O 14º Encontro de Web Design no Rio de Janeiro promovido pela Arteccom ocorreu como esperado (nada de muito diferente, propagandas de patrocinadores, biscoitos de feira e sanduiches merenda escolar, me perdoem Arteccom, culpa do buffet), mas como sempre trouxe ótimas palestras de figuras conhecidas no meio do design (apesar de que, sinto falta das palestras internacionais que existiam nas primeiras edições do evento). Os dois primeiros palestrantes, Julius (Taschen) e Zeh Fernando (Firstborn), não tinham muita presença de palco e estavam bem acanhados (o primeiro com gestos dignos do livro "O Corpo Fala"(PDF) e o segundo falando rápido demais), mas isso não tirou o mérito e o valor das ótimas explanações. Destaque para Cristiane Dalmati à frente do direcionamento das palestras.
Nada deste post foi gravado em video ou áudio, estou escrevendo tudo de minhas recordações e textos escritos no celular... (atenção Arteccom, faltou material naquela sacolinha... cadê meu bloquinho e caneta para anotar? ah, sacolas plásticas já não são mais usadas na Alemanha pois fazem mal ao meio-ambiente, pergunta só pro Gil...). Antes de apresentar as palestras quero comentar mais algumas coisas.
A lanchonete do Centro de Convenções Sul América é um absurdo de caro... Até um pacotinho de chiclete Trident custava mais de 200% a mais do que em lojas comuns. A região do Centro Sul América é um pouco perigosa depois de certa hora e, ainda de dia, o segurança do local estava nos avisando de roubo de carros na região (preferiria na UERJ...). O Norte Grill, apesar da boa comida, tem atendimento ruim, é mal organizado, apertado demais, confuso e "atrapalhado".
A Arteccom mudou o nome do evento após esta edição no Rio de Janeiro (não entendo o porquê) para EDTED (Encontro de Design e Tecnologia Digital) e unificou os websites dos eventos que antes da edição Rio eram duas coisas distintas. Claro que esse nome favorece o marketing em cima dos dois eventos, mas achei desnecessário... Agora vamos às palestras do dia 28/03/2009!
Julius Wiedemann
Julius Wiedemann, para quem não sabe, é o responsável por diversos títulos de design e artes da editora alemã Taschen e é brasileríssimo, carioca. É um daqueles caras que você fala:"- Na foto parecia mais alto!", mas seu conhecimento de artes e novas mídias é invejável. Sua apresentação teve como elemento ilustrativo as imagens de um livro recente da Taschen chamado The Circus: 1870-1950.
Os circos, carnivales, parques itinerantes, sideshows e Volksfest (festa do povo em alemão), traziam para pequenos locais espalhados pelo mundo (principalmente europa e EUA), as novidades, o entretenimento exótico, o fora do comum, coisas que despertam a curiosidade. Julius traçou um paralelo desta descoberta humana do inicio do século XX com o jeito cativante dos produtos de entretenimento nas novas mídias. Naquela época navegadores e exploradores viajavam pelo mundo para encontrar coisas novas (naquela época até gorilas, elefantes e hipopótamos eram estranhos e surpeendentes), hoje a tarefa de surpreender é papel do profissional criativo.
O profissional criativo tem que pensar que as mídias interativas são feitas por pessoas, e a maior dificuldade é pensar como passar a experiência de envolvimento com o mundo físico para a internet, tv interativa, ou seja lá qual for a sua mídia. O bom profissional pensa em interatividade além da web, além do que a internet e demais tecnologias representam. As mudanças são rápidas e não perdoam ninguém que se abraça a velhos conceitos ou não entendem essas novas formas de se comunicar.
Julius fez muitas citações relacionadas à área criativa como Marcelo Tas ("a maior banda larga para o ator é o teatro"), Ajaz Ahmed (Akqa), agência Firstborn, agência Fantasy Interactive e os relatórios da Nielsen Media Research.
Zeh Fernando
Zeh é uma "figuraça". Um "jovem velho" com cara e roupas de garoto que parece que colocou o dedo na tomada. Sua oratória é mais rápida do que muitos cérebros conseguem processar, mas creio isto ser normal em pessoas de grande conhecimento (eu nem tenho tanto assim e às vezes penso mais rápido do que falo e minhas palavras se atropelam). Zeh é um freelance trabalhando em estilo Home Office (acho) para a Firstborn em Nova York e residindo em São Paulo. Na verdade Zeh não é designer, mas sim um grande Flash Developer que trabalhou em pedaços de grandes projetos internacionais para firmas que, seguindo a linha dos games atuais, estão transformando websites em grandes produções hollywoodianas com atores famosos, animatronics, diretores, etc.
Zeh tratou basicamente das Rich Internet Applications, também conhecidas como RIA e de cases da Firstborn. A questão é, quando aplicar as interfaces ricas? A internet deixou de ser um simples dicionário onde termos são buscados , conteúdos escritos e informações acolhidas. Para que seu usuário gaste mais de 1 minuto no seu site e fixe a sua marca na cabeça, é necessário mais do que um simples site com "quem somos, nossos produtos e contato", precisa-se transformar a mídia em uma experiência onde o tempo gasto sirva não só para lembrar da marca mas também para se transformar em viral por si próprio. Afinal de contas, apesar de todo mundo apertar "skip intro" (todo mundo meeeesmo), estes ainda querem ver algo inovador.
Na era dos MSNs, Delicious e Twitter, ninguém mais vai cair nas velhas fórmulas da interatividade entre individuos convidando amigos pelo seu website ou recorrendo a antigo padrões de comportamento para compartilhar informações. A navegação hoje é cooperativa, acontece em tempo real e utiliza multi-ferramentas. Nem mesmo as campanhas virais conseguem "congelar" as tradições. Zeh Fernando citou ainda o Middle Finger Pub da Gringo, a campanha Let Your Worries Go da Northwestern Mutual, a agência Tribal DDB e Eric Eng.
Luis Marcelo Mendes
Luis Marcelo da Tecnopop também parece meio louco (mas qual artista não é?). Apesar de ninguém chegar aos pés de Mr. Radfharer, Luis também consegue combinar de forma envolvente conteúdo, palco e humor. Seu tema foi como entreter um entertainer, ou seja, como produzir um trabalho para outro artista (seja ele artista ou não), mas não foi só isso. A moral da palestra de Luis é que, muitas vezes o cliente vai saber o que é melhor para ele de forma mais sensata do que você, do que todas aquelas coisas que você acha inovadoras, estratégicas e ideais. Apesar de parecer, não existe o óbvio, é preciso ter feeling para entender o que o cliente precisa e não aquilo que você ou ele querem para o produto.
Em outra linha, o mais comum é uma banalização do trabalho por parte dos clientes, pois na verdade eles não têm a minima noção do campo com o qual estão lidando. Suas informações sobre arte, marketing ou publicidade são superficiais (mas ele não sabe disso) e então vêm com uma imagem bem clara de como os sites e campanhas devem ser para o seu mercado. Ao te passarem o briefing, a primeira frase será: "- Quero um design manero, chocante...mas bem simplisinho. Parecido com esses sites aqui que eu vi ontem.". E aí você fica sem entender o que ele quer (que nem ele entende), o que acaba gerando retrabalhos (conhecido na engenharia de software como refactoring), coisas cortadas do projeto original (ou pior, adicionadas) e uma dor de cabeça colossal pois algumas coisas não foram previstas em contrato.
A idéia é, compreenda o que o cliente precisa, entenda sua forma de pensar, deixe claro e traçe a forma como o cérebro do seu cliente funciona, e acima de tudo, "kiss" (keep it simple stupid!) e "kill your darlings" (mate o que é querido mas desnecessário).
Gil Giardelli
A palestra do Gil Giardelli foi algo mais filosófico sobre ética profissional, ser mais humano, unir as pessoas (redes sociais, .comunicação e sharing), ajudar o próximo e viver em um cyberespaço onde as ruas não tem nome, apenas as pessoas importam. Apesar de falar pouco sobre web design, não deixou de ser, na minha opinião, a 2ª melhor palestra do dia (a 1ª foi a do Cassano, páreo a páreo com o Luis Marcelo). Gil falou sobre como as redes sociais estão permitindo uma nova consciência, uma nova forma de pensar, algo que era inimaginável a alguns anos atrás: a inovação coletiva: "Você é aquilo que compartilha".
"Ciência é o que o pai ensina para o filho, e tecnologia é o que o filho ensina para o pai.". Ninguém acrditava que isso fosse acontecer. Um dado importante é que muitos cientistas afirmavam que as pessoas não conseguiriam ter mais de 140 relacionamentos simultâneos devido a capacidade do cérebro em processar tal rede social. Hoje os jovens têm mais de 1.000 e sabem exatamente quem são e o papel destes individuos em suas vidas. Se os visionários das novas midias nunca tivessem tentado, nós nunca estaríamos onde estamos... o exemplo de Gil foi alfaiate Mr. Reisfeldt (1867-1911), o home que morreu na torre Eiffel tentando voar como os pássaros.
Eu não tenho muito mais o que falar da palestra pois acho que as imagens, videos e websites apresentados durante a exposição falaram por si só. O que deixo aqui no blog é uma relação das coisas citadas por este grande profissional. Mais pode ser encontrado no blog do próprio Gil Giardelli nos endereços à seguir.
Blog do Gil: http://gilgiardelli.wordpress.com/
Relightny: http://www.relightny.com/
The Point: http://www.thepoint.com/
Whatever: http://www.whatever.com.sg/
Huffington Post: http://www.huffingtonpost.com/
Motoboys Zexe: http://www.zexe.net/
Tag Galaxy: http://taggalaxy.de/
Eco Bounty: http://gilgiardelli.wordpress.com/2009/03/10/eco/
Velib: http://www.velib.paris.fr/
Coletivu: http://www.coletivu.com.br/
Green Map System: http://www.greenmap.org/
Planet Ark: http://www.planetark.org/
We Can Solve It: http://www.wecansolveit.org/
Nós que Aqui Estamos: Filme
Ideo: http://www.ideo.com/
Advertka: http://www.advertka.ru/
Video da baleia: YouTube
Roberto Cassano
"Todo jornalista pensa que é Deus e todo publicitário acha que é o Criador". Roberto Cassano tem um jeitão nerd, mas não se engane. Você está escutando um profissional articulado que sabe do que está falando. Profissional da Agência Frog, Roberto trouxe aos nossos olhos a premissa de que não devemos "pular carniça com um unicórnio", ou seja, é besteira brigar contra algo que já está tão irraigado no cotidiano. Cassano fez uma breve apresentação de sua experiência a partir de 10 aspectos que aprendera trabalhando com marketing de redes sociais.
A internet não é mídia de massa pois não tem um local específico em que todos estejam focados (não existe uma Meca digital). Os individuos se reúnem por que pessoas confiam em pessoas, portanto o que vale mais é o quanto você ou a sua empresa está na voz do povo. É o chamado "briefing invertido". Se antes a empresa ia até as pessoas para construir estratégias e necessidades, hoje o povo vai até as empresas dizer: "- É isso que eu quero, não aquilo que você está me oferecendo..." É como diz Nepomuceno: "- Deixe as abelhas fazendo o mel". Faça com que seus consumidores e clientes sejam os próprios porta-vozes de sua campanha, do seu produto, das suas criações. 1% de conteúdo da Internet é original e 4% de conteúdo da Internet é replicado, portanto faça com que repliquem a sua divulgação..
A marca tem que descer do palco e perceber um antigo ditado de que o cliente deve estar em primeiro lugar (até por que nas redes sociais, quem está em último lugar é a sua empresa atrasada e mal falada). Outro ponto importante é não ignorar que existem concorrentes e que hoje há uma gama de serviços baratos ou gratuitos para que a concorrência "coma viva" as empresas que ignorarem as novas mídias e encararem elas de forma correta e não do ponto de vista do sobrinho ou do profissional barato. O conhecimento e a estratégia é que difere o bom profissional e o sobrinho.
Quando o MTV Movie Awards chama o Tom do MySpace para apresentar um prêmio afirmando que este é o primeiro amigo de todo mundo, você vê que alguma coisa está mudando. Quando Barack Obama chama um garoto de 23 anos para dirigir sua campanha e este contrata 80 jovens criativos para criar um campanha online, você vê que algo está mudando. Como afirmou Julius, na Inglaterra em 2011 a economia dita criativa irá superar a economia capital de forma avassaladora. Afinal, como todos sabemos, os profissionais de áreas criativas e de informática são os que mais se atualizam no mundo.
Informe-se também sobre a lei de Cibercrimes que estão querendo implantar no Brasil. Estão quase tirando a nossa liberdade na internet impedindo que as redes sociais se proliferem. Não deixe isso acontecer! Estas leis são feitas por pessoas que não sabem mais lidar com o mundo novo e por isso querem encontrar desculpas para não reprimir o que realmente devem. Lembrem-se que o poder pode estar conosco, mas a caneta está lá em cima... Alguns links oferecidos por Cassano que você vai gostar de ver:
Agência NBS: http://nbscom.com.br/
Blog da Evangelista: http://aevangelista.wordpress.com/
Womma (organização de marketing viral): http://www.womma.org/
Livro "Start up": Start up
Livro "A Cabeça de Steve Jobs": A Cabeça de Seteve Jobs
Livro da Diablo Cody (escritora do filme Juno): Minha Vida de Stripper
Documentário Palavra Encantada: http://www.palavraencantada.com.br/
Blog do Cassano: http://www.cassano.com.br/
Mesa Redonda
A mesa redonda terminou com algumas coisas interssantes. A experiência fornecida pela sua marca, pelo seu site, pela sua forma de comunicação, vale mais do que qualquer ação, afinal, a indústria musical achava que vendia CDs quando na verdade vendia música. O que se denota hoje é a decisão shaekespeariana de ser ou parecer, eis a questão.
Quando você vê o Miojo da Nissin escrito bem grande "ZERO" na sua embalagem para atrair consumidores desavisados de que aquilo não são zero calorias, ou um profissional da Marketing Vision fazendo campanha de cerveja incentivado o comérico ilegal e afirmando que consultou a prefeitura e fez tudo dentro da lei (disse claramente, se a gente não fizer outro vai fazer), começamos a nos perguntar, onde está a ética profissional, onde está a voz do designer e demais profissionais criativos em dizer ao cliente que não concorda com aquilo?
É papel do profissional criativo fazer com que o povo tenha mais consciência e não se entregue apenas ao pão e circo... É nosso objetivo tornar o mundo melhor através das redes sociais e não utilizar o nosso poder de influência para manter tradições, preconceitos, problemas sociais, problemas ambientais, entre outros. Use e abuse das redes sociais! Use de forma consciente!
14º Encontro de Web Design
sábado, março 28, 2009
Crítica: Watchmen
domingo, março 08, 2009
Quando li Watchmen pela primeira vez eu era apenas um adolescente misturando quadrinhos de super-heróis com Mickey Mouse (adorava a Disney). Mas como todos os produtos de mídia (quadrinhos, tv, filmes, etc.), cada vez que experimentamos uma idéia criativa em uma idade diferente, percebemos coisas fantásticas que nunca reparamos antes. Watchmen é a mesma coisa.
Trazer Watchmen para a visão que tenho hoje de mundo, política, social, criativa, artística, etc., é um desafio e ao mesmo tempo um mergulho fundo na emblemática filosofia do Dr. Manhattan, nos conflitos existenciais do Coruja, nos perigos políticos previstos por Veidt ou os problemas familiares de Espectral. Watchmen nunca esteve mais atual e mostra que não evoluímos. Infelizmente nossa percepção de mundo, do que devemos fazer, de como lutar, da diferença do certo e errado, do respeito, dos preconceitos, continua a mesma de nossos bisavós. O mundo muda mas os intintos humanos continuam os mesmos, incontroláveis, saudosistas e perpetuadores de idéias e conceitos retrógrados que incluem o "errado" disfarçado de ascenção.
Uma nova realidade. Nixon está no quinto mandato, os EUA ganharam a guerra do Vietnam, entre outras coisas que aconteceram diferente de nossa realidade... Em Watchmen, o herói conhecido como Comediante é assassinado e o vigilante Rorscharch parte para descobrir o que pode ser um plano para matar e desacreditar todos os super-heróis do passado e do presente.
Quando ele restabelece a conexão com sua antigaequipe - um confuso grupo de super-heróis aposentados dos quais apenas um possui poderes verdadeiros - Rorschach percebe que existe uma conspiração abrangente e perturbadora com ligações com o passado que eles dividiram e catastróficas conseqüências para o futuro. Sua missão é proteger a humanidade, o problema é quem protegerá os heróis?
Watchmen mostra o que o homem comum não quer ver, a violência e pobreza nas ruas, as guerras, entre outras coisas que são ignoradas por aqueles que podem se afastar. Mas ninguém é inocente e só no fim refletimos sobre os atos que acabaram influenciando nossa concepção do certo e do errado. Os fins justificam os meios? Aquele que comete crimes é de todo ruim? O arrogante é ao mesmo temo uma pessoa má? Para responder estas perguntas é necessário se elevar a um evento intelectual muito maior do que a leitura e os filmes podem lhe trazer. por que sim, existe a coisa certa a se fazer, não depende do ponto de vista, no final só há uma alternativa.
O diretor Zack Snyder (300 de Esparta de Frank Miller) acertou em chamar para Watchmen atores desconhecidos (a semelhança com os personagens é grande), com exceção de Patrick Wilson e Billy Crudup que são bem conhecidos por filmes como Quase Famosos, Peixe-Grande, Missão Impossível (Crudup) e Fantasma da Ópera (Wilson). Atenção para a bela novata Malin Akerman em roupas de super-heroína! Legal rever a atriz Carla Gugino que tem feitos muitos papéis secundários em filmes após o término da série Spin City onde contracenou com Michael J. Fox e Alan Ruck (o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado).
É impressionante como a atuação, as falas do roteiro e os ângulos de câmera são idênticos aos quadrinhos, sem retirar a magia da narrativa cinematográfica. Claro que houveram as licenças poéticas do roteirista, diretor e executivos de estudio, mas vê-se claramente que houve uma tentativa maximizada de tornar o filme um reflexo do ideal crítico de Alan Moore. Já não era sem tempo pois Hollywood conseguiu estragar, ou pelo menos mudar pra pior, algumas histórias de Moore de forma assustadora.
O inicio do filme é uma verdadeira obra prima, algo comparado a filmes hollywoodianos consagrados que relembram décadas passadas, por exemplo Forrest Gump, Nascido em 4 de Julho ou ainda séries de TV como American Dreams, entre outras que mostram cenas clássicas da tv e do rádio, uma viagem pela história americana. Claro que houve a fusão dos heróis em todas as cenas e o uso de uma trilha sonora bem colocada com os melhores clássicos do rock.
O fluxo do filme e o envolvimento com a história se torna muito maior, algo que aconteceu com Superman, Star Wars, Labirinto, Willow, e tantos outros filmes que fizeram sucesso se apoiando mais na história e personagens do que na fama de seus intérpretes. Uma pena que a música dos créditos foi tão mal escolhida. Após ver o filme eu tentei parar para refletir sobre tudo que havia visto, no entanto entrou um heavy metal e aí murchou todo o pensamento e só consegui lembrar de Transformers e Motoqueiro Fantasma.... Que péssima idéia para terminar um filme "cabeça".
Se você não leu e nem pretende ler os quadrinhos, leve um caderninho para o cinema. O filme é cheio de frases de impacto que você vai querer lembra depois pra dizer numa roda de amigos. O roteiro, claro, é quase literário, e a narração de Rorschach compete com os melhores filmes noir da década de 40 (eat this Humphrey Bogart!). O design do figurino e cenários também é um show a parte, mas você vai perceber muitos furos como por exemplo um disquete de 3 1/2 em 1985! Será que eles não sabiam da existêcia do 5 1/4? Eles estavam tão avançados assim? Entre outros furos de reprodução da época, afinal não faz tanto tempo assim e muitos de nós vivemos isso.
Além do símbolo "Have a Nice Day!", é interessante perceber as referências ao mundo dos quadrinhos (claro que o Coruja é o Batman), só que Watchmen traz este universo de uma forma muito mais realista e crítica. Espero ver mais filmes de heróis assim, com menos ação e amsi reflexão! Quem sabem eles resolvem filmar o clássico Marvels, pintado por Alex Ross, daqui a alguns anos...
Como li os quadrinhos há muito tempo, não sou capaz de escrever um post mais eloquente ou de descrever toda as mudanças do filme em relação a história original. Mas aos poucos vou listar aqui no blog o que eu percebi pois estou relendo as revistas para enriquecer este post.
Quantas e Quais São as Artes?
sexta-feira, março 06, 2009
Você já deve ter se perguntado por que o cinema é a sétima arte. Na verdade, a arte é definida pelo material com o qual trabalha. Tendo origem em uma cultura especifica, a arte é um esforço intelectual-criativo baseada nas inspirações deixadas pors gerações. Desta forma a arte é dividia em 06, de acordo com sua "aparição". As demais artes que surgiram no decorrer da história humana foram adicionadas à lista bem depois. Na ordem as artes são:
1. Música: artes que trabalham com sons;
2. Dança: arte do movimento do corpo relacionada aos sons;
3. Teatro: arte que trabalha o corpo, mas com função narrativa;
4. Pintura: arte de representar o real (ou a idéia) por meio de cores e texturas. Creio que aqui entrem também ilustrações, inclusive digital;
5. Escultura: arte que representa o real ou a idéia usando materiais tridimensionais.
6. Arquitetura: arte de criar edificações e espaços para abrigo das atividades humanas;
7. Cinema: arte de representar o real através da imagem em movimento oferecendo um adicional a prática do teatro, o close. De certa forma une na tela todas as outras 06;
8. Fotografia: a arte de representar pela representação do momento imediato está depois do cinema. Realmente não faz sentido, mas talvez seja por que a arte em movimento está mais presente na história humana do que as representações estáticas (mesmo na caverna de Lascaux vemos ilustrações que representam uma sequencia de movimentos);
9. Quadrinhos: a arte sequencial entra como uma das últimas na história das artes, mas ainda bem que seu valor é reconhecido neste século;
10. Futuro: com as novas tecnologias, photoshop, 3d, ilustrações digitais, realidade virtual, games, quem sabe onde a arte vai chegar?
Como Comprar Filmes
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Aqui estão algumas recomendações para quem gosta de comprar filmes. Fique atento ao que você compra, como compra e onde compra. Vale a pena seguir estas dicas para comprar seus filmes favoritos ou para montar sua filmoteca. As dicas são importantes principalmente para você comprar originais baratos e com todos os extras que você merece, sem cair na exploração, "enganação" e agressividade do mercado de filmes e fonográfico. Sugiro ler depois o post anterior a este para saber como a indústria no Brasil mudou ao longo dos anos e hoje está em forte decadência, principalmente na qualidade de seus produtos e serviços.
1. Aguarde antes de comprar. As distribuidoras tendem a lançar novos produtos com o dobro do preço que eles valem. Se você conseguir esperar 3 meses, provavelmente vai comprar um produto de R$ 49,90 por R$ 24,90. Sempre aproveite e aguarde promoções;
2. Preços de lojas online são quase sempre mais baratos que lojas físicas;
3. Verifique se o filme ou box existe em lojas estrangeiras como a Amazon. Veja os tipos de extras que a versão americana tem, legendas e outras vantagens. Se a diferença de preço contando o frete for menos de 50%, vale mais a pena comprar a versão gringa com os extras;
4. Verifique em lojas estrangeiras se existe uma versão especial, Director's Cut, box especial ou qualquer outra versão mais "turbinada" do DVD que você quer comprar. Em alguns casos a versão "lixão" é lançada primeiro no Brasil para os apressadinhos comprarem, por isso espere até que a versão mais completa saia no Brasil ou compre a estrangeira. Entre em contato com a distribuidora, em alguns casos eles informam se haverá uma nova versão;
5. Divida o preço das lojas pelo número de discos que vêm na caixa. Se o valor de cada disco sair por mais de R$ 15,00, espere baixar o preço ou procure outra alternativa;
6. Ao pesquisar preços na internet nunca esqueça de considerar os valores de frete, mesmo quando os preços parecem mais baixos;
7. Você não precisa comprar em lojas online muito conhecidas como Submarino, Americanas, Fnac, Saraiva ou Shoptime que quase sempre oferece produtos mais caros (com exceção das promoções pontuais). Procure no Google lojas como 2001 Video, DVD World, DVDs King, 100% Video, etc;
8. Nunca compre o DVD na primeira loja que você vê, na internet você leva segundos para pesquisar e não se cansa, por isso não banque o bobo. Se estiver com preguiça e quiser economizar alguns segundos, procure sites como o Buscapé ou o Bondfaro que compara preços de várias lojas;
9. Aviso por experiência própria. Quando você compra DVDs na internet é mais fácil reclamar e trocar do que nas lojas físicas. É menos cansativo, mais prático e dá menos dor-de-cabeça. Nas lojas físicas você lida com regras específicas de cada loja (apesar de ilegais), lida com funcionários inexperientes que ganham pouco e por isso não têm paciência com suas reclamações e vai perder metade do seu dia. A loja virtual não tem esses problemas e o máximo que vai acontecer é você ter que queimar a loja virtual em sites como o Reclame Aqui.com.br, antes do seu problema ser totalmente resolvido;
10. Pode ser que o Blue-Ray se torne um novo Laser Disc que como este, não fará sucesso e será subsituido por outra mídia. Entretanto, avalie direitinho se vale a pena comprar agora um DVD de baixa definição para depois, quando baratear, ter que comprar todos os titulos que você gosta de novo, em Blue-Ray;
11. Última dica: a tendência real do mercado de produtos "intangíveis" (leia-se filmes, música, sons, videos, softwares, games, etc.) é se tornar tudo gratuito e livre ou no mínimo muito menor (um filme em pendrive por exemplo, para ajudar a manter a indústria que já está perdida com a pirataria), mas se você não quer esperar 10 anos para que o mercado se adapte e isso realmente aconteça, vá na loja e compre um original.
Crítica: Milk, Voz da Igualdade
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Mesmo se você se diz simpatizante, para ver Milk - A Voz da Igualdade é preciso estar livre de preconceitos e abraçar a causa do filme. Eu não sou gay, mas sei que quando muitas pessoas dizem que não se importam, por trás há um verdadeiro medo e às vezes asco de presenciar situações românticas (mesmo que leves) entre pessoas do mesmo sexo. Na época de Harvey Milk isto era muito pior. Milk foi perseguido para depois ser adorado na sua vizinhança e cada vez que ele crescia politicamente no país, precisava agradar mais gente para continuar à frente de suas idéias.
O filme Milk - A Voz da Igualdade conta a história de Harvey Milk, seu encontro com suas paixões, tanto românticas quanto políticas. Harvey se muda para uma pequena rua de São Francisco para abrir uma loja de fotografia. No principio ele tem problemas com a vizinhança e com a policia, mas logo passa a ser adorado por atrair grande parte do público gay de São Francisco para comprar no comércio local. As ambições politicas de Milk vão crescendo até que ele se candidata diversas vezes ao cargo de supervisor municipal até vencer. No cargo Milk luta pelos direitos civis dos gays e confronta Anita Bryant e John Briggs em diversas ocasiões até ser assassinado ao lado do prefeito Moscone, por um de seus colegas de trabalho que vê sua carreira política arruinada pela força de Milk junto aos eleitores.
Os maiores opositores de Milk durante sua ascensão foram Anita Jane Bryant e John Briggs. Anita, uma ex-cantora, foi uma das maiores ativistas contra os direitos dos homossexuais enquanto Briggs, trazia a Proposição 6, algo como o AI5 gay, o que retiraria direitos civis de pessoas que fossem abertamente homossexuais, inclusive "bisbilhotando" a vida de "enrustidos" e simpatizantes para descobrir suas inclinações. Um McCarthismo ao público GLS. Hoje Anita Bryant é um grande fracasso na vida enquanto Briggs teve mais sorte, porém é um defensor de causas polêmicas como energia nuclear e pena de morte.
O problema do mundo é que só não abre os olhos quem não quer. É como Sean Penn disse na noite do Oscar, se você vota contra os direitos civis do público GLS, seus netos e bisnetos provavelmente terão vergonha de você. O mundo está mudando e está na hora de esquecermos o que é cultural ou socialmente imposto para reavaliarmos a ética, o certo e o errado. Deus faz 10 mandamentos e o homem inventa 500, uma sociedade indiana aceita e no ocidente não, pare para se perguntar se alguém morre por causa disso, como isso afeta a sua vida. Se a sua defesa for somente cultural/social, você provavelmente está errado. Imposições culturais e sociais não são sinônimos de ética.
Você com certeza vai sair do filme revendo seus valores e com vontade de lutar, não pelos direitos gays, mas os direitos de qualquer pessoa seja ela gay, afro, asiática, branca, idosa, criança, mulher, homem, qualquer um. Todos merecem respeito, consideração e compreensão. Mickey Rourke foi muito bom em O Lutador e não ganhou nada por ele, apenas porcentagem dos lucros, mas a interpretação de Sean Penn é que realmente pode mudar os seus valores sobre o universo GLS. Não é a toa que nos Oscars Robert DeNiro perguntou a Sean Penn como ele havia conseguido tantos trabalhos como "straight" (hetero).
Interessante a semelhança dos atores com os personagens reais do filme. Emile Hirsch está irreconhecível como Cleve Jones e mostra mais uma vez por que filmes como Na Natureza Selvagem, Meninos de Deus, entre outros, fizeram tanto sucesso (só não entendo Speed Racer). Josh Brolin (ex-Goonies) participa de Milk como o político que mata Milk. James Franco também trabalhou muito bem, mas acho que há uma tentativa ridícula dos atores hoje emdia de tentar se promover interpretando personagens homossexuais no cinema. Claro que se eles não aceitassem outros iriam aceitar, mas o problema não são os atores e sim a academia.
Crítica: Operação Valquíria
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Isto não tira o mérito do filme, é um bom passatempo, mas uma experiência pobre. É duro aguentar, a cada cena, a tomada terminar com uma "frase de impacto" do tipo: "- Temos que salvar a Alemanha!" aí Tom sai de uma sala: "- Estamos fazendo isso pelo mundo" e depois vai ao banheiro: "- Preciso correr para destruir o mal na Europa!". Meu Deus, pra que frase de efeito toda hora? Mas a reconstituição histórica é muito boa e algumas cenas da Toca do Lobo me lembraram a vez em que fiquei perdido na floresta perto do campo Buchenwald em Weimar em 2005.
Se você forçar um pouco o cérebro dá até para tirar uma mensagem disso tudo. A maioria do povo e dos soldados alemães não tinha simpatia pelas ações do governo. Mesmo aqueles que não gostavam de judeus, homossexuais, imigrantes, etc., não queriam ver essas pessoas mortas e sim fora do país (o que também é errado, mas é menos radical). Só mesmo um grupo de oficiais para perceber que aquela megalomania estava destruindo o país e toda a Europa, e que tudo iria acabar rápido com a chegada dos aliados.Sempre reclamo de personagens não-americanos falando inglês, mas a "sacada" de Operação Valquíria foi interessante. O filme começa em alemão e o inglês vai se fundindo ao alemão bem devagar até que a única língua seja o inglês. Escute Tom Cruise falando alemão! Muito bom ver Terence Stamp representando novamente um general (seu outro general foi o General Zod de Superman - O Filme) .Tom Wilkinson também prova mais uma vez que é um ótimo ator, e Kenneth Branagah também rouba a cena algumas vezes. Destaque para o ator alemão Christian Berkel que fez um médico do exército alemão em A Queda. Nunca ouvi falar de David, mas David Bamber como Hitler quase me confunde com Bruno Ganz, os movimentos de Hitler parecem ter sido perfeitamente ensaiados, verdadeiro trabalho de um grande ator.
Gostei de ver um filme da II guerra que não mostra só a guerra na Alemanha e Rússia, mostrando a campanha na África que praticamente nunca aparece nas produções. Este filme tinha tudo para ser um novo clássico de guerra (já que os americanos não gostam de filmes em outros idiomas), mas a presença de Tom Cruise não convence e Bryan Singer, pelo amor de Deus, tem que voltar para X-Men pois com filmes de guerra e com Superman ele só consegue fazer filme para o "povão" chorar e não uma real obra artística-comercial.Há hoje um movimento muito forte nas mídias em geral em defender os alemães civis e soldados rasos (Menino do Pijama Listrado, Um Homem Bom, entre outros). Concordo e apóio pois muitos não podiam deixar de cumprir ordens, outros não sabiam de tudo e outros ficaram calados para não serem presos, e qualquer ditadura é prejudicial para o seu próprio povo. A Alemanha de hoje ainda tem violência contra estrangeiros, mas é menos de 1% da população que sofre de preconceito. É impressionante como eles recebem bem os estrangeiros, gostam de conhecer novas culturas, gostam de festivais brasileiros, jamaicanos, africanos, latinos, e o mais surpreendente é em Berlin o Paralmento ter aquela linda abóbada para que o povo esteja acima do governo.
Tom Cruise é o garoto-propaganda da Cientologia, a igreja criada por L. Ron Hubbard. A Cientologia tem na Alemanha um dos mais elevados índices de resistência, processos, alegações críticas, os alemães detestam a Cientologia. Colocar Tom Cruise no papel de um herói da Alemanha obedece uma estratégia de marketing planejada. Operação Valquíria é um bom filme, mas não espere grande coisa de suas qualidades cinematográficas.
Mais críticas em: http://www.omelete.com.br
Crítica: Rio Congelado
Diferente outros filmes que vi no Carnaval, Rio Congelado não é para emocionar e chorar, é mais para assistir o pedaço de uma boa história que não tem começo e que não saberemos o fim. Melissa Leo interpreta uma mulher que vive perto da fronteira entre EUA e Canadá, e que se vê diante de uma crise financeira após o marido alcóolatra deixar a família com o dinheiro da compra da casa. Sem conseguir outros meios de ganhar dinheiro para criar seus filhos ela busca meios ilegais de renda ajudando uma indígena mohawk a trazer imigrantes ilegais pela fronteira (como os famosos "coiotes").
Este filme não tem uma mensagem por trás que nem os outros mas mostra uma crise que creio muitas familias passam em diferentes países, os problemas financeiros. Os problemas financeiros levam a personagem de Melissa a procurar meios escusos de ganhar dinheiro, e a facilidade em manter o jogo da ilegalidade faz com que ela permaneça, pelo menos até ser descoberta...
Se você não viu nenhum dos filmes da temprada, eu recomendaria ver os outros, mas se você não viu nenhum, vale muito a pena ver Rio Congelado. É um daqueles filmes que trazem um pedacinho dos problemas americanos para as telas (você acha que primeiro mundo não tem crise?). Há milhares de familias vivendo em trailers, em abrigos, sem dinheiro para as contas básicas e que também não têm orientação sobre o que fazer.
Não tenho muito o que falar sobre Rio Congelado, eu gostei do filme. Veja e tire suas próprias opiniões. Amanhã vou ver Operação Valquiria e Milk - A Voz da Igualdade, não percam as novas resenhas.
Mais sobre Rio Congelado em: http://www.omelete.com.br
Crítica: Quem Quer Ser um Milionário
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Dos filmes que vi na corrida para o Oscar durante o Carnaval, dois me tiraram da cadeira. Um foi O Lutador com uma trilha sonora de rock empolgante, e outro foi Quem Quer Ser um Milionário com a música indiana misturada aos tambores japoneses. Quem Quer ser um Milionário não é um filme voltado somente para os pseudointelectuais idiotas que acham que o bom cinema acaba em Fellini e Bergman, qualquer pessoa pode aproveitar da mesma forma pois a história não é um simples filme americano de fazer chorar.
Onde Danny Boyle (diretor de Trainspotting e Extermínio) conseguiu atores tão incríveis e ainda fazê-los falar inglês? As crianças pequenas são realmente crianças da favela de Mumbai, acredita? O cinema de Bollywood desponta em produções de diretores americanos que trazem a alegria daquele povo para o mundo, suas tradições, danças, música, medos, problemas, e tudo mais que a empolgante e dicotômica Mumbai pode oferecer. O povo quer crescer, quer ter sonhos, conquistar objetivos, lutar por aquilo que é certo e viver de amor (como diz Jamal para Latika).
Quem Quer Ser um Milionário é a história de Jamal (Dev Patel que não é irmão de Kumar Patel!), um menino que mora em uma das favelas de Bombaim e que passou por vários problemas depois que sua favela foi atacada por rivais e sua mãe assassinada. Ele e o irmão tentam se manter vivos ao lado da menina Latika (Freida Pinto), mas durante uma fuga Latika fica pra trás. Ao crescerem seu irmão está envolvido com a bandidagem de Mumbai e Latika é, contra sua vontade, uma das garotas do chefão do crime na cidade.
Jamal quer muito reencontrar seu amor de infância e tirá-la daquela vida, mas sem forças, resolve aproveitar a chance de participar da versão indiana do "Show do Milhão" (Silvio Santos copiou até a música deste programa indiano). O problema é que os produtores do show não acreditam que um garoto de favela possa saber todas as respostas e desconfiam que eles esteja trapaceando. O filme é justamente Jamal contando à policia local por como sabia todas as respostas. Atenção para a cena em que o jovem Jamal toma um banho de fezes para ver seu ídolo da TV.
Eu sempre anoto no Palm as melhores cenas, frases e comparações, durante o filme. Mas neste filme o Palm ficou guardado no bolso e preferi deixar para escrever minha opinião agora quando cheguei. Você não consegue tirar os olhos da tela e mesmo sabendo todas as respostas do Quiz, você fica esperando a próxima resposta de Jamal como se estivesse para ganhar milhões junto com ele. Destaque para a linda Freida Pinto .
Nota que a Westein Company fez uma campanha, "por baixo dos panos", para promover seu filme O Leitor, dizendo que Danny Boyle usou crianças pobres, pagou muito pouco ou quase nada, e explorou equipes pobres de Mumbai. Tudo uma grande mentira pois Danny fez questão de trazer o máximo de pessoas do filme para a noite do Oscar. A trilha sonora de A. R. Rahman é magnífica .
Não saia do cinema no final, fique para ver o número musical completo. Diferente daquelas comédias bobocas em que todos dançam no final, a dança deste filme é uma ode a felicidade de todos aqueles atores e equipes em estarem participando de um filme que está alcançando milhões de pessoas no mundo inteiro. Só eu já escutei o tema "Jai Ho" umas 100 vezes hoje. No Oscar você via claramente a felicidade daquelas crianças em participarem do sonho, dos closes, da magia do cinema!
O brasileiro ainda tem vergonha de fazer como o americano que levanta no cinema e bate palma, mas até que algumas pessoas desta vez bateram palma e eu acompanhei. Quem Quer Ser um Milionário foi indicado a 10 categorias no Oscar e venceu 8, incluindo os prêmios de canção original e trilha sonora.
Não perca este filme nos cinemas! Não deixe pra ver em DVD e nem na televisão! Melhor, só nesse filme, veja o filme em uma sessão lotada pois você vai ver a emoção nos rostos, o melhor prêmio para qualquer artista.
Filmado nas ruas de Mumbai, a produção inglesa estreou na Índia no último dia 23 e foi acusado de reforçar estereótipos ocidentais sobre o país. Em Bihar, a polícia teve de aumentar a segurança depois que alguns moradores protestaram contra a palavra "dog" (cachorro) durante a exibição do filme. Nas cidades menores o filme - exibido com dublagem em Hindi - também está sendo rejeitado. Um filme mais para o ocidente, os donos de cinema têm poucas esperanças que o filme faça sucesso na Índia. Mais opiniões em: www.omelete.com.br
Crítica: O Lutador
O Lutador é mais um fantástico filme do diretor Darren Aronofsky, diretor de Requiem para um Sonho, Fonte da Vida e Pi, e futuro diretor do remake de Robocop. Requiem e Fonte da Vida estão no top 10 dos meus filmes favoritos, e foi muito bom ver mais uma obra antes do Oscar. O Lutador é uma metáfora sobre envelhecimento e escolhas. Passamos a vida achando que somos invencíveis e que não precisamos de ninguém, mas a certa altura a vida nos cobra toda aquela reflexão que nunca tivemos.
O Lutador é a história de Randy Ram (O "Carneiro"), um lutador de luta-livre (daquelas tipo telecat, lembra? Tudo arranjado, esporte muito comum no México) muito famoso nos 80, mas que 20 anos depois vê sua carreira se deteriorar por causa de problemas de saúde. Como sempre esteve afastado da familia e de relacionamentos amorosos, Ram vê que naquele momento de desespero não tem a quem recorrer. Destaque para a cena de autógrafos que mostra claramente o drama que passam estes artistas da luta-livre após a idade de continuar lutando...
Ainda acho que Mickey Rourke (de Coração Satânico e o Marv de Sin City) é o mesmo canastrão de sempre, não melhorou nada desde 9 1/2 Semanas de Amor ao lado de Kim Basinger, mas o personagem caiu sobre ele como uma "luva", e este é um dos motivos de sua atuação vencedora. Uma pena que na noite do Oscar ele não levou a estatueta (perdeu para Sean Penn em Milk) e nem tirou aqueles óculos escuros ridículos que escondem sua cara deformada pelo abuso e vícios.
Apesar do papel de Stripper-mamãe já estar batido desde Demi Moore, Marisa Tomei dá um show a parte. Desde Meu Primo Vinny ao lado de Joe Pesci não via mais Marisa como aquela mulher linda (que "corpaço") de outrora. Destaque para a linda Evan Rachel Wood (Aos Treze e O Rei da Califórnia) como a filha de Ram.
Mais uma vez vou me repetir, mas este filme também trata da compreensão humana. É dificil lidarmos com todas os fatores que moldam o comportamento humano. Por que Ram abandonou a familia? Por que ele não tinha mais posses depois de velho? Por que tudo chegou àquele nível? Quem pode responder a estas perguntas? A verdade é que a fama pode vir para o bem ou para o mal, e se a cabeça nã oestiver no lugar, seu saudosismo será seu pior inimigo.
Atenção para a trilha sonora com o melhor do metal dos anos 80. Depois da trilha sonora de Quem Quer Ser um Milionário, esta sem dúvida é a melhor trilha de 2008, Cinderella, Gund 'n Roses, Ratt, Bone Crusher, Scorpions, etc. E mais uma vez a mulher de voz chata da VEJA faz seus bons comentários.
Crítica: O Leitor
domingo, fevereiro 22, 2009
Nesta louca corrida para tentar ver todos os filmes que estão concorrendo ao Oscar, consegui ver mais dois filmes hoje no cinema, O Lutador e O Leitor. Vou começar pelo O Leitor pois as informações estão mais frescas na cabeça. O Leitor é um filme da Weistein Company, baseado no livro alemão Der Vorleser escrito pelo professor e juiz Bernhard Schlink. O filme na verdade é a narração de um pai para sua filha, apresentando-a à história de amor que ele viveu quando garoto.
O Leitor é mais uma obra do diretor de Billy Elliot e As Horas, e trata da relação entre um adolescente e uma mulher mais velha no período posterior à segunda grande guerra. O menino tem sua primeira experiência com o sexo oposto na casa de Hanna e mantém esta relação viva até que Hanna some de repente. O filme parece que irá tratar deste relacionamento durante as duas horas de projeção, mas lá pelo meio tudo mudo e o foco já não é mais a relação menino e mulher. Se eu contar o porquê, acabo estragando a surpresa (o video abaixo já estraga), mas o restante do filme é sobre lembranças, memórias, de quem é a culpa e no que se deve acreditar.
Não siga adiante se não quiser estragar sua sessão SPOILERS! O filme levanta um assunto polêmico que ocorre até hoje em diversas situações que envolvem crimes em massa, ou seja, de quem é a culpa? Os soldados alemães eram culpados por executar ordens ou terem medo de serem executados se as tarefas não fossem cumpridas? O povo alemão é culpado por ficar calado e não fazer nada contra o governo autoritário? Os judeus estão certos de até hoje exigirem compensação monetária dos povos anglo-saxões que criaram a guerra? (questão levantada pela sobrevivente no final do filme " - Não quero o dinheiro pois este significa absolvição...") Dificil responder.
Trata-se da interpretação do certo e do errado, daquilo que fazemos por que somos mandados, influenciados, seduzidos, e nem sempre conseguimos ter controle de nossos atos. Como julgar algo assim? Como julgar o comportamento humano sem considerar as milhares de variáveis que moldam a estrutura psicológica de um corpo feito de carne e pensamentos? Creio que a Alemanha sofra deste arrependimento até hoje, pois sei que meus amigos alemães não gostam muito de conversar sobre história... Seus avós eram culpados pelo mal do governo?Assim como aqueles filmes em que os mortos nos rodeiam tentando resolver um problema para descansar em paz, Michael Berg também precisa "exorcizar os seus demônios" depois de adulto, retomando contato com sua paixão de adolescente. Isto traz o espectador para mais perto da história pois todos nós temos assuntos mal resolvidos que é provável iremos carregar pela vida toda por que temos medo de enfrentar nossos "demônios interiores".
Com excessão do passado, o restante do filme não é apresentado em ordem cronológica. A filha de Michael aparece pequena e grande em diversas situações. Creio que esta foi uma tentativa de mostrar que a muito tempo o pai queria revelar aquela história para ela mas nunca tinha coragem...
Particularmente não gosto de filmes americanos/ingleses que se passam na Alemanha e todos os alemães falam inglês, mas foi interessante ver que diversos atores alemães famosos estiveram presentes neste filme, a contar Volker Bruch (Barão Vermelho, 2008), Bruno Ganz (A Queda, 2004), Karoline Herfurth (Meninas não Choram, 2002), Fabian Busch (Aprendendo a Mentir, 2003) e Alexandra Maria Lara (A Queda, 2004). Nota, a maquiagem do filme deixa muito a desejar... Dá pra ver claramente que as pessoas não são velhas de verdade.
Crítica: Casamento de Rachel
Como já disse no post anterior, fico impressionado com a flexibilidade de alguns atores americanos. Anne Hathaway me surpreende a cada nova investida. Confesso que a alguns anos atrás eu tinha preconceito contra a atriz por causa de filmes como Diário da Princesa, entre outros filmes comédia romântica e comédia pastelão, mas Anne consegue fazer todos os filmes que ela quer, sabendo exatamente o grau de profissionalismo que cada obra necessita.
O Casamento de Rachel (Rachel's Getting Married) é mais um daqueles filmes americanos de fazer chorar e de mostrar união entre pessoas diferentes (o que já é um chavão depois de filmes como Traffic, entre outros), mas não tenta esconder esta abordagem no meio da história como a maioria dos filmes faz. A intenção de mostrar a diferença entre as pessoas é clara, explícita, e vai desde a cor da pele até os problemas de comportamento (drogas, álcool, tristeza, depressão, etc), tipos de música, danças, raças, etc. Este quadro no filme nunca é camuflado pelo roteiro. Este é um filme de longas tomadas que poderia até ter sido feito dentro das regras do dogma dinamarquês (se você não contar as cenas externas).
Na verdade o filme não é sobre Rachel, mas sobre Kym, sua irmã mais nova. Kym sai temporariamente de um centro de reabilitação para viciados (drogas e álcool) no mesmo dia em que começam os preparativos para o casamento de sua irmã. Kym está totalmente recuperada, mas o pai a superprotege, a irmã não acredita na sua recuperação (apesar de ser seu maior suporte emocional) e os amigos de Rachel se sentem desconfortáveis com Kym. Kym percebe tudo isso e tem que lidar com as pessoas da mesma forma que precisa processar a morte do irmão mais novo em um acidente que eles sofreram quando Kym estava alta (do inglês "high").
Como a casa fica em uma cidade distante do grande centro, todos os amigos de Rachel estão por lá preparando a festa. Rachel vai casar com um afro-americano descendente de jamaicanos, seus amigos são hippies, ricos, pobres, chineses, jamaicanos, brasileiros, e tudo mais que você possa imaginar. Na festa de Rachel escuta-se hip hop, reaggae, samba (hilário ver Anne dançando samba), jazz, rock antigo (Neil Young rules!) e música indiana (inclusive toda a temática da decoração é indiana mesmo o casal não seguindo nenhuma religião).
Mais do que um filme, é uma promessa de uma nova sociedade, uma metáfora da compressão entre os tipos, raças, povos, orientação sexual, idades, religiões, comportamentos "anti-sociais"? Não importa. O que importa é compreender que somos humanos e precisamos de todo apoio possível das pessoas a nossa volta para entermos a nós mesmos e superarmos obstáculos. É mais fácil julgar do que entender, condenar do que ajudar. Kym parece ser a única que compreende isso no inicio do filme e luta para explicar para todos como é se sentir rejeitada.
É como sempre digo, se as suas 2 horas no cinema não serviram para aprender nada, você jogou seu dinheiro fora. Veja Casameto de Rachel com estes olhos e você já terá aproveitado 90% do filme. Não deixe de perceber também a incrível interpretação de Debra Winger como a mãe de Kym.
Crítica: Dúvida
sábado, fevereiro 21, 2009
A formação do ator americano é realmente incrível. Não estou dizendo das caras bonitas que eles encontram na rua para fazer filmes de ação ou comédias românticas, mas sim da maioria dos atores que hoje trabalham no primeiro "front" do cinema americano. A versatilidade deles é impressionante, passando desde as comédias e thrillers até os dramas e aventuras.
Fiquei realmente impressionado com a qualidade dos filmes que vi hoje e posso dizer que o Oscar neste domingo vai ser dificil, quase uma surpresa. Normalmente isso não acontece comigo, mas ambos os filmes eu consegui total imersão dentro do universo das histórias. Claro que o primeiro filme, Casamento de Rachel, é um daqueles dramas americanos de fazer chorar ou que ficam martelando aquela idéia batida de "igualdade", que já virou "chavão", uma fórmula garantida de concorrer a Oscars.
Entretanto o filme Dúvida já vem com uma abordagem diferente. Ambos os filmes tratam de intolerância, aceitação, entender o "outro" e refletir sobre o comprotamento do ser humano como ser instintivo, não racional, porém Dúvida traz mais do que isso, traz a desconfiança, o apego a tradições, a rigidez de pessoas que vivem no passado e temem as liberdades do futuro.
Meryl Streep interpreta uma freira rígida que dirige uma escola católica conservadora. Ao longo do filme ela começa a desconfiar do padre da paróquia e cria um círculo de acusações que em momento algum do filme podem ser provadas. Tudo fica no ar para o espectador interpretar da forma que quiser. Vale destacar a interpretação de Amy Adams. Da mesma forma que Anne Hathaway em Casamento de Rachel, Amy impressiona por ser flexível nos seus personagens.
Ela consegue interpretar a princesa de um filme infantil (Encantada), uma coadjuvante no péssimo Smallville, uma personagem incrível em The Office, outra em Miss Pettigrew e ainda uma freira em uma drama tão incrível quanto Dúvida. Da comédia ao drama "cabeça", do pastelão "descerebrado" ao filme cult, Amy é uma daquelas atrizes perfeitas que podem escolher papéis onde querem, diferente de Jennifer Aniston, Jessica Alba, Jessica Biel, etc. Uma futura Meryl Streep talvez? Quem sabe....
Philip Seymour Hoffman sofre da mesa benção. Ele consegue passar de drogado junkie em comédias non sense até Truman Capote e ainda chegar a um padre suspeito de pedofilia. Simplesmente um ator incrível digno de herdar o manto de Pacino, DeNiro, Justin Hoffmann e Jack Nicholson.
O filme não é feito para emocionar e sim refletir sobre os valores da rigidez, tradições e manias de instituições que dominam a sociedade mantendo-a sobre o domínio do medo, medo de errar, medo de não ser aceito, medo de mudar, medo de fugir, medo de falar o que sentimos, entre outras "moléstias" psíquicas das quais sofre o ser humano devido a ignorância de seus contemporâneos. A tendência do ser humano é julgar o certo e o errado sem pensar em todos as variáveis que permeiam uma situação. Julgar é mais fácil do que entender, e condenar é mais simples ainda, mesmo que suas conjecturas não sejam verdade.
O padre parece ser o único a entender que este mal cada vez mais se espalha na sociedade, de forma que todas as aberturas para o bom convívio entre as pessoas acaba se diluindo em dogmas retrógrados, falta de confiança e "fofocas" descabidas. A garota jovem é idealista e quer acreditar naquilo que é certo, mas a freira superior acaba deixando-a confusa. Neste filme o espectador é a freira jovem interpretada por Amy, que desenvolve um conflito interno sobre o que é certo e o que é errado, ou seja, todas as coisas têm uma razão para acontecer, sejam elas certas ou erradas, e cabe a nós ir fundo na verdade compreendendo os fatores que funcionaram como estopim das situações.
Vale a pena ver o filme Dúvida de forma a refletir e ver a maravilhosa atuação do trio e das crianças, quase como o teatro americano/inglês (por que o teatro brasileiro se perdeu nas comédias de duplo sentido). Recomendo e adiciono a minha lista de favoritos.
Poesia - Retrato
Este texto escrevi quando realmente esqueci
Na velha caixa de balsa, perto de muitas canetas e lápis de colorir, jazia ela em silêncio. Meio desbotada, com as pontas rasgadas, cabeças cortadas e estampas antigas, ela chamou de volta aquele que um dia a amou. - Lembra de onde eu estava? - Perguntava ela. E mesmo assim recusava-se a escutar a loucura daquele pedaço de papel. – Ei, olha pra mim... – Novamente. Não resistiu..., não reconheceu.... Olhou alguns segundos e suspirou. Levantou e esqueceu. - Por quê eu? – Perguntou a si mesmo.
Continue sua arrumação perante a poeira e as roupas velhas! Lembrou-se do local. Sim. Um dia, muitos anos atrás, havia estudado naquele local. Um curso. Sim. Uma daquelas coisas que a gente faz pensando no futuro...o futuro...quantas chances, quantas mágoas, quantas oportunidades perdidas! Mesmo assim foi maravilhoso. Por quê? Reflete. Procurou encontrar respostas para a felicidade. Retornou à caixa de balsa e olhou os rostos.
Quem está comigo ali? Quem esteve comigo antes? Quem me acompanhou...O futuro... Ali estava o futuro. Não, não, digo, o futuro de agora, mas o futuro naquela época... As esperanças, sonhos, amores, ansiedades, medos...PARE!!! Puxa, são tantas coisas...eram tantas coisas... Agora me lembro de você pedaço de papel. Me lembro do dia, me lembro da hora e do local...sabe, me lembro até do que aconteceu antes de eu chegar lá...
As imagens vêm aos meus olhos desbotadas e azuladas, como você papelzinho..., papelote, papelão...mas que papelão. Juro que não vou chorar. Naquele dia, não trabalhei. Fiquei em casa, angustiado para que o relógio me dissesse o momento certo de dizer adeus ao corredor da sala. Esqueci livros e canetas, mas sabia que não importava. As escadas, os corredores, o professor, o intervalo, PARE!! A cabeça dói...não quero lembrar. Mas lembrou.
Lembrou por que não havia como não recordar...- suspiro - ... azulada, desbotada, estampas antigas e pontas rasgadas, ela estava ali. Com os pés cortados, olhos vermelhos e o brilho do flash no rosto, eu lembrei dela. Talvez nem o tempo, nem minha mente que já me falha e nem o amor de meus netos possam arrancar as lembranças das melhores semanas da minha vida.
Este retrato? Bem, este retrato não tem nada...por um descuido meu, deixei a máquina ligada e apertei o botão sem querer...Que magnífica foto do assoalho! O assoalho...a janela...o quadro negro...é papelzinho, você não quer me mostrar...mas ela estava ali...ela estava ali...
Veja outros de meus textos
Poesia - Filmes Antigos
Esta foi a segunda para a mesma pessoa
Como um relâmpago de vida ela surgiu. Juro que quando entrei no recinto e pus meus pertences sobre a mesa, tentei colocar meus pensamentos em sintonia com o que se passava no meu coração. As poucas vezes em que isto aconteceu comigo, coloquei meus pés no chão para os fatos, porém naquele segundo, naquele lugar, no lado oposto da mesa, tudo parecia flutuar num encanto que só vemos em filmes antigos.
Tudo parecia tão perfeito – eu vivia repetindo em minha mente – mas ainda tão preto-e-branco...sim...como nos filmes antigos...E a mágica se encontrava em tomar a decisão certa, em colorir cenas repletas de tons de cinza que viajavam em palavras que nenhum de nós dois entendia muito bem. Mas como conhecê-la ? Como poder conquistar o direito de poder escutar sua voz mais de perto, de esquecer todos os problemas do dia-a-dia em lábios doces e convencê-la de que minha vida hoje melhorou ?
Pois é, não sou mais o mesmo...não sou mais o mesmo pois tenho responsabilidades. Tenho a responsabilidade de fazê-la sorrir, de fazer seus pequenos olhinhos brilharem, de poder conquistá-la todos os dias como se fosse a primeira vez, de segurá-la em meus braços e dizer coisas lindas...sim, não se preocupe, você é uma pessoa super especial e vai conseguir tudo o que você sonha.
E mesmo com os erros e faltas só consigo elogiar seus passos... Passos estes, como vento vespertino, batem em meu rosto a cada vez que te perco. – Odeio te ver ir embora... – Ah se eu pudesse te dizer estas coisas...tantas coisas...como eu queria poder te mostrar o turbilhão de emoções a cada vez que te encontro, e esse seria meu único arrependimento – suspiro - te amei por semanas e nunca encontrei o momento certo para te dizer estas três palavras de afeto.
Queria pegar-te em meus braços, beijá-la sempre que as palavras se tornassem supérfluas e nossos diálogos sem sentido...como seria bom deixar minha imaginação superar minha inteligência, a razão, e com você ter momentos dignos de um filme romântico...filmes antigos...marcados para sempre na memória de muitos...ou só de nós dois...nós dois...
Entreguei sim, em tuas mãos, aquilo que há de mais precioso em meu corpo, em meu peito, meu coração. Agora carrego de ti um cheiro, uma voz, um rosto lindo, uma lembrança...Das tribulações que me afligiam tirei poesia, do sofrimento arranquei música, das ilusões criei amor...mas preciso de você para transformar tudo em paixão. Sim, como nos filmes antigos...
Veja outros de meus textos
Poesia - Perto de Você
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Não acredito em registrar tudo o que escrevemos, desenhamos ou filmamos, muito menos no que os artistas dizem, que a arte deve ser a "expressão do artista" única e simplesmente. A arte, em todas as suas manifestações, deve ser algo voltado ao público, aberto para quem quer abraçar e admirar a vontade criativa dos autores. Este texto escrevi em 2004 (não vou citar nomes), não cabe aqui descrever a inspiração, mas sim deixar aos leitores imaginar, criar, se inspirar e refletir.
Poucas vezes em nossas vidas, temos a oportunidade de conhecer pessoas das quais realmente sentimos falta. Sentimos falta num momento alegre, sentimos falta quando um filme nos faz chorar, sentimos falta mesmo estando tão perto ao nosso lado e até sentimos falta nos momentos difíceis quando o mundo parece ruir sobre nossas cabeças. A palavra e o verbo não são fáceis de utilizar, gestos muitas vezes passam despercebidos.
Dizer coisas dignas de serem aceitas, como a sinceridade de um tolo, muitas vezes não nos liberta. Mas como se portar nesta situação mágica onde a química e o bem-estar falam mais alto do que qualquer sentimento, onde o simples fato de saber que vai encontrá-la consegue mover 14 músculos de sua face e deixar sua mente boba dizendo palavras para fazer esta pessoa especial sorrir? Palavras...sim, palavras. Palavras que lutam para dizer: - Gosto de estar perto de você! – e hoje não consegui calar este grito...
Não é que a oportunidade nunca tenha aparecido sabe...mas é tão difícil achar o momento certo para coisas e sentimentos que não entendemos...Às vezes me indago se tentar entender é deixar passar um momento sublime, jogar fora o clima que acabou de ocorrer ou deixar as mágoas correrem atrás de um pontinho sumindo no final da rua no término da madrugada quando você vai embora...
Tentar entender? Sim, por que tentar entender, se muitas coisas até hoje não compreendo? Não compreendo a felicidade de chegar em casa após um dia difícil, muito menos compreendo a felicidade de estar em uma festa com amigos reunidos...não, não compreendo os diferentes conceitos de felicidade para te dizer o que estou sentindo neste momento. Mas bem que eu tento...e no fundo, adoraria compreender você.
Adoraria entender o que te move a buscar alegria, aquilo que te fascina, as pequenas coisas que te fazem mergulhar na solidão, estudar profundamente os seus medos e poder te consolar e dizer que tudo vai ficar bem. Não é sempre que encontro alguém assim sabe...sinto poder dizer coisas a você que não conto para mais ninguém – suspiro – e cada vez que você diz algo interessante há no meu peito uma vontade louca de te abraçar...e você consegue dizer coisas interessantes a cada segundo... – saudade – nestes momentos, tenho a sensação de ser também interessante, de ser a pessoa mais importante do mundo.
Não posso negar, minha vida sem dúvida está cheia. Cheia de amigos, cheia de boas oportunidades, cheia de portas que se abrem todos os dias, mas de alguma forma, de repente, elas não significaram mais nada...Perto de você...perto de você eu queria escrever uma canção cheia de significado... - seus olhos brilham – e que nos momentos difíceis de sua vida você pudesse cantá-la e lembrar-se de mim – meus olhos brilham.
Desculpa se falo baixinho, se muitas vezes não controlo meus lábios e explodo minhas emoções em palavras que talvez não façam o menor sentido. - Hei você! Sim, a menina da cadeira ao lado, do banco do metrô, da bolsa amarrada na cintura, dos três chopes, que gosta de orquídeas, que curte a música do comercial de cerveja (não esqueci nada... e mesmo assim parece tão pouco...),...você acredita que não consigo ficar longe de você?
Veja outros de meus textos
Que faz o Produtor de Cinema?
sábado, janeiro 24, 2009
É fácil para todos nós descrevermos o que faz um ator, mesmo sem conhecer as artes dramáticas. É até fácil, até certo ponto, dizer o que faz o diretor do filme, o diretor de fotografia, câmeras, etc., mas quando perguntam para você o que faz um produtor de cinema, a resposta mais comum é dizer que ele ajuda o diretor (ou você diz que não faz a mínima idéia).
Mas ser produtor de cinema, de filmes, de grandes ou pequenas produções é muito mais que isso. É talvez o trabalho mais dificil e complicado e menos reconhecido dentro deste mercado, principalmente no nível "hollywoodiano". Muitos diretores fizeram esta transição e alguns até fazem acordos com grandes estudios para produzirem filmes e séries de tv em troca de poderem fazer filmes com mais liberdade (emprestar o nome para uma série de tv como produtor é dar um pouco de status à produção).
O produtor é indicado pelos executivos dos estudios, e normalmente é quem recebe o Oscar e outros prêmios de melhor filme, e essa é a única chance que ele tem de ser famoso. O produtor é a figura que garente que todos estarão lá, no momento certo, quando são necessários. No dia-a-dia de uma produção, o produtor aparece sempre que há um problema, mas na verdade este profisisonal está envolvido desde o início. No período inteiro, da pré a pós-produção, o produtor cuidará da:
- Aceitação ou distribuição do filme por uma produtora e/ou estudio (famoso sinal verde);
- Pesquisas mercadológicas (público alvo, aceitação, retorno financeiro esperado);
- Financiamento para a produção;
- Acertos de comissionamento das partes envolvidas;
- Formatação do roteiro para que se encaixe dentro do orçamento;
- Contratação de diretores, roteiristas, atores, técnicos e outros membros da equipe;
- Visão macro de locações, figurino, sets, etc.;
- Organização de fornecedores e serviços (alimentação, acomodação, material técnico, objetos de cena, cenários, etc.);
- Aprovação do cronograma da pré-produção, filmagem, edição, pós-produção, etc.;
- Realização de acordos de marketing como os "product-placement";
- Direcionamento para marketing, divulgação, publicidade, propagandas;
- Ajustar a visão do diretor às necessidades do estudio (filmes de estudio);
- Lidar com os problemas do dia-a-dia.
Com exceção dos trabalhos "burocráticos", o diretor do filme é quem tem a resposta final sobre atores, designers de produção, diretores de fotografia, roteiro, edição, efeitos especiais ,etc. Considere esta relação como o gerente de um restaurante e o chef de cozinha.
Apesar da visão "mercadológica", isso nos trás uma idéia de que filmes são processos, e não apenas obras de arte ou blcokbusters. Até Pasolini, Fellini e todos os diretores que terminam com "ini" ou têm nome francês precisam passar por algumas destas etapas junto aos seus produtores. Lembrem que mesmo com a visão do diretor, um filme nunca é o trabalho de uma pessoa só, ele nunca é "direcionado" exclusivamente pela visão do diretor.
A influência de atores, câmeras, diretores de fotografia, produtores e outros profissionais é que molda a película, por mais que você ache que o diretor é um "artista" solitário e tirano, você está errado. Cinema é um trabalho criativo coletivo, colaborativo e dinâmico. O "engessamento" só aocntece quando os executivos de estudios resolvem dar "pitacos" na produção. Daí nem o produtor faz milagres...
O cinema é arte, mas também é negócio. É dificil para os pseudo-intelectuais entenderem isso, mas margens e lucros são uma grande parte de fazer cinema, e o produtor muitas vezes precisa balancear estas duas variáveis, arte e negócios. Até mesmo um pintor quer vender seus quadros e/ou obter a aceitação do público, por isso dizer que a arte existe por si própria como expressão do autor é mentira, pois no fundo todos conhecemos a psique humana e sua relação com o "outro". E pense assim, se um produtor for bem sucedido nesta empreitada, sua mensagem será passada a vários espectadores, atingirá um público maior e irá criar pensadores melhores.
O cara do video não sou eu...
Crítica: Dia que a Terra Parou
domingo, janeiro 18, 2009
Apesar de já conhecer a história de O Dia em que a Terra Parou pelo filme de Robert Wise, fui ao cinema já um pouco desconfiado: - Vamos lá, outro filme catástrofe no estilo Roland Emmerich. Entretanto foi bom pegarem um diretor que não tem experiência com este tipo de filme (apesar de Scott Derrickson ter feito desastres como Hellraiser Inferno e Lenda Urbana). Com Derrickson no comando o filme ficou bem diferente e com menos clichês do que normalmente costumamos ver. Claro que as ridículas cenas sem nexo estão lá, mas bem menos exageradas ou engraçadinhas.
Tanto quanto ver Cate Blanchet em Benjamim Button, ver a linda Jennifer Connelly logo no inicio do filme é um colirio para os olhos e tem um sabor de infância por lembrar da Sarah de Labirinto, a Deborah de Era Uma Vez na América e a Jenny de Rocketeer. Claro que é um pouco de "forçação" ter Jaden Smith no meio da história (trazendo aquele dramazinho desnecessário de filho adotivo), o protagonista da série de Mad Men como um cientista "pintoso" (fala sério né...cientistas que não são excêntricos?) e ainda o Monty Python John Cleese como um matemático (ring, ding, ding, ding Mr. Hilter!). Keanu Reeves até está legal e sério como um Spock pacifista, mas sua atuação lembra bastante seus personagens em filmes de ação e ficção cientifica.
O filme vale a pena de se ver, mesmo com as falhas que descrevi abaixo. Se não quiser saber das falhas, pule para o final do post. Agora vamos para as "balelas" de filmes hollywoodianos, shall we?
O filme é bom, mesmo com seus problemas, é diversão pipoca garantida. Claro que não é um filme que atravessa décadas como os dos anos 80, mas vale as 2 horas. A idéia de substituir a nave espacial de 1951 por uma esfera de energia também foi muito criativa e uma boa "previsão" do que podem vir a ser os meios de transporte daqui a mil anos.
Veja também a resenha do site Omelete. Abaixo crítica da Veja.
Crítica: Benjamim Button
sábado, janeiro 17, 2009
Apesar de encarar mais uma vez o péssimo atendimento do Cinemark Botafogo (uma só pessoa para atender uma fila imensa em um guichê de 07 baias), os assentos desconfortáveis, anti-ergonômicos e sem apoio de cabeça, e os pequenos espaços de circulação (típico de um complexo comercial de cinemas sem amor à 7ª arte), vi um filme muito bom hoje que recomendo.
No final de minha infância e inicio da minha adolescência, eu costumava dizer para minha mãe que eu havia nascido na época errada e no lugar errado. Eu queria dançar o dixieland jazz nos clubes nova iorquinhos dos anos 30, ver Jerry Lee Lewis no palco, ver o show dos Beatles no Ed Sullivan Show, participar de uma grande guerra e voltar pra casa para a garota dos meus sonhos, voar com a Esquadrilha Lafayete, descobrir segredos de milhares de anos como um arqueólogo vitoriano, colecionar fotos de Bettie Page, me impressionar com os primeiros quadrinhos do super-homem e ficar encantado com as matinês dos pequenos cinemas americanos.
Mas a vida nos dá nossa própria época e memórias, e muitas vezes não sabemos como aproveitá-las ou até mesmo garantir que nossos sobrinhos, filhos e netos poderão um dia ver filmes sobre o fascínio que tinhamos sobre nossa cultura pop. Benjamim trás um pouco desta volta ao passado, em diversas épocas, mostrando que no fundo somos todos iguais. Nossos medos, aspirações, preconceitos, e que o mais dificil é largar a falta de esperança e o "tecnocracismo" para se entregar-se a uma vida cheia de surpresas espontâneas e incríveis.
Benjamim Button é um menino que nasce velho, enrugado e feioso, e por isso é abandonado pelo pai na porta de um asilo (referência a uma família ficticia, os Button, que inventaram os botões e têm como concorrente o inventor do zíper). A zeladora do asilo adota a criança que incrivelmente fica mais nova a cada ano. Durante esse rejuvenescimento Benjamim descobre as amizades, o amor, o sexo, o álcool, tudo com o olhar de uma criança que acabou de descobrir que uma formiga queima à luz da lupa, que as dormideiras fecham com o toque, que não existem monstros no escuro, a vida de Benjamim é pura descoberta no sentido inverso de tudo o que nós já vivemos. Imagine só descobrir o sexo com 13 anos quando todos acham que você tem 80...
O filme já começa com uma cena bem emocional. Um grande inventor faz um relógio para uma estação de trem, mas o relógio roda ao contrário... Emocionado o inventor diz que o relógio roda ao contrário para que seu filho volte vivo da 1ª guerra, algo que nunca deveria ter acontecido. Junto ao seu discurso aparecem cenas da 1ª guerra como que "rebobinadas", e as pessoas da estação entendem e se identificam com a mágoa do homem que só espera que a humanidade um dia acorde e resolva fazer a coisa certa.
A mensagem do filme cresce ao longo da projeção e vai ficando mais forte fazendo até as mentes menos acadêmicas refletirem sobre sua própria condição no mundo, idade e identidade, as coisas que deixamos de fazer depois de velhos por que queremos ser "adultos responsáveis", e tantas outras coisas que deixamos entrar na nossa cabeça por uma falta de um "pensar próprio" que nos faça ponderar antes de abraçar o legado cultural retrógrado de uma sociedade parada no tempo com seus preconceitos, modismos, tradições sem sentido e que tende a julgar todos que são diferentes. Para Benjamim o que importa é ser feliz, viver como uma criança mesmo que esta criança tenha responsabilidades. Para Button a vida e as pessoas são a maior dádiva que alguém pode ter.
O roteiro do filme é de Eric Roth, por isso se você é um viciado em cinema, como eu, vai logo perceber o estilo de narrativa e diversas cenas e dramas idênticos ao de Forrest Gump, outro filme escrito por Roth. A mãe sábia sem instrução que faz tudo para a felicidade do filho, o louco marinheiro beberrão que tem um bom coração, a paixão de infância que cresce e faz besteiras até descobrir que realmente ama o protagonista (lembra de Robin Wright, a "Jenny" em Gump?), as cenas mescladas com fatos históricos, o encontro com celebridades e as piadas engraçadinhas como o cara dos raios (as cenas do vovô são hilárias, mas os videos em preto-e-branco foram desnecessários e apelativos demais... bem "povão").
Uma das coisas bonitas que Roth traz desde Forrest Gump é que quando você ama alguém de verdade, a presença dela, sua companhia, é mais importante do que sexo, beijos ou carícias. Era isso que Button busca no inicio em Daisy e ela não entende. Mas no mundo do cinema nada se cria, tudo se copia (até de si mesmo como Roth). Até mesmo o grandioso Batman Dark Knight de Christopher Nolan usou passagens do conto "Os Destruidores" de Graham Greene - também citado em Donnie Darko - copiando a índole do Coringa com base nos adolescentes que queimam pilhas de dinheiro só para ver o caos.
Quanto aos efeitos especiais. Eu trabalho com computação gráfica, então dificilmente algo CGI me parece real, principalmente quando tenta replicar pessoas (pois estamos muito acostumados com o rosto humano para sermos enganados pelo brilho falso dos modelos 3D). Entretanto admiro a tentativa de utilizar o rosto de Brad Pitt substituindo o rosto dos atores que interpretaram Benjamim velhinho, inclusive o bebê enrugado. Esta técnica tem sido utilizada amplamente, desde o filme X-Men para mostrar Magneto e Xavier mais novos até nos novos Guerra nas Estrelas para mudar falas (sim! Eles mudavam lábios e expressões para mudar diálogos). A mais conhecida técnica foi usada pela Eyetronics no documentário dos últimos dias de Hitler que recriava cenas da 2ª Guerra fazendo rostos perfeitos de Hitler, Roosevelt e Churchill em 3D, que eram sobrepostos aos rostos dos atores reais. Pelo menos no documentário ficou perfeito, mas Button não engana...
Vale ressaltar que os produtores deste filme são Kathleen Kennedy e Frank Marshall, "figurinhas carimbadas" do cinema desde os filmes de Indiana Jones, E.T. Poltergeist, Goonies, De Volta para o Futuro, Viagem Insólita, Império do Sol, Persepolis, Munique, Parque dos Dinossauros e tantos outros sucessos. Cate Blanchet também está linda neste filme (como sempre), e é mais surpreendente ainda e apaixonante ver sua cara rejuvenescida nas cenas que mostram Daisy adolescente. O elenco inteiro é fanstástico, um trabalho quase de teatro (fazer teatro é o sonho de 99% dos atores americanos). O filme foi feito em Nova Orleans, a cidade que ficou conhecida pela devastação feita pelo furacão Katrina.
Com excessão dos efeitos faciais e as cópias descaradas de cenas e dramas de Forrest Gump, vale a pena ver Benjamim Button com o coração aberto, a mente livre e um pouco de reflexão. Não deixe que os filmes acabem quando você sai do cinema. Se você não trás sua diversão, seu aprendizado e suas amizades para o crescimento de sua vida, como individuo, como "ser social", como trabalhador e como solucionador de problemas, é por que aquele tempo gasto não lhe serviu de nada.
Um dia você vai acordar e perceber que trabalhou, se divertiu, teve filhos, casou, viajou, mas nunca fez nada realmente grandioso com a sua vida, nunca seguiu seus sonhos, trabalhou e seguiu a rotina que os preceitos da sociedade esperavam de você. Tentou agradar a todos e nunca fez o que realmente lhe era importante. Os filmes são mais do que 2 horas de diversão, são portas para algo maior que pode ser aplicado no trabalho, na escola, na faculdade, na familia, nas amizades, no amor, na sua forma de ver o mundo. Deixe Benjamim lhe ensinar um pouco das coisas que realmente valem a pena na vida. Quem sabe você não larga tudo e se junta a um barco pesqueiro como Gump e Button?