Aqui estão algumas recomendações para quem gosta de comprar filmes. Fique atento ao que você compra, como compra e onde compra. Vale a pena seguir estas dicas para comprar seus filmes favoritos ou para montar sua filmoteca. As dicas são importantes principalmente para você comprar originais baratos e com todos os extras que você merece, sem cair na exploração, "enganação" e agressividade do mercado de filmes e fonográfico. Sugiro ler depois o post anterior a este para saber como a indústria no Brasil mudou ao longo dos anos e hoje está em forte decadência, principalmente na qualidade de seus produtos e serviços.
1. Aguarde antes de comprar. As distribuidoras tendem a lançar novos produtos com o dobro do preço que eles valem. Se você conseguir esperar 3 meses, provavelmente vai comprar um produto de R$ 49,90 por R$ 24,90. Sempre aproveite e aguarde promoções;
2. Preços de lojas online são quase sempre mais baratos que lojas físicas;
3. Verifique se o filme ou box existe em lojas estrangeiras como a Amazon. Veja os tipos de extras que a versão americana tem, legendas e outras vantagens. Se a diferença de preço contando o frete for menos de 50%, vale mais a pena comprar a versão gringa com os extras;
4. Verifique em lojas estrangeiras se existe uma versão especial, Director's Cut, box especial ou qualquer outra versão mais "turbinada" do DVD que você quer comprar. Em alguns casos a versão "lixão" é lançada primeiro no Brasil para os apressadinhos comprarem, por isso espere até que a versão mais completa saia no Brasil ou compre a estrangeira. Entre em contato com a distribuidora, em alguns casos eles informam se haverá uma nova versão;
5. Divida o preço das lojas pelo número de discos que vêm na caixa. Se o valor de cada disco sair por mais de R$ 15,00, espere baixar o preço ou procure outra alternativa;
6. Ao pesquisar preços na internet nunca esqueça de considerar os valores de frete, mesmo quando os preços parecem mais baixos;
7. Você não precisa comprar em lojas online muito conhecidas como Submarino, Americanas, Fnac, Saraiva ou Shoptime que quase sempre oferece produtos mais caros (com exceção das promoções pontuais). Procure no Google lojas como 2001 Video, DVD World, DVDs King, 100% Video, etc;
8. Nunca compre o DVD na primeira loja que você vê, na internet você leva segundos para pesquisar e não se cansa, por isso não banque o bobo. Se estiver com preguiça e quiser economizar alguns segundos, procure sites como o Buscapé ou o Bondfaro que compara preços de várias lojas;
9. Aviso por experiência própria. Quando você compra DVDs na internet é mais fácil reclamar e trocar do que nas lojas físicas. É menos cansativo, mais prático e dá menos dor-de-cabeça. Nas lojas físicas você lida com regras específicas de cada loja (apesar de ilegais), lida com funcionários inexperientes que ganham pouco e por isso não têm paciência com suas reclamações e vai perder metade do seu dia. A loja virtual não tem esses problemas e o máximo que vai acontecer é você ter que queimar a loja virtual em sites como o Reclame Aqui.com.br, antes do seu problema ser totalmente resolvido;
10. Pode ser que o Blue-Ray se torne um novo Laser Disc que como este, não fará sucesso e será subsituido por outra mídia. Entretanto, avalie direitinho se vale a pena comprar agora um DVD de baixa definição para depois, quando baratear, ter que comprar todos os titulos que você gosta de novo, em Blue-Ray;
11. Última dica: a tendência real do mercado de produtos "intangíveis" (leia-se filmes, música, sons, videos, softwares, games, etc.) é se tornar tudo gratuito e livre ou no mínimo muito menor (um filme em pendrive por exemplo, para ajudar a manter a indústria que já está perdida com a pirataria), mas se você não quer esperar 10 anos para que o mercado se adapte e isso realmente aconteça, vá na loja e compre um original.
Como Comprar Filmes
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Crítica: Milk, Voz da Igualdade
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Mesmo se você se diz simpatizante, para ver Milk - A Voz da Igualdade é preciso estar livre de preconceitos e abraçar a causa do filme. Eu não sou gay, mas sei que quando muitas pessoas dizem que não se importam, por trás há um verdadeiro medo e às vezes asco de presenciar situações românticas (mesmo que leves) entre pessoas do mesmo sexo. Na época de Harvey Milk isto era muito pior. Milk foi perseguido para depois ser adorado na sua vizinhança e cada vez que ele crescia politicamente no país, precisava agradar mais gente para continuar à frente de suas idéias.
O filme Milk - A Voz da Igualdade conta a história de Harvey Milk, seu encontro com suas paixões, tanto românticas quanto políticas. Harvey se muda para uma pequena rua de São Francisco para abrir uma loja de fotografia. No principio ele tem problemas com a vizinhança e com a policia, mas logo passa a ser adorado por atrair grande parte do público gay de São Francisco para comprar no comércio local. As ambições politicas de Milk vão crescendo até que ele se candidata diversas vezes ao cargo de supervisor municipal até vencer. No cargo Milk luta pelos direitos civis dos gays e confronta Anita Bryant e John Briggs em diversas ocasiões até ser assassinado ao lado do prefeito Moscone, por um de seus colegas de trabalho que vê sua carreira política arruinada pela força de Milk junto aos eleitores.
Os maiores opositores de Milk durante sua ascensão foram Anita Jane Bryant e John Briggs. Anita, uma ex-cantora, foi uma das maiores ativistas contra os direitos dos homossexuais enquanto Briggs, trazia a Proposição 6, algo como o AI5 gay, o que retiraria direitos civis de pessoas que fossem abertamente homossexuais, inclusive "bisbilhotando" a vida de "enrustidos" e simpatizantes para descobrir suas inclinações. Um McCarthismo ao público GLS. Hoje Anita Bryant é um grande fracasso na vida enquanto Briggs teve mais sorte, porém é um defensor de causas polêmicas como energia nuclear e pena de morte.
O problema do mundo é que só não abre os olhos quem não quer. É como Sean Penn disse na noite do Oscar, se você vota contra os direitos civis do público GLS, seus netos e bisnetos provavelmente terão vergonha de você. O mundo está mudando e está na hora de esquecermos o que é cultural ou socialmente imposto para reavaliarmos a ética, o certo e o errado. Deus faz 10 mandamentos e o homem inventa 500, uma sociedade indiana aceita e no ocidente não, pare para se perguntar se alguém morre por causa disso, como isso afeta a sua vida. Se a sua defesa for somente cultural/social, você provavelmente está errado. Imposições culturais e sociais não são sinônimos de ética.
Você com certeza vai sair do filme revendo seus valores e com vontade de lutar, não pelos direitos gays, mas os direitos de qualquer pessoa seja ela gay, afro, asiática, branca, idosa, criança, mulher, homem, qualquer um. Todos merecem respeito, consideração e compreensão. Mickey Rourke foi muito bom em O Lutador e não ganhou nada por ele, apenas porcentagem dos lucros, mas a interpretação de Sean Penn é que realmente pode mudar os seus valores sobre o universo GLS. Não é a toa que nos Oscars Robert DeNiro perguntou a Sean Penn como ele havia conseguido tantos trabalhos como "straight" (hetero).
Interessante a semelhança dos atores com os personagens reais do filme. Emile Hirsch está irreconhecível como Cleve Jones e mostra mais uma vez por que filmes como Na Natureza Selvagem, Meninos de Deus, entre outros, fizeram tanto sucesso (só não entendo Speed Racer). Josh Brolin (ex-Goonies) participa de Milk como o político que mata Milk. James Franco também trabalhou muito bem, mas acho que há uma tentativa ridícula dos atores hoje emdia de tentar se promover interpretando personagens homossexuais no cinema. Claro que se eles não aceitassem outros iriam aceitar, mas o problema não são os atores e sim a academia.
Crítica: Operação Valquíria
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Isto não tira o mérito do filme, é um bom passatempo, mas uma experiência pobre. É duro aguentar, a cada cena, a tomada terminar com uma "frase de impacto" do tipo: "- Temos que salvar a Alemanha!" aí Tom sai de uma sala: "- Estamos fazendo isso pelo mundo" e depois vai ao banheiro: "- Preciso correr para destruir o mal na Europa!". Meu Deus, pra que frase de efeito toda hora? Mas a reconstituição histórica é muito boa e algumas cenas da Toca do Lobo me lembraram a vez em que fiquei perdido na floresta perto do campo Buchenwald em Weimar em 2005.
Se você forçar um pouco o cérebro dá até para tirar uma mensagem disso tudo. A maioria do povo e dos soldados alemães não tinha simpatia pelas ações do governo. Mesmo aqueles que não gostavam de judeus, homossexuais, imigrantes, etc., não queriam ver essas pessoas mortas e sim fora do país (o que também é errado, mas é menos radical). Só mesmo um grupo de oficiais para perceber que aquela megalomania estava destruindo o país e toda a Europa, e que tudo iria acabar rápido com a chegada dos aliados.Sempre reclamo de personagens não-americanos falando inglês, mas a "sacada" de Operação Valquíria foi interessante. O filme começa em alemão e o inglês vai se fundindo ao alemão bem devagar até que a única língua seja o inglês. Escute Tom Cruise falando alemão! Muito bom ver Terence Stamp representando novamente um general (seu outro general foi o General Zod de Superman - O Filme) .Tom Wilkinson também prova mais uma vez que é um ótimo ator, e Kenneth Branagah também rouba a cena algumas vezes. Destaque para o ator alemão Christian Berkel que fez um médico do exército alemão em A Queda. Nunca ouvi falar de David, mas David Bamber como Hitler quase me confunde com Bruno Ganz, os movimentos de Hitler parecem ter sido perfeitamente ensaiados, verdadeiro trabalho de um grande ator.
Gostei de ver um filme da II guerra que não mostra só a guerra na Alemanha e Rússia, mostrando a campanha na África que praticamente nunca aparece nas produções. Este filme tinha tudo para ser um novo clássico de guerra (já que os americanos não gostam de filmes em outros idiomas), mas a presença de Tom Cruise não convence e Bryan Singer, pelo amor de Deus, tem que voltar para X-Men pois com filmes de guerra e com Superman ele só consegue fazer filme para o "povão" chorar e não uma real obra artística-comercial.Há hoje um movimento muito forte nas mídias em geral em defender os alemães civis e soldados rasos (Menino do Pijama Listrado, Um Homem Bom, entre outros). Concordo e apóio pois muitos não podiam deixar de cumprir ordens, outros não sabiam de tudo e outros ficaram calados para não serem presos, e qualquer ditadura é prejudicial para o seu próprio povo. A Alemanha de hoje ainda tem violência contra estrangeiros, mas é menos de 1% da população que sofre de preconceito. É impressionante como eles recebem bem os estrangeiros, gostam de conhecer novas culturas, gostam de festivais brasileiros, jamaicanos, africanos, latinos, e o mais surpreendente é em Berlin o Paralmento ter aquela linda abóbada para que o povo esteja acima do governo.
Tom Cruise é o garoto-propaganda da Cientologia, a igreja criada por L. Ron Hubbard. A Cientologia tem na Alemanha um dos mais elevados índices de resistência, processos, alegações críticas, os alemães detestam a Cientologia. Colocar Tom Cruise no papel de um herói da Alemanha obedece uma estratégia de marketing planejada. Operação Valquíria é um bom filme, mas não espere grande coisa de suas qualidades cinematográficas.
Mais críticas em: http://www.omelete.com.br
Crítica: Rio Congelado
Diferente outros filmes que vi no Carnaval, Rio Congelado não é para emocionar e chorar, é mais para assistir o pedaço de uma boa história que não tem começo e que não saberemos o fim. Melissa Leo interpreta uma mulher que vive perto da fronteira entre EUA e Canadá, e que se vê diante de uma crise financeira após o marido alcóolatra deixar a família com o dinheiro da compra da casa. Sem conseguir outros meios de ganhar dinheiro para criar seus filhos ela busca meios ilegais de renda ajudando uma indígena mohawk a trazer imigrantes ilegais pela fronteira (como os famosos "coiotes").
Este filme não tem uma mensagem por trás que nem os outros mas mostra uma crise que creio muitas familias passam em diferentes países, os problemas financeiros. Os problemas financeiros levam a personagem de Melissa a procurar meios escusos de ganhar dinheiro, e a facilidade em manter o jogo da ilegalidade faz com que ela permaneça, pelo menos até ser descoberta...
Se você não viu nenhum dos filmes da temprada, eu recomendaria ver os outros, mas se você não viu nenhum, vale muito a pena ver Rio Congelado. É um daqueles filmes que trazem um pedacinho dos problemas americanos para as telas (você acha que primeiro mundo não tem crise?). Há milhares de familias vivendo em trailers, em abrigos, sem dinheiro para as contas básicas e que também não têm orientação sobre o que fazer.
Não tenho muito o que falar sobre Rio Congelado, eu gostei do filme. Veja e tire suas próprias opiniões. Amanhã vou ver Operação Valquiria e Milk - A Voz da Igualdade, não percam as novas resenhas.
Mais sobre Rio Congelado em: http://www.omelete.com.br
Crítica: Quem Quer Ser um Milionário
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Dos filmes que vi na corrida para o Oscar durante o Carnaval, dois me tiraram da cadeira. Um foi O Lutador com uma trilha sonora de rock empolgante, e outro foi Quem Quer Ser um Milionário com a música indiana misturada aos tambores japoneses. Quem Quer ser um Milionário não é um filme voltado somente para os pseudointelectuais idiotas que acham que o bom cinema acaba em Fellini e Bergman, qualquer pessoa pode aproveitar da mesma forma pois a história não é um simples filme americano de fazer chorar.
Onde Danny Boyle (diretor de Trainspotting e Extermínio) conseguiu atores tão incríveis e ainda fazê-los falar inglês? As crianças pequenas são realmente crianças da favela de Mumbai, acredita? O cinema de Bollywood desponta em produções de diretores americanos que trazem a alegria daquele povo para o mundo, suas tradições, danças, música, medos, problemas, e tudo mais que a empolgante e dicotômica Mumbai pode oferecer. O povo quer crescer, quer ter sonhos, conquistar objetivos, lutar por aquilo que é certo e viver de amor (como diz Jamal para Latika).
Quem Quer Ser um Milionário é a história de Jamal (Dev Patel que não é irmão de Kumar Patel!), um menino que mora em uma das favelas de Bombaim e que passou por vários problemas depois que sua favela foi atacada por rivais e sua mãe assassinada. Ele e o irmão tentam se manter vivos ao lado da menina Latika (Freida Pinto), mas durante uma fuga Latika fica pra trás. Ao crescerem seu irmão está envolvido com a bandidagem de Mumbai e Latika é, contra sua vontade, uma das garotas do chefão do crime na cidade.
Jamal quer muito reencontrar seu amor de infância e tirá-la daquela vida, mas sem forças, resolve aproveitar a chance de participar da versão indiana do "Show do Milhão" (Silvio Santos copiou até a música deste programa indiano). O problema é que os produtores do show não acreditam que um garoto de favela possa saber todas as respostas e desconfiam que eles esteja trapaceando. O filme é justamente Jamal contando à policia local por como sabia todas as respostas. Atenção para a cena em que o jovem Jamal toma um banho de fezes para ver seu ídolo da TV.
Eu sempre anoto no Palm as melhores cenas, frases e comparações, durante o filme. Mas neste filme o Palm ficou guardado no bolso e preferi deixar para escrever minha opinião agora quando cheguei. Você não consegue tirar os olhos da tela e mesmo sabendo todas as respostas do Quiz, você fica esperando a próxima resposta de Jamal como se estivesse para ganhar milhões junto com ele. Destaque para a linda Freida Pinto .
Nota que a Westein Company fez uma campanha, "por baixo dos panos", para promover seu filme O Leitor, dizendo que Danny Boyle usou crianças pobres, pagou muito pouco ou quase nada, e explorou equipes pobres de Mumbai. Tudo uma grande mentira pois Danny fez questão de trazer o máximo de pessoas do filme para a noite do Oscar. A trilha sonora de A. R. Rahman é magnífica .
Não saia do cinema no final, fique para ver o número musical completo. Diferente daquelas comédias bobocas em que todos dançam no final, a dança deste filme é uma ode a felicidade de todos aqueles atores e equipes em estarem participando de um filme que está alcançando milhões de pessoas no mundo inteiro. Só eu já escutei o tema "Jai Ho" umas 100 vezes hoje. No Oscar você via claramente a felicidade daquelas crianças em participarem do sonho, dos closes, da magia do cinema!
O brasileiro ainda tem vergonha de fazer como o americano que levanta no cinema e bate palma, mas até que algumas pessoas desta vez bateram palma e eu acompanhei. Quem Quer Ser um Milionário foi indicado a 10 categorias no Oscar e venceu 8, incluindo os prêmios de canção original e trilha sonora.
Não perca este filme nos cinemas! Não deixe pra ver em DVD e nem na televisão! Melhor, só nesse filme, veja o filme em uma sessão lotada pois você vai ver a emoção nos rostos, o melhor prêmio para qualquer artista.
Filmado nas ruas de Mumbai, a produção inglesa estreou na Índia no último dia 23 e foi acusado de reforçar estereótipos ocidentais sobre o país. Em Bihar, a polícia teve de aumentar a segurança depois que alguns moradores protestaram contra a palavra "dog" (cachorro) durante a exibição do filme. Nas cidades menores o filme - exibido com dublagem em Hindi - também está sendo rejeitado. Um filme mais para o ocidente, os donos de cinema têm poucas esperanças que o filme faça sucesso na Índia. Mais opiniões em: www.omelete.com.br
Crítica: O Lutador
O Lutador é mais um fantástico filme do diretor Darren Aronofsky, diretor de Requiem para um Sonho, Fonte da Vida e Pi, e futuro diretor do remake de Robocop. Requiem e Fonte da Vida estão no top 10 dos meus filmes favoritos, e foi muito bom ver mais uma obra antes do Oscar. O Lutador é uma metáfora sobre envelhecimento e escolhas. Passamos a vida achando que somos invencíveis e que não precisamos de ninguém, mas a certa altura a vida nos cobra toda aquela reflexão que nunca tivemos.
O Lutador é a história de Randy Ram (O "Carneiro"), um lutador de luta-livre (daquelas tipo telecat, lembra? Tudo arranjado, esporte muito comum no México) muito famoso nos 80, mas que 20 anos depois vê sua carreira se deteriorar por causa de problemas de saúde. Como sempre esteve afastado da familia e de relacionamentos amorosos, Ram vê que naquele momento de desespero não tem a quem recorrer. Destaque para a cena de autógrafos que mostra claramente o drama que passam estes artistas da luta-livre após a idade de continuar lutando...
Ainda acho que Mickey Rourke (de Coração Satânico e o Marv de Sin City) é o mesmo canastrão de sempre, não melhorou nada desde 9 1/2 Semanas de Amor ao lado de Kim Basinger, mas o personagem caiu sobre ele como uma "luva", e este é um dos motivos de sua atuação vencedora. Uma pena que na noite do Oscar ele não levou a estatueta (perdeu para Sean Penn em Milk) e nem tirou aqueles óculos escuros ridículos que escondem sua cara deformada pelo abuso e vícios.
Apesar do papel de Stripper-mamãe já estar batido desde Demi Moore, Marisa Tomei dá um show a parte. Desde Meu Primo Vinny ao lado de Joe Pesci não via mais Marisa como aquela mulher linda (que "corpaço") de outrora. Destaque para a linda Evan Rachel Wood (Aos Treze e O Rei da Califórnia) como a filha de Ram.
Mais uma vez vou me repetir, mas este filme também trata da compreensão humana. É dificil lidarmos com todas os fatores que moldam o comportamento humano. Por que Ram abandonou a familia? Por que ele não tinha mais posses depois de velho? Por que tudo chegou àquele nível? Quem pode responder a estas perguntas? A verdade é que a fama pode vir para o bem ou para o mal, e se a cabeça nã oestiver no lugar, seu saudosismo será seu pior inimigo.
Atenção para a trilha sonora com o melhor do metal dos anos 80. Depois da trilha sonora de Quem Quer Ser um Milionário, esta sem dúvida é a melhor trilha de 2008, Cinderella, Gund 'n Roses, Ratt, Bone Crusher, Scorpions, etc. E mais uma vez a mulher de voz chata da VEJA faz seus bons comentários.
Crítica: O Leitor
domingo, fevereiro 22, 2009
Nesta louca corrida para tentar ver todos os filmes que estão concorrendo ao Oscar, consegui ver mais dois filmes hoje no cinema, O Lutador e O Leitor. Vou começar pelo O Leitor pois as informações estão mais frescas na cabeça. O Leitor é um filme da Weistein Company, baseado no livro alemão Der Vorleser escrito pelo professor e juiz Bernhard Schlink. O filme na verdade é a narração de um pai para sua filha, apresentando-a à história de amor que ele viveu quando garoto.
O Leitor é mais uma obra do diretor de Billy Elliot e As Horas, e trata da relação entre um adolescente e uma mulher mais velha no período posterior à segunda grande guerra. O menino tem sua primeira experiência com o sexo oposto na casa de Hanna e mantém esta relação viva até que Hanna some de repente. O filme parece que irá tratar deste relacionamento durante as duas horas de projeção, mas lá pelo meio tudo mudo e o foco já não é mais a relação menino e mulher. Se eu contar o porquê, acabo estragando a surpresa (o video abaixo já estraga), mas o restante do filme é sobre lembranças, memórias, de quem é a culpa e no que se deve acreditar.
Não siga adiante se não quiser estragar sua sessão SPOILERS! O filme levanta um assunto polêmico que ocorre até hoje em diversas situações que envolvem crimes em massa, ou seja, de quem é a culpa? Os soldados alemães eram culpados por executar ordens ou terem medo de serem executados se as tarefas não fossem cumpridas? O povo alemão é culpado por ficar calado e não fazer nada contra o governo autoritário? Os judeus estão certos de até hoje exigirem compensação monetária dos povos anglo-saxões que criaram a guerra? (questão levantada pela sobrevivente no final do filme " - Não quero o dinheiro pois este significa absolvição...") Dificil responder.
Trata-se da interpretação do certo e do errado, daquilo que fazemos por que somos mandados, influenciados, seduzidos, e nem sempre conseguimos ter controle de nossos atos. Como julgar algo assim? Como julgar o comportamento humano sem considerar as milhares de variáveis que moldam a estrutura psicológica de um corpo feito de carne e pensamentos? Creio que a Alemanha sofra deste arrependimento até hoje, pois sei que meus amigos alemães não gostam muito de conversar sobre história... Seus avós eram culpados pelo mal do governo?Assim como aqueles filmes em que os mortos nos rodeiam tentando resolver um problema para descansar em paz, Michael Berg também precisa "exorcizar os seus demônios" depois de adulto, retomando contato com sua paixão de adolescente. Isto traz o espectador para mais perto da história pois todos nós temos assuntos mal resolvidos que é provável iremos carregar pela vida toda por que temos medo de enfrentar nossos "demônios interiores".
Com excessão do passado, o restante do filme não é apresentado em ordem cronológica. A filha de Michael aparece pequena e grande em diversas situações. Creio que esta foi uma tentativa de mostrar que a muito tempo o pai queria revelar aquela história para ela mas nunca tinha coragem...
Particularmente não gosto de filmes americanos/ingleses que se passam na Alemanha e todos os alemães falam inglês, mas foi interessante ver que diversos atores alemães famosos estiveram presentes neste filme, a contar Volker Bruch (Barão Vermelho, 2008), Bruno Ganz (A Queda, 2004), Karoline Herfurth (Meninas não Choram, 2002), Fabian Busch (Aprendendo a Mentir, 2003) e Alexandra Maria Lara (A Queda, 2004). Nota, a maquiagem do filme deixa muito a desejar... Dá pra ver claramente que as pessoas não são velhas de verdade.
Crítica: Casamento de Rachel
Como já disse no post anterior, fico impressionado com a flexibilidade de alguns atores americanos. Anne Hathaway me surpreende a cada nova investida. Confesso que a alguns anos atrás eu tinha preconceito contra a atriz por causa de filmes como Diário da Princesa, entre outros filmes comédia romântica e comédia pastelão, mas Anne consegue fazer todos os filmes que ela quer, sabendo exatamente o grau de profissionalismo que cada obra necessita.
O Casamento de Rachel (Rachel's Getting Married) é mais um daqueles filmes americanos de fazer chorar e de mostrar união entre pessoas diferentes (o que já é um chavão depois de filmes como Traffic, entre outros), mas não tenta esconder esta abordagem no meio da história como a maioria dos filmes faz. A intenção de mostrar a diferença entre as pessoas é clara, explícita, e vai desde a cor da pele até os problemas de comportamento (drogas, álcool, tristeza, depressão, etc), tipos de música, danças, raças, etc. Este quadro no filme nunca é camuflado pelo roteiro. Este é um filme de longas tomadas que poderia até ter sido feito dentro das regras do dogma dinamarquês (se você não contar as cenas externas).
Na verdade o filme não é sobre Rachel, mas sobre Kym, sua irmã mais nova. Kym sai temporariamente de um centro de reabilitação para viciados (drogas e álcool) no mesmo dia em que começam os preparativos para o casamento de sua irmã. Kym está totalmente recuperada, mas o pai a superprotege, a irmã não acredita na sua recuperação (apesar de ser seu maior suporte emocional) e os amigos de Rachel se sentem desconfortáveis com Kym. Kym percebe tudo isso e tem que lidar com as pessoas da mesma forma que precisa processar a morte do irmão mais novo em um acidente que eles sofreram quando Kym estava alta (do inglês "high").
Como a casa fica em uma cidade distante do grande centro, todos os amigos de Rachel estão por lá preparando a festa. Rachel vai casar com um afro-americano descendente de jamaicanos, seus amigos são hippies, ricos, pobres, chineses, jamaicanos, brasileiros, e tudo mais que você possa imaginar. Na festa de Rachel escuta-se hip hop, reaggae, samba (hilário ver Anne dançando samba), jazz, rock antigo (Neil Young rules!) e música indiana (inclusive toda a temática da decoração é indiana mesmo o casal não seguindo nenhuma religião).
Mais do que um filme, é uma promessa de uma nova sociedade, uma metáfora da compressão entre os tipos, raças, povos, orientação sexual, idades, religiões, comportamentos "anti-sociais"? Não importa. O que importa é compreender que somos humanos e precisamos de todo apoio possível das pessoas a nossa volta para entermos a nós mesmos e superarmos obstáculos. É mais fácil julgar do que entender, condenar do que ajudar. Kym parece ser a única que compreende isso no inicio do filme e luta para explicar para todos como é se sentir rejeitada.
É como sempre digo, se as suas 2 horas no cinema não serviram para aprender nada, você jogou seu dinheiro fora. Veja Casameto de Rachel com estes olhos e você já terá aproveitado 90% do filme. Não deixe de perceber também a incrível interpretação de Debra Winger como a mãe de Kym.
Crítica: Dúvida
sábado, fevereiro 21, 2009
A formação do ator americano é realmente incrível. Não estou dizendo das caras bonitas que eles encontram na rua para fazer filmes de ação ou comédias românticas, mas sim da maioria dos atores que hoje trabalham no primeiro "front" do cinema americano. A versatilidade deles é impressionante, passando desde as comédias e thrillers até os dramas e aventuras.
Fiquei realmente impressionado com a qualidade dos filmes que vi hoje e posso dizer que o Oscar neste domingo vai ser dificil, quase uma surpresa. Normalmente isso não acontece comigo, mas ambos os filmes eu consegui total imersão dentro do universo das histórias. Claro que o primeiro filme, Casamento de Rachel, é um daqueles dramas americanos de fazer chorar ou que ficam martelando aquela idéia batida de "igualdade", que já virou "chavão", uma fórmula garantida de concorrer a Oscars.
Entretanto o filme Dúvida já vem com uma abordagem diferente. Ambos os filmes tratam de intolerância, aceitação, entender o "outro" e refletir sobre o comprotamento do ser humano como ser instintivo, não racional, porém Dúvida traz mais do que isso, traz a desconfiança, o apego a tradições, a rigidez de pessoas que vivem no passado e temem as liberdades do futuro.
Meryl Streep interpreta uma freira rígida que dirige uma escola católica conservadora. Ao longo do filme ela começa a desconfiar do padre da paróquia e cria um círculo de acusações que em momento algum do filme podem ser provadas. Tudo fica no ar para o espectador interpretar da forma que quiser. Vale destacar a interpretação de Amy Adams. Da mesma forma que Anne Hathaway em Casamento de Rachel, Amy impressiona por ser flexível nos seus personagens.
Ela consegue interpretar a princesa de um filme infantil (Encantada), uma coadjuvante no péssimo Smallville, uma personagem incrível em The Office, outra em Miss Pettigrew e ainda uma freira em uma drama tão incrível quanto Dúvida. Da comédia ao drama "cabeça", do pastelão "descerebrado" ao filme cult, Amy é uma daquelas atrizes perfeitas que podem escolher papéis onde querem, diferente de Jennifer Aniston, Jessica Alba, Jessica Biel, etc. Uma futura Meryl Streep talvez? Quem sabe....
Philip Seymour Hoffman sofre da mesa benção. Ele consegue passar de drogado junkie em comédias non sense até Truman Capote e ainda chegar a um padre suspeito de pedofilia. Simplesmente um ator incrível digno de herdar o manto de Pacino, DeNiro, Justin Hoffmann e Jack Nicholson.
O filme não é feito para emocionar e sim refletir sobre os valores da rigidez, tradições e manias de instituições que dominam a sociedade mantendo-a sobre o domínio do medo, medo de errar, medo de não ser aceito, medo de mudar, medo de fugir, medo de falar o que sentimos, entre outras "moléstias" psíquicas das quais sofre o ser humano devido a ignorância de seus contemporâneos. A tendência do ser humano é julgar o certo e o errado sem pensar em todos as variáveis que permeiam uma situação. Julgar é mais fácil do que entender, e condenar é mais simples ainda, mesmo que suas conjecturas não sejam verdade.
O padre parece ser o único a entender que este mal cada vez mais se espalha na sociedade, de forma que todas as aberturas para o bom convívio entre as pessoas acaba se diluindo em dogmas retrógrados, falta de confiança e "fofocas" descabidas. A garota jovem é idealista e quer acreditar naquilo que é certo, mas a freira superior acaba deixando-a confusa. Neste filme o espectador é a freira jovem interpretada por Amy, que desenvolve um conflito interno sobre o que é certo e o que é errado, ou seja, todas as coisas têm uma razão para acontecer, sejam elas certas ou erradas, e cabe a nós ir fundo na verdade compreendendo os fatores que funcionaram como estopim das situações.
Vale a pena ver o filme Dúvida de forma a refletir e ver a maravilhosa atuação do trio e das crianças, quase como o teatro americano/inglês (por que o teatro brasileiro se perdeu nas comédias de duplo sentido). Recomendo e adiciono a minha lista de favoritos.
Poesia - Retrato
Este texto escrevi quando realmente esqueci
Na velha caixa de balsa, perto de muitas canetas e lápis de colorir, jazia ela em silêncio. Meio desbotada, com as pontas rasgadas, cabeças cortadas e estampas antigas, ela chamou de volta aquele que um dia a amou. - Lembra de onde eu estava? - Perguntava ela. E mesmo assim recusava-se a escutar a loucura daquele pedaço de papel. – Ei, olha pra mim... – Novamente. Não resistiu..., não reconheceu.... Olhou alguns segundos e suspirou. Levantou e esqueceu. - Por quê eu? – Perguntou a si mesmo.
Continue sua arrumação perante a poeira e as roupas velhas! Lembrou-se do local. Sim. Um dia, muitos anos atrás, havia estudado naquele local. Um curso. Sim. Uma daquelas coisas que a gente faz pensando no futuro...o futuro...quantas chances, quantas mágoas, quantas oportunidades perdidas! Mesmo assim foi maravilhoso. Por quê? Reflete. Procurou encontrar respostas para a felicidade. Retornou à caixa de balsa e olhou os rostos.
Quem está comigo ali? Quem esteve comigo antes? Quem me acompanhou...O futuro... Ali estava o futuro. Não, não, digo, o futuro de agora, mas o futuro naquela época... As esperanças, sonhos, amores, ansiedades, medos...PARE!!! Puxa, são tantas coisas...eram tantas coisas... Agora me lembro de você pedaço de papel. Me lembro do dia, me lembro da hora e do local...sabe, me lembro até do que aconteceu antes de eu chegar lá...
As imagens vêm aos meus olhos desbotadas e azuladas, como você papelzinho..., papelote, papelão...mas que papelão. Juro que não vou chorar. Naquele dia, não trabalhei. Fiquei em casa, angustiado para que o relógio me dissesse o momento certo de dizer adeus ao corredor da sala. Esqueci livros e canetas, mas sabia que não importava. As escadas, os corredores, o professor, o intervalo, PARE!! A cabeça dói...não quero lembrar. Mas lembrou.
Lembrou por que não havia como não recordar...- suspiro - ... azulada, desbotada, estampas antigas e pontas rasgadas, ela estava ali. Com os pés cortados, olhos vermelhos e o brilho do flash no rosto, eu lembrei dela. Talvez nem o tempo, nem minha mente que já me falha e nem o amor de meus netos possam arrancar as lembranças das melhores semanas da minha vida.
Este retrato? Bem, este retrato não tem nada...por um descuido meu, deixei a máquina ligada e apertei o botão sem querer...Que magnífica foto do assoalho! O assoalho...a janela...o quadro negro...é papelzinho, você não quer me mostrar...mas ela estava ali...ela estava ali...
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Poesia - Filmes Antigos
Esta foi a segunda para a mesma pessoa
Como um relâmpago de vida ela surgiu. Juro que quando entrei no recinto e pus meus pertences sobre a mesa, tentei colocar meus pensamentos em sintonia com o que se passava no meu coração. As poucas vezes em que isto aconteceu comigo, coloquei meus pés no chão para os fatos, porém naquele segundo, naquele lugar, no lado oposto da mesa, tudo parecia flutuar num encanto que só vemos em filmes antigos.
Tudo parecia tão perfeito – eu vivia repetindo em minha mente – mas ainda tão preto-e-branco...sim...como nos filmes antigos...E a mágica se encontrava em tomar a decisão certa, em colorir cenas repletas de tons de cinza que viajavam em palavras que nenhum de nós dois entendia muito bem. Mas como conhecê-la ? Como poder conquistar o direito de poder escutar sua voz mais de perto, de esquecer todos os problemas do dia-a-dia em lábios doces e convencê-la de que minha vida hoje melhorou ?
Pois é, não sou mais o mesmo...não sou mais o mesmo pois tenho responsabilidades. Tenho a responsabilidade de fazê-la sorrir, de fazer seus pequenos olhinhos brilharem, de poder conquistá-la todos os dias como se fosse a primeira vez, de segurá-la em meus braços e dizer coisas lindas...sim, não se preocupe, você é uma pessoa super especial e vai conseguir tudo o que você sonha.
E mesmo com os erros e faltas só consigo elogiar seus passos... Passos estes, como vento vespertino, batem em meu rosto a cada vez que te perco. – Odeio te ver ir embora... – Ah se eu pudesse te dizer estas coisas...tantas coisas...como eu queria poder te mostrar o turbilhão de emoções a cada vez que te encontro, e esse seria meu único arrependimento – suspiro - te amei por semanas e nunca encontrei o momento certo para te dizer estas três palavras de afeto.
Queria pegar-te em meus braços, beijá-la sempre que as palavras se tornassem supérfluas e nossos diálogos sem sentido...como seria bom deixar minha imaginação superar minha inteligência, a razão, e com você ter momentos dignos de um filme romântico...filmes antigos...marcados para sempre na memória de muitos...ou só de nós dois...nós dois...
Entreguei sim, em tuas mãos, aquilo que há de mais precioso em meu corpo, em meu peito, meu coração. Agora carrego de ti um cheiro, uma voz, um rosto lindo, uma lembrança...Das tribulações que me afligiam tirei poesia, do sofrimento arranquei música, das ilusões criei amor...mas preciso de você para transformar tudo em paixão. Sim, como nos filmes antigos...
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Poesia - Perto de Você
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Não acredito em registrar tudo o que escrevemos, desenhamos ou filmamos, muito menos no que os artistas dizem, que a arte deve ser a "expressão do artista" única e simplesmente. A arte, em todas as suas manifestações, deve ser algo voltado ao público, aberto para quem quer abraçar e admirar a vontade criativa dos autores. Este texto escrevi em 2004 (não vou citar nomes), não cabe aqui descrever a inspiração, mas sim deixar aos leitores imaginar, criar, se inspirar e refletir.
Poucas vezes em nossas vidas, temos a oportunidade de conhecer pessoas das quais realmente sentimos falta. Sentimos falta num momento alegre, sentimos falta quando um filme nos faz chorar, sentimos falta mesmo estando tão perto ao nosso lado e até sentimos falta nos momentos difíceis quando o mundo parece ruir sobre nossas cabeças. A palavra e o verbo não são fáceis de utilizar, gestos muitas vezes passam despercebidos.
Dizer coisas dignas de serem aceitas, como a sinceridade de um tolo, muitas vezes não nos liberta. Mas como se portar nesta situação mágica onde a química e o bem-estar falam mais alto do que qualquer sentimento, onde o simples fato de saber que vai encontrá-la consegue mover 14 músculos de sua face e deixar sua mente boba dizendo palavras para fazer esta pessoa especial sorrir? Palavras...sim, palavras. Palavras que lutam para dizer: - Gosto de estar perto de você! – e hoje não consegui calar este grito...
Não é que a oportunidade nunca tenha aparecido sabe...mas é tão difícil achar o momento certo para coisas e sentimentos que não entendemos...Às vezes me indago se tentar entender é deixar passar um momento sublime, jogar fora o clima que acabou de ocorrer ou deixar as mágoas correrem atrás de um pontinho sumindo no final da rua no término da madrugada quando você vai embora...
Tentar entender? Sim, por que tentar entender, se muitas coisas até hoje não compreendo? Não compreendo a felicidade de chegar em casa após um dia difícil, muito menos compreendo a felicidade de estar em uma festa com amigos reunidos...não, não compreendo os diferentes conceitos de felicidade para te dizer o que estou sentindo neste momento. Mas bem que eu tento...e no fundo, adoraria compreender você.
Adoraria entender o que te move a buscar alegria, aquilo que te fascina, as pequenas coisas que te fazem mergulhar na solidão, estudar profundamente os seus medos e poder te consolar e dizer que tudo vai ficar bem. Não é sempre que encontro alguém assim sabe...sinto poder dizer coisas a você que não conto para mais ninguém – suspiro – e cada vez que você diz algo interessante há no meu peito uma vontade louca de te abraçar...e você consegue dizer coisas interessantes a cada segundo... – saudade – nestes momentos, tenho a sensação de ser também interessante, de ser a pessoa mais importante do mundo.
Não posso negar, minha vida sem dúvida está cheia. Cheia de amigos, cheia de boas oportunidades, cheia de portas que se abrem todos os dias, mas de alguma forma, de repente, elas não significaram mais nada...Perto de você...perto de você eu queria escrever uma canção cheia de significado... - seus olhos brilham – e que nos momentos difíceis de sua vida você pudesse cantá-la e lembrar-se de mim – meus olhos brilham.
Desculpa se falo baixinho, se muitas vezes não controlo meus lábios e explodo minhas emoções em palavras que talvez não façam o menor sentido. - Hei você! Sim, a menina da cadeira ao lado, do banco do metrô, da bolsa amarrada na cintura, dos três chopes, que gosta de orquídeas, que curte a música do comercial de cerveja (não esqueci nada... e mesmo assim parece tão pouco...),...você acredita que não consigo ficar longe de você?
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Que faz o Produtor de Cinema?
sábado, janeiro 24, 2009
É fácil para todos nós descrevermos o que faz um ator, mesmo sem conhecer as artes dramáticas. É até fácil, até certo ponto, dizer o que faz o diretor do filme, o diretor de fotografia, câmeras, etc., mas quando perguntam para você o que faz um produtor de cinema, a resposta mais comum é dizer que ele ajuda o diretor (ou você diz que não faz a mínima idéia).
Mas ser produtor de cinema, de filmes, de grandes ou pequenas produções é muito mais que isso. É talvez o trabalho mais dificil e complicado e menos reconhecido dentro deste mercado, principalmente no nível "hollywoodiano". Muitos diretores fizeram esta transição e alguns até fazem acordos com grandes estudios para produzirem filmes e séries de tv em troca de poderem fazer filmes com mais liberdade (emprestar o nome para uma série de tv como produtor é dar um pouco de status à produção).
O produtor é indicado pelos executivos dos estudios, e normalmente é quem recebe o Oscar e outros prêmios de melhor filme, e essa é a única chance que ele tem de ser famoso. O produtor é a figura que garente que todos estarão lá, no momento certo, quando são necessários. No dia-a-dia de uma produção, o produtor aparece sempre que há um problema, mas na verdade este profisisonal está envolvido desde o início. No período inteiro, da pré a pós-produção, o produtor cuidará da:
- Aceitação ou distribuição do filme por uma produtora e/ou estudio (famoso sinal verde);
- Pesquisas mercadológicas (público alvo, aceitação, retorno financeiro esperado);
- Financiamento para a produção;
- Acertos de comissionamento das partes envolvidas;
- Formatação do roteiro para que se encaixe dentro do orçamento;
- Contratação de diretores, roteiristas, atores, técnicos e outros membros da equipe;
- Visão macro de locações, figurino, sets, etc.;
- Organização de fornecedores e serviços (alimentação, acomodação, material técnico, objetos de cena, cenários, etc.);
- Aprovação do cronograma da pré-produção, filmagem, edição, pós-produção, etc.;
- Realização de acordos de marketing como os "product-placement";
- Direcionamento para marketing, divulgação, publicidade, propagandas;
- Ajustar a visão do diretor às necessidades do estudio (filmes de estudio);
- Lidar com os problemas do dia-a-dia.
Com exceção dos trabalhos "burocráticos", o diretor do filme é quem tem a resposta final sobre atores, designers de produção, diretores de fotografia, roteiro, edição, efeitos especiais ,etc. Considere esta relação como o gerente de um restaurante e o chef de cozinha.
Apesar da visão "mercadológica", isso nos trás uma idéia de que filmes são processos, e não apenas obras de arte ou blcokbusters. Até Pasolini, Fellini e todos os diretores que terminam com "ini" ou têm nome francês precisam passar por algumas destas etapas junto aos seus produtores. Lembrem que mesmo com a visão do diretor, um filme nunca é o trabalho de uma pessoa só, ele nunca é "direcionado" exclusivamente pela visão do diretor.
A influência de atores, câmeras, diretores de fotografia, produtores e outros profissionais é que molda a película, por mais que você ache que o diretor é um "artista" solitário e tirano, você está errado. Cinema é um trabalho criativo coletivo, colaborativo e dinâmico. O "engessamento" só aocntece quando os executivos de estudios resolvem dar "pitacos" na produção. Daí nem o produtor faz milagres...
O cinema é arte, mas também é negócio. É dificil para os pseudo-intelectuais entenderem isso, mas margens e lucros são uma grande parte de fazer cinema, e o produtor muitas vezes precisa balancear estas duas variáveis, arte e negócios. Até mesmo um pintor quer vender seus quadros e/ou obter a aceitação do público, por isso dizer que a arte existe por si própria como expressão do autor é mentira, pois no fundo todos conhecemos a psique humana e sua relação com o "outro". E pense assim, se um produtor for bem sucedido nesta empreitada, sua mensagem será passada a vários espectadores, atingirá um público maior e irá criar pensadores melhores.
O cara do video não sou eu...
Crítica: Dia que a Terra Parou
domingo, janeiro 18, 2009
Apesar de já conhecer a história de O Dia em que a Terra Parou pelo filme de Robert Wise, fui ao cinema já um pouco desconfiado: - Vamos lá, outro filme catástrofe no estilo Roland Emmerich. Entretanto foi bom pegarem um diretor que não tem experiência com este tipo de filme (apesar de Scott Derrickson ter feito desastres como Hellraiser Inferno e Lenda Urbana). Com Derrickson no comando o filme ficou bem diferente e com menos clichês do que normalmente costumamos ver. Claro que as ridículas cenas sem nexo estão lá, mas bem menos exageradas ou engraçadinhas.
Tanto quanto ver Cate Blanchet em Benjamim Button, ver a linda Jennifer Connelly logo no inicio do filme é um colirio para os olhos e tem um sabor de infância por lembrar da Sarah de Labirinto, a Deborah de Era Uma Vez na América e a Jenny de Rocketeer. Claro que é um pouco de "forçação" ter Jaden Smith no meio da história (trazendo aquele dramazinho desnecessário de filho adotivo), o protagonista da série de Mad Men como um cientista "pintoso" (fala sério né...cientistas que não são excêntricos?) e ainda o Monty Python John Cleese como um matemático (ring, ding, ding, ding Mr. Hilter!). Keanu Reeves até está legal e sério como um Spock pacifista, mas sua atuação lembra bastante seus personagens em filmes de ação e ficção cientifica.
O filme vale a pena de se ver, mesmo com as falhas que descrevi abaixo. Se não quiser saber das falhas, pule para o final do post. Agora vamos para as "balelas" de filmes hollywoodianos, shall we?
O filme é bom, mesmo com seus problemas, é diversão pipoca garantida. Claro que não é um filme que atravessa décadas como os dos anos 80, mas vale as 2 horas. A idéia de substituir a nave espacial de 1951 por uma esfera de energia também foi muito criativa e uma boa "previsão" do que podem vir a ser os meios de transporte daqui a mil anos.
Veja também a resenha do site Omelete. Abaixo crítica da Veja.
Crítica: Benjamim Button
sábado, janeiro 17, 2009
Apesar de encarar mais uma vez o péssimo atendimento do Cinemark Botafogo (uma só pessoa para atender uma fila imensa em um guichê de 07 baias), os assentos desconfortáveis, anti-ergonômicos e sem apoio de cabeça, e os pequenos espaços de circulação (típico de um complexo comercial de cinemas sem amor à 7ª arte), vi um filme muito bom hoje que recomendo.
No final de minha infância e inicio da minha adolescência, eu costumava dizer para minha mãe que eu havia nascido na época errada e no lugar errado. Eu queria dançar o dixieland jazz nos clubes nova iorquinhos dos anos 30, ver Jerry Lee Lewis no palco, ver o show dos Beatles no Ed Sullivan Show, participar de uma grande guerra e voltar pra casa para a garota dos meus sonhos, voar com a Esquadrilha Lafayete, descobrir segredos de milhares de anos como um arqueólogo vitoriano, colecionar fotos de Bettie Page, me impressionar com os primeiros quadrinhos do super-homem e ficar encantado com as matinês dos pequenos cinemas americanos.
Mas a vida nos dá nossa própria época e memórias, e muitas vezes não sabemos como aproveitá-las ou até mesmo garantir que nossos sobrinhos, filhos e netos poderão um dia ver filmes sobre o fascínio que tinhamos sobre nossa cultura pop. Benjamim trás um pouco desta volta ao passado, em diversas épocas, mostrando que no fundo somos todos iguais. Nossos medos, aspirações, preconceitos, e que o mais dificil é largar a falta de esperança e o "tecnocracismo" para se entregar-se a uma vida cheia de surpresas espontâneas e incríveis.
Benjamim Button é um menino que nasce velho, enrugado e feioso, e por isso é abandonado pelo pai na porta de um asilo (referência a uma família ficticia, os Button, que inventaram os botões e têm como concorrente o inventor do zíper). A zeladora do asilo adota a criança que incrivelmente fica mais nova a cada ano. Durante esse rejuvenescimento Benjamim descobre as amizades, o amor, o sexo, o álcool, tudo com o olhar de uma criança que acabou de descobrir que uma formiga queima à luz da lupa, que as dormideiras fecham com o toque, que não existem monstros no escuro, a vida de Benjamim é pura descoberta no sentido inverso de tudo o que nós já vivemos. Imagine só descobrir o sexo com 13 anos quando todos acham que você tem 80...
O filme já começa com uma cena bem emocional. Um grande inventor faz um relógio para uma estação de trem, mas o relógio roda ao contrário... Emocionado o inventor diz que o relógio roda ao contrário para que seu filho volte vivo da 1ª guerra, algo que nunca deveria ter acontecido. Junto ao seu discurso aparecem cenas da 1ª guerra como que "rebobinadas", e as pessoas da estação entendem e se identificam com a mágoa do homem que só espera que a humanidade um dia acorde e resolva fazer a coisa certa.
A mensagem do filme cresce ao longo da projeção e vai ficando mais forte fazendo até as mentes menos acadêmicas refletirem sobre sua própria condição no mundo, idade e identidade, as coisas que deixamos de fazer depois de velhos por que queremos ser "adultos responsáveis", e tantas outras coisas que deixamos entrar na nossa cabeça por uma falta de um "pensar próprio" que nos faça ponderar antes de abraçar o legado cultural retrógrado de uma sociedade parada no tempo com seus preconceitos, modismos, tradições sem sentido e que tende a julgar todos que são diferentes. Para Benjamim o que importa é ser feliz, viver como uma criança mesmo que esta criança tenha responsabilidades. Para Button a vida e as pessoas são a maior dádiva que alguém pode ter.
O roteiro do filme é de Eric Roth, por isso se você é um viciado em cinema, como eu, vai logo perceber o estilo de narrativa e diversas cenas e dramas idênticos ao de Forrest Gump, outro filme escrito por Roth. A mãe sábia sem instrução que faz tudo para a felicidade do filho, o louco marinheiro beberrão que tem um bom coração, a paixão de infância que cresce e faz besteiras até descobrir que realmente ama o protagonista (lembra de Robin Wright, a "Jenny" em Gump?), as cenas mescladas com fatos históricos, o encontro com celebridades e as piadas engraçadinhas como o cara dos raios (as cenas do vovô são hilárias, mas os videos em preto-e-branco foram desnecessários e apelativos demais... bem "povão").
Uma das coisas bonitas que Roth traz desde Forrest Gump é que quando você ama alguém de verdade, a presença dela, sua companhia, é mais importante do que sexo, beijos ou carícias. Era isso que Button busca no inicio em Daisy e ela não entende. Mas no mundo do cinema nada se cria, tudo se copia (até de si mesmo como Roth). Até mesmo o grandioso Batman Dark Knight de Christopher Nolan usou passagens do conto "Os Destruidores" de Graham Greene - também citado em Donnie Darko - copiando a índole do Coringa com base nos adolescentes que queimam pilhas de dinheiro só para ver o caos.
Quanto aos efeitos especiais. Eu trabalho com computação gráfica, então dificilmente algo CGI me parece real, principalmente quando tenta replicar pessoas (pois estamos muito acostumados com o rosto humano para sermos enganados pelo brilho falso dos modelos 3D). Entretanto admiro a tentativa de utilizar o rosto de Brad Pitt substituindo o rosto dos atores que interpretaram Benjamim velhinho, inclusive o bebê enrugado. Esta técnica tem sido utilizada amplamente, desde o filme X-Men para mostrar Magneto e Xavier mais novos até nos novos Guerra nas Estrelas para mudar falas (sim! Eles mudavam lábios e expressões para mudar diálogos). A mais conhecida técnica foi usada pela Eyetronics no documentário dos últimos dias de Hitler que recriava cenas da 2ª Guerra fazendo rostos perfeitos de Hitler, Roosevelt e Churchill em 3D, que eram sobrepostos aos rostos dos atores reais. Pelo menos no documentário ficou perfeito, mas Button não engana...
Vale ressaltar que os produtores deste filme são Kathleen Kennedy e Frank Marshall, "figurinhas carimbadas" do cinema desde os filmes de Indiana Jones, E.T. Poltergeist, Goonies, De Volta para o Futuro, Viagem Insólita, Império do Sol, Persepolis, Munique, Parque dos Dinossauros e tantos outros sucessos. Cate Blanchet também está linda neste filme (como sempre), e é mais surpreendente ainda e apaixonante ver sua cara rejuvenescida nas cenas que mostram Daisy adolescente. O elenco inteiro é fanstástico, um trabalho quase de teatro (fazer teatro é o sonho de 99% dos atores americanos). O filme foi feito em Nova Orleans, a cidade que ficou conhecida pela devastação feita pelo furacão Katrina.
Com excessão dos efeitos faciais e as cópias descaradas de cenas e dramas de Forrest Gump, vale a pena ver Benjamim Button com o coração aberto, a mente livre e um pouco de reflexão. Não deixe que os filmes acabem quando você sai do cinema. Se você não trás sua diversão, seu aprendizado e suas amizades para o crescimento de sua vida, como individuo, como "ser social", como trabalhador e como solucionador de problemas, é por que aquele tempo gasto não lhe serviu de nada.
Um dia você vai acordar e perceber que trabalhou, se divertiu, teve filhos, casou, viajou, mas nunca fez nada realmente grandioso com a sua vida, nunca seguiu seus sonhos, trabalhou e seguiu a rotina que os preceitos da sociedade esperavam de você. Tentou agradar a todos e nunca fez o que realmente lhe era importante. Os filmes são mais do que 2 horas de diversão, são portas para algo maior que pode ser aplicado no trabalho, na escola, na faculdade, na familia, nas amizades, no amor, na sua forma de ver o mundo. Deixe Benjamim lhe ensinar um pouco das coisas que realmente valem a pena na vida. Quem sabe você não larga tudo e se junta a um barco pesqueiro como Gump e Button?
Crianças Levadas a Sério
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Os filmes infantis a partir dos anos 90 tomaram uma direção "boboca" e um pouco sem sentido... Não sei se devido às leis, a psicólogos (o que duvido muito por ser um grupo muito bem instruído) ou a simples dedução não cientifica de políticos incompetentes e pessoas que acham que conhecem a mente das crianças, mas a verdade é que os filmes se tornaram "idiotas", passivos e feitos sob a ótica protetora adulta sob o mundo infantil.
Claro que você não é mais criança, e é quase impossível lembrar seus desejos e sonhos infantis (ou como isso te influenciava), mas não é muito dificil lembrar de filmes como Goonies, Garotos Perdidos, Gremlins, A Lenda, Labirinto, até mesmo Poltergeist que te fez se esconder debaixo da cama. Estes filmes pensavam nas crianças como seres com idéias próprias, sentimentos, opiniões, vontades, e não como o ser "boboca" que deve só ver bonequinhos dançando e pulando ao som de músicas com letras pobres...
Não tiro o mérito de programas como Barney, Backyardigans, Teletubbies, princesas, entre outros, mas se eu tivesse mais de 6 anos e fosse obrigado a ver essas coisas, eu realmente iria ficar com raiva. Na verdade a criança não fica com raiva por que não entende. Poucas vão reclamar com você sobre o conteúdo dos filmes ou da TV pois estão extremamente condicionadas a aceitar aquele tipo de programação. Quando o filho do meu primo viu Senhor dos Anéis aos 5 anos de idade, os pais de seus coleguinhas achavam aquilo um absurdo enquanto o garoto trazia a curiosidade para os seus coleguinhas de escola.
Nós mesmos víamos filmes e desenhos de melhor qualidade quando crianças, e mesmo não entendendo diversas coisas, nos divertíamos muito, trazemos boas lembranças e até hoje descobrimos coisas novas que naquela época não percebemos. Esta descoberta sumiu, deu lugar a produções "mastigadas" que explicam tudo e privam a criança do pensar (já viu os DVDs da Xuxa? Já foi ver uma animação no cinema sem ser as da Pixar ou da série Shrek?). Até mesmo filmes como a Fantástica Fábrica de Chocolates de Tim Burton teve sua visão deturpada em relação ao livro para criar algo mais "aceitável" para o público infantil (na visão dos adultos é claro).
Você não deve tratar a criança como um adulto pois seus modelos mentais ainda não foram formados, mas isso não significa que esta deve ser tratada de forma estereotipada, as crianças devem ser levadas a sério na concepção de produtos áudio-visuais para que estas mídias sejam responsáveis pela sua própria construção como individuo. A descoberta do amor, do sexo, da morte, das amizades, do perigo, da aventura, nós recebems isso nos anos 80... Hoje o que as crianças recebem é como dançar, pular, rodar, cantar, como comprar "brinquedos fofinhos", robozinhos falantes e imitar golpes japoneses (as que se importam, pois a maioria está mais preocupada com games). Adoro todas essas atividades e esses gadgets, mas eles não podem ser 100% do aprendizado de cultura pop de uma criança.
Mas este quadro está mudando. Fimes como Spiderwick e Ponte para Terabitia vêm mudando a ótica adulta para concepções mais fantásticas da imaginação infantil. Após 15 anos de filmes bobos, as produções voltam com temas familiares ao cotidiano real dos pequenos como a escola, os amigos, as descobertas, a morte de pessoas próximas, etc. Afinal, Disney já mostrava uma visão sombria iconoclasta de princesas e dragões muito antes de Caverna do Dragão ou dos novos desenhos deste século, e ninguém se tornou mau ou cresceu perturbado por causa disso...
Criança deve ser levada a sério no cinema e novas mídias sociais! Filmes e TV devem trazer boas memórias e descobertas e não um passatempo "educativo" bobo. Acordem para um novo mundo, não sejam analfabetos sociais que escondem o conhecimento e descobertas das crianças com medo que elas mudem muito a rotina das velhas idéias...
Morre Bettie Page
sábado, dezembro 13, 2008
Numa época em que apenas fotos de mulheres com roupas íntimas já abalava o mais puritano dos garotos, onde a sensualidade era mais discreta e os meninos ainda se preocupavam em esconder dos pais que tinham certas revistas em casa, onde era considerado imoral comprar revistas de mulher de lingerie naquela estante do canto das lojas, nesta época surgiu Bettie Page. Hoje é muito normal para adultos e crianças ver grandes outdoors ou peças de propaganda pela cidade com a Gisele Bündchen de calcinha e sutiã em poses sensuais, mas isso nos anos 50 era papo para muita polêmica.
Estava aí uma época de inocência onde era legal ser um garoto e desfrutar daquela cumplicidade com os amigos, da descoberta do sexo nas revistas "proibidas" e liberar a curiosidade reprimida. Hoje as ciranças já nascem vendo na tv, bancas e jornais as fotos mais explícitas possíveis... perdeu-se muito daquela magia em torno das pin ups pois tudo agora é mostrado com fotos que até o Kamasutra duvida e com o melhor que a ferramenta Photoshop pode retocar.
Nascida em 1923, Bettie Page, como mostrado no maravilhoso filme de Mary Harron (The Notorious Bettie Page, 2005), foi a segunda de seis filhos de Walter Roy Page e a Edna Mae Pirtle. A família vivia em condicões financeiras precárias não repousando por muito tempo no mesmo lugar, com a queda da bolsa em 1929 a situacão piorou. Os pais se divorciaram em 1932.
No ano anterior Walter havia sido preso por alcoolismo e desordem. Edna Pirtle se estabeleceu em dois empregos, enviando Bettie e duas de suas irmãs para um orfanato por um ano. Aos quize anos de idade de Bettie fora violentada pelo próprio pai, quando ele havia voltado a morar com a família. Em idade tenra Page conheceu responsabilidades duras e aprendeu a tomar suas próprias decisões.
Entre o coro da igreja e o salão de beleza que Edna trabalhava, Bettie mantinha seu tempo costurando. Bettie foi considerada uma estudante excepcional. Mostrou sempre interesse pelo cinema e a vida de modelo. Coordenou um grupo de arte dramática e se formou Bacharel em Artes no Peabody College em 1943. Pernas a parte, seu trabalho fotográfico é um marco na história, tanto das fotos sensuais quanto nas técnicas de fotografia dos anos 50. Bettie morreu nesta quinta-feira 11/12/2008 em Los Angeles.
Pioneira da liberação sexual nos anos 50, até hoje é reverenciada pelo cinema, mídias em geral, músicos de rock, artistas gráficos, fãs de automóveis, tatuadores, entre tantos outros artistas/profissionais. Afinal de contas, quando nossa avó era menina, passar batom era coisa de prostituta. Quando nossas mães eram pequena, usar minissaia era coisa do diabo.
Quando nossa prima mais velha usava minissaia, ainda não podia ver filmes picantes (que hoje passam livremente em um cinema perto de você!). As coisas mudam, o mundo muda... Não fiquemos presos aos preceitos culturais de nossa época pois a vida é maior que isso e o certo e o errado só se aplica quando você fere física ou emocionalmente o próximo... Assim nos ensinou Bettie Page.
Crítica: Por Favor Rebobine
quinta-feira, novembro 27, 2008
Be Kind Rewind é mais um daqueles filmes americanos que mostram o valor do espírito humano diante das dificuldades do dia-a-dia, e que mesmo na pior das tragédias a união de uma comunidade pode amenizar qualquer sofrimento. Isto não tira o seu valor, nem mesmo o coloca na posição de um filme com clichês. A idéia é muito louca pois a explicação para a perda das fitas de video é ao mesmo tempo cômica e inverossímil, mas não deixa de ser uma parte muito divertida de introdução para o restante do filme.
O personagem de Jack Black é quase o mesmo que você já viu em Escola de Rock e outros filmes, mas o principal deste filme é a idéia dos "Sweden Movies", ou seja, você recriar um filme conhecido apenas com os recursos que você tem na sua casa, no seu prédio, na sua vizinhança, sem uso de softwares gráficos, edição nem nada sofisticado. As cenas recriadas são hilárias e apesar do filme ter uma mensagem de drama americano, nas entrelinhas ele mostra o que vem acontecendo com todas as indústrias cujas conteúdos podem ser convertidos para mídias áudio-visuais. As pessoas hoje estão mais interessadas naquilo que é novo, diferente, pessoal, e dão menos atenção ao mainstream, preferem algo que reflita suas aspirações na vida, a realidade de sua comunidade, as histórias do seu povo, mesmo que estas histórias sejam contadas em pequenos filmes por pessoas do outro lado do mundo... (vê-se YouTube, entre outros sites de video).
Quando no final do filme os "vilões" aparecem para destruir os filmes da locadora, vê -se claramente o medo das grandes corporações que diante do cenário atual não sabem mais o que fazer, não conseguem ser criativos para elaborar campanhas de marketing que funcionam sobre um cliente que muda a cada segundo e que não é mais afetado por velhas fórmulas da publicidade. Até mesmo o marketing por sites como o YouTube estão ultrapassados uma vez que agora todo mundo já sabe que isso acontece e fazem questão de denunciar as empresas que praticam esta atividade de Web Marketing em diversos sites Open Social.
Se J.K.Rowling processou um fã de Harry Potter por causa de um site, o Metallica manda prender jovens por escutar suas músicas na internet e Bob Dylan e outros da velha geração dão chiliques contra os "downloaders" , o que vai acontecer com estes que não sabem divulgar o seu trabalho no novo mundo? A resposta é que ficam mal vistos. Você pode até comprar os produtos, mas você sabe que estã comprando algo do artista e empresas que não souberam lidar com mudanças.
Be Kind Rewind é um filme muito bom e bem útil para as reflexões de nossa época. Não veja o filme como uma mera comédia, mas como uma metáfora dos acontecimentos. E aconselho a todos a se divertirem bastante tirando 1 hora do seu final de semana para fazer "Sweden Movies" com suas câmeras! Distribua na internet, coloque no Youtube, mande por e-mail! Ser bobo de vez em quando não faz mal a ninguém, distrai um pouco a cabeça e tira um sorriso do rosto até das pessoas mais sérias.
Exposição Corpo Humano
quinta-feira, novembro 20, 2008
A exposição itinerante alemã Body Worlds (Körperwelten) sediada na Inglaterra (pois é, o domínio deles é co.uk) já esteve em diversos locais do mundo, inclusive estava na própria Alemanha quando estive na Europa, e quem lê muito jornal, revistas e vê documentários aqui no Brasil, sabe que ela já rodou meio mundo nos últimos 10 anos. Polêmica, a exposição trás cadáveres injetados com um composto (talvez plastilina) que os mantém rígidos permitindo ao médico/escultor colocá-los em posições em que sejam mostradas partes interessantes da anatomia humana. É uma pena que a exposição Corpo Humano não seja tão completa quanto a Body Worlds que rodou o mundo que tinham os corpos jogando basquete, montando cavalo, escrevendo, tudo no mesmo estilo, exibindo músculos, veias, ossos e orgãos.
Mesmo assim foi fantástico ver corpos onde podemos ver como funcionamos, como somos por dentro, como são feitas cirurgias, reconstituições e tratamentos, o que certas doenças causam e até mesmo sabermos por que é tão importante cuidarmos do nosso corpo, nossa alimentação, exercícios, psique, etc. Parabéns à iniciativa da sala onde o corpo e partes de um fumante são mostradas. Havia até mesmo um local para que as pessoas jogassem fora seus maços de cigarro. Para quem ainda não adotou uma vida saudável, é hora de começar! A exposição mostra o fígados de quem tem cirrose, como são as artérias entupidas, entre outros problemas que você deve evitar cuidando melhor do seu corpo. Eu ando com uma dor complicada nos calcâneos, e fiquei muito tempo tentando perceber como aquilo, aquela máquina de tendão e ossos na extremidade da minha perna funcionava...
Muitas pessoas acham assustador e nojento, mas o melhor da exposição é ver a reação das crianças, sem inibição, sem pormenores ou vergonha, elas perguntam tudo, brincam e ficam fascinadas. Um menininho do meu lado falou até pra mãe que queria ser cortado daquele jeito! (o que a mãe respondeu:"-Deus me livre!").O meu único desapontamento é que a lojinha do Museu Histórico Nacional, local da exposição, não aceita cartão de débito automático... Fiquei sempre comprar todos os livros que eu queria de artes, históricos e principalmente da exposição do Corpo Humano. Isso significa que ainda irei retornar algum dia para fazer aquele "mercado" de livros na lojinha.
http://www.corpohumanorio.com.br/
http://www.exposicaocorpohumano.com.br/
http://www.bodyworlds.co.uk/
http://www.bodyworlds.com/
http://www.ocorpohumano.net/
Crítica - 007: Quantum Solace
domingo, novembro 16, 2008
É verdade que a maioria dos filmes hoje em dia dão grande valor ao realismo das cenas (mesmo quando beiram o impossível) do que filmes da década de 80 ou 90. Podemos observar este fenômeno em Batman, 007, entre outros filmes de ação que estão optando por uma abordagem mais pé-no-chão, menos fantástica. Ver mais um filme de James Bond é sempre uma tarefa dificil pois desde os meus 10 anos vejo James Bond no cinema (Licença para Matar com Timothy Dalton, primeiro que vi no cinema) e já entro na sala com uma certa expectativa... Confesso que estou gostando muito desta nova abordagem da série com Daniel Craig, o personagem se aproxima muito mais do Bond dos livros de Ian Fleming e menos do galante sedutor imortalizado por Sean Connery e Roger Moore. Gosto disso, a maioria dos filmes atuais estão tentando uma aproximação com os trabalhos originais dos escritores, da forma como foram pensados, e não de uma forma romantizada para atrair platéias.
Bond neste filme é violento, mata quando precisa (e às vezes quando não precisa), não hesita em contrariar seus superiores, se vinga e torna as missões em algo pessoal. O filme começa do ponto onde o filme anterior terminou, e se vocês lembram (é bom lembrar para aproveitar melhor), Bond pensa que Vésper o traiu. Ele tenta acreditar no contrário e, além de buscar vingança contra o homem que matou Vésper, Bond precisa desmantelar uma organização, salvar uma democracia e pegar o homem que ameaçou sua líder M. Claro que beldades não faltam, com destaque para Gemma Arterton e Olga Kurylenko (particularmente prefiro Gemma que estará em Prince of Persia em breve).
Vale muito a pena ver este filme no cinema. Tudo o que você espera está lá, ação, perseguições, tiroteios, mulheres bonitas, um vilão carismático, capangas caricaturados e muito mais. Sinto falta de John Cleese, mas não acho que ele se sentiria bem nestes filmes mais realistas de Bond. Destaque também para o fantástico ator francês Mathieu Amalric que vi recentemente nos filmes A Questão Humana e O Escafandro e a Borboleta.