É tosco, é nostálgico e é muito triste... Na última terça-feira morreu o ator Julius Carry III. Nostálgico? Sim!! Julius era o Shogun do Harlem no filme do Último Dragão (1985), aquele clássico da sessão da tarde que apresentava a batalha entre Julius Carry e Bruce Leroy. Julius também teve pequenos papéis na TV e alguns bem conhecidos como o Bowler do seriado Western Brisco County Jr. (1994), trabalhando ao lado de Bruce Campell (aquele ator de Uma Noite Alucinante). Vai deixar muita saudade para todas as crianças dos anos 80.
Morre o Shogun do Harlem
sexta-feira, agosto 22, 2008
Morre Dercy Gonçalves
domingo, julho 20, 2008
Quem me conhece sabe que não sou muito fã de filmes nacionais, principalmente por causa da falta de experiência dos atores nacionais com o cinema, trazendo aquelas interpretações falsas e exageradas para a tela grande, o que não tem nada a ver...
Entretanto, a comédia é algo que se for bem feito, a interpretação dramática passa de longe e pode ser colocada de lado uma vez que até mesmo Jerry Seinfeld dava seu sarcasmo nas piadas do programa lembrando ao espectador que se tratava e um programa de TV com atores. E a comédia nacional também era assim. Por causa do meu pai acabei me acostumando com grandes filmes e grandes nomes como Grande Otelo, Mazzaropi, Catalano, Badaró e Dercy Gonçalves.
Dolores Gonçalves Costa, (Santa Maria Madalena - 1907) surgiu no teatro de revista, e fez muitos filmes e ficou famosa nas décadas de 1950 e 1960. Celebrada por suas entrevistas irreverentes, bom humor e palavrõeso, foi uma das maiores expoentes do teatro de improviso no Brasil. Abaixo coloquei a filmografia da Dercy. Vale a pena ver algumas pérolas do cinema nacional, principalmente para ver como eram cenários, locais, roupas, carros, as cidades e costumes brasileiros nos anos 50 e 60.
1943 - Samba em Berlim
1944 - Abacaxi Azul
1946 - Caídos do Céu
1948 - Folias Cariocas
1956 - Depois Eu Conto
1957 - Feitiço do Amazonas
1957 - A Baronesa Transviada
1957 - Absolutamente Certo
1958 - Uma Certa Lucrecia
1958 - A Grande Vedete
1959 - Cala a Boca, Etelvina
1959 - Minervina Vem Aí
1960 - Entrei de Gaiato
1960 - A Viúva Valentina
1960 - Só Naquela Base
1960 - Dona Violante Miranda
1960 - Com Minha Sogra em Paquetá
1963 - Sonhando com Milhões
1970 - Se Meu Dólar Falasse
1980 - Bububú no Bobobó
1983 - O Menino Arco-Íris
1993 - Oceano Atlantis
2000 - Célia & Rosita
Efeitos Não-digitais
terça-feira, julho 15, 2008
Hoje em dia é moleza falar sobre efeitos especiais no Brasil principalmente por causa de comerciais conhecidos com tartarugas dançantes, filmes como O Coronel e o Lobisomem, produções da Globo com um fantástico trabalho de compositing ou até mesmo os Mutantes da TV Record (bem, nem tudo tem tem qualidade, muitos deixam óbvio de forma tosca o uso do 3D, mas vale a tentativa).
Entretanto efeitos especiais , como sabem os entusiastas, não é feito só de pixels e polígonos, e nem de cromaquis verdes e azuis nos softwares Inferno, Combustion ou Motion. Efeitos deslizam desde simples objetos de cena até as mais complexas maquiagens, fantoches, cenas de ação, acidentes, dublês, fachadas de cidades, robôs, plataformas hidráulicas, tanques para filmagem de ocenanos, pirotecnica, sonoplastia, entre outros efeitos que passam despercebidos hoje em dia se não tiverem o brilho da renderização (que até hoje evita cenários abertos e claros pois os modelos 3D ficam mais que evidentes).
O Brasil entretanto não está longe desta realidade. Pelo contrário. Desde muito tempo, dos filmes de Zé do Caixão aos Trapalhões, das produções da Globo aos infantis do SBT, os efeitos chamados "mecânicos", as maquiagens especiais (como as de Rick Baker?), sonoplastia, e as famosas props são utilizadas aqui desde muito tempo. Pode-se citar alguns nomes no Brasil como Eric Rzepecki (maquiagem), Antônio Faya (sonoplastia) e Gabriel Queiroz (efeitos mecânicos, bonecos e miniaturas). Infelizmente só tenho infrmações sobre Gabriel Queiroz. Tentei pegar o minimo de informações possível da internet e mais de livros e arquivo.
Gabriel Queiroz começou em 1967 e durante muito tempo foi responsável pelo núcleo de efeitos especiais da Rede Globo. Possui trabalhos memoráveis como a explosão da Dona Redonda (é, também não é da minha época), flechadas na novela A Rainha Louca, capotagem de carros, incêndios cenográficos, explosões grandes e pequenas (reais e com miniaturas) e os trabalhos ao lado de Phillipe Laurente como em Pindorama e Sinal de Alerta. Mais informações podem ser encontradas no livro Melhores Momentos: A Telenovela Brasileira ou entrem em contato comigo que eu passo mais detalhes.
Bem, eu nunca fui muito fã de novelas, mas sem dúvida era um espectador assíduo da finada TV Colosso. Um trabalho incrivel feito com a ajuda de magos amercianos e ingleses com experiência em programas como o Muppet Show e Sesame Street (não é o Vila Sésamo da Sônia Braga não hein! Que aliás não é da minha época! rs...). Como estamos falando de efeitos mecânicos, os puppeteers, ou titereiros, não podiam ficar de fora. Roberto Dornelles e Billy Accioly fizeram um trabalho incrível na produção do programa com a parceria de empresas como a Inventiva (http://www.inventiva.com.br/), o grupo 100 Modos de Teatro de Bonecos, Criadores e Criaturas, não esquecendo do diretor Luiz Ferré.
Vocês não sabem como é dificil encontrar material sobre isto no Brasil, mas posso citar para terminar a Fixxon (http://www.fixxon.com.br/) ... Pode deixar que a busca continua e fiquem ligados aqui no blog para atualizações. Vou tentar descobrir quem mais fez e/ou faz efeitos não-digitais no Brasil. Se souberem de algo me passem que irei publicar aqui mesmo.
Veja Videos de efeitos especiais: http://www.youtube.com/view_play_list?p=437357C02690CB16
Crítica: A Outra (The Other Boleyn Girl)
sexta-feira, julho 04, 2008
Já sabia há algum tempo sobre o filme "A Outra" (The Other Boleyn Girl) por causa de Natalie Portman, uma excelente atriz e uma pessoa super inteligente e simpática (formada em psicologia, a menina fala diversas línguas e é bem engraçada, como pude ver na entrevista com James Lipton no Inside the Actors Studio). Entretanto estava adiando ver este filme e quase o perdi no cinema. Normalmente filmes assim, quando não vejo no cinema, acabo não vendo em lugar algum pois não sou muito fã de locadoras como era na minha infância.
Apesar do defeito de tentar mostrar uma outra época e cultura com trejeitos e comportamentos que provavelmente só surgiram na "cultura humana" no século XX, principalmente após as duas grandes guerras, o filme é uma aula de teatro, uma aula de interpretação, uma trama muito bem arquitetada e uma romantização de uma história trágica que é amenizada em um drama de qualidade.
Quando me refiro a "cultura humana" me refiro ao modo de pensar, ao modo de tratar as mulheres, o modo de comer, o jeito de se mover, as idéias da época e a romantização do amor romântico, típica do ocidente do pós-guerra e não de uma época em que a vida era dura, cruel, dificil e traiçoeira.
Já havia visto o documentário da BBC sobre as esposas de Henrique VIII, na verdade conheci a história na minha adolescência quando na ânsia de adquirir álbuns de artistas de rock progressivo tive contato com a banda de Jon Aderson chamada YES, consequentemente depois comprei algumas obras do tecladista e pianista de rock Rick Wakeman. Wakeman tem um álbum todo dedicado as esposas de Henrique VIII, Ana bolena, Catarina de Aragão, Jane Seymour, etc. um pouco antes de sair o filme também pude ler o livro de Antonia Fraser traduzido para o português.
O tema portanto não me é novo, mas vê-lo sob a ótica do cinema sempre é uma experiência diferente, principalmente por que ádaptações para a grande tela tendem a modificar pontos históricos importantes, apesar de muitas vezes não serem relevantes (por exemplo em Elizabeth com Cate Blanchet, na época de Elizabeth ninguém usava a cor azul nas roupas mas o diretor insistiu que o figurino fosse feito destacando o azul, totalmente contra a retratação fiel da época).
Ainda não sei por que o brasileiro é meio burrinho e fica querendo traduzir nomes próprios como Nova York, Hamburgo, Munique, etc., mas nome de gente é pior ainda... A inglesa Anne Boleyn recebe o nome de Ana Bolena nas midias nacionais, mas isso não é importante hoje. Anne Boleyn foi a segunda esposa de Henrique VIII, irmã de Mary Boleyn (amante do rei) e mãe da mulher que se tornaria a maior rainha de todos os tempos, a ruiva Elizabeth.
Na verdade Anne era mais nova que Mary e não era considerada muito atraente, apesar de no filme mostrarem o contrário. Anne entretanto foi uma mulher de personaldiade forte e muito carismática que foi responsável por uma aproximação forte entre França e inglaterra no século XVI.
Lamentável é que os cinemas do grupo estação no Rio de Janeiro apresentam seus filmes como se fossem aquelas fitas de locadora adaptadas para passar em uma TV de tubo de tela quadrada. Nenhum dos filmes que vi ultimamente nos cinemas do Grupo Estação preenchiam toda a tela do cinema, apenas o centro da tela, mostrando uma imagem quadrada, talvez até mesmo cortada nas lateriais, perdendo aquele efeito do verdadeiro cinema, o "Widescreen".
As Plantas Contra-atacam
quinta-feira, julho 03, 2008
Entretanto foi ótimo conhecer o "conceito" do filme, mesmo que não tenha atendido às expectativas. A idéia é muito boa, porém mal desenvolvida, especialmente no que tange às explicações cientificas do fenômeno. Coisa básica que Spielberg sabe desde Contatos imediatos e Jurassic Park, não basta um diretor e/ou roteirista escrever um roteiro, as informações cientificas contidas na película não podem ser explicações de livros de 2º Grau... Eles ainda têm a coragem de colocar uma espécie de especialista aparecendo em jornais de TV durante o filme falando coisas primárias como Maré Vermelha, o vento bate e árvore libera sementes, coisas desse tipo... É absurdo não haver uma pesquisa para pelo menos utilizar termos científicos a nível universitário e teorias atuais. O roteiro inteiro é baseado no que Shyamalan se lembra da escola.
"Fim dos Tempos", ou "What happened to The Hapenning"? Apesar dos pequenos clichês inseridos de forma sutil na trama e de cenas inverossímeis para um filme que se propõe a mostrar algo de estranho invadindo a vida real, Fim dos Tempos é um bom filme. Claro que a escolha do título pela distribuidora mais uma vez ganha o prêmio de cagada do ano (que são muitas durante todo o ano). Ainda acham que o público brasileiro é estúpido para entender um nome que não explica o conteúdo do filme. Bem, o nome do filme em inglês é "The Happening", ou O Acontecimento, O Evento, ou até mesmo A Aparição dava pra engolir (apesar de ser o nome dado àquele filme do Charlie Sheen que passava no SBT quando você era criança). Mas o titulo escolhido não tem absolutamente nada a ver com o conceito do filme.
M. Night Shyamalan é um diretor de um filme só (lê-se O Sexto Sentido), e mesmo tentando ele não consegue emplacar um ótimo filme novamente. Claro que alguns vão gostar, mas quem gosta de filme assim são pessoas que vão ao cinema só para passar o tempo, no máximo uma vez por mês e sem a capacidade de desenvolver uma visão crítica ou comparativa dos filmes ou midias que vê, lê ou escuta.
Para terminar é sempre um prazer ver a linda Zooey Deschanel no cinema, os grandes olhos azuis em tela gigante que me deixam maluco! O papel dela no filme é totalmente diferente das personagens que ela interpretou em outros filmes, sempre sarcásticas, irônicas e cheias de atitude. Foi mais o papel mesmo da Girly Girl esperando ser salva pelo pacato Mark Walhberg. Pena que o John Leguizamo apareceu tão pouco, pois é um ator fantástico mal aproveitado pelo cinema americano, talvez por seu visual latino sem apelo às mulheres como Antônio Bandeiras (vai acontecer a mesma coisa com Javier Barden, vocês vão ver, logo vai ser colocado sempre em papéis de coadjuvante).
(1) http://www.omelete.com.br
(2) http://www.collider.com/
(3) Early Review
Morre George Carlin
terça-feira, junho 24, 2008
Morre mais um grande artista nos últimos dias... George Carlin morre aos 71 anos. Grande colaborador dos filmes de Kevin Smith, e muito conhecido no meio cult como o Rufus dos filmes de Bill e Ted (aqueles com Keanu Reeves e Alex Winter), Carlin participou também de filmes como O Príncipe das Marés, Car Wash, além de fazer diversas vozes em animações como Tarzan II e no seriado dos Simpsons.
Já estou de saco cheio de escrever sobre mortes nos últimos dias. É aí que você começa a ver que está envelhecendo, quando todos estes artistas fantásticos começam a ir embora dando lugar a uma nova geração que talvez não tenha nem metade do talento e criatividade destas inesqueciveis figuras do cinema e da TV americana.
Morre Cyd Charisse
quarta-feira, junho 18, 2008
Quando era pequeno não entendia muita coisa de cinema (óbvio), mas claro que como toda criança, eu gostava dos filmes da sessão da tarde e das aventuras no cinema (Howard O Pato, Labirinto, De Volta para o Futuro, Caça-fantasmas, entre outros). Mas o que era fora do comum eram três tipos de gosto que eu desenvolvi na infância, o primeiro por filmes de terror, o segundo por filmes de guerra e o terceiro por clássicos, principalmente musicais. Costumava ficar acordado até tarde com minha mãe ou sozinho (meus pais nunca encrencaram com horário de dormir), para ver Cantando na Chuva, O Mágico de Oz, Ben-hur, Quo Vadis, Spartacus, Mary Poppins, Noviça Rebelde, entre outros clássicos que passavam perto de dias de festas como Natal, Ano-novo, Páscoa, etc.
Claro que vi Cantando na Chuva diversas vezes nessa época, e essa introdução foi necessária para dizer que uma de minhas cenas preferidas (ao lado daquela de Donald O'Connor cantando Make'em Laugh), era a cena chamada de Lullaby of Broadway, ou Broadway Melody (também Melody Ballet), onde aparecia a mulher mais linda do mundo e as mais belas pernas do cinema (até então). Eu ficava vidrado naquela mulher de cabelos tipo Louise Brooks, o que em associação a outras imagens de filmes pode ter influenciado fortemente o meu gosto por certo tipo de mulheres (será que filmes podem influenciar os pares que você escolhe?). Foi a primeira mulher a conseguir uma apólice de seguros por suas pernas.
Esta semana está braba para o mundo do cinema. Primeiro foi um dos meus "espelhos" profissionais Stan Winston, que morreu de câncer, agora esta mulher que mexeu com muitos marmanjos nos anos 40 e 50, morreu aos 86 anos de ataque cardíaco. A "Bela Dinamite" como era chamada por Fred Astaire, Cyd Charisse (nome real Tula Ellice Finklea) nasceu no Texas e começou no cinema em 1943 em Something to Shout About. Fez filmes com Fred Astaire, Don Ameche, Gene Kelly, entre outros, e até o final da vida ainda fazia peças na Broadway como Grand Hotel em 1992.
O cinema perde mais uma grande artista, mas seu trabalho continua a povoar nosso imaginário. Tomara que nenhum estúdio resolva refilmar estes clássicos jogando no lixo o valor desta obras para o cinema mundial. Agora vejam as fotos de Cyd Charisse pra ver que eu não menti, não estava brincando, era gata paca!


Morre Stan Winston
terça-feira, junho 17, 2008
Neste domingo dia 15 de Junho de 2008, morreu de câncer nos E.U.A. aos 62 anos o grande mago dos efeitos especiais Stan Winston. Desde os anos 70, Stan e sua equipe criaram personagens memoráveis e influenciou a vida e carreira de centenas de diretores, produtores, atores, atrizes, outros artistas e principalmente, toda essa geração atual que trabalha com a magia do cinema, a criação do fantástico, o trabalho com efeitos visuais.
Este gênio do cinema, amigo de Fay Wray e colaborador de James Cameron, Steven Spielberg, George Lucas, John Favreau, Tim Burton, entre outros, é responsável por figuras icônicas como o exoesqueleto do Exterminador do Futuro, os animatronics dos filmes de Alien de Ridley Scott a James Cameron (design de H.G. Giger), os dinossauros gigantes dos filmes de Jurassic Park, a versão "black" do Mágico de Oz com Michael Jackson, o Predador, Edward Mãos-de-Tesoura, Batman, Entrevista com o Vampiro, Planeta dos Macacos, Jumanji, Zathura, Intaligência Artificial, a armadura do Homem-de-ferro, entre muitas outras maquiagens, robôs, animatronics e marionetes, criaturas que ficarão para sempre no imaginário de quem gosta de cinema. O Blog Vida de Cinema deixa aqui esta homenagem a este grande homem de cinema, um dos poucos que conseguiu deixar a sua marca na história do cinema no ramo de efeitos visuais.
Stan deixa para trás uma empresa com um backgroud fantástico (http://www.stanwinstonstudio.com) e um livro que todos que gostam de cinema deveriam ter (http://www.amazon.com/Winston-Effect). Eu comprei este livro a 2 anos e nunca me arrependi. Um grande abraço Stan, onde quer que você esteja.
Crítica: Hulk (Edward Norton)
domingo, junho 15, 2008
Assim como no filme do Homem-de-ferro, o filme do Hulk procurou ser fiel aos quadrinhos, mas distanciando-o ao máximo da "sensação de quadrinhos" para tentar tornar a história do gigante esmeralda uma experiência que poderia acontecer enquanto você lê este texto. Apesar de Edward Norton se declarar um fã, o diretor Louis Leterrier fala claramente que nunca foi de ler as histórias de Hulk, mas era um grande fã do antigo seriado com Bill Bixby,´por isso neste filme o que se vê é muito parecido com a série de TV, Bruce Banner fugindo e se escondendo enquanto o exército americano o persegue por todo o mundo (a primeira sequencia do filme é bem longa e foi toda feita na favela Tavares Bastos no Rio de Janeiro com panorâmicas de helicóptero da Rocinha).
Muitos criticos estão dizendo que Hulk não chega aos pés de Homem-de-ferro, porém acho que se iguala em qualidade sim, prende bastante a atenção e mostra o que promete. Ficamos ainda mais curiosos para saber o que há nos 70 minutos que Leterrier disse ter cortado da edição final. A única crítica que tenho é em relação ao Brasil tratar estes filmes (como Narnia também) como filmes para crianças. Filmes de super-heróis e filmes como Nárnia estão saindo no Brasil em versão dublada e sem censura quando os mesmos filmes no Estados Unidos são lançados como PG13 (maiores de 13 anos). Isso gera cenas um pouco engraçadas (se não fossem tristes) de pais impressionados, olhando de rabo de olho para ver a reação da criança perante a violência, ou mesmo escondendo os olhos da criança durante o filme.
Estes pais, e mesmo aqueles que não conhecem quadrinhos ou livros de fantasia, têm que acordar para perceber que boa parte das obras em quadrinhos e da literatura fantástica não são histórias de criança! Pelo contrário, são pesadas, violentas e em alguns casos com cenas picantes. Aposto que nas primeiras cenas em que Hulk é metralhado de forma assustadora pelo exército americano dentro de uma fábrica, ou quando Bruce tenta se controlar durante o sexo com Betty, muita mãe se arrependeu de levar a criança... percam essa idéia!! Quadrinhos não são sempre coisa de criança (como veremos no filme Procurado com Angelina Jolie e James McAvoy).
SPOILERS, cuidado! Demais, as referências estão presentes em massa neste novo Hulk, a SHIELD inclusive é citada o tempo inteiro, até mesmo como patrocinadora das atividades do exército e da universidade de Betty. Stan Lee é o cara infectado no Brasil, por isso descobrem o paradeiro do Hulk. Lou Ferrigno (o Hulk da antiga série de TV) é o guarda da universidade onde Betty Ross trabalha, além de fazer a voz do golias verde nas poucas falas do filme. O Dr. Samuel Stern (o Líder, personagem cabeçudo do universo Marvel) está lá, e ao final cai aquela gotinha do sangue de Banner na cabeça dele (nos quadrinhos não é Stern, mas Samson que representa o Mr. blue. Samson é um médico psiquiatra infectado por um quantidade baixa da radiação, que ajuda Banner a lidar com o monstro. Ele tem apenas o cabelo verde e é bem forte).
Ao final do filme Bruce finalmente consegue se esconder e passa a controlar melhor o monstro, daí assume uma identidade falsa ao enviar uma carta para Betty, com o nome de David Banner (o nome de Bruce trocado na antiga série de TV para David). Para terminar as referências óbvias, Tony Stark aparece ao final do filme (você não precisa esperar os créditos terminarm) consolando o General Ross que afirma que nenhuma arma pode pegar o grande homem verde. Tony diz para o General que na verdade há algo sim, pois eles estão tentando formar uma equipe (referência aos Vingadores).
SPOILERS, quase esqueci! Sabe quando dizem que áparece o Capitão América? O que realmente aparece é o soro do supersoldado. Quando Emil Blomsky questiona o General Ross sobre a origem do monstro, este fala de um antigo programa que existe desde a 2ª Guerra para desenvolver o soldado perfeito. Na verdade Banner trabalhava numa continuação deste programa sem saber, Bruce achava que trabalhava numa nova forma de restaurar tecidos ou curar pessoas (algo assim). Ross pergunta a Blomsky se ele quer testar uma nova fórmula para o combate com o Hulk, Blomsky aceita e enfrenta o Hulk cara-a-cara dando saltos, ágil como um "Capitão América". Ele só se transforma no Abominável quando ameaça o Dr. Stern para injetar o sangue de Bruce nele.
Você também vai ouvir a música melancólica do seriado de TV que mostrava a angústia de Bruce em achar uma cura e não poder viver uma vida normal, nem com seu amor. O que chama mais atenção a quem leu histórias recentes nos quadrinhos são as referências a história Split Decisions (Mente Sombria, Coração das Trevas), escrita por Bruce Jones e ilustrada nos E.U.A. pelo brasileiro Mike Deodato, de onde saíram essas conversas entre Mr. Blue e Mr. Green e a fuga de Bruce, com direito a um monstro deformado muito parecido com a versão do Abominável para o cinema (o Abominável nos quadrinhos parece mais um grande peixe humanóide). Para terminar as referências menos óbvias, Leterrier faz referência a alegoria da caverna de Platão, presente na obra A República (livro VII):
Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira.
Os prisioneiros julgam que essas sombras eram a realidade. Um dos prisioneiros decide abandonar essa condição e fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. Aos poucos vai se movendo e avança na direção do muro e o escala, com dificuldade enfrenta os obstáculos que encontra e sai da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza. A referência a obra de Platão acontece quando Hulk e Betty se escondem numa caverna na floresta e logo depois Bruce descreve no carro a sensação de se transformar no monstro como algo de outra realidade, o que aos poucos até o final do filme ele descobre que pode controlar.
Para terminar esse longo texto, vá ver o filme. Vale a pena mesmo que você não perceba as referência e se nuna foi fã de quadrinhos na adolescência. Claro que a experiência fica mais interessante se você conhecer as referências, mas o filme é bom e desmistifica a aura de "nerdismo" dos quadrinhos, atraindo pessoas que tem preconceito pelos quadrinhos para ver um filme que é derivado de um dos personagens mais clássicos da casa de idéias da Marvel. Boas histórias vêm de filmes, quadrinhos, livros, desenhos animados, qualquer mídia pode ser utilizada, portanto o preconceito e hipocrisia em relação a certas mídias deve acabar, afinal se você acha quadrinhos e desenhos coisa de crianças e nerds, para que você perde seu tempo com tanta avidez para ver o filme? Pense nisso...
Crítica: Indiana Jones e a Caveira de Cristal
sábado, maio 24, 2008
Sem dúvida Harrison Ford e Karen Allen estão velhos, mas isso não é motivo para não se fazer um ótimo Indiana Jones. O filme, até certa parte, trás toda a emoção, aventura e gags de um verdadeiro filme de Indiana Jones. Até o fato de lidar com o Puc (Puc é como Spielberg chamava seu "E.T." cabeçudo de Contatos Imediatos do 3º Grau), não estragou o inicio da aventura, pois a mensagem alienigena estava apenas implicita com um Dr. Jones sempre descrente das teorias de Cate Blanchet. Misticismo e sobrenatural sempre estiveram presentes nos filmes de Indy (a Arca da Aliança, o Templo da Perdição e o Santo Graal), mas neste eles se superaram no mau gosto.
Claro que há exageros como Shia LeBouf virando o personagem de Edgar Rice Burroughs (Tarzan seus incultos!) , a queda nas cachoeiras (pelo amor de Deus, nem tentaram disfarçar que filmaram em Foz do Iguaçu, pior que isso só as ruínas de Petra/Jordânia na Última Cruzada), as piadas previsíveis, os tiroteios que não acertam ninguém e a explosão nuclear (totalmente desnecessária), mas dá pra engolir e é um filmaço de Indiana Jones até que eles chegam no templo. Daí a coisa foge de controle...
Sei que é dificil manter um estilo antigo (afinal como artista, como você vai fazer a mesma arte de anos atrás? É impossível lembrar o seu conhecimento ou feeling a 15 anos, sempre vai ter algo de novo incomodando), mas trazer as caracteristicas de um blockbuster do ano 2000, para uma saga histórica que marcou o cinema nos anos 80, é um pecado muito grave. Eu já estava esperando nas cenas de ação começar a tocar uma música do Linkin Park ou do System of a Down como trilha da aventura.
Não siga adiante se ainda não viu o filme. Estes exageros aparecem nos enormes blocos que se movem, a sala dos E.T.s com esqueletos de cristal, a destruição de uma cidade de pedra inteira e pra piorar, um enorme disco voador. E pra chorar de agonia e fazer qualquer múmia, cavaleiro do Graal ou nazista rolar na cova, a explicação é de que são seres interdimensionais!! Camon people!!! Dá pra cair nessa? Estragaram o final de um bom filme com um absurdo.
Pelo jeito o único que acertou com estes "Revivals" foi Stallone com Rocky (por que o novo Rambo não é bom) que manteve o mesmo clima do primeiro filme. Quando vão aprender que se quiser fazer um novo filme de uma saga clássica, seja simples, pense pequeno, não tente fazer o melhor filme da saga ou a melhor película de todos os tempos. É tiro no pé na certa.
O filme diverte, é muito bom e vale a pena ver, mas sugiro esperar passar na Tela Quente ou Sessão da Tarde (isso mesmo, uam turma do barulho arrumando muita confusão), pois não passa de um filme tipo "passatempo". Se quiser ver um filme bom veja um filme da produtora Marvel Studios que entra este ano com todo o gás na indústria de filmes de super-heróis. E rezem para que Spielberg e George Lucas susseguem o facho e voltem a fazer apenas os filmes adultos que começaram a fazer na década de 90.
Crítica: Pecados Inocentes
quinta-feira, abril 24, 2008
Sempre planejo minhas idas ao cinema controlando dias, horários e quantidade de filmes que vou ver, porém as melhores surpresas que tive foram quando eu resolvi do nada entrar em um cinema e ver qualquer coisa que estivesse passando. Isso funciona muito bem, principalmente quando são cinemas tipo os do grupo Estação que passa filmes fora do circuito blockbuster. Tente um dia, pare na porta de um cinema no meio do caminho e entre para ver aquele filme que você nunca ouviu falar antes.
Foi assim para mim quando vi o primeiro Jogos Mortais. O primeiro filme é um excelente filme de horror (as sequencias são podres, beirando ao ridiculo), e foi numa dessas que fui pego de surpresa, pois entrei para ver um filme qualquer e fiquei incomodado, nervoso, com medo, escondi a cara e todas as outras reações que um bom filme de terror ou horror devem oferecer. Mas não estou aqui para falar de Jogos Mortais.
Hoje fiz a mesma coisa e tive a oportunidade de ver o filme Pecados Inocentes (Savage Grace, 2007). Queria ver o filme My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado) mas ainda estava muito cedo, então vi outro filme antes, justamente Pecados Inocentes. Pecados Inocentes tem a aparência de filmes feitos na riviera francesa ou nas ruas toscanas, além de um elenco digno de peças de teatro inglesas. O filme remete a tragédias gregas e a filmes de Bertolucci, mas o que espanta mais é que é um caso baseado em fatos reais.
Isto me surpreendeu, pois depois do meio do filme, eu já estava reclamando do excesso de tragédias copiadas de contos, lendas, mitologia e filmes de diretores consagrados. Entretanto, eu estava muito errado... Apesar da ficção dentro da história, as principais cenas são reais. Se não quiser saber sobre o filme não leia o texto a seguir. Se quiser saber mais sobre a história real do personagem principal Antony, neto de Leo Baekeland, o inventor do baquelite (este plástico preto no cabo de sua panela que é usado em diversas indústrias) e responsável por tudo que temos de plástico em casa hoje em dia, consulte a Wikipedia.
Críitica: Morte no Funeral
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Existem diretores que não conseguem fazer filmes ruins. Não, eu não vou citar Spielberg, Lucas, Scorcese ou Copolla (apesar de gostar destes diretores), mas sim um gigante da tv e cinema que não é tão reconhecido quanto os demais colegas de profissão.
Frank Oz teve um inicio de carreira no mínimo curioso. Não vou me alongar em seus trabalhos, mas todos conhecem sua atuação com marionetes nos Muppets (a voz da Miss Pig é sensacional) e Sesame Street, além dos filmes "oitentistas" Cristal Encantado (Dark Crystal) e Labirinto (Labyrinth) com David Bowie e Jennifer Connelly. E não termina por aí, Frank Oz é responsável nos últimos 30 anos pela criação do personagem Yoda de Guerra nas Estrelas (Star Wars), tanto do boneco quanto da voz que insiste em falar ao contrário.
Como diretor, Frank Oz possui obras memoráveis como a versão mais nova de A Pequena Loja de Horrores (lembram da planta Audrey?), Nosso Querido Bob (com Bill Murray), Os Safados (Dirty Rotten Scoundrels) com Michael Caine e Steve Martin, A Chave Mágia (Indian and the Cupboard), Mulheres Perfeitas (Stepford wives), entre outros. Mas o que me trás hoje a escrever é o último filme, Morte no Funeral (Death at a Funeral), uma das melhores comédias que vi nos últimos 10 anos. Assim como todas as comédias, esta segue clichês básicos de Hollywood, mas quando você tenta dizer o que vai acontecer na cena seguinte, adivinhe só, você está completamente errado!!! Surpresas atrás de surpresas, Frank Oz surpreende com um elenco fantástico de atores, na maioria ingleses, e um humor negro impécável.
Infelizmente, os americanos não conseguem ver um filme estrangeiro fazer sucesso (neste caso inglês)m que já querem fazer um remake para os "idiotas" comedores de pipoca assistirem. É um pecado, mas Morte no Funeral será transformado em um filme hollywoodiano com o pior escalão dos atores afro-americanos, entre outros, Chris Rock, Tracy Morgan e Martin Lawrence protagonizam, enquanto a lista de coadjuvantes inclui Loretta Devine, Ron Glass, Danny Glover, Regina Hall, James Marsden, Zoe Saldana e Columbus Short. Mais uma vez o americano falha em nos mostrar que o americano comum não é estípido... Se é preciso mastigar um filme europeu pra eles entenderem, fazer o que né? Se bem que muitos tecnocratas e comedores de pipoca preferem um filminho mais boboca...
A ansiedade de comentar as cenas (da fantástica versão inglesa) é grande, mas posso estragar o filme contando mesmo que o mínimo. Você não vai encontrar este filme em Cinemark ou Kinoplex, procure nas Estações de cinema e unidades Arteplex na sua cidade. Fiquem com o trailer e não percam Morte no Funeral!!
O Cabelo de Louise Brooks
domingo, novembro 25, 2007
Para quem anda me perguntando quem é a mulher da imagem de fundo deste Blog, seu nome é Louise Brooks, atriz do cinema mudo americano, na época em que personalidades como Rodolfo (Rudolph) Valentino e Greta Garbo lotavam salas de cinema. Louise Brooks é um ícone do século XX, e seu cabelo uma marca.
A americana nascida no Kansas em 1906 foi bailarina nos musicais de Ziegfeld e estrelou 24 filmes entre 1925 e 1938. Neste período foi uma das atrizes mais famosas do mundo, sendo o seu filme mais famoso A Caixa de Pandora. Realizado na Alemanha em 1929 por G.W.Pabst, A Caixa de Pandora mostra a sensual Lulu (Louise) que se apaixona por uma Condessa (Garbo). Diz-se que nesse período Louise teve um caso com Greta Barbo. O filme foi um fracasso de bilheteria tanto na Alemanha quanto nos EUA, onde a interpretação de Louise foi considerada fraca por ser natural demais. Hoje é um dos maiores clássicos do cinema mudo.
Louise decidiu investir em sua carreira européia, mas realizou apenas outros dois filmes com Pabst e René Clair. Na sua volta para casa Hollywood a desprezou renegando-a a pequenos papéis em filmes B. Após anos de ostracismo e quase pobre, a bela e inteligente Brooks tornou-se escritora, escrevendo artigos nos anos 50, 60 e 70 para várias revistas de cinema. Em 1982 lançou o best seller Lulu em Hollywood, pouco antes de sua morte em 1985 na cidade de Rochester, Nova York.
Ultimamente, com seus filmes restaurados e lançados em DVD, com especiais na TV sobre sua vida e trabalho, e sites da Internet dedicados à ela, existe uma clara tentativa de reencontrar a magia e o fascínio que ela exerceu como nenhuma outra atriz do cinema. Talvez ela esteja finalmente começando a receber o merecido crédito por sua carreira e por sua coragem em ter sido a primeira mulher a desafiar os tubarões de Hollywood.
Louise é uma das minhas atrizes favoritas na história do cinema ao lado de Bettie Page, Lauren Bacall, Romy Schneider, e mais recentes como Zooey Deschanel, Chloe Sevigny e Jena Malone. O perfil de Louise é o símbolo da distribuidora brasileira Pandora Filmes (veja o link ao lado), e a banda OMD gravou em 1991 (inicio da minha adolescência) um vídeo inspirado em Louise Brooks onde estão diversas cenas extraídas do filme Pandora's Box.
Crítica: Leões e Cordeiros
sexta-feira, novembro 23, 2007
Uma pena que os bobões que frequentam cinema só por causa de propaganda e passatempo nem verão este filme. Nós sempre desconfiamos um pouco quando um ator resolve sentar na cadeira de diretor e começar uma carreira por trás das câmeras. Porém, muitos provaram que esta idéia errônea não se aplica em alguns casos. Robert Redford, Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima e Conquista da Honra), Sylvester Stallone e até alguns mais recentes como Zachary Braff (da série Scrubs, diretor de Garden State - Hora de Voltar), fizeram ótimas películas renovando o verdadeiro cinema, indo contra os clichês e fórmulas de fácil assimilação de Hollywood.
Durante o tempo do filme, 3 histórias acontecem em paralelo mostrando a hipocrisia, o descaso e a falta de engajamento da sociedade em geral, políticos, estudantes, professores e do povo. Não é o político o responsável pelo mal, pelas escolhas erradas, a falta de visão social do povo e a distorção e afastamento da realidade é a culpada pela condição do mundo.
A primeira história trata de um aluno inadimplente que insiste em faltar aulas mesmo tirando notas altíssimas nas provas. O professor (Robert Redford) dá uma lição de moral, mostrando não só sua preocupação com o aluno, mas a sua revolta com a banalização, com a forma como o estudante trata os acontecimentos do mundo e de seu país. A segunda história é uma jornalista (Meryl Streep) que revisita os seus valores e do jornal onde trabalha, após falar com um senador (Tom Cruise) responsável por ofensivas militares no Afeganistão. A terceira história são dois alunos do professor interpretado por Redford que por sua condição de "Outsiders" em uma universidade de estudantes ricos e brancos, se alistam no exército para mostrar que se importam, acabando ambos no Afeganistão.
Me surpreendi com este filme. Não chega aos pés de Todos os Homens do Presidente (além de ser totalmente ficcional) nem de Os 13 Dias que Abalaram o Mundo ou JFK, mas possui boas tiradas, partes para refletir e discutir e ainda, não insere no conteúdo da filmagem nenhum clichê barato de Hollywood como fez Babel, Crash ou Traffic (você sabe, clichês sobre ricos, pobres, preconceito, descaso, etc.). O fim não tenta explicar o filme, o que foi ótimo para o tema pois deixa ao espectador tirar suas próprias conclusões sobre: Qual a razão para viver? Qual a razão para morrer? Qual a razão para lutar? Qual a razão para resistir? ("quotando" o filme)
Vale a pena, não perca Leões e Cordeiros (Lions for Lambs) da 20th Century Fox, um filme bom entre tantas porcarias no cinema ultimamente. Aproveite enquanto pode, pois 2008 promete ser o pior ano do cinema nesta década por causa da greve de roteiristas (em andamento), atores e diretores (ano que vem). Para maiores informaçoes sobre a greve consultem os links ao lado sobre o Writers' Guild. Abraços a todos, keep the faith in the big screen!
Site oficial: http://www.lionsforlambsmovie.com
Crítica: Licença para Casar
quinta-feira, setembro 06, 2007
Você nunca imagina que um ator como Robin Williams fará um filme ruim, e aí chega Licença para casar. Uma imensa sequencia de clichês com elementos desgastados que você já vê em todas as comédias românticas, o que dá ao espectador uma sensação de "eu sei o que vai acontecer em seguida".
Não leve a mal, alguns atores como Mandy Moore, são iniciantes e podem melhorar no futuro, mas Robin não deveria fazer um filme assim (será que está precisando de dinheiro?). Um filme que você pode dizer sem dúvidas que foi "transformado por executivos de estúdio", aqueles burocratas que não acreditam em idéias originais e preferem garantir a bilheteria com fórmulas que já funcionam (e ainda fazem o favor de colocar todas as fórmulas no mesmo filme, assim nem Mãe Diná aguenta a quantidade de coisas previsíveis!).
Por exemplo, o padre que tenta ser engraçado, a criança que age como adulto, os robôs bebês que vomitam, peidam e arrotam, todo mundo dançando no final do filme, cenas dos bastidores (meu Deus, toda comédia agora precisa ter esse treco? Guarde para o DVD!) e principalmente algumas cenas que não fazem sentido no decorrer da história (como o garotinho arrombando um apartamento vestido como um bandido de desenho do Pica-pau).
A não ser que você queira medir o seu conhecimento de clichês de filme, não veja Licença para Casar. Guarde o dinheiro para ver outro filme (até por que o preço do cinema no Brasil já é um assalto) . Deus, como sinto falta das comédias dos anos 80.
Site oficial:http://licensetowedthemovie.warnerbros.com/
Site oficial Brasil:http://wwws.br.warnerbros.com/licensetowed/
You never think that an actor such as Robin Williams will do a bad movie, and then comes License to Wed. It doesn't even work as entertainment. It's a sequence of cliches, stuff that you 've already seen in all romantic comedies giving the film a sense of "I know what will happen next".
Don't take me wrong, of course the actors are begginers and they can improve in the future, but Robin shouldn't be doing a film like that. A film that you can say without a doubt, a film guided totally by executives, studio burocrats and dumb director and writers that only repeat formulas that made sucess in the past.
For example, the priest that tries to be funny, the kid that acts like a grownup, the robot babies, everyone dancing in the end (that really sucks on comedies), showing backstage in the end (save it for the DVDs guys!),and much more, specially scenes that don't make sense in the flow of the script.
Please, unless you want to measure your knowledge on romantic comedies like a psych telling what will happen next, save yourself from that movie, spare the ticket money and go see another movie such as Evan Almight (a studio movie but with a lot of surprises). Or wait friends! 'Cos this is one of he most terrible times I have ever seen in movies... Nothing good to watch and nothing that will last forever. God, I miss the 80s!
Crítica: A Chave-Mestra
sexta-feira, novembro 24, 2006
Muito boa história. Apesar de alguns clichês, o filme é interessante. Para quem é cinéfilo e lembra dos filmes de vudu da década de 80 como A Maldição dos Mortos-vivos com Bill Pullman, pode parecer um pouco repetitivo pois é um tema que já foi muito explorado pelo cinema. A atriz Kate Hudson está em alta no momento no cinema americano então nada mais coerente do que chamá-la para um filme de suspense da mesma forma como foi feito com Naomi Watts no filme O Chamado e Sarah Michelle Gellar no filme O Grito.
Mas tanto Kate quanto Naomi não possuem as características de uma mulher forte, meio detetive, meio “vou lutar para descobrir a verdade”...elas estão mais para modelos. Este filme mereceria uma Jodie Foster ou Claire Danes, afinal os filmes precisam de atrizes bonitas (Claire Danes pra quem não sabe fez O Exterminador do Futuro 3, A Estranha Família de Igby e começou sua carreira num seriado que passou no Brasil pelo canal Multishow).
Houve também um exagero na utilização da música de suspense e efeitos sonoros. Os filmes de suspense da década de 70 como O Iluminado eram bem silenciosos e assustavam muito mais. O fato também de terminarem o filme com uma “canção” de hihop estragou totalmente o clima de terror que se instalou nos espectadores, foi como dizer: - Ei, acabou! Vai pra casa e aluga outro!. É por isso que Walter Salles disse que nunca mais fará um filme de estúdio depois de Água Negra com a Jennifer Connely.
O restante não pode ser revelado se não estrago o filme. Ressalto que tudo o que disse aqui não afeta a apreciação do filme, mas se alguém entender o porquê da situação com os espelhos na casa, depois me explique, pois eu não entendi (vocês vão vir com uma explicação meio óbvia que eu também deduzi, porém, irei retrucar esta afirmação com um paradoxo...mas isso fica para depois que vocês assistirem o filme). Mas vale a pena ver o filme como passatempo de sessão da tarde, só não leve muito a sério.
Site oficial:
http://www.theskeletonkeymovie.com/
Sobre Deus
domingo, junho 25, 2006
"Quando eu era jovem, eu tinha muitas idéias sobre o que Deus era. Hoje entendo que não tenho consciência o suficiente para saber o que este conceito significa. Sei que sou um com o grande ser que me criou e me trouxe para cá e que criou as galáxias, o universo etc. Mas não é difícil a religião se aproveitar disso. Muitos dos problemas que a religião produziu através dos séculos vêm da concepção que a religião tem de Deus, ou seja, algo distinto de nós a quem devemos adorar, cultuar, agradar, esperando ser premiado no fim da vida. Deus não é isso, isto é uma blasfêmia.
Deus é uma coisa muito mais ampla, e apenas é muito associado à organização religiosa. E a religião assombra o mundo... Fez mal às mulheres, às pessoas oprimidas, ao World Trade Center. Ainda assim temos no mesmo ponto um resumo de uma grande ciência. A ciência que mais se aproximou para explicar o ensinamento de Jesus de que uma semente de mostarda era maior que o Reino dos Céus foi a física quântica.
Hoje temos uma incrível tecnologia. Imãs anti-gravitacionais, campos magnéticos, energia ponto zero, realidade virtual... Mesmo assim ainda temos um conceito retrógrado e supersticioso de Deus. As pessoas entram na linha quando ameaçadas por essas "sentenças cósmicas", pelo "castigo eterno". Mas Deus não é assim. E quando você começa a questionar tais retratações de Deus, as pessoas te taxam de agnóstico, um subversivo da ordem social. Deus é maior do que a maior das fraquezas do ser humano. E Deus precisa transcender a grandiosidade da habilidade humana de forma incrível para ser visto em seu absoluto esplendor? Como um homem ou uma mulher pode pecar contra algo tão supremo? Como pode uma pequena unidade de carbono na terra, no quintal da via Láctea, trair o Deus todo poderoso? É impossível. O tamanho da arrogância é o tamanho do controle daquelas que criam Deus à sua própria imagem.
Qual é o único planeta na via Láctea em que seus habitantes estão impregnados e subjugados pelas religiões? Você sabe o porquê disto? Como as pessoas estabelecem o que é certo e o que é errado? Se eu fizer isto, serei castigado por Deus. Se fizer aquilo, serei recompensado. Isso é uma descrição muito pobre que tenta mapear um caminho para seguirmos na vida, mas com resultados lamentáveis. Pois realmente não existe algo como "bom" ou "mau". Dessa forma estamos julgando as coisas de uma forma muito superficial.
Isso quer dizer que está tudo liberado e você está livre para pecar? Não!! Simplesmente significa que temos de aprimorar nosso entendimento com o que estamos lidando aqui. Existem coisas que eu faço e sei que me evoluem. Existem outras coisas que não vão me evoluir. Mas não há "bom" ou "mau". Deus não vai punir você por ter feito isso ou aquilo. Não existe um deus condenando as pessoas, senão, todos seriam Deuses, pois todos criticam uns aos outros. Da mesma forma que Deus é um nome utilizado pela massa para explicar as experiências que temos no mundo que de alguma forma são transcendentais, que de alguma forma são sublimes.
Eu não faço idéia do que Deus seja exatamente... Contudo, eu acredito que Deus exista e que é muito real. Só não sei como definir Deus... Ver Deus como uma pessoa, ou como algo ... bem, eu não sei como explicar. Pedir para um ser humano explicar o que é Deus é o mesmo que pedir para o peixe explicar a água em que nada. Somos pessoas que estão construindo a fé, e temos que seguir por este caminho até o dia em que iremos amar o intangível da mesma forma que amamos nossos vícios. A única maneira de estar sempre bem comigo mesmo não é cuidando só do que sou, mas sim cuidando da minha mente, questionamentos e interpretações. "
Anos 80 - A Peça
sábado, abril 01, 2006
Eu nasci em 1979. Um ano antes, o general Ernesto Geisel acabou com o AI-5, restaurou o habeas-corpus e abriu caminho para a volta da democracia no Brasil. Numa época de incertezas e esperanças, o governo Figueiredo trás de volta políticos, artistas e demais brasileiros exilados por crimes políticos. Nos anos que se seguiram, apesar de alguns atentados, vimos à volta do pluripartidarismo, movimento de diretas já, fortalecimento de sindicatos, e, entre outras coisas, a abertura e liberdade conquistada pela juventude. Foi neste contexto que eu nasci... Filho da revolução? Sim. Filho de uma geração que desde a Revolução de 64, lutou para termos uma infância melhor.
Esta introdução foi necessária por que nunca havia visto a minha pessoa e meus amigos desta forma. A liberdade cultural que os jovens viveram quando éramos crianças nos trouxe lembranças para a vida toda. Desde um doce diferente, programas de TV, até as festinhas americanas na escola, os Anos 80 foram o "boom", uma efervescência de produtos, marcas, modas, manias e músicas que nunca vamos esquecer. Por isso digo para vocês, não deixem de ver "Anos 80: A Peça" de Cristina Fagundes.
Anos 80: A Peça trouxe de volta muitas coisas, às quais alguns já haviam esquecido devido a vida tribulada de adulto. As frases célebres de heróis de desenhos animados, apresentadoras de programas infantis, programas do Silvio e Chacrinha, os cantores e músicas da época (muitos esquecidos como Naim, Rosana, Trem da Alegria, entre outros), o aumento absurdo de preços na época da inflação, a moda da época, brinquedos (o Batman com o Cubo Mágico é fora de série), as festinhas americanas em que a gente ficava com vergonha de chamar a menina mais bonita do colégio para dançar, os cabelos arrepiados na escola, as frases de comerciais da TV, o We Are the World na televisão, entre outras coisas que me fizeram rir horrores durante uma hora e meia de peça! Nem um pouco cansativo, pelo contrário, platéia cheia, rindo o tempo inteiro e aplaudindo de pé no final.
O que mais me impressionou foi o improviso dos atores na parte em que interagem com a platéia imitando os programas do Silvio Santos e Chacrinha. A cada tirada da platéia o elenco soltava uma nova piada na medida exata para fazer rir. O mais interessante foram os próprios estarem se divertindo com toda a encenação e não conseguirem segurar o riso junto ao público.
Ao lado do palco um telão passava, durante intervalos de 2 a 3 minutos, cenas da época, clips, entrevistas (inclusive uma com o Luciano Nassyn do Trem da Alegria), cenas de filmes, seriados, programas, entre outros.
Apesar de sentir falta de algumas coisas da minha infância que não foram representadas na peça, todo o elenco e direção estão de parabéns. Espero que a peça sempre se renove acrescentando novas "sketchs", outros assuntos e modismos dessa época maravilhosa.
Corrijam-me se encontrarem erros acima, deixo aqui o resumo para quem ainda não assistiu: "Quem não se lembra de como foram divertidos os anos 80? Das ombreiras enormes, do Chacrinha, do He-Man, de Guerra nas Estrelas e da Ilha da Fantasia? E quem nunca foi ao Tívoli Parque ou cantou Eduardo e Mônica? Anos 80: A peça veio para matar a saudade dessa década inesquecível! Direção e texto de Cristina Fagundes, com Marcelo Dias, Zé Guilherme Guimarães, Cristina Fagundes e Marcella Figueira”.