" que nos faça ponderar antes de abraçar o legado cultural retrógrado de uma sociedade parada no tempo com seus preconceitos, modismos, tradições sem sentido e que tende a julgar todos que são diferentes. Para Benjamim o que importa é ser feliz, viver como uma criança mesmo que esta criança tenha responsabilidades. Para Button a vida e as pessoas são a maior dádiva que alguém pode ter.
O roteiro do filme é de Eric Roth, por isso se você é um viciado em cinema, como eu, vai logo perceber o estilo de narrativa e diversas cenas e dramas idênticos ao de Forrest Gump, outro filme escrito por Roth. A mãe sábia sem instrução que faz tudo para a felicidade do filho, o louco marinheiro beberrão que tem um bom coração, a paixão de infância que cresce e faz besteiras até descobrir que realmente ama o protagonista (lembra de Robin Wright, a "Jenny" em Gump?), as cenas mescladas com fatos históricos, o encontro com celebridades e as piadas engraçadinhas como o cara dos raios (as cenas do vovô são hilárias, mas os videos em preto-e-branco foram desnecessários e apelativos demais... bem "povão").
Uma das coisas bonitas que Roth traz desde Forrest Gump é que quando você ama alguém de verdade, a presença dela, sua companhia, é mais importante do que sexo, beijos ou carícias. Era isso que Button busca no inicio em Daisy e ela não entende. Mas no mundo do cinema nada se cria, tudo se copia (até de si mesmo como Roth). Até mesmo o grandioso Batman Dark Knight de Christopher Nolan usou passagens do conto "Os Destruidores" de Graham Greene - também citado em Donnie Darko - copiando a índole do Coringa com base nos adolescentes que queimam pilhas de dinheiro só para ver o caos.
Quanto aos efeitos especiais. Eu trabalho com computação gráfica, então dificilmente algo CGI me parece real, principalmente quando tenta replicar pessoas (pois estamos muito acostumados com o rosto humano para sermos enganados pelo brilho falso dos modelos 3D). Entretanto admiro a tentativa de utilizar o rosto de Brad Pitt substituindo o rosto dos atores que interpretaram Benjamim velhinho, inclusive o bebê enrugado. Esta técnica tem sido utilizada amplamente, desde o filme X-Men para mostrar Magneto e Xavier mais novos até nos novos Guerra nas Estrelas para mudar falas (sim! Eles mudavam lábios e expressões para mudar diálogos). A mais conhecida técnica foi usada pela Eyetronics no documentário dos últimos dias de Hitler que recriava cenas da 2ª Guerra fazendo rostos perfeitos de Hitler, Roosevelt e Churchill em 3D, que eram sobrepostos aos rostos dos atores reais. Pelo menos no documentário ficou perfeito, mas Button não engana...
Vale ressaltar que os produtores deste filme são Kathleen Kennedy e Frank Marshall, "figurinhas carimbadas" do cinema desde os filmes de Indiana Jones, E.T. Poltergeist, Goonies, De Volta para o Futuro, Viagem Insólita, Império do Sol, Persepolis, Munique, Parque dos Dinossauros e tantos outros sucessos. Cate Blanchet também está linda neste filme (como sempre), e é mais surpreendente ainda e apaixonante ver sua cara rejuvenescida nas cenas que mostram Daisy adolescente. O elenco inteiro é fanstástico, um trabalho quase de teatro (fazer teatro é o sonho de 99% dos atores americanos). O filme foi feito em Nova Orleans, a cidade que ficou conhecida pela devastação feita pelo furacão Katrina.
Com excessão dos efeitos faciais e as cópias descaradas de cenas e dramas de Forrest Gump, vale a pena ver Benjamim Button com o coração aberto, a mente livre e um pouco de reflexão. Não deixe que os filmes acabem quando você sai do cinema. Se você não trás sua diversão, seu aprendizado e suas amizades para o crescimento de sua vida, como individuo, como "ser social", como trabalhador e como solucionador de problemas, é por que aquele tempo gasto não lhe serviu de nada.
Um dia você vai acordar e perceber que trabalhou, se divertiu, teve filhos, casou, viajou, mas nunca fez nada realmente grandioso com a sua vida, nunca seguiu seus sonhos, trabalhou e seguiu a rotina que os preceitos da sociedade esperavam de você. Tentou agradar a todos e nunca fez o que realmente lhe era importante. Os filmes são mais do que 2 horas de diversão, são portas para algo maior que pode ser aplicado no trabalho, na escola, na faculdade, na familia, nas amizades, no amor, na sua forma de ver o mundo. Deixe Benjamim lhe ensinar um pouco das coisas que realmente valem a pena na vida. Quem sabe você não larga tudo e se junta a um barco pesqueiro como Gump e Button?
Crianças Levadas a Sério
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Os filmes infantis a partir dos anos 90 tomaram uma direção "boboca" e um pouco sem sentido... Não sei se devido às leis, a psicólogos (o que duvido muito por ser um grupo muito bem instruído) ou a simples dedução não cientifica de políticos incompetentes e pessoas que acham que conhecem a mente das crianças, mas a verdade é que os filmes se tornaram "idiotas", passivos e feitos sob a ótica protetora adulta sob o mundo infantil.
Claro que você não é mais criança, e é quase impossível lembrar seus desejos e sonhos infantis (ou como isso te influenciava), mas não é muito dificil lembrar de filmes como Goonies, Garotos Perdidos, Gremlins, A Lenda, Labirinto, até mesmo Poltergeist que te fez se esconder debaixo da cama. Estes filmes pensavam nas crianças como seres com idéias próprias, sentimentos, opiniões, vontades, e não como o ser "boboca" que deve só ver bonequinhos dançando e pulando ao som de músicas com letras pobres...
Não tiro o mérito de programas como Barney, Backyardigans, Teletubbies, princesas, entre outros, mas se eu tivesse mais de 6 anos e fosse obrigado a ver essas coisas, eu realmente iria ficar com raiva. Na verdade a criança não fica com raiva por que não entende. Poucas vão reclamar com você sobre o conteúdo dos filmes ou da TV pois estão extremamente condicionadas a aceitar aquele tipo de programação. Quando o filho do meu primo viu Senhor dos Anéis aos 5 anos de idade, os pais de seus coleguinhas achavam aquilo um absurdo enquanto o garoto trazia a curiosidade para os seus coleguinhas de escola.
Nós mesmos víamos filmes e desenhos de melhor qualidade quando crianças, e mesmo não entendendo diversas coisas, nos divertíamos muito, trazemos boas lembranças e até hoje descobrimos coisas novas que naquela época não percebemos. Esta descoberta sumiu, deu lugar a produções "mastigadas" que explicam tudo e privam a criança do pensar (já viu os DVDs da Xuxa? Já foi ver uma animação no cinema sem ser as da Pixar ou da série Shrek?). Até mesmo filmes como a Fantástica Fábrica de Chocolates de Tim Burton teve sua visão deturpada em relação ao livro para criar algo mais "aceitável" para o público infantil (na visão dos adultos é claro).
Você não deve tratar a criança como um adulto pois seus modelos mentais ainda não foram formados, mas isso não significa que esta deve ser tratada de forma estereotipada, as crianças devem ser levadas a sério na concepção de produtos áudio-visuais para que estas mídias sejam responsáveis pela sua própria construção como individuo. A descoberta do amor, do sexo, da morte, das amizades, do perigo, da aventura, nós recebems isso nos anos 80... Hoje o que as crianças recebem é como dançar, pular, rodar, cantar, como comprar "brinquedos fofinhos", robozinhos falantes e imitar golpes japoneses (as que se importam, pois a maioria está mais preocupada com games). Adoro todas essas atividades e esses gadgets, mas eles não podem ser 100% do aprendizado de cultura pop de uma criança.
Mas este quadro está mudando. Fimes como Spiderwick e Ponte para Terabitia vêm mudando a ótica adulta para concepções mais fantásticas da imaginação infantil. Após 15 anos de filmes bobos, as produções voltam com temas familiares ao cotidiano real dos pequenos como a escola, os amigos, as descobertas, a morte de pessoas próximas, etc. Afinal, Disney já mostrava uma visão sombria iconoclasta de princesas e dragões muito antes de Caverna do Dragão ou dos novos desenhos deste século, e ninguém se tornou mau ou cresceu perturbado por causa disso...
Criança deve ser levada a sério no cinema e novas mídias sociais! Filmes e TV devem trazer boas memórias e descobertas e não um passatempo "educativo" bobo. Acordem para um novo mundo, não sejam analfabetos sociais que escondem o conhecimento e descobertas das crianças com medo que elas mudem muito a rotina das velhas idéias...
Morre Bettie Page
sábado, dezembro 13, 2008
Numa época em que apenas fotos de mulheres com roupas íntimas já abalava o mais puritano dos garotos, onde a sensualidade era mais discreta e os meninos ainda se preocupavam em esconder dos pais que tinham certas revistas em casa, onde era considerado imoral comprar revistas de mulher de lingerie naquela estante do canto das lojas, nesta época surgiu Bettie Page. Hoje é muito normal para adultos e crianças ver grandes outdoors ou peças de propaganda pela cidade com a Gisele Bündchen de calcinha e sutiã em poses sensuais, mas isso nos anos 50 era papo para muita polêmica.
Estava aí uma época de inocência onde era legal ser um garoto e desfrutar daquela cumplicidade com os amigos, da descoberta do sexo nas revistas "proibidas" e liberar a curiosidade reprimida. Hoje as ciranças já nascem vendo na tv, bancas e jornais as fotos mais explícitas possíveis... perdeu-se muito daquela magia em torno das pin ups pois tudo agora é mostrado com fotos que até o Kamasutra duvida e com o melhor que a ferramenta Photoshop pode retocar.
Nascida em 1923, Bettie Page, como mostrado no maravilhoso filme de Mary Harron (The Notorious Bettie Page, 2005), foi a segunda de seis filhos de Walter Roy Page e a Edna Mae Pirtle. A família vivia em condicões financeiras precárias não repousando por muito tempo no mesmo lugar, com a queda da bolsa em 1929 a situacão piorou. Os pais se divorciaram em 1932.
No ano anterior Walter havia sido preso por alcoolismo e desordem. Edna Pirtle se estabeleceu em dois empregos, enviando Bettie e duas de suas irmãs para um orfanato por um ano. Aos quize anos de idade de Bettie fora violentada pelo próprio pai, quando ele havia voltado a morar com a família. Em idade tenra Page conheceu responsabilidades duras e aprendeu a tomar suas próprias decisões.
Entre o coro da igreja e o salão de beleza que Edna trabalhava, Bettie mantinha seu tempo costurando. Bettie foi considerada uma estudante excepcional. Mostrou sempre interesse pelo cinema e a vida de modelo. Coordenou um grupo de arte dramática e se formou Bacharel em Artes no Peabody College em 1943. Pernas a parte, seu trabalho fotográfico é um marco na história, tanto das fotos sensuais quanto nas técnicas de fotografia dos anos 50. Bettie morreu nesta quinta-feira 11/12/2008 em Los Angeles.
Pioneira da liberação sexual nos anos 50, até hoje é reverenciada pelo cinema, mídias em geral, músicos de rock, artistas gráficos, fãs de automóveis, tatuadores, entre tantos outros artistas/profissionais. Afinal de contas, quando nossa avó era menina, passar batom era coisa de prostituta. Quando nossas mães eram pequena, usar minissaia era coisa do diabo.
Quando nossa prima mais velha usava minissaia, ainda não podia ver filmes picantes (que hoje passam livremente em um cinema perto de você!). As coisas mudam, o mundo muda... Não fiquemos presos aos preceitos culturais de nossa época pois a vida é maior que isso e o certo e o errado só se aplica quando você fere física ou emocionalmente o próximo... Assim nos ensinou Bettie Page.
Crítica: Por Favor Rebobine
quinta-feira, novembro 27, 2008
Be Kind Rewind é mais um daqueles filmes americanos que mostram o valor do espírito humano diante das dificuldades do dia-a-dia, e que mesmo na pior das tragédias a união de uma comunidade pode amenizar qualquer sofrimento. Isto não tira o seu valor, nem mesmo o coloca na posição de um filme com clichês. A idéia é muito louca pois a explicação para a perda das fitas de video é ao mesmo tempo cômica e inverossímil, mas não deixa de ser uma parte muito divertida de introdução para o restante do filme.
O personagem de Jack Black é quase o mesmo que você já viu em Escola de Rock e outros filmes, mas o principal deste filme é a idéia dos "Sweden Movies", ou seja, você recriar um filme conhecido apenas com os recursos que você tem na sua casa, no seu prédio, na sua vizinhança, sem uso de softwares gráficos, edição nem nada sofisticado. As cenas recriadas são hilárias e apesar do filme ter uma mensagem de drama americano, nas entrelinhas ele mostra o que vem acontecendo com todas as indústrias cujas conteúdos podem ser convertidos para mídias áudio-visuais. As pessoas hoje estão mais interessadas naquilo que é novo, diferente, pessoal, e dão menos atenção ao mainstream, preferem algo que reflita suas aspirações na vida, a realidade de sua comunidade, as histórias do seu povo, mesmo que estas histórias sejam contadas em pequenos filmes por pessoas do outro lado do mundo... (vê-se YouTube, entre outros sites de video).
Quando no final do filme os "vilões" aparecem para destruir os filmes da locadora, vê -se claramente o medo das grandes corporações que diante do cenário atual não sabem mais o que fazer, não conseguem ser criativos para elaborar campanhas de marketing que funcionam sobre um cliente que muda a cada segundo e que não é mais afetado por velhas fórmulas da publicidade. Até mesmo o marketing por sites como o YouTube estão ultrapassados uma vez que agora todo mundo já sabe que isso acontece e fazem questão de denunciar as empresas que praticam esta atividade de Web Marketing em diversos sites Open Social.
Se J.K.Rowling processou um fã de Harry Potter por causa de um site, o Metallica manda prender jovens por escutar suas músicas na internet e Bob Dylan e outros da velha geração dão chiliques contra os "downloaders" , o que vai acontecer com estes que não sabem divulgar o seu trabalho no novo mundo? A resposta é que ficam mal vistos. Você pode até comprar os produtos, mas você sabe que estã comprando algo do artista e empresas que não souberam lidar com mudanças.
Be Kind Rewind é um filme muito bom e bem útil para as reflexões de nossa época. Não veja o filme como uma mera comédia, mas como uma metáfora dos acontecimentos. E aconselho a todos a se divertirem bastante tirando 1 hora do seu final de semana para fazer "Sweden Movies" com suas câmeras! Distribua na internet, coloque no Youtube, mande por e-mail! Ser bobo de vez em quando não faz mal a ninguém, distrai um pouco a cabeça e tira um sorriso do rosto até das pessoas mais sérias.
Exposição Corpo Humano
quinta-feira, novembro 20, 2008
A exposição itinerante alemã Body Worlds (Körperwelten) sediada na Inglaterra (pois é, o domínio deles é co.uk) já esteve em diversos locais do mundo, inclusive estava na própria Alemanha quando estive na Europa, e quem lê muito jornal, revistas e vê documentários aqui no Brasil, sabe que ela já rodou meio mundo nos últimos 10 anos. Polêmica, a exposição trás cadáveres injetados com um composto (talvez plastilina) que os mantém rígidos permitindo ao médico/escultor colocá-los em posições em que sejam mostradas partes interessantes da anatomia humana. É uma pena que a exposição Corpo Humano não seja tão completa quanto a Body Worlds que rodou o mundo que tinham os corpos jogando basquete, montando cavalo, escrevendo, tudo no mesmo estilo, exibindo músculos, veias, ossos e orgãos.
Mesmo assim foi fantástico ver corpos onde podemos ver como funcionamos, como somos por dentro, como são feitas cirurgias, reconstituições e tratamentos, o que certas doenças causam e até mesmo sabermos por que é tão importante cuidarmos do nosso corpo, nossa alimentação, exercícios, psique, etc. Parabéns à iniciativa da sala onde o corpo e partes de um fumante são mostradas. Havia até mesmo um local para que as pessoas jogassem fora seus maços de cigarro. Para quem ainda não adotou uma vida saudável, é hora de começar! A exposição mostra o fígados de quem tem cirrose, como são as artérias entupidas, entre outros problemas que você deve evitar cuidando melhor do seu corpo. Eu ando com uma dor complicada nos calcâneos, e fiquei muito tempo tentando perceber como aquilo, aquela máquina de tendão e ossos na extremidade da minha perna funcionava...
Muitas pessoas acham assustador e nojento, mas o melhor da exposição é ver a reação das crianças, sem inibição, sem pormenores ou vergonha, elas perguntam tudo, brincam e ficam fascinadas. Um menininho do meu lado falou até pra mãe que queria ser cortado daquele jeito! (o que a mãe respondeu:"-Deus me livre!").O meu único desapontamento é que a lojinha do Museu Histórico Nacional, local da exposição, não aceita cartão de débito automático... Fiquei sempre comprar todos os livros que eu queria de artes, históricos e principalmente da exposição do Corpo Humano. Isso significa que ainda irei retornar algum dia para fazer aquele "mercado" de livros na lojinha.
http://www.corpohumanorio.com.br/
http://www.exposicaocorpohumano.com.br/
http://www.bodyworlds.co.uk/
http://www.bodyworlds.com/
http://www.ocorpohumano.net/
Crítica - 007: Quantum Solace
domingo, novembro 16, 2008
É verdade que a maioria dos filmes hoje em dia dão grande valor ao realismo das cenas (mesmo quando beiram o impossível) do que filmes da década de 80 ou 90. Podemos observar este fenômeno em Batman, 007, entre outros filmes de ação que estão optando por uma abordagem mais pé-no-chão, menos fantástica. Ver mais um filme de James Bond é sempre uma tarefa dificil pois desde os meus 10 anos vejo James Bond no cinema (Licença para Matar com Timothy Dalton, primeiro que vi no cinema) e já entro na sala com uma certa expectativa... Confesso que estou gostando muito desta nova abordagem da série com Daniel Craig, o personagem se aproxima muito mais do Bond dos livros de Ian Fleming e menos do galante sedutor imortalizado por Sean Connery e Roger Moore. Gosto disso, a maioria dos filmes atuais estão tentando uma aproximação com os trabalhos originais dos escritores, da forma como foram pensados, e não de uma forma romantizada para atrair platéias.
Bond neste filme é violento, mata quando precisa (e às vezes quando não precisa), não hesita em contrariar seus superiores, se vinga e torna as missões em algo pessoal. O filme começa do ponto onde o filme anterior terminou, e se vocês lembram (é bom lembrar para aproveitar melhor), Bond pensa que Vésper o traiu. Ele tenta acreditar no contrário e, além de buscar vingança contra o homem que matou Vésper, Bond precisa desmantelar uma organização, salvar uma democracia e pegar o homem que ameaçou sua líder M. Claro que beldades não faltam, com destaque para Gemma Arterton e Olga Kurylenko (particularmente prefiro Gemma que estará em Prince of Persia em breve).
Vale muito a pena ver este filme no cinema. Tudo o que você espera está lá, ação, perseguições, tiroteios, mulheres bonitas, um vilão carismático, capangas caricaturados e muito mais. Sinto falta de John Cleese, mas não acho que ele se sentiria bem nestes filmes mais realistas de Bond. Destaque também para o fantástico ator francês Mathieu Amalric que vi recentemente nos filmes A Questão Humana e O Escafandro e a Borboleta.
Crítica - Sombras: Cassavetes
Hoje vi três filmes no cinema (pra variar), e nenhum dos três me decepcionou. Começo pelo último pois foi o mais curioso. Sombras (Shadows - 1959) foi um dos primeiros filmes de John Cassavetes, um ator que nós que somos mais novos reconhecemos melhor pelo seu trabalho de ator em O Bebê de Rosemary e na série sessentista Viagem ao Fundo do Mar (que passa na TV a cabo). Alguns ainda lembram de Whose Life Is It Anyway?, filme de onde o comediante Drew Carey tirou o nome para o seu programa de tv.
Sombras não possui um roteiro bem definido, e isso se percebe logo nas primeiras falas do filme. As interpretações soam falsas, a movimentação um pouco caricata e os takes um pouco nervosos e acelerados. Na medida em que o filme avança, esquecemos a falta de roteiro para prestar mais atenção na evolução que o filme trás ao longo de 81 minutos de descoberta cinematográfica. Descoberta sim, pois ao final do filme Cassavetes revela que toda a película foi uma improvisação. Isso mesmo, é claro na passagem do tempo o desenvolvimento da intepretação, a interação entre os atores, o conforto na frente da câmera, e da parte da produção vê-se que a câmera passa a ser mais forte, quase que como mais um personagem da cena que de repente se habituou a conviver com aquelas personas. Esta passagem é um show a parte.
Basicamente o filme não tem uma história, mas gira em torno de 3 irmãos (02 jovens e 01 garota) que tentam passar o seu dia-a-dia da melhor forma possível. A garota, a mais nova, busca um amor sincero e confiável, mas ao mesmo tempo gosta de provocar os homens. O irmão mais velho é um cantor cuja fama aos poucos decai na medida em que novos shows mais populares são apresentados nos cabarets. O irmão do meio é um trompetista de jazz que adora farrear com os amigos mas vê seu ganha pão indo embora por causa da forte ascensão do rock'n'roll nos bailes da cidade (mostra de forma implicita esta passagem dos jovens que largaram as danças com as bands de jazz para dançar o rock e o twist). Os irmãos ainda tem que lidar com o preconceito racial e os males da cidade.
Outra coisa legal foi que só haviam 3 pessoas na sala (contando eu) e o técnico do cinema demorou a colocar o filme. Como a sala 02 do Estação Botafogo é pequena, levantei e fiquei olhando lá pra trás onde o técnico pegou aquele rolo enorme de filme, observou os fotogramas, colocou na máquina e botou pra rodar! Pura nostalgia que só os filmes mais antigos podem trazer. Ver aqueles milhares de quadros no rolo de filme pra mim já valeu o ingresso.
Dificilmente você vai ver este filme no cinema com esta facilidade que eu tive, mas vale a pena baixar (duvido que você consiga alugá-lo) e fazer uma sessão meio "cinemão dos anos 60". Fico pensando também onde estão hoje esses atores, todos tinham aqueles rostos jovens e agora estão velhinhos, mas será que estão atuando? Será que estão vivos? Mais uma curiosidade, John é pai de Nick Cassavetes, diretor de filmes bem atuais como Alpha Dog.
Ouvidos Mutantes Globalizados
sexta-feira, novembro 14, 2008
Não trabalho para a Viacom nem em nenhuma de suas dezenas de subsidiárias (MTV, Nickelodeon, etc.), mas pelos meus interesses estarem muito ligados a cultura tween (jovens de 12 a 35 anos), acabo absorvendo, meio que por osmose, boa parte do que há de novo na música, cinema, séries, shows, programas, produtos, consumo, etc. O que me surpreendeu ultimamente é a quantidade de bandas, normais ou experimentais, que surgiram lá fora nos últimos anos e a juventude brasileira nunca ouviu falar... De repente até alguns jovens de São Paulo ou outros centros do Brasil (com exceção do Rio que é saturado de coisas comuns), até conhecem algumas dessas bandas através de clips na MTV, pela internet ou por outros canais de comunicação.
Quando eu era adolescente surgiu Nirvana, Soudgarden, Screaming Trees e todas essas bandas do Grunge, além de diversos sons pop e hardcore que embalaram a minha "passagem" de criança para a juventude. Nesta época (inicio dos anos 90), pra você conhecer sons diferentes você tinha que comprar a revista Bizz, fuçar lojas de CDs comprando música sem nem saber o que tinha dentro, ou até mesmo pegando aquelas coletâneas de novelas, séries e filmes e encontrando o CD do artista daquela trilha sonora que você gostava...
Hoje a dinâmica mudou muito. Mesmo com estas possbilidades limitadas, eu nunca iria encontrar sons alemães, suecos, australianos, ingleses, franceses, indianos, ao menos que estes estivessem explodindo na mídia e/ou cantando em inglês. Saber que Ravi Shankar existia, só lendo sobre os Beatles. Saber de Australia Crow, só andando com surfistas, ou seja, a cultura simplesmente não alcançava o jovem por que não era do interesse mercadológico trazer toda aquela bagagem musical para os ouvidos dos brasileiros. Mas claro que as pequenas tribos e viajantes acabavam trazendo alguma coisa.
Hoje, mesmo não encontrando alguns CDs, acho tudo na internet, do som mais underground ao minimalista, techno, trance, eurodance, heavy metal, trash metal, hardcore, punk, pop regional, e por aí vai. Ecletismo é uma benção, e o ouvido treinado sabe aproveitar todos estes sons para tirar o máximo das obras para o seu dia-a-dia, seus trabalhos, seu lazer, até mesmo suas decisões de vida. São estas músicas fora do mainstream (ou presas a um grupo especifico) que hoje contribuem fortemente para a trilha sonora de filmes, comerciais e mídias interativas (é mais fácil você ouvir Frou frou e Kate Nash em propagandas do que a Britney Spears). O som experimental deixou de ser exclusivo do undeground, alternatuivo e festivais internacionais, para fazer parte do MySpace, YouTubee outras mídias sociais.
Eu particularmente conheci as bandas que vou citar no fim do post através do YouTube, sites da MTV americana, alemã e inglesa, MySpace, o programa Saturday Night Live, o E-Mule, o site Pandora.com (que agora é limitado aos EUA devido a direitos autorais), amigos que viajam e livros (sim, citações do clássico ao moderno, até Oliver Sacks cita suas músicas eruditas). Você já parou pra pensar que existem até mesmo músicas clássicas de compositores que você nunca ouviu falar?
Sons da década de 30 que estão sendo regravados mas que você nunca soube da existência? Mesmo no Brasil, as músicas da minha avó também são ótimas pra relaxar e dançar, e até na época dela havia os sons experimentais e as músicas que não atravessavam o Atlântico devido a falta de um canal de mídia eficiente e que permitisse a inclusão social.
Pense bem o quanto se perdeu com essas distâncias na época da minha avó. Nem os mais criativos músicos conseguiam conceber o que se passava em outros continentes e muitas vezes voltavam maravilhados com aquele som novo que ouviram em uma viagem a terras estranhas. Até hoje, mesmo depois de Paul Simon, Toto e outras bandas terem enchido o mercado de sons africanos, muitos artistas ainda buscam a percussão e jogos vocais de Angola, Zimbabue, os lamentos e cordas da música árabe e o som eletrônico dos DJs alemães. O mundo é um só, a música é um amálgama de tudo que cada cultura tem, e nossos ouvidos são cada vez mais treinados para perceber a arte dos sons, a textura de uma melodia, as cores de uma canção (isso não são metáforas, pessoas com audição bem desenvolvida realmente conseguem perceber estas caracteristicas).
Para aguçar os seus sentidos e passar o tempo, estou colocando aqui alguns clips de artistas dos quais você ainda vai ouvir falar (se já não ouviu). Alguns são muito famosos em seus países de origem, outros são internacionais mas fechados ao cult/alternativo. Busquem, procurem, aproveitem o muito moderno, o pop, o experimental, o cult, o rock, minimal, o samba, maracatu, música africana, até sons aborígenes e dos índios brasileiros estão valendo! Te Garanto que isto é apenas uma pequena parte do que existe, e tirar meia hora do seu dia para navegar e escutar novidades não vai tomar muito do seu tempo. Fiquem com os clips.
Morre Michael Crichton
quinta-feira, novembro 06, 2008
Quando eu tinha 14 anos ainda queria muito trabalhar com cinema. Ficava fascinado com os efeitos especiais, pirotecnia, miniaturas, maquiagem, monstros, robôs hidráulicos e tudo mais que criava a magia do cinema. Nem preciso dizer que quando tinha 14 anos fiquei meio deslumbrado com toda aquela tecnologia utilizada para trazer a vida os dinossauros de Jurassic Park, filme baseado no best-seller de Michael Crichton. Como bom viciado em mídias desde pequeno, comprei o livro antes do lançamento do filme por que sabia que ia sair a película, e vejam só, acabei devorando 300 das 500 páginas do livro em apenas uma noite.
Em tempos em que mentirosos como Dan Brown escrevem livros populares utilizando falsas informações como marketing de vendas, Michael era médico de verdade, e mesmo quando suas verdades não eram reais, ele nunca negava a ficção de suas palavras. Hoje pessoas que nunca tocavam em um livro, que não liam livros na escola e que adoram publicações de auto-ajuda, vivem comprando best-sellers do momento como Código Da Vinci ou Marley e Eu, mas perderam a melhor época da recente literatura de ficção por ignorarem (como ignorância) os melhores escritores dos anos 80 e 90 que quase nunca saíam na mídia. Crichton sem dúvida foi fantástico.
Michael Crichton, que também é o criador de Plantão Médico (ER), morreu nesta terça-feira aos 66 anos, vítima de câncer. Nascido em Chicago em 1942, Crichton era filho de um jornalista e publicou seu primeiro texto no New York Times aos 14 anos. Em 1960 entrou em Harvard com o objetivo de se tornar escritor, mas mudou para antropologia quando seu estilo foi criticado por um professor. Após completar antropologia e passar um ano como conferencista em Cambridge, voltou aos Estados Unidos para estudar medicina em Harvard e escrever oito livros sob o pseudônimo de John Lange. O autor também usou o pseudônimo de Jeffery Hudson e chegou a trabalhar como médico um ano no Salk Institute antes de se dedicar à carreira de escritor em tempo integral
Eu tinha tudo de Jurassic Park, desde camisas e livros até maquetes e revistas especializadas. Não tinha passado por este vício desde o primeiro Batman de Tim Burton em 1988. Quando fui a Universal Studios na Florida, a excursão não ia ao local de Jurassic Park, portanto entrei numa discussão com o os guias de que eu, com 15 anos, havia pago uma viagem caríssima e não ia ver o que eu mais queria. Deixei eles lá onde estavam e fui sozinho, tirei fotos com os carros e com os modelos em tamanho real utilizados no filme escrito por Crichton.
Desde Odds On, O Homem Terminal até Jurassic Park e Next, os livros de Crichton deixam sua incrível capacidade de criar hisórias e envolver o leitor. Muitos filmes ainda vão sair baseados em seus livros, e acredito que Stan Winston e Crichton estejam só esperando a morte de Spielberg para fazer mais um grande blockbuster no céu.
Gostar de Fazer vs. Trabalhar
sábado, outubro 25, 2008
Quando eu estava no segundo grau vi muitas pessoas que não sabiam o que fazer, alguns que faziam alguma idéia e outros que tinham plena certeza. Hoje em dia vejo que passar por vários cursos universitários nos 3 primeiros anos depois do segundo grau é uma opção muito boa para quem quer escolher a profissão, inclusive você pode assistir aulas em universidades federais e estaduais sem estar inscrito. Mas este não é o tema de hoje.
O tema de hoje é a sua escolha, aquilo que você gosta, aquilo que você quer fazer. Eu sou designer por profissão, mas posso dizer que sou ilustrador e jornalista por vocação (nunca fiz jornalismo mas se gosto de escrever, poderia ter escolhido este caminho). Ainda no meu colégio, havia um amigo que queria fazer Belas Artes de qualquer jeito por que gostava de desenhar. Eu acabei convencendo-o a fazer Programação Visual, mas a questão é, aquilo que você gosta de fazer, não necessariamente vai ser aquilo com o que você vai gostar de trabalhar!
Não adianta você gostar de desenhar e achar que vai ser artista, designer ou arquiteto, não adianta gostar de filmes de tribunal e querer ser advogado, não adianta fazer engenharia mecânica achando que vai fazer robô, não adianta fazer veterinária por que gosta de animais, não adianta estudar letras por que gosta de ler, assim como não adianta fazer um curso por que tem as melhores oportunidades de concurso (até por que todos os seus colegas de profissão vão te considerar um incompetente que estudou só para o concurso). Você tem realmente que gostar de trabalhar com aquilo e não só gostar de ver, de fazer como hobby ou achar bonito ou "legal".
As profissões são muito mais do que isso. Entrar em um curso por que tem relação com o que você gosta de fazer no seu tempo livre pode te frustrar depois... Nas áreas criativas isto é ainda pior. É como diz Luli Radfahrer: "Se a questão financeira pesar, mas pesar muito, abandone a área. Você sempre poderá ser um bom advogado ou cirurgião plástico com uma coleção de belos quadros em casa". E isso pode ser expandido para quadros, livros e até os robôs. A diferença é que nas áreas criativas (como artes, ensino, publicidade, marketing e informática) todo mundo acha que "conhece" o seu trabalho e que sabe o quanto deve te pagar.
É por causa desta visão equivocada que todos se sentem na posição de avaliar a qualidade do seu conhecimento (mesmo que você não seja designer isso se aplica). Neste caso você deve mostrar no seu trabalho algo além do seu hobby, além do que você gosta de fazer no tempo livre, deve mostrar uma visão de mudança... Mas infelizmente, isso não vai te garantir um bom emprego (pelo contrário, as empresas brasileiras são "cabeças-dura", teimosas e de mente fechada). Ao investir em conhecimento conceitual e pesquisa, você se transforma em um talento, um multidisciplinar, um pesquisador nato, um inquieto, um descobridor, diferente do tecnocrata corporativo a que estamos acostumados.
Mas isso dá muito mais trabalho do que os cursos de design, direito, medicina, engenharia, arquitetura, infromática, etc, irão te mostrar nas salas de aula ou mesmo do que aqueles livros e documentários que você gosta de ler e ver. Até mesmo os autodidatas têm problemas com isso por não conseguirem organizar o seu pensamento, procurando muitas vezes se firmar fortemente em uma única idéia sobre ferramentas e técnicas da moda ao invés de procurar o conhecimento conceitual não atrelado à prática técnica (lembre-se técnicas passam, idéias ficam).
Vi muitos amigos da área de design se frustrarem com a profissão por que achavam que iam desenhar bastante e perceberam que isso era 10% do trabalho. Alguns são profissionais bem estabelecidos em programação, redes de computadores, atores, desenhistas de moda, marketing, tem até uma menina em medicina, mas muitos terminaram quase 5 anos de curso para depois pular para outra coisa diferente.
Por isso abram os olhos seja qual for a sua profissão! Você chega em casa estressado? Você não tem "saco" pra se atualizar ou cria empecilhos psicológicos de tempo e cansaço? Você pensa em fazer concurso ou ir pra uma empresa grande só por que é mais fácil trabalhar lá (ou não)? Pense bem... Repito, aquilo que você gosta de ver e fazer no tempo livre, não é necessariamente aquilo com que você vai gostar de trabalhar.
E trabalhar é viver todos os dias, a todo instante, o conhecimento, não o conhecimento técnico, mas o conceitual aplicado na prática. Você se preocupa em saber muitas técnicas de gestão, muitos softwares gráficos, muitas tecnologias, muitas técnica de cirurgias, decorar muitas leis? Você já está estressado e no caminho errado, e mais, esqueceu que a criatividade e o ser humano são as partes mais importantes da aceitação do seu trabalho.
Quando você realmente gosta do que você trabalha você vira um talento. E sim, ninguém contrata talentos no Brasil. Você tem grandes expectativas para sua carreira, não aceita salários baixos, contesta seus chefes (de uma forma amigável, mas muitos não gostam), briga pelas suas idéias, aceita conselhos até do porteiro (pois como profissional criativo, qualquer que seja sua área, acredita no ponto-de-vista de todos) e não está muito preocupado em correr para conseguir um emprego pois tem dezenas de contatos por fora.
E mais, a cada vez que você se atualiza isso piora pois as pessoas não querem pagar o que você vale e isto também abre margem para você cobrar o quanto quiser pois quando estes precisarem de você, você vai cobrar muito caro para manter-se durante algum tempo. Ou seja, o mercado de trabalho brasileiro criou uma relação com os profissionais altamente capacitados onde os dois lados saem perdendo.
As empresas acabam contratando o profissional "prostituto", o "sobrinho", que não faz um trabalho de qualidade mas ganha menos e não contesta, e por outro lado contrata consultores terceirizados que cobram caro. Essa é a grande diferença entre o Brasil e os países de 1º mundo. Eles pagam o quanto você vale e toda nova idéia é bem-vinda.
A verdade é que o talento tem horror ao chicote, a ficar preso, a trabalhar de 8 da manhã às 7 da noite (sem contar horas extras), a não poder visitar um museu, restaurante, praia ou fazer um curso no meio do dia durante a semana útil. O talento já muito adulto quer levar seus filhos na escola antes de trabalhar, quer pegá-los a noite, quer nadar, quer ir a academia, e quando você priva o talento de todas as coisas que criam o "ócio criativo" ou melhor, o relaxamento físico e mental, a satisfação da vida, ele simplesmente não produz ou não trás a qualidade de tudo que ele estudou para dentro da sua empresa (até mesmo por que certos ambientes de trabalho são claustrofóbicos, tensos, metódicos, com muitos conflitos e com pessoas com medo de serem passadas pra trás e que desconfiam de todos).
As empresas clássicas no Brasil, e a maioria das instituições ligadas ou não ao governo, ainda querem o profissional "adestrado", o tecnocrata que trabalha demais, que não vive, que não tem qualidade de vida, que dá o sangue pela empresa, que só estuda aquilo que é preciso para a empresa, que não é interdisciplinar, que não faz correlações com outras ãreas e que o dia que vacilar pode ser trocado.
A criatividade, inquietude, as boas idéias, o pesquisador nato (que quer testar coisas novas), o contestador, este não é bem visto, o que leva muitos bons profissionais frustrados a procurarem o serviço público, freelas, ou trabalhar no exterior pois têm garantia de um salário bom e não precisam se preocupar com ser mandado embora. A era da exploração vai acabar pois o talento brasileiro que não trabalha para o governo vai virar freelance, seja ele advogado, engenheiro, designer, arquiteto, etc.
Mas abrir os olhos do leitor não vai mudar esta situação. Uma coisa é um procedimento de trabalho, outro é quando o procedimento vira cultura, e esta imposição do mercado brasileiro já virou cultura... Até mesmo as empresas estrangeiras querem abrir suas filiais na América Latina pelo perfil do profissional que trabalha muito, ganha pouco, não contesta e é facilmente subsituido.
Da mesma forma que o brasileiro é associado ao sexo, samba, futebol, agora ele é reconhecido mundialmente como o profissional especializado que custa "baratinho"... E abram seus olhos empresas! Se essa cultura for perpetuada serão criados concorrentes em potencial que não têm nada a perder e são altamente capacitados. Não quis contratá-los? Agora é preciso concorrer com eles pelos mesmos clientes.
Existem 3 tipos de profissionais capacitados, os Game Changers, os Games Players e os Game blockers. Os Changers são inquietos, criativos e contestadores. Os Players são os tecnocratas que chegam na hora, saem na hora e só sabem aquilo que foram treinados para fazer.
Os Blockers são os pessimistas que apesar de sua formação acham que nada vai dar certo e só reclamam do emprego. O talento é um Changer, e "gostar de fazer no tempo livre" não vai te ajudar a ser um Changer e sim um Player, um Blocker. Lembre-se que pessoas como Bill Gates, Steve Jobs e Richard Branson não têm diploma, apenas boas idéias e uma irritação constante que os leva a mudar tudo e fazer de novo de uma forma diferente.
"I been working so hard
Keep punching my card
Eight hours, for what?
Oh, tell me what I got
I get this feeling
That time's just holding me down..."
- Kenny Logins (Footloose) -
Goste daquilo com que você trabalha, certifique-se que você sai de casa feliz e volta sorrindo, que você vê seus filmes, lê seus livros não-profissionais, leva seu filho na escola, dorme um pouco mais um dia no meio da semana, passeia sem compromisso, enfim, certifique-se que o trabalho faz parte de sua vida e não é só aquele lugar que você vai todo dia e desliga quando sai de lá.
Pergunte-se, onde você está? Está feliz na sua profissão? Conseguiria ser autônomo? Conseguiria dar uma virada e mudar de profissão? Quer fazer um concurso? Procure qualidade de vida! As possibilidades são infinitas, e por isso termino este texto com uma transcrição do filme Quem Somos Nós (odeio filmes e livros de auto-ajuda, mas esse dá pra engolir):
"Por quê continuamos a recriar a mesma realidade? Por quê continuamos tendo os mesmos relacionamentos? Por quê temos o mesmo tipo de emprego repetidamente? Neste mar infinito de possibilidades que existem à nossa volta, por que recriamos as mesmas realidades? Não é incrível que temos opções e potenciais existentes e não temos consciência deles?
É possível estarmos tão condicionados à nossa rotina, tão condicionados à forma como criamos nossas vidas, que compramos a idéia de que não temos controle algum sobre como direcioná-la? Fomos condicionados a crer que o mundo externo é mais real que o interno. É justamente ao contrário. O que acontece dentro de nós é que vai criar o que acontece lá fora. "
As pessoas querem te ensinar a ser feliz com as coisas que você não pode mudar. E eu afirmo você pode mudar sim, é só se empenhar para ter uma vida melhor e feliz.
Ilustrações de Bill Watterson
Trabalhando Demais Pra Quê?
quinta-feira, outubro 16, 2008
Este tópico e o anterior se caracterizam mais por considerar o trabalho dos artistas liberais (designers, arquitetos, desenhistas, etc.) e profissionais de informática, mas acho que pode ser absorvido de forma qualitativa por qualquer tipo de profissional liberal. Todos passamos por isso na nossa juventude e quando paramos para respirar o tempo passou e nós nem vimos...
Continuando o tópico anterior sobre querer saber tudo, igualmente existem pessoas que mesmo trabalhando não sabem dizer não. Querem pegar todas as tarefas do mundo, lidar com todas as áreas da empresa, carregar toda a responsabilidade pelo sucesso e pelos erros das metas. Da mesma forma o autônomo (lê-se freelance) resolve aceitar todos os trabalhos que tem disponível, às vezes sem poder fazer, e outras vezes se estressando por ficar até altas horas trabalhando, se movimentando de um local para outro para visitar clientes (muitas vezes distantes) e perdendo um precioso tempo de descanso, de ver tv, de ir ao cinema, de ler um livro (não profissional), de dormir. Será que vale a pena? A ganância vai dar um retorno significativo? Você trabalha demais e cai no "ostracismo corporativo"?
E mais uma vez os "especialistas" da internet (formados ou não) vão te dizer, relaxa! Principalmente se você confia na sua educação, currículo e força de vontade. As possibilidades são infinitas, e se matar de trabalhar só vai afetar a sua saúde. Como dizia na parede de um viaduto aqui do Rio: "O homem perde sua saúde para ganhar dinheiro e depois gasta tentando recuperá-la". Hoje têm-se a possbilidade de ser autônomo (dedicado), de fazer concursos, de trabalhar meio período, o mundo está aí fora para que você faça sua vida sem deixar que o estresse domine o seu dia-a-dia trazendo cansaço, e o cansaço com certeza te impossibilita de crescer. Como diria Domenico De Masi, é o ócio criativo, são os momentos de descanso e de lazer que te fazem pensar melhor, raciocinar, criar, ter idéias.
Para ilustrar a questão, um evento real em um hospício francês. O médico Philippe Pinel resolve tirar as correntes normalmente usadas com os loucos na instituição, então o politico George Couthon diz a ele: "- Ah! Então cidadão, és tu mesmo louco ao querer liberta-los das correntes?". Pinel responde calmamente: "- Tenho a convicção de que estes alienados não são intratáveis senão porque se lhes priva de ar e de liberdade", o que Couthon retruca, "Temo que sejas vítima de sua presunção". Será mesmo? É presunção assumir que o ser humano, sejam quais forem as suas condilões, precisa de liberdade? (e nem vou entrar no mérito da Mais Valia de Marx).
Você com certeza já passou por momentos em que a vida está tão corrida que você não consegue fazer nada (ou até mesmo se atualizar na própria profissão). Você chega tão cansado em casa que não aguenta mais ver o seu programa preferido na TV, você para de alugar filmes pois sabe que vai dormir durante o DVD, não sai na sexta a noite pois sábado você quer dormir até tarde, não sai sábado pois precisa terminar aquele trabalho por fora que você aceitou fazer ou quer estudar para uma prova que só vai acontecer daqui a 6 meses. E aí pronto. Você foi fisgado pela rotina do cansaço. Você não existe mais, quem existe é o trabalho, são os estudos. E não estou nem falando daquilo que você gosta, você pode estar insistindo em algo que você nem tem muito apreço... Este é o recado, faça o que pode, dentro dos seus limites, dê grande valor ao seu tempo livre!
Saber tudo é impossível!
terça-feira, outubro 14, 2008
Você é um expert na sua área de trabalho? Não importa sua profissão, você já achou que deveria abraçar o mundo? Esta é a sensação pela qual muitos profissionais passam nos primeiros anos após terminar a faculdade (aqueles que decidem por não fazer um concurso público...). Quando comecei a fazer design achava fantástico saber modelagem 3D, design gráfico, design de produto, marketing, projeto (daqueles com MS Project e Mind Manager), entre outras funções relacionadas ao trabalho do designer...
O problema é que descobri que é impossível! Chega um ponto em que a frustração é muito grande. De repente você percebe que sabe bastante de tudo mas não sabe o suficiente, e ainda, perdeu seu lazer procurando milhões de informações e esqueceu que o necessário mesmo era focar em uma atuação e se divertir no tempo livre. E acredite, você nunca vai achar que sabe o sufuciente e tudo vai virar uma bola de neve de ansiedade, neuras e preocupações constantes com o futuro.
Isto é um aviso para quem está começando ou para quem ainda não teve este insight. Se você trabalha com informática, áreas criativas como design, arquitetura, ilustração, publicidade, ou mesmo área de humanas como administração, marketing e psicologia, não perca o rumo querendo saber tudo, não pare para ler livros e artigos de outras áreas de sua profissão por mais de meia hora ao invés de "caçar" coisas que são realmente relevantes para o que você gosta e quer fazer. Pense naquela pergunta de entrevistas: "Onde você se vê daqui a 5 anos?". Você irá descobrir que responder esta pergunta é mais dificil do que você imagina... (a não ser que você seja um freelance muito bem sucedido).
Aprenda o que você precisa, não se preocupe com o mercado de trabalho, uma hora você será chamado por ser o expert daquela área que você escolheu. Se seguir as tendências você irá enlouquecer imaginando o que você ainda não sabe, que tem gente melhor que você, que os jovens com menos de 20 anos sabem muito, etc. Relaxe! Foque! Acerte o ponto e insista. A insistência é a melhor forma de ser o melhor na sua profissão. Saber tudo de tudo não vai te levar a lugar nenhum. É como diz Luli Radfahrer em outro contexto: "Um mundo de abundância é um mundo de escolhas. Quando praticamente tudo é possível, o que faz a diferença não é mais o volume, mas o critério. É isso que os designers modernistas queriam dizer quando proclamavam que “less is more”: menos só significa mais quando os elementos escolhidos têm valor."
Veja bem os seus professores de faculdade e pós-graduação. Eles participam de bancas de centenas de alunos, mas todos têm suas respectivas pesquisas e não ficam estudando sobre o tema de cada aluno para avaliar melhor. Aqui vai meu conselho, seja fantástico naquilo que você realmente gosta! "Se nunca dizes não, o teu sim não vale nada." Mais sobre ansiedades profissionais em: http://saberviver_psicologia.blogs.sapo.pt/tag/trabalho
Crítica - Valentino, Último Imperador
quinta-feira, outubro 09, 2008
Hoje mais uma vez fui ao cinema numa daquelas investidas a esmo onde não sei exatamente o que eu vou ver até sentar na cadeira. Como está acontecendo o Festival do Rio, isso piora a situação, pois são exibidos dezenas de filmes diferentes todos os dias o que torna imposível lembrar que você viu ou leu alguma coisa sobre um filme. O anúncio dizia, "Valentino, O Último Imperador", e como era o filme que estava começando naquela hora, fui ver esse mesmo.
Achava que era um filme de época como Sissi ou Ludwig, ou poderia ser até algo sobre um chefão qualquer, mas logo no inicio o que vi foi um desfile de moda (algo que até então não me atraía muito)... Pensei logo, "que diabos estou fazendo aqui?", mas logo vi que a meta da produção na forma de documentário era mostrar os últimos dias da carreira do estilista Valentino Garavani antes de se aposentar. O filme mostra a produção das comemorações dos 40 e 45 anos de carreira do artista e a sua relação com sua equipe de costureiras, marketeiros e principalmente seu amigo de longa data Giancarlo Giammetti.
Todo mundo conhece Valentino, mesmo que você não conheça a figura, conhece a marca. Valentino reforça o estereótipo que nós temos sobre estilistas, cabeleireiros e artistas, mas o que fica claro de forma sutil é o estrelismo do estilista ao lidar com suas obras, equié e seu sócio. Não que isso seja um defeito, Valentino é um pouco como eu, nunca acha que seu trabalho está bom o suficiente ou que suas festas estão perfeitas, mesmo quando todos a sua volta estão derramando elogios. No fim ele sempre percebe que tem a sua volta pessoas em que pode confiar, que trabalham para fazer a mais bela das peças, desde iluminação, cenários, roupas, as festas e desfiles se transformam em espetáculos nas mãos de Giammetti.
Mas a mensagem principal do filme é de alguém que nunca desistiu da criatividade, mesmo quando as coisas estavam ruins, Valentino nunca viu sua empresa como uma corporação mas sim como uma máquina de fazer arte. Isso fica claro na luta entre os antigos colaboradores e o novato que quer tratar tudo com números e campanhas de marketing. Valentino e Giammetti cortam a ganância, mesmo depois da venda da empresa, dizendo que o objetivo não são os números, a meta é ser fantástico! E esse deve ser o objetivo de todo profissional. Claro que você precisa de dinheiro para sobreviver, mas você só vai conseguir glória sendo fantástico, e para isso muito trabalho e criatividade já bastam! Eu quero ser um designer gráfico e de produtos fantástico e reconhecido algum dia, assim como Valentino é no mundo da moda: http://www.valentinomovie.com
Por que não Escrevi e Filmes que vi...
terça-feira, outubro 07, 2008
Tá com preguiça de ler o post todo? Passa direto para os filmes lá embaixo. Otherwise, leia tudo que é bem interessante. Antes de tudo deixo minha tristeza pelo cinema e o mundo da arte ter perdido mais uma grande personalidade este ano, Paul Newman. Minha primeira reação ao receber a notícia foi rever Butch Cassidy and The Sundance Kid. Sempre lembrarei mais de Sir Newman pelo filme Golpe de Mestre (Entertainer, The) que eu via quando era pequeno sem entender nada só para poder escutar a trilha sonora de Scott Joplin...
Muitos me perguntam se não fui mais ao cinema, se não vi mais exposíções, se parei de ler livros, de acompanhar a indústria de entretenimento ou de estudar design, mas afirmo que continuo firme e forte no caminho do espetáculo, criando e vendo criações! Confesso que após o mestrado sofro de um bloqueio criativo, mas o que bateu forte mesmo foi a preguiça de publicar novos posts aqui no blog, coisa que estou consertando hoje mesmo para que todos os leitores que descobri que tenho (pois é, o Google Analytics serve pra alguma coisa) não fiquem chupando o dedo atrás de novas resenhas, novidades e tutoriais (em breve tutoriais bem legais baseados em meus trabalhos conceituais).
Bem, antes de comentar os filmes que vi nos últimos meses, tenho algumas sugestões para quem gosta de arte e entretenimento. Como um bom adulto (será?) parei de comprar gibis, mas infelizmente continuo sustentando os jornaleiros recolhendo revistas de artes e design, nacionais e importadas. Recomendo as revistas Computer Arts Brasil (arte digital), Www.com.br (web, design e desenvolvimento), Photoshop Creative (Portugal), Cinefex (a mais famosa revista de efeitos especiais do mundo), Computer Graphics World (EUA), Computer Graphics (periódico do IEEE) e a fantástica revista nacional Zupi que traz trabalhos maravilhosos de artistas modernos, desde o grafite, pinturas e colagens até o 3D.
Como bom curioso compro também as revistas medianas (com pouco conteúdo de qualidade), entre elas a Digital Designer (que já foi boa mas hoje está sofrível e com "reportagens pagas", onde já se viu fazer matéria sobre um curso em uma universidade específica ou apresentar o tutorial de um software mostrando a embalagem do produto nas páginas?) e a WebDesign (que trás mais propaganda de agências do que informações relevantes). Sinto falta da revista Aqua de natação, mas esportes não são muito valorizados no Brasil a não ser em época olímpiadas né... Acho que eles faliram.
Quanto a livros estou tentando ler até o final o livro Criatividade e Grupos Criativos do Domenico De Masi (tentando pois Domenico é um chato por que até chegar no ponto foco, ele explica desde de o surgimento da primeira ameba na terra) e puxando algumas coisas sobre marketing digital (não custa nada aprender por que está todo mundo errando na internet brasileira... internet é viral meu Deus! Não é catálogo pra ficar online e ninguém acessar!) . Além disso comprei uns livros da série Icons da Taschen na Amazon que são muito legais, mas é só pra ver figura mesmo, trabalhos de artistas do mundo inteiro.
Quanto ao mundo do entretenimento (lê-se TV e internet), escutei novas bandas, fiz downloads, descobri coisas que todo mundo já conhecia, ouvi o álbum novo do Metallica, redescobri John Scatman, Tom Cochrane, Roy Orbinson e Concrete Blonde e ainda vi algumas séries, com destaque para Chuck, Tudors e Masters of Horror (excelente série de horror com episódios dirigidos por diretores famosos como Dario Argento, George Romero, John Carpenter, Joe Dante, John Landis entre outros).
Depois disso tudo ainda arranjo tempo para brincar com meu cubo de Rubik (o cubo mágico matemático colorido, lembra?) e pra ver a exposição BodyWorks no Museu Histórico Nacional. Mas o que vocês estão curiosos para saber são os filmes não é? Pois a lista é grande e este post já está enorme portanto vá direto para as minhas opiniões abaixo (um pouco distorcidas pois pelas datas dá pra perceber que muitos detalhes do momento eu esqueci).
11/09 - Ao Entardecer (Evening, 2007)
De vez em quando algum diretor(a) resolve fazer um filme com diversas atrizes do primeiro escalão de Hollywood como Glenn Close, Meryl Streep, Vanessa Redgrave, Mia Farrow, Anjelica Houston e as mais novas que já se tornaram clássicas como Toni Collette, Natascha Richardson, Claire Danes, Natalie Portman, entre outras. Este filme trás mais uma vez esta fórmula trazendo algumas destas atrizes intepretando as mesmas personagens em épocas diferentes.
O que o filme traz é a pergunta que muita mulher deve se fazer na vida adulta: "-e se eu tivesse tentado ser feliz com o cara que me amava de verdade ao invés de escolher o caminho errado com outro, o caminho da sedução, da conformidade e das escolhas da juventude?". O filme mostra uma mulher que sofre por ter feito esta escolha mostrando que apesar de todo conforto, bens materiais, aparência e segurança que suas escolhas deram pra ela, ela nunca foi realmente feliz em nenhum de seus relacionamentos. O pior é que a pessoa que mais podia amá-la incodicionalmente, enfrenta um problema na juventude que irá impedir que ela o encontre novamente.
Vale muito a pena ver o filme, principalmente pela bela Claire Danes com roupas de época, uma época e lugar onde eu gostaria de ter nascido... As veteranas do cinema também estão impecáveis muitas vezes fazendo-nos esquecer que a personagem envelheceu, pois os trejeitos da atriz jovem e das clássicas são muito parecidos. Não recomendo ver nenhum filme em DVD em casa, se puder assista no cinema para aproveitar o máximo da fotografia e closes do filme.
28/08 - O Procurado (Wanted, 2008)
Quando disse que parei de ler revistas em quadrinhos, quis dizer de super-heróis. Claro que ainda leio os clássicos e a produção alternativa, e tive a felicidade de conhecer O Procurado primeiro nas páginas do gibi de Mark Millar. Apesar de manter apenas o tema, trocando a maior parte dos pontos da história, Procurado é um filme muito bom, entretenimento despretensioso, passatempo divertido e mentiras aceitáveis e incríveis de se ver na tela grande. A única coisa que estraga um pouco é a mania de Hollywood de usar heavy metal nas cenas de ação no lugar das trilhas sonoras instrumentais, e também a narração em off de James Mcavoy. Se não fosse isso seria perfeito. Mas vale a pena verm, principalmente se você vai ao cinema ou tem um bom sistema de som em casa. Atenção para as dezenas de referências no filme.
21/08 - Encarnação do Demônio, A
Quando era pequeno costumava ver os filmes de Zé do Caixão nos canais da TVE ou na madrugada, uma vez que meus pais não implicavam comigo ao ficar acordado até tarde. Devo ter visto os primeiros filmes quando tinha 11 ou 12 anos, e ambos me impressionaram bastante e até hoje quando vejo acho que o cinema brasileiro tinha um grande potencial que foi largado de mão na década de 70 para dar lugar a porcarias e diretores pseudo-intelectuais metidos a artista.
Não vou negar que a produção do filme me impressionou. As locações foram muito bem feitas, a fotografia é mutio boa, os ângulos de câmera surpeendem e mesmo os efeitos especiais são dignos de um episódio da série Masters of Horror. Mas como todo o filme brasileiro produzido em maior parte aqui, por pessoas daqui, a película sofre de alguns males, principalmente na interpretação falsa, forçada, sem graça e risível dos atores (incluindo Mojica). É um show de palavrões, frases feitas (forçadas demais para parecer real), jograis, interpretação de prompt (aquela que parece que o ator tá lendo um prompt que nem Jornal Nacional) e figurinos muitas vezes forçados para simular aspectos de terror do cinema americano (sem sucesso).
Vale a pena ver para conhecer o trabalho de efeitos visuais, cenários e edição, mas não serve como entretenimento. Zé do Caixão não é mais o mesmo, adoro os filmes antigos dele mas está na hora de aposentar a cartola. Acho que nós espectadores já estamos de saco cheio de diretores que passaram anos fora da cadeira e agora resolvem voltar achando que vão abafar (uma crítica construtiva a Mojica e George Lucas, experts em estragar seus personagens mais famosos).
18/08 - Star Wars: Clone Wars
Não vou negar que adoro animações. A cada ano as animações impressionam até mesmo nós artistas que trabalhamos com isso todo dia. Claro que existem níveis artísticos e também níveis de conteúdo, e esta diferença pude ver claramente no último Anima Mundi, principalmente ao ver os trabalhos de Juan Pablo Zaramella que são simples mas incrivelmente bem resolvidos com conteúdos de primeira.
Clone Wars é mais uma tentativa de George Lucas de negligenciar todas as suas idéias da época da USC (University of Southern California) para ganhar montanhas de dinheiro em cima de nerds e crianças. Lucas defendia na sua juventude os filmes artísticos, as histórias elaboradas e a independência, entretanto se entregou a indústria da pior forma possível, visto os 3 filmes do prelúdio de Star Wars que seriam totalmente repugnantes se não fosse o trabalho de artistas de design e figurino como Doug Chiang.
Isso não torna este filme ruim. O filme é uma introdução a série de desenhos do Cartoon Network e deixa isso bem claro por não ter começo, meio e nem fim. A animação parte do episódio II de Star Wars e mostra os Jedis tentando resolver um problema político desencadeado pelo General Dooku quando este sequestra o filho de Jabba, The Hutt. A história do desenho é bem melhor que a dos 3 primeiros filmes live-action da série, não sei nem por que fizeram essa escolha uma vez que torna as intrigas políticas mais evidentes, coisa que criança não entende. É bom ver que a história chegou a este ponto de mostrar algo realista em relação às maquinações de políticos, militares, gangues, corrupção e os próprios Jedis servindo como uma "polícia" do espaço.
O melhor na animação é a estética. O desenho é muito bonito mesmo, cada cena é de tirar o fôlego em termos de excelência artística. Os traços são estilizados na medida certa e os shaders e texturas utilizados na renderização dos modelos 3D dá um visual de uma pintura, bem parecido com livros infantis e desenhos de animação dos anos 80. Vale a pena ver Clone Wars mesmo que voê não goste da série, aproveite e leve seus filhos ou sobrinhos como desculpa para apreciar um dos melhores trabalhos de arte do ano. "May the force be with you".
13/08 - A Múmia 3: A Tumba do Imperador Dragão
Se você tem mais de 10 anos, não vá ver esse filme. Não que o filme seja ruim, mas provavelmente é um filme que você só aproveitaria com gosto se fosse ainda criança. A quantidade de clichês é assustadora, como descreveu um crítico do site Omelete: "O espectador consegue ver na sua frente os templates sendo preenchidos: entra cena de ação (explosão, frase engraçada, troca de tiros, frase engraçada), corta para elemento dramático (imperador ganha poderes de volta, coadjuvante explica em voz alta "o imperador está ganhando seus poderes de volta!"), fecha cena de ação (começa a avalanche na montanha, coadjuvante explica em voz alta "avalanche!"), corta para transição de set pieces (todos inexplicadamente a bordo de um avião), começa a cena de ação seguinte, e assim por diante.".
É como filmes tipo Massacre no Bairro Japonês ou o O Último Dragão (mesmo que os entusiastas queiram me enforcar, é verdade, vocês nunca achariam estes filmes fantásticos se tivessem visto pela primeira vez com mais de 20 anos). Mas com certeza seus filhos e/ou sobrinhos vão adorar, lembrar pro resto da vida e ainda te pedir para comprar bonecos de Rick O'Connell (Brendan Fraser, mais uma vez usando sua famosa peruca para esconder a calvíce). Teve muita coisa desnecessária como os Homens da Neve, as transformações do imperador em monstros de seriado japonês e mesmo o filho canastrão de Rick, mas vale a pena como passatempo caseiro. Os efeitos são um show a parte apesar de utilizados desnecessariamente. Lembre-se que eu vi este filme a 2 meses e ainda não havia comentado, por isso posso ter esquecido muita coisa.
04/08 - A Banda (Bikur Ha-tizmoret, 2007)
Vou ser sincero que desde que vi Gosto de Cereja, tenho um preconceito contra filmes vindos do Irã, Iraque, Egito ou Israel. Não que as histórias sejam ruins, pelo contrário, são extremamente originais e criativas, entretanto os filmes destes países possuem um estilo narrativo mais chato que propaganda eleitoral... É super parado, demora para acontecer alguma coisa, fica horas mostrando uma mesma cena, como se quisesse dizer que isso é "arte", que isso é para fazer o espectador "refletir" (conversinha intelectual de cinéfilo idiota que anda de aro grosso e gola rolê). Mas A Banda realmente me surpreendeu.
O filme narra a história de uma banda de músicos egípcios que viaja para Israel para tocar na comemoração de abertura de um centro árabe de artes. Porém o transporte não é enviado para a rodoviária eles são obrigados a encontrar a cidade de destino por conta própria, desta forma se perdendo e acabando em uma cidadezinha entregue às moscas e à personagens intrigantes e bem comuns que mostram o caráter, comportamento, felicidade e arrependimentos do ser humano.
O ator Sasson Gabai interpreta de forma fantástica o general, e sua relação de amizade com a dona do boteco (Ronit Elkabetz) da pequena cidade garantem os melhores momentos do filme. Os coadjuvantes também estão excelentes, garantindo boas risadas, cenas cômicas, drama e lágrimas. Uma boa metáfora sobre a esperança de um dia ver a união entre os povos daquela região. E como curiosidade nerd, Sasson Gabai não é um total desconhecido, o ator interpretou Mousa no filme Rambo III ao lado de Sylvester Stallone. É dele a famosa frase em Rambo: "God must love crazy people, he makes so many of them!". Não percam A Banda!
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