Sem dúvida Harrison Ford e Karen Allen estão velhos, mas isso não é motivo para não se fazer um ótimo Indiana Jones. O filme, até certa parte, trás toda a emoção, aventura e gags de um verdadeiro filme de Indiana Jones. Até o fato de lidar com o Puc (Puc é como Spielberg chamava seu "E.T." cabeçudo de Contatos Imediatos do 3º Grau), não estragou o inicio da aventura, pois a mensagem alienigena estava apenas implicita com um Dr. Jones sempre descrente das teorias de Cate Blanchet. Misticismo e sobrenatural sempre estiveram presentes nos filmes de Indy (a Arca da Aliança, o Templo da Perdição e o Santo Graal), mas neste eles se superaram no mau gosto.
Claro que há exageros como Shia LeBouf virando o personagem de Edgar Rice Burroughs (Tarzan seus incultos!) , a queda nas cachoeiras (pelo amor de Deus, nem tentaram disfarçar que filmaram em Foz do Iguaçu, pior que isso só as ruínas de Petra/Jordânia na Última Cruzada), as piadas previsíveis, os tiroteios que não acertam ninguém e a explosão nuclear (totalmente desnecessária), mas dá pra engolir e é um filmaço de Indiana Jones até que eles chegam no templo. Daí a coisa foge de controle...
Sei que é dificil manter um estilo antigo (afinal como artista, como você vai fazer a mesma arte de anos atrás? É impossível lembrar o seu conhecimento ou feeling a 15 anos, sempre vai ter algo de novo incomodando), mas trazer as caracteristicas de um blockbuster do ano 2000, para uma saga histórica que marcou o cinema nos anos 80, é um pecado muito grave. Eu já estava esperando nas cenas de ação começar a tocar uma música do Linkin Park ou do System of a Down como trilha da aventura.
Não siga adiante se ainda não viu o filme. Estes exageros aparecem nos enormes blocos que se movem, a sala dos E.T.s com esqueletos de cristal, a destruição de uma cidade de pedra inteira e pra piorar, um enorme disco voador. E pra chorar de agonia e fazer qualquer múmia, cavaleiro do Graal ou nazista rolar na cova, a explicação é de que são seres interdimensionais!! Camon people!!! Dá pra cair nessa? Estragaram o final de um bom filme com um absurdo.
Pelo jeito o único que acertou com estes "Revivals" foi Stallone com Rocky (por que o novo Rambo não é bom) que manteve o mesmo clima do primeiro filme. Quando vão aprender que se quiser fazer um novo filme de uma saga clássica, seja simples, pense pequeno, não tente fazer o melhor filme da saga ou a melhor película de todos os tempos. É tiro no pé na certa.
O filme diverte, é muito bom e vale a pena ver, mas sugiro esperar passar na Tela Quente ou Sessão da Tarde (isso mesmo, uam turma do barulho arrumando muita confusão), pois não passa de um filme tipo "passatempo". Se quiser ver um filme bom veja um filme da produtora Marvel Studios que entra este ano com todo o gás na indústria de filmes de super-heróis. E rezem para que Spielberg e George Lucas susseguem o facho e voltem a fazer apenas os filmes adultos que começaram a fazer na década de 90.
Crítica: Indiana Jones e a Caveira de Cristal
sábado, maio 24, 2008
Crítica: Pecados Inocentes
quinta-feira, abril 24, 2008
Sempre planejo minhas idas ao cinema controlando dias, horários e quantidade de filmes que vou ver, porém as melhores surpresas que tive foram quando eu resolvi do nada entrar em um cinema e ver qualquer coisa que estivesse passando. Isso funciona muito bem, principalmente quando são cinemas tipo os do grupo Estação que passa filmes fora do circuito blockbuster. Tente um dia, pare na porta de um cinema no meio do caminho e entre para ver aquele filme que você nunca ouviu falar antes.
Foi assim para mim quando vi o primeiro Jogos Mortais. O primeiro filme é um excelente filme de horror (as sequencias são podres, beirando ao ridiculo), e foi numa dessas que fui pego de surpresa, pois entrei para ver um filme qualquer e fiquei incomodado, nervoso, com medo, escondi a cara e todas as outras reações que um bom filme de terror ou horror devem oferecer. Mas não estou aqui para falar de Jogos Mortais.
Hoje fiz a mesma coisa e tive a oportunidade de ver o filme Pecados Inocentes (Savage Grace, 2007). Queria ver o filme My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado) mas ainda estava muito cedo, então vi outro filme antes, justamente Pecados Inocentes. Pecados Inocentes tem a aparência de filmes feitos na riviera francesa ou nas ruas toscanas, além de um elenco digno de peças de teatro inglesas. O filme remete a tragédias gregas e a filmes de Bertolucci, mas o que espanta mais é que é um caso baseado em fatos reais.
Isto me surpreendeu, pois depois do meio do filme, eu já estava reclamando do excesso de tragédias copiadas de contos, lendas, mitologia e filmes de diretores consagrados. Entretanto, eu estava muito errado... Apesar da ficção dentro da história, as principais cenas são reais. Se não quiser saber sobre o filme não leia o texto a seguir. Se quiser saber mais sobre a história real do personagem principal Antony, neto de Leo Baekeland, o inventor do baquelite (este plástico preto no cabo de sua panela que é usado em diversas indústrias) e responsável por tudo que temos de plástico em casa hoje em dia, consulte a Wikipedia.
Críitica: Morte no Funeral
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Existem diretores que não conseguem fazer filmes ruins. Não, eu não vou citar Spielberg, Lucas, Scorcese ou Copolla (apesar de gostar destes diretores), mas sim um gigante da tv e cinema que não é tão reconhecido quanto os demais colegas de profissão.
Frank Oz teve um inicio de carreira no mínimo curioso. Não vou me alongar em seus trabalhos, mas todos conhecem sua atuação com marionetes nos Muppets (a voz da Miss Pig é sensacional) e Sesame Street, além dos filmes "oitentistas" Cristal Encantado (Dark Crystal) e Labirinto (Labyrinth) com David Bowie e Jennifer Connelly. E não termina por aí, Frank Oz é responsável nos últimos 30 anos pela criação do personagem Yoda de Guerra nas Estrelas (Star Wars), tanto do boneco quanto da voz que insiste em falar ao contrário.
Como diretor, Frank Oz possui obras memoráveis como a versão mais nova de A Pequena Loja de Horrores (lembram da planta Audrey?), Nosso Querido Bob (com Bill Murray), Os Safados (Dirty Rotten Scoundrels) com Michael Caine e Steve Martin, A Chave Mágia (Indian and the Cupboard), Mulheres Perfeitas (Stepford wives), entre outros. Mas o que me trás hoje a escrever é o último filme, Morte no Funeral (Death at a Funeral), uma das melhores comédias que vi nos últimos 10 anos. Assim como todas as comédias, esta segue clichês básicos de Hollywood, mas quando você tenta dizer o que vai acontecer na cena seguinte, adivinhe só, você está completamente errado!!! Surpresas atrás de surpresas, Frank Oz surpreende com um elenco fantástico de atores, na maioria ingleses, e um humor negro impécável.
Infelizmente, os americanos não conseguem ver um filme estrangeiro fazer sucesso (neste caso inglês)m que já querem fazer um remake para os "idiotas" comedores de pipoca assistirem. É um pecado, mas Morte no Funeral será transformado em um filme hollywoodiano com o pior escalão dos atores afro-americanos, entre outros, Chris Rock, Tracy Morgan e Martin Lawrence protagonizam, enquanto a lista de coadjuvantes inclui Loretta Devine, Ron Glass, Danny Glover, Regina Hall, James Marsden, Zoe Saldana e Columbus Short. Mais uma vez o americano falha em nos mostrar que o americano comum não é estípido... Se é preciso mastigar um filme europeu pra eles entenderem, fazer o que né? Se bem que muitos tecnocratas e comedores de pipoca preferem um filminho mais boboca...
A ansiedade de comentar as cenas (da fantástica versão inglesa) é grande, mas posso estragar o filme contando mesmo que o mínimo. Você não vai encontrar este filme em Cinemark ou Kinoplex, procure nas Estações de cinema e unidades Arteplex na sua cidade. Fiquem com o trailer e não percam Morte no Funeral!!
O Cabelo de Louise Brooks
domingo, novembro 25, 2007
Para quem anda me perguntando quem é a mulher da imagem de fundo deste Blog, seu nome é Louise Brooks, atriz do cinema mudo americano, na época em que personalidades como Rodolfo (Rudolph) Valentino e Greta Garbo lotavam salas de cinema. Louise Brooks é um ícone do século XX, e seu cabelo uma marca.
A americana nascida no Kansas em 1906 foi bailarina nos musicais de Ziegfeld e estrelou 24 filmes entre 1925 e 1938. Neste período foi uma das atrizes mais famosas do mundo, sendo o seu filme mais famoso A Caixa de Pandora. Realizado na Alemanha em 1929 por G.W.Pabst, A Caixa de Pandora mostra a sensual Lulu (Louise) que se apaixona por uma Condessa (Garbo). Diz-se que nesse período Louise teve um caso com Greta Barbo. O filme foi um fracasso de bilheteria tanto na Alemanha quanto nos EUA, onde a interpretação de Louise foi considerada fraca por ser natural demais. Hoje é um dos maiores clássicos do cinema mudo.
Louise decidiu investir em sua carreira européia, mas realizou apenas outros dois filmes com Pabst e René Clair. Na sua volta para casa Hollywood a desprezou renegando-a a pequenos papéis em filmes B. Após anos de ostracismo e quase pobre, a bela e inteligente Brooks tornou-se escritora, escrevendo artigos nos anos 50, 60 e 70 para várias revistas de cinema. Em 1982 lançou o best seller Lulu em Hollywood, pouco antes de sua morte em 1985 na cidade de Rochester, Nova York.
Ultimamente, com seus filmes restaurados e lançados em DVD, com especiais na TV sobre sua vida e trabalho, e sites da Internet dedicados à ela, existe uma clara tentativa de reencontrar a magia e o fascínio que ela exerceu como nenhuma outra atriz do cinema. Talvez ela esteja finalmente começando a receber o merecido crédito por sua carreira e por sua coragem em ter sido a primeira mulher a desafiar os tubarões de Hollywood.
Louise é uma das minhas atrizes favoritas na história do cinema ao lado de Bettie Page, Lauren Bacall, Romy Schneider, e mais recentes como Zooey Deschanel, Chloe Sevigny e Jena Malone. O perfil de Louise é o símbolo da distribuidora brasileira Pandora Filmes (veja o link ao lado), e a banda OMD gravou em 1991 (inicio da minha adolescência) um vídeo inspirado em Louise Brooks onde estão diversas cenas extraídas do filme Pandora's Box.
Crítica: Leões e Cordeiros
sexta-feira, novembro 23, 2007
Uma pena que os bobões que frequentam cinema só por causa de propaganda e passatempo nem verão este filme. Nós sempre desconfiamos um pouco quando um ator resolve sentar na cadeira de diretor e começar uma carreira por trás das câmeras. Porém, muitos provaram que esta idéia errônea não se aplica em alguns casos. Robert Redford, Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima e Conquista da Honra), Sylvester Stallone e até alguns mais recentes como Zachary Braff (da série Scrubs, diretor de Garden State - Hora de Voltar), fizeram ótimas películas renovando o verdadeiro cinema, indo contra os clichês e fórmulas de fácil assimilação de Hollywood.
Durante o tempo do filme, 3 histórias acontecem em paralelo mostrando a hipocrisia, o descaso e a falta de engajamento da sociedade em geral, políticos, estudantes, professores e do povo. Não é o político o responsável pelo mal, pelas escolhas erradas, a falta de visão social do povo e a distorção e afastamento da realidade é a culpada pela condição do mundo.
A primeira história trata de um aluno inadimplente que insiste em faltar aulas mesmo tirando notas altíssimas nas provas. O professor (Robert Redford) dá uma lição de moral, mostrando não só sua preocupação com o aluno, mas a sua revolta com a banalização, com a forma como o estudante trata os acontecimentos do mundo e de seu país. A segunda história é uma jornalista (Meryl Streep) que revisita os seus valores e do jornal onde trabalha, após falar com um senador (Tom Cruise) responsável por ofensivas militares no Afeganistão. A terceira história são dois alunos do professor interpretado por Redford que por sua condição de "Outsiders" em uma universidade de estudantes ricos e brancos, se alistam no exército para mostrar que se importam, acabando ambos no Afeganistão.
Me surpreendi com este filme. Não chega aos pés de Todos os Homens do Presidente (além de ser totalmente ficcional) nem de Os 13 Dias que Abalaram o Mundo ou JFK, mas possui boas tiradas, partes para refletir e discutir e ainda, não insere no conteúdo da filmagem nenhum clichê barato de Hollywood como fez Babel, Crash ou Traffic (você sabe, clichês sobre ricos, pobres, preconceito, descaso, etc.). O fim não tenta explicar o filme, o que foi ótimo para o tema pois deixa ao espectador tirar suas próprias conclusões sobre: Qual a razão para viver? Qual a razão para morrer? Qual a razão para lutar? Qual a razão para resistir? ("quotando" o filme)
Vale a pena, não perca Leões e Cordeiros (Lions for Lambs) da 20th Century Fox, um filme bom entre tantas porcarias no cinema ultimamente. Aproveite enquanto pode, pois 2008 promete ser o pior ano do cinema nesta década por causa da greve de roteiristas (em andamento), atores e diretores (ano que vem). Para maiores informaçoes sobre a greve consultem os links ao lado sobre o Writers' Guild. Abraços a todos, keep the faith in the big screen!
Site oficial: http://www.lionsforlambsmovie.com
Crítica: Licença para Casar
quinta-feira, setembro 06, 2007
Você nunca imagina que um ator como Robin Williams fará um filme ruim, e aí chega Licença para casar. Uma imensa sequencia de clichês com elementos desgastados que você já vê em todas as comédias românticas, o que dá ao espectador uma sensação de "eu sei o que vai acontecer em seguida".
Não leve a mal, alguns atores como Mandy Moore, são iniciantes e podem melhorar no futuro, mas Robin não deveria fazer um filme assim (será que está precisando de dinheiro?). Um filme que você pode dizer sem dúvidas que foi "transformado por executivos de estúdio", aqueles burocratas que não acreditam em idéias originais e preferem garantir a bilheteria com fórmulas que já funcionam (e ainda fazem o favor de colocar todas as fórmulas no mesmo filme, assim nem Mãe Diná aguenta a quantidade de coisas previsíveis!).
Por exemplo, o padre que tenta ser engraçado, a criança que age como adulto, os robôs bebês que vomitam, peidam e arrotam, todo mundo dançando no final do filme, cenas dos bastidores (meu Deus, toda comédia agora precisa ter esse treco? Guarde para o DVD!) e principalmente algumas cenas que não fazem sentido no decorrer da história (como o garotinho arrombando um apartamento vestido como um bandido de desenho do Pica-pau).
A não ser que você queira medir o seu conhecimento de clichês de filme, não veja Licença para Casar. Guarde o dinheiro para ver outro filme (até por que o preço do cinema no Brasil já é um assalto) . Deus, como sinto falta das comédias dos anos 80.
Site oficial:http://licensetowedthemovie.warnerbros.com/
Site oficial Brasil:http://wwws.br.warnerbros.com/licensetowed/
You never think that an actor such as Robin Williams will do a bad movie, and then comes License to Wed. It doesn't even work as entertainment. It's a sequence of cliches, stuff that you 've already seen in all romantic comedies giving the film a sense of "I know what will happen next".
Don't take me wrong, of course the actors are begginers and they can improve in the future, but Robin shouldn't be doing a film like that. A film that you can say without a doubt, a film guided totally by executives, studio burocrats and dumb director and writers that only repeat formulas that made sucess in the past.
For example, the priest that tries to be funny, the kid that acts like a grownup, the robot babies, everyone dancing in the end (that really sucks on comedies), showing backstage in the end (save it for the DVDs guys!),and much more, specially scenes that don't make sense in the flow of the script.
Please, unless you want to measure your knowledge on romantic comedies like a psych telling what will happen next, save yourself from that movie, spare the ticket money and go see another movie such as Evan Almight (a studio movie but with a lot of surprises). Or wait friends! 'Cos this is one of he most terrible times I have ever seen in movies... Nothing good to watch and nothing that will last forever. God, I miss the 80s!
Crítica: A Chave-Mestra
sexta-feira, novembro 24, 2006
Muito boa história. Apesar de alguns clichês, o filme é interessante. Para quem é cinéfilo e lembra dos filmes de vudu da década de 80 como A Maldição dos Mortos-vivos com Bill Pullman, pode parecer um pouco repetitivo pois é um tema que já foi muito explorado pelo cinema. A atriz Kate Hudson está em alta no momento no cinema americano então nada mais coerente do que chamá-la para um filme de suspense da mesma forma como foi feito com Naomi Watts no filme O Chamado e Sarah Michelle Gellar no filme O Grito.
Mas tanto Kate quanto Naomi não possuem as características de uma mulher forte, meio detetive, meio “vou lutar para descobrir a verdade”...elas estão mais para modelos. Este filme mereceria uma Jodie Foster ou Claire Danes, afinal os filmes precisam de atrizes bonitas (Claire Danes pra quem não sabe fez O Exterminador do Futuro 3, A Estranha Família de Igby e começou sua carreira num seriado que passou no Brasil pelo canal Multishow).
Houve também um exagero na utilização da música de suspense e efeitos sonoros. Os filmes de suspense da década de 70 como O Iluminado eram bem silenciosos e assustavam muito mais. O fato também de terminarem o filme com uma “canção” de hihop estragou totalmente o clima de terror que se instalou nos espectadores, foi como dizer: - Ei, acabou! Vai pra casa e aluga outro!. É por isso que Walter Salles disse que nunca mais fará um filme de estúdio depois de Água Negra com a Jennifer Connely.
O restante não pode ser revelado se não estrago o filme. Ressalto que tudo o que disse aqui não afeta a apreciação do filme, mas se alguém entender o porquê da situação com os espelhos na casa, depois me explique, pois eu não entendi (vocês vão vir com uma explicação meio óbvia que eu também deduzi, porém, irei retrucar esta afirmação com um paradoxo...mas isso fica para depois que vocês assistirem o filme). Mas vale a pena ver o filme como passatempo de sessão da tarde, só não leve muito a sério.
Site oficial:
http://www.theskeletonkeymovie.com/
Sobre Deus
domingo, junho 25, 2006
"Quando eu era jovem, eu tinha muitas idéias sobre o que Deus era. Hoje entendo que não tenho consciência o suficiente para saber o que este conceito significa. Sei que sou um com o grande ser que me criou e me trouxe para cá e que criou as galáxias, o universo etc. Mas não é difícil a religião se aproveitar disso. Muitos dos problemas que a religião produziu através dos séculos vêm da concepção que a religião tem de Deus, ou seja, algo distinto de nós a quem devemos adorar, cultuar, agradar, esperando ser premiado no fim da vida. Deus não é isso, isto é uma blasfêmia.
Deus é uma coisa muito mais ampla, e apenas é muito associado à organização religiosa. E a religião assombra o mundo... Fez mal às mulheres, às pessoas oprimidas, ao World Trade Center. Ainda assim temos no mesmo ponto um resumo de uma grande ciência. A ciência que mais se aproximou para explicar o ensinamento de Jesus de que uma semente de mostarda era maior que o Reino dos Céus foi a física quântica.
Hoje temos uma incrível tecnologia. Imãs anti-gravitacionais, campos magnéticos, energia ponto zero, realidade virtual... Mesmo assim ainda temos um conceito retrógrado e supersticioso de Deus. As pessoas entram na linha quando ameaçadas por essas "sentenças cósmicas", pelo "castigo eterno". Mas Deus não é assim. E quando você começa a questionar tais retratações de Deus, as pessoas te taxam de agnóstico, um subversivo da ordem social. Deus é maior do que a maior das fraquezas do ser humano. E Deus precisa transcender a grandiosidade da habilidade humana de forma incrível para ser visto em seu absoluto esplendor? Como um homem ou uma mulher pode pecar contra algo tão supremo? Como pode uma pequena unidade de carbono na terra, no quintal da via Láctea, trair o Deus todo poderoso? É impossível. O tamanho da arrogância é o tamanho do controle daquelas que criam Deus à sua própria imagem.
Qual é o único planeta na via Láctea em que seus habitantes estão impregnados e subjugados pelas religiões? Você sabe o porquê disto? Como as pessoas estabelecem o que é certo e o que é errado? Se eu fizer isto, serei castigado por Deus. Se fizer aquilo, serei recompensado. Isso é uma descrição muito pobre que tenta mapear um caminho para seguirmos na vida, mas com resultados lamentáveis. Pois realmente não existe algo como "bom" ou "mau". Dessa forma estamos julgando as coisas de uma forma muito superficial.
Isso quer dizer que está tudo liberado e você está livre para pecar? Não!! Simplesmente significa que temos de aprimorar nosso entendimento com o que estamos lidando aqui. Existem coisas que eu faço e sei que me evoluem. Existem outras coisas que não vão me evoluir. Mas não há "bom" ou "mau". Deus não vai punir você por ter feito isso ou aquilo. Não existe um deus condenando as pessoas, senão, todos seriam Deuses, pois todos criticam uns aos outros. Da mesma forma que Deus é um nome utilizado pela massa para explicar as experiências que temos no mundo que de alguma forma são transcendentais, que de alguma forma são sublimes.
Eu não faço idéia do que Deus seja exatamente... Contudo, eu acredito que Deus exista e que é muito real. Só não sei como definir Deus... Ver Deus como uma pessoa, ou como algo ... bem, eu não sei como explicar. Pedir para um ser humano explicar o que é Deus é o mesmo que pedir para o peixe explicar a água em que nada. Somos pessoas que estão construindo a fé, e temos que seguir por este caminho até o dia em que iremos amar o intangível da mesma forma que amamos nossos vícios. A única maneira de estar sempre bem comigo mesmo não é cuidando só do que sou, mas sim cuidando da minha mente, questionamentos e interpretações. "
Anos 80 - A Peça
sábado, abril 01, 2006
Eu nasci em 1979. Um ano antes, o general Ernesto Geisel acabou com o AI-5, restaurou o habeas-corpus e abriu caminho para a volta da democracia no Brasil. Numa época de incertezas e esperanças, o governo Figueiredo trás de volta políticos, artistas e demais brasileiros exilados por crimes políticos. Nos anos que se seguiram, apesar de alguns atentados, vimos à volta do pluripartidarismo, movimento de diretas já, fortalecimento de sindicatos, e, entre outras coisas, a abertura e liberdade conquistada pela juventude. Foi neste contexto que eu nasci... Filho da revolução? Sim. Filho de uma geração que desde a Revolução de 64, lutou para termos uma infância melhor.
Esta introdução foi necessária por que nunca havia visto a minha pessoa e meus amigos desta forma. A liberdade cultural que os jovens viveram quando éramos crianças nos trouxe lembranças para a vida toda. Desde um doce diferente, programas de TV, até as festinhas americanas na escola, os Anos 80 foram o "boom", uma efervescência de produtos, marcas, modas, manias e músicas que nunca vamos esquecer. Por isso digo para vocês, não deixem de ver "Anos 80: A Peça" de Cristina Fagundes.
Anos 80: A Peça trouxe de volta muitas coisas, às quais alguns já haviam esquecido devido a vida tribulada de adulto. As frases célebres de heróis de desenhos animados, apresentadoras de programas infantis, programas do Silvio e Chacrinha, os cantores e músicas da época (muitos esquecidos como Naim, Rosana, Trem da Alegria, entre outros), o aumento absurdo de preços na época da inflação, a moda da época, brinquedos (o Batman com o Cubo Mágico é fora de série), as festinhas americanas em que a gente ficava com vergonha de chamar a menina mais bonita do colégio para dançar, os cabelos arrepiados na escola, as frases de comerciais da TV, o We Are the World na televisão, entre outras coisas que me fizeram rir horrores durante uma hora e meia de peça! Nem um pouco cansativo, pelo contrário, platéia cheia, rindo o tempo inteiro e aplaudindo de pé no final.
O que mais me impressionou foi o improviso dos atores na parte em que interagem com a platéia imitando os programas do Silvio Santos e Chacrinha. A cada tirada da platéia o elenco soltava uma nova piada na medida exata para fazer rir. O mais interessante foram os próprios estarem se divertindo com toda a encenação e não conseguirem segurar o riso junto ao público.
Ao lado do palco um telão passava, durante intervalos de 2 a 3 minutos, cenas da época, clips, entrevistas (inclusive uma com o Luciano Nassyn do Trem da Alegria), cenas de filmes, seriados, programas, entre outros.
Apesar de sentir falta de algumas coisas da minha infância que não foram representadas na peça, todo o elenco e direção estão de parabéns. Espero que a peça sempre se renove acrescentando novas "sketchs", outros assuntos e modismos dessa época maravilhosa.
Corrijam-me se encontrarem erros acima, deixo aqui o resumo para quem ainda não assistiu: "Quem não se lembra de como foram divertidos os anos 80? Das ombreiras enormes, do Chacrinha, do He-Man, de Guerra nas Estrelas e da Ilha da Fantasia? E quem nunca foi ao Tívoli Parque ou cantou Eduardo e Mônica? Anos 80: A peça veio para matar a saudade dessa década inesquecível! Direção e texto de Cristina Fagundes, com Marcelo Dias, Zé Guilherme Guimarães, Cristina Fagundes e Marcella Figueira”.