Crítica: A Fronteira da Alvorada

segunda-feira, abril 20, 2009

Hoje, mesmo doente, fiz uma daquelas "andanças" surpresa pelos cinemas de Botafogo. Na procura pelo "filme da hora", ou seja, o que estava começando naquele exato momento, entrei para ver A Fronteira da Alvorada (La Frontière de l'aube), principalmente por que no cartaz estava o ator de Sonhadores (de Bertolucci), Louis Garrel.

Conheço o trabalho de Garrel e de seu pai, por isso esta acabou sendo a escolha certa, nenhum arrependimento. Sem a pretensão de elevar o filme a um nível artístico exagerado, o diretor Philippe Garrel se atém a uma constante do cinema francês, a relação homem-mulher e as tragédias oriundas do amor, rejeição e por consequinte a perda.

O que me impressionou mais no filme foi como cada quadro se apresentava como uma linda fotografia preto-e-branco dos anos 60, um trabalho maravilhoso do diretor de fotografia que acentuou os contrastes dando um ar soturno, sombrio e ao mesmo tempo melancólico e romântico (não sei por que me lembrou Brigitte Bardot em filmes coloridos). As passagens de cena são similares aos filmes dos anos 60 de Truffaut (aquele pulo que não finaliza a cena anterior e nem introduz a próxima cena) e, sempre que uma cena necessitava ficar mais sombria, utilizava-se o círculo negro dos filmes mudos que abre e fecha para a passagem de cena (um ar quase expressionista).

O filme também é muito focado no movimento dos atores e nas expressões faciais. Eu já disse como fiquei impressionado quando entrei no Filmmuseum Berlin e vi aquelas telas com rostos enormes? É para isto que o cinema existe, para mostrar imensos closes em tela grande. Só o rosto da linda Laura Smet já fica um longo período na tela logo no incio do filme. Quanto aos movimentos, destaco a cena em que Carole (Laura Smet) está deitada no chão lendo um livro e se contorce para todos os lados, impaciente, uma cena linda com uma mulher linda, no melhor estilo do cinema francês (é como dizem, as mulheres francesas parecem mais naturais que as outras).

Sem enrolar e sem oferecer spoilers. O filme trata da relação entre o fotógrafo François (Louis Garrel) e a atriz em ascensão Carole. Carole é casada com um ator que está crescendo em Hollywood e quase não visita a cidade, o que dá margem a uma relação livre entre ela e o fotógrafo. Entretanto, a relação entre Carole e François começa a passar por problemas levando ambos ao extremo da culpa, depressão e a outro arco que se contrói devido a obsessão de ambos um pelo outro. Se eu contar mais estrago a diversão.

Não siga adiante se você ainda irá ver o filme. O que o filme tenta falar (talvez) nas entrelinhas é que, as mulheres tendem a sofrer por amor mas ao mesmo tempo querem jogar o jogo do ciúme, da rejeição, ignorando o parceiro sem se dar conta de que aquilo desgasta o outro. O homem por conquinte se afasta e a mulher acaba culpando-o pelo fracasso do relacionamento (sem entender que suas atitudes é que levaram à queda). A mulher real é sempre a metade da relação que tem a opção, ou seja, ela pode ter o amante, pode voltar ao marido e pode ainda se insinuar para um amigo em uma festa (como Carole faz na presença de François), mas no fundo está brincando em um jogo que não leva a lugar nenhum e que pode levá-la a perder o grande amor de sua vida.

Por outro lado, o homem não sabe lidar com este "grande amor", vivendo uma fachada de despreendimento que por dentro se materializa como dependência, a obsessão que faz crescer o medo de ser abandonado devido ao fato de que a mulher tem mais opções de relacionamentos novos do que ele. Entretanto, a mulher grávida retorna aos braços do homem na tentativa de manter uma relação e dar um bom pai para seus filhos, mas ela não enxerga que a combinação bom amante e bom marido/pai não existe, é preciso fazer uma escolha (como diz o pai de Eve, interpretada por Clémentine Poidatz). Todas estas caracteristicas podem ser definidas como puro e simples desentendimento consciente, ou seja, a tentativa de possuir e ao mesmo tempo jogar com o outro mantendo-se neutro no teatro da vida, a consciência é plena mas prefere-se não enxergar as consequencias.

O amor prisioneiro fica para sempre assombrando as novas relações, e François não consegue esquecer Carole, mesmo após sua morte, fica obcecado com o fantasma que lhe aparece de tempos em tempos através do espelho. Deixando a conversa pseudo-intelecutal de lado, recomendo este filme para todos, principalmente os que conseguem enxergar as minucias da fotografia e dos paralelos que o filme faz com situações da vida real. Copiando Marcelo Hessel:
"A certa altura, quando ele diz à sua noiva que não pode usar um salão nos fundos da casa do sogro como estúdio fotográfico "porque ali tem luz demais", há um significado embutido na frase: François prefere a imagem enevoada de uma idealização à luz da realidade."

Observação que os cinemas do grupo Estação se renderam de vez às propagandas no cinema. Uma das maiores reclamações dos frequentadores de cinema, as propagandas agora afetam até as salas "cult". Antes de começar o filme me abriu uma grande tela azul da TIM com uma menina estática na lateral direita. Daí um balão de quadrinhos sai da boca dela e dentro do balão passam os trailers! Meu Deus! Que bizarro foi isso! Se é para me dar comerciais, me dá o ingresso de graça!

Em breve críticas de Segurando as Pontas (Pineapple Express - 2008) e Appaloosa - Uma Cidade sem Lei (
Appaloosa - 2008)

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Mistérios de LOST - Parte 02

domingo, abril 19, 2009

Não estava de bom humor pois andei doente, por isso não escrevi antes e neste período acabei terminando a primeira temporada completa e as entrevistas do box. Hoje em dia na TV americana (e também no cinema e na música), é mais fácil repetir fórmulas que dão certo do que inovar ou experimentar algo diferente. Me deixa triste ver entrevistas com pessoas tão geniais como J.J. Abrams e seu co-roteirista, e ver que ambos, apesar da genialidade, querem inserir dramas pesados no meio de uma série que poderia estar mais inclinada ao suspense, à ótica dos thrillers, do que às choradeiras e abraços.

Se David Lynch pensasse nessas coisas, nunca teria lançado Twin Peaks, se Chris Carter se preocupasse com dramalhões, não teria feito Arquivo-X. Poderia citar diversos outros diretores e produtores, mas acho que esse é o ponto que me fez parar de ver LOST no início da série. Claro que ver os episódios em sequencia, direto, traz um envolvimento bem maior, mas mesmo assim têm-se que aguentar a "encheção de saco" da narrativa. Quiseram misturar Twin Peaks com Dawson's Creek e puxaram mais a "sardinha" para o lado de Dawson's Creek do que para a tensão, terror e suspense.

Cuidado com os spoilers pois suponho que eu seja o único atrasado nessa série. A primeira temporada não responde nada, e fica estendendo as histórias e dramas de forma desnecessária à trama. Os mistérios são ótimos, mas são alongados de tal maneira que perde-se o público, principalmente se você, como eu, não gosta das partes emotivas e da choradeira... Das minhas perguntas anteriores, posso dizer que foram respondidas as seguintes questões:

RESPOSTAS

1. Finalmente Michael consegue na sua balsa, fazer com que um dos comunicadores do avião funcione. A ilha também parece ser algo "não-real", meio que flutuante, algo que pode ser trocado de lugar de acordo com a vontade de outrem, por isso a escotilha que pode levar a uma cabine de pilotagem, qualquer coisa assim. Pode ser que seja um ambiente controlado para testar espécies de plantas e animais, e o avião caiu ali por acaso? Talvez...;

2. Diferente do que meu amigo Dico afirmou, duas partes do avião foram encontradas, a frente e o meio. A traseira pode ter caído no mar, não sei...;

3. Esta questão continua sem explicação;

4. Os personagens têm visto a criatura claramente durante a série, inclusive a câmera mostrou pelo menos duas vezes o suposto monstro correndo ao lado deles e na direção de Locke. Parece ser algo invisível, mas isso ainda não explica como a criatura pegou o piloto no ar e puxou Locke para dentro da terra. Será um minhocão gigante? Braços robóticos do Dr. Octopus?;

5. A ilha é enorme como vimos da balsa de Michael, mas nainda não dá pra dizer se é uma ilha ou a ponta de um continente;

6. A questão do cachorro ainda não foi respondida;

7. Realmente JJ usou 3Ds na pós-produção, mas não foi na ilha... (com exceção das plantas feridas pelo monstro e dos truques de câmera);

8. Os ursos ainda são uma incógnita. Onde eles vivem na ilha? Por que aparecem de repente? Quantos ursos existem na ilha?;

9. Lembra quando falei do Google Earth? Pois é. Mas uma coisa que prova que a ilha meio que se move e eles nunca estão no mesmo lugar;

10. Ainda não se sabe como John Locke ganhou experiência com a selva e com facas. Também não sabemos se ele foi um combatente de guerra, mas me parece que a vida dele era bem simples antes de esbarrar com os pais;

11. Não vimos mais o pai de Jack a não ser pela confissão de Sawyer;

12. A mulher que se afogou parece que foi só um pretexto para Mr. Abrams dizer que Kate tentou roubar os papéis dela quando tentava embarcar na balsa de Michael (odeio essas soluções que não fazem sentido para a trama);

13. Jack continua sendo o herói, só não entendo como pode ter apenas um Jack e 39 "bunda-moles" (contando os demais personagens principais). Os coadjuvantes não fazem nada nessa ilha? Não se metem em confusão? Estão sempre sadios?;

14. Continuo não entendendo a memória de Jack sobre o caixão;

15. Motivos dos problemas familiares ainda não foram respondidos;

16. Ups, Charlie! Um avião cheio de heroína! Da mesma forma que a mulher se afogando, o avião vira um pretexto sem sentido para abrir um novo arco no drama de Charlie com as drogas;

17. Ainda não sei quem falou pra Jack sobre o urso polar;

18. Caramba! Minha dúvida sobre a barba do pessoal foi levantada por aquele humorista americano nas entrevistas! Eita erro de continuidade Mr. Abrams!;

19. Quem bateu no iraquiano foi Locke! Pronto.;

20. O povo das cavernas e da praia se uniram? Por que vejo pouca gente em cena para deixar claro que existem 40 pessoas ali...;

21. Além de estarem envolvidos com a morte de alguém, todos os sobreviventes tiveram problemas com o pai. Os pais resolveram dar um castigo bizarro para todos?;

22. Não sei a quanto tempo a francesa está sozinha, mas se está ali por 16 anos "alone", não era pra ter surtado mais do que está?;

23. Não sei ainda por que a francesa mandou a mensagen em francês e não em inglês;

24. Ainda não sei o que Kate fez além de fugir e matar sem querer o seu melhor amigo.

NOVAS PERGUNTAS

1. O filho de Claire é o anti-cristo? A ilha não gosta de crianças? Os "controladores" da ilha querem salvar as crianças de sofrer ali? Será que todo esse mistério tem fundo religioso? O que será que o vidente de Claire viu e não contou? Por que o vidente insiste tanto que ela tem que entrar naquele vôo em específico, o que ele sabe?;

2. Por que após dizer que Claire tem que cuidar do bebê, o vidente muda de idéia e resolve dar para um casal em Los Angeles? Quem é esse casal? Ficou mal explicado o fato de Claire já ter encontrado com outro casal e desistido... Que casal era aquele?;

3. Sawyer é um nerd de primeira. Ele chama Hurley de Stay Puft, o monstro de Caça-Fantasmas (pessimamente traduzido na dublagem e na legenda como "docinho"), chama o marido de Sun de Sulu (Star Trek) e em outra ocasião se refere a relação dele com Michael como Han e Chewie (Star Wars). Ainda em coutra cena ele chama Walt de Tatu, da Ilha da Fantasia (pessimamente traduzido como "tampinha"). Continuando nessa leva da péssima tradução feita no Brasil, o canal VH1 é traduzido como MTV no episódio 11! Alguém avisa que não é a mesma coisa!;

4. Quem é Ethan? Por que sequestrou Claire? Se ele queria só o bebê, por que sequestrou Charlie junto? Ethan tem super-poderes ou foi ajudado a levar duas pessoas para o meio da floresta? Se ele tem superforça, por que não arrebentou a cara de Jack? Como ele ergueu Charlie na árvore em tão pouco tempo? Por que Claire ficou com amnésia? A morte de Ethan não teve nexo, Charlie surtou de forma esquisita e inexplicável, mesmo sabendo que interrogá-lo poderia ajudar;

5. Charlie se refere a "eles", mas depois de curado, não se fala mais nisso...

6. As habilidades de Kate com armas e luta ainda não foram respondidas;

7. Por que a senhora afro-americana tem certeza que o marido ainda está vivo? Onde ela foi parar no resto da série?;

8. Locke realmente carregou Shannon para o meio da floresta e amarrou ela lá só para Boone soltá-la? Locke é um cara "pancada"...;

9. Escondidos no bambuzal, Shannon e Boone não viram a criatura? A criatura emite luz? Por que a luz ficou bem forte quando o bicho chegou perto dos bambus... Por que o sonho de Boone com a morte de Shannon? A criatura no sonho parece ter dentes, mas ela morde e solta sem comer, só pelo prazer de matar?;

10. A revista de Walt mostra o Lanterna Verde, um alienígena rosa, um urso polar e uma ilha flutuante. São pistas?;

11. Por que o pássaro que Walt olhava era o mesmo que bateu na sua janela e morreu, quando estava na Australia?;

12. Por que o padastro de Walt tem tanto medo dele? O que essas crianças tem de tão importante no seriado? Será que o pássaro morto na janela e os ursos da ilha são materializações da cabeça de Walt? Afinal ele viu o pássaro em um livro e o urso na revista do Lanterna Verde;

13. Por que as vozes que Sawyer e outros sobreviventes escutam diz "- Vai ter troco!"? Será vingança contra coisas que elas fizeram no passado, ou será vingança pela morte de Ethan (ou do urso polar)?;

14. Sabemos que de alguma forma quase todos já se viram antes. Sawyer conheceu o pai de Jack, Shannon já viu Sayhd, etc.;

15. No flashback, quando o marido de Sun vai na casa do secretário Han dar o aviso que o pai de Sun pediu, a filha do secretário está vendo TV com um Sharpei. Na TV aparece Hurley rapidamente. Por que Hurley aparece na TV coreana (episódio 17)? Por que ganhou na loteria em outro país?;

16. Por que Hurley tem tanto azar? Quem é o amigo deficiente de Hurley, Lenny? Quem trouxe os números para Lenny? Será que alguém já foi na ilha e voltou? O que são os números? Quem é Sam Toomey em Kalgoorlie? O navio de Sam e Lenny passou perto da ilha? Será o triângulo das bermudas?;

17. Todos os personagens principais escutavam de outras pessoas (principalmente os pais), que não serviam pra nada, daí cria-se o drama para que ali eles provem ser alguma coisa;

18. Por que Locke ganhou os movimentos de volta mas não sente nada nas pernas (dor, queimação, etc.)? Por que ele perde a locomoção de novo quando tenta ajudar Boone e depois recupera quando Boone fica ferido?;

19. De acordo com a lei religiosa muçulmana e com os preceitos das organizações existentes, o amigo de Sayhd nunca iria se matar por suicidio, sem ter a oportunidade de virar um mártir. Isto foi mal feito e pouco pesquisado. Suicidio desproposital (sem causa religiosa) não é saída nem nos muçulmanos mais fanáticos e radicais;

20. Quem quer pegar bebês na ilha? Serão os caras do barco que sequestrou Walt? Quem faz a fumaça negra? Será Ethan um dos amigos da francesa? Por que ele queria o bebê?;

21. Pra que serve o sistema de segurança da ilha? O que ele faz? Segurança contra o que ou quem?;

22. O mistério da ilha eu já descobri. A fumaça faz todo mundo chorar e se confessar um com os outros! Eita choradeira! Haja cristal de aniz para todos esses atores... Será que Mr. Abrams vai fazer todo mundo chorar no novo Star Trek? Engraçado como nessa ilha todo mundo se sente culpado de alguma coisa;

23. Afinal, o padre africano está relacionado com o navio Black Rock ou com o avião que caiu? Por que um navio de escravos que saiu da costa da África tem escrito "Explosives" na caixa de dinamites? Por que está em inglês? Ok, o navio era inglês. Pronto.;

24. Quando os personagens principais morrem todo mundo fica abalado e metade do episódio vira uma tentativa de salvá-lo e fazer um funeral decente. Entretanto, quando Artz morre eles viram, falam "-Que merda..." e continuam a fazer o que estavam fazendo como se nada tivesse acontecido. Coitado dos coadjuvantes... ninguém liga;

25. Se aquelas pessoas estão sendo punidas, como conseguiram colocá-los todos no avião ao mesmo tempo? E por que mataram as outras que estavam na traseira do avião, frente e meio?;

26. Como o navio pirata foi parar no meio da mata? Caiu do céu? Foi empurrado por gigantes ou super-heróis? Estes escravistas foram parar lá do mesmo jeito que os outros barcos e aviões?;

27. Hurley, Michael e Charlie estavam no mesmo hotel antes de viajar! Coincidência?.

28. [2ª Temporada] Quem é o Desmond? Por que Jack o reencontrou na ilha? Por que ele tem uma casa tão legal nos subterrâneos da ilha? Para que servem aqueles controles computadorizados que ele tem?

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Mistérios de LOST - Parte 01

segunda-feira, abril 13, 2009

Mesmo gostando de quase tudo que rola no mundo cult, confesso que tenho um certo preconceito quando algo se torna popular demais. Quem segue o meio cult sabe que até mesmo os filmes de Cassavetes quando ficam muito falados por aquelas pessoas de óculos de aro grosso, meia colorida e/ou gola rolê, todos vestidos de preto, já vira automaticamente um saco, insuportável, intragável. O pop cult só é pop cult quando é adotado pelas pessoas normais quando é claro, gostam de coisas cults. Se fantasiar já entra em outro patamar. Mas entrei nesta discussão por que um amigo estava insistindo para que eu visse Lost.

Quando houve o primeiro alvoroço em torno da série eu decidi ver alguns capítulos, porém não gostei do que vi nos três primeiros episódios e desisti. O seriado segue a linha dos dramas "made for tv" americanos, diferente da HBO que faz verdadeiros épicos. Existem os conflitos "chavão", os episódios que terminam com todos se ajudando e olhando o horizonte ao som de músicas piegas, o final misterioso que dá deixa para o próximo episódio, enfim, previsível no estilo narrativo. Este mesmo amigo esta semana me emprestou as 4 primeiras temporadas e me pediu para que aguentasse até o sexto episódio, que depois melhorava.

Até agora vi do 01º ao 09º episódio da série. J.J. Abrams é um cara ótimo para criar mistérios. Confesso que lá pelo quinto episódio eu comecei a me interessar em desvendar os mistérios da "ilha de Caras", mesmo com a perturbação do estilo americano de narrativa, câmeras e conflitos (por que todo personagem nesses seriados têm que ter passado por uma choradeira antes dos eventos principais?). Mas estou vendo com carinho e com meu caderninho do lado já que meus amigos estão curiosos para saber minhas teorias sobre a ilha.

Vou escrever periodicamente conforme for assistindo os episódios, por isso acompanhem minhas teorias malucas e críticas do seriado. Vamos lá, do primeiro ao nono episódio levantei algumas questões obscuras, shall we?

1. Normalmente um avião daquele tamanho possui uma rota definida, uma caixa-preta e comunicadores de alta potência. Aceita-se que o desvio da rota foi uma possível causa da queda por ter ido de encontro a algum fenômeno atmosférico. A caixa-preta ainda é uma incógnita. Os comunicadores, de forma estranha, não funcionam na ilha, mesmo com toda a potência;

2. Descarto a idéia da queda ser algo planejado por outras pessoas (governo, sociedade secreta, sei lá) pois a separação do avião em 03 partes foi algo bem "feio", não dá pra arquitetar algo tão bizarro assim ao menos que você queira matar todo mundo dentro da aeronave;

3. A parte dos sobreviventes provavelmente bateu na água após a queda o que de certa forma amorteceu o impacto. Entretanto não é explicado por que o piloto afirma que o avião caiu quando estava a 60 metros. Será que ele desceu por que viu que ia cair? Algo puxou eles pra baixo após a queda da cauda (pois a cauda caiu ainda bem alto), sei lá....;

4. Ainda não foram explicados os barulhos na floresta, principalmente da criatura gigante. Mesmo a francesinha que está lá há 16 anos e John Locke que ficou cara-a-cara com a besta, não sabem dizer o que é a criatura. Cá entre nós, você acredita que um monstro desses seja invisível? Pode até ser, mas se ele for visível o roteirista vacilou pois a esta altura alguém já teria visto o dito cujo. O bicho comeu o policial de "Heroes" dentro do avião e sumiu de novo;

5. Aparentemente eles ainda não sabem se estão numa ilha ou parte de um continente, vamos ver....;

6. Por que nos primeiros episódios o cachorro fica escondido no meio do mato olhando para as pessoas de forma suspeita? Será que ele sabe alguma coisa? Ele pensa? Ele é o Manimal? Um budista reencarnado? Sei lá, mas sei que ele sabe de alguma coisa e não quer falar;

7. Sr. Abrams, pô, coloca um pouquinho de 3D nestas locações reais! Pior que ver florestas e montanhas reais é ver Foz do Iguaçu nos filmes de Indiana Jones dizendo que é no Peru, ou México, sei lá...;

8. De onde saiu aquele urso polar? Mesmo que ele tenha parado lá de alguma forma, um animal daqueles não sobrevive nem 01 mês naquele ambiente tropical. Será que ele caiu do avião? Será que ele era o co-piloto? Hein, hein?;

9. Numa época em que Google Earth varre a terra inteira e os satélites beiram o absurdo na precisão, como pode um avião tão grande sumir numa ilha? Como pode existir uma ilha tão grande e desconhecida? Hein, hein? Listen Toto! We are not in Kansas anymore!;

10. Quem é afinal John Locke? Como ele adquiriu tanta habilidade na selva e com facas sem nunca ter feito uma aventura destas? Como ele voltou a andar? Ele é um coronel de verdade? Um ex-combatente do Vietnam? Mistério.... Aliás, ele diz no antigo trabalho que Norman Croucher (com pernas amputadas) escalou o Everest quando na verdade este escalou o Cho Oyu. Muito tempo depois Mark Inglis, que também é deficiente, conseguiu esta façanha, mas não Norman;

11. Quem é o homem de terno? Será que Jack, depois de sair de Party of Five, ficou louco, e o espectador participa da insanidade? O pai dele está vivo e gosta de "zoar" ele ficando de costas e só começando a andar quando ele chega perto? Por que ele está de terno se a ilha é quente paca?;

12. Pra que aquela mulher doida foi nadar tão longe quando todo mundo estava dormindo?;

13. A viagem emocional de Jack é meio messiânica, convenhamos né? Até Joseph Campbell lhe diria isso. Ele passa por uma situação dificil com o pai, acha que não tem a capacidade de liderar o povo e após buscar seu caminho seguindo o pai volta para guiar a multidão para o lugar certo;

14. Por que Jack nunca citou nos primeiros episódios que ele estava trazendo o caixão do pai para ser enterrado? Ele esqueceu? Só lembrou quando viu? Não entendi... Problemas de memória Jack?;

15. Afinal, por que o pai de Jack surtou? Por que o irmão mau do Drive Shaft de repente virou o Ken da Barbie?;

16. A droga do Dominic é melhor do que a multiplicação dos pães, nunca acaba... Um saquinho de sacolé pela metade durou mais de uma semana... Ainda bem que ele é controlado, já pensou morrer de overdose na ilha?;

17. Desde o primeiro episódio ninguém fala para Jack sobre o urso polar, entretanto mais a frente ele fala no urso como se fosse algo que ele sabia há dias. Quem contou?;

18. O maior mistério de Lost é, por que não cresce a barba e nem o cabelo de ninguém? Será o efeito sobre a queratina, um dos mistérios da ilha?;

19. Quem bateu no iraquiano quando ele estava colocando a torre de comunicação para triangular o sinal?;

20. O seriado a esta altura começa a tomar um ar de "Senhor das Moscas", as duas tribos, os conflitos exacerbados por causa do isolamento;

21. Já repararam que todos que sobreviveram estão de alguma forma envolvidos com a morte de alguém? Reparem só. Jack e o pai, Sawyer e os pais, os coreanos, Kate, todo mundo matou ou deixou morrer alguém...;

22. Como os amigos da francesa morreram na ilha? Há quanto tempo ela está sozinha?;

23. Se a francesa fala inglês, é casada com um "Robert" e estava numa expedição australiana, por que diabos ela pediu socorro na transmissão em francês? É doida? Foi erro dos roteiristas? You be the judge!;

24. O que a Kate fez afinal? Por que ela estava fugindo? De que agência do governo é o oficial que levou um tiro de Sawyer? Por que todas as mulheres em Lost são magrelas curvilineas? Este seriado só tem mistério...

Este foi o primeiro ciclo pessoal. Minha teoria até agora é de que eles caíram em um mundo bizarro de outra dimensão (sim caros físicos!), algo como o triângulo das bermudas, a terra selvagem da Marvel ou o mundo bizarro do Super-homem. Só sei que pelos acontecimentos, é impossível ser no planeta Terra, na realidade em que vivemos. Um vórtice dimensional como em Donnie Darko? Não sei... A impressão que dá é que é outra realidade, e que seres humanos já estiveram ali antes explorando o local (sem contar a francesa e cia.)... Viagens dimensionais? Wormholes? Outra idéia maluca é que todo mundo morreu e só aqueles que tinham assuntos pendentes ficaram vagando na ilha. Eca, mucho loco....

Respondam estas perguntas nos comentários mas não coloquem spoilers hein! Existem dúvidas demais a serem respondids , umas bem pequenas, outras bem grandes, o fato é que até agora não percebi uma "amarração" entre os fatos da história. Ah, mais uma coisa, não podia esquecer do politicamente correto, um afro-americano, um iraquiano, um casal de irmãos jovens, a senhora de idade, o médico, a criminosa, o especialista em selva, o gordo, o drogado, etc.! Viva a diversidade da fauna na mídia americana! Viva! Até parece que isso não foi de propósito...

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14º Encontro de Web Design

sábado, março 28, 2009

O 14º Encontro de Web Design no Rio de Janeiro promovido pela Arteccom ocorreu como esperado (nada de muito diferente, propagandas de patrocinadores, biscoitos de feira e sanduiches merenda escolar, me perdoem Arteccom, culpa do buffet), mas como sempre trouxe ótimas palestras de figuras conhecidas no meio do design (apesar de que, sinto falta das palestras internacionais que existiam nas primeiras edições do evento). Os dois primeiros palestrantes, Julius (Taschen) e Zeh Fernando (Firstborn), não tinham muita presença de palco e estavam bem acanhados (o primeiro com gestos dignos do livro "O Corpo Fala"(PDF) e o segundo falando rápido demais), mas isso não tirou o mérito e o valor das ótimas explanações. Destaque para Cristiane Dalmati à frente do direcionamento das palestras.

Nada deste post foi gravado em video ou áudio, estou escrevendo tudo de minhas recordações e textos escritos no celular... (atenção Arteccom, faltou material naquela sacolinha... cadê meu bloquinho e caneta para anotar? ah, sacolas plásticas já não são mais usadas na Alemanha pois fazem mal ao meio-ambiente, pergunta só pro Gil...). Antes de apresentar as palestras quero comentar mais algumas coisas.

A lanchonete do Centro de Convenções Sul América é um absurdo de caro... Até um pacotinho de chiclete Trident custava mais de 200% a mais do que em lojas comuns. A região do Centro Sul América é um pouco perigosa depois de certa hora e, ainda de dia, o segurança do local estava nos avisando de roubo de carros na região (preferiria na UERJ...). O Norte Grill, apesar da boa comida, tem atendimento ruim, é mal organizado, apertado demais, confuso e "atrapalhado".

A Arteccom mudou o nome do evento após esta edição no Rio de Janeiro (não entendo o porquê) para EDTED (Encontro de Design e Tecnologia Digital) e unificou os websites dos eventos que antes da edição Rio eram duas coisas distintas. Claro que esse nome favorece o marketing em cima dos dois eventos, mas achei desnecessário... Agora vamos às palestras do dia 28/03/2009!

Julius Wiedemann

Julius Wiedemann, para quem não sabe, é o responsável por diversos títulos de design e artes da editora alemã Taschen e é brasileríssimo, carioca. É um daqueles caras que você fala:"- Na foto parecia mais alto!", mas seu conhecimento de artes e novas mídias é invejável. Sua apresentação teve como elemento ilustrativo as imagens de um livro recente da Taschen chamado The Circus: 1870-1950.

Os circos, carnivales, parques itinerantes, sideshows e Volksfest (festa do povo em alemão), traziam para pequenos locais espalhados pelo mundo (principalmente europa e EUA), as novidades, o entretenimento exótico, o fora do comum, coisas que despertam a curiosidade. Julius traçou um paralelo desta descoberta humana do inicio do século XX com o jeito cativante dos produtos de entretenimento nas novas mídias. Naquela época navegadores e exploradores viajavam pelo mundo para encontrar coisas novas (naquela época até gorilas, elefantes e hipopótamos eram estranhos e surpeendentes), hoje a tarefa de surpreender é papel do profissional criativo.

O profissional criativo tem que pensar que as mídias interativas são feitas por pessoas, e a maior dificuldade é pensar como passar a experiência de envolvimento com o mundo físico para a internet, tv interativa, ou seja lá qual for a sua mídia. O bom profissional pensa em interatividade além da web, além do que a internet e demais tecnologias representam. As mudanças são rápidas e não perdoam ninguém que se abraça a velhos conceitos ou não entendem essas novas formas de se comunicar.

Julius fez muitas citações relacionadas à área criativa como Marcelo Tas ("a maior banda larga para o ator é o teatro"), Ajaz Ahmed (Akqa), agência Firstborn, agência Fantasy Interactive e os relatórios da Nielsen Media Research.



Zeh Fernando

Zeh é uma "figuraça". Um "jovem velho" com cara e roupas de garoto que parece que colocou o dedo na tomada. Sua oratória é mais rápida do que muitos cérebros conseguem processar, mas creio isto ser normal em pessoas de grande conhecimento (eu nem tenho tanto assim e às vezes penso mais rápido do que falo e minhas palavras se atropelam). Zeh é um freelance trabalhando em estilo Home Office (acho) para a Firstborn em Nova York e residindo em São Paulo. Na verdade Zeh não é designer, mas sim um grande Flash Developer que trabalhou em pedaços de grandes projetos internacionais para firmas que, seguindo a linha dos games atuais, estão transformando websites em grandes produções hollywoodianas com atores famosos, animatronics, diretores, etc.

Zeh tratou basicamente das Rich Internet Applications, também conhecidas como RIA e de cases da Firstborn. A questão é, quando aplicar as interfaces ricas? A internet deixou de ser um simples dicionário onde termos são buscados , conteúdos escritos e informações acolhidas. Para que seu usuário gaste mais de 1 minuto no seu site e fixe a sua marca na cabeça, é necessário mais do que um simples site com "quem somos, nossos produtos e contato", precisa-se transformar a mídia em uma experiência onde o tempo gasto sirva não só para lembrar da marca mas também para se transformar em viral por si próprio. Afinal de contas, apesar de todo mundo apertar "skip intro" (todo mundo meeeesmo), estes ainda querem ver algo inovador.

Na era dos MSNs, Delicious e Twitter, ninguém mais vai cair nas velhas fórmulas da interatividade entre individuos convidando amigos pelo seu website ou recorrendo a antigo padrões de comportamento para compartilhar informações. A navegação hoje é cooperativa, acontece em tempo real e utiliza multi-ferramentas. Nem mesmo as campanhas virais conseguem "congelar" as tradições. Zeh Fernando citou ainda o Middle Finger Pub da Gringo, a campanha Let Your Worries Go da Northwestern Mutual, a agência Tribal DDB e Eric Eng.

Luis Marcelo Mendes

Luis Marcelo da Tecnopop também parece meio louco (mas qual artista não é?). Apesar de ninguém chegar aos pés de Mr. Radfharer, Luis também consegue combinar de forma envolvente conteúdo, palco e humor. Seu tema foi como entreter um entertainer, ou seja, como produzir um trabalho para outro artista (seja ele artista ou não), mas não foi só isso. A moral da palestra de Luis é que, muitas vezes o cliente vai saber o que é melhor para ele de forma mais sensata do que você, do que todas aquelas coisas que você acha inovadoras, estratégicas e ideais. Apesar de parecer, não existe o óbvio, é preciso ter feeling para entender o que o cliente precisa e não aquilo que você ou ele querem para o produto.

Em outra linha, o mais comum é uma banalização do trabalho por parte dos clientes, pois na verdade eles não têm a minima noção do campo com o qual estão lidando. Suas informações sobre arte, marketing ou publicidade são superficiais (mas ele não sabe disso) e então vêm com uma imagem bem clara de como os sites e campanhas devem ser para o seu mercado. Ao te passarem o briefing, a primeira frase será: "- Quero um design manero, chocante...mas bem simplisinho. Parecido com esses sites aqui que eu vi ontem.". E aí você fica sem entender o que ele quer (que nem ele entende), o que acaba gerando retrabalhos (conhecido na engenharia de software como refactoring), coisas cortadas do projeto original (ou pior, adicionadas) e uma dor de cabeça colossal pois algumas coisas não foram previstas em contrato.

A idéia é, compreenda o que o cliente precisa, entenda sua forma de pensar, deixe claro e traçe a forma como o cérebro do seu cliente funciona, e acima de tudo, "kiss" (keep it simple stupid!) e "kill your darlings" (mate o que é querido mas desnecessário).

Gil Giardelli

A palestra do Gil Giardelli foi algo mais filosófico sobre ética profissional, ser mais humano, unir as pessoas (redes sociais, .comunicação e sharing), ajudar o próximo e viver em um cyberespaço onde as ruas não tem nome, apenas as pessoas importam. Apesar de falar pouco sobre web design, não deixou de ser, na minha opinião, a 2ª melhor palestra do dia (a 1ª foi a do Cassano, páreo a páreo com o Luis Marcelo). Gil falou sobre como as redes sociais estão permitindo uma nova consciência, uma nova forma de pensar, algo que era inimaginável a alguns anos atrás: a inovação coletiva: "Você é aquilo que compartilha".

"Ciência é o que o pai ensina para o filho, e tecnologia é o que o filho ensina para o pai.". Ninguém acrditava que isso fosse acontecer. Um dado importante é que muitos cientistas afirmavam que as pessoas não conseguiriam ter mais de 140 relacionamentos simultâneos devido a capacidade do cérebro em processar tal rede social. Hoje os jovens têm mais de 1.000 e sabem exatamente quem são e o papel destes individuos em suas vidas. Se os visionários das novas midias nunca tivessem tentado, nós nunca estaríamos onde estamos... o exemplo de Gil foi alfaiate Mr. Reisfeldt (1867-1911), o home que morreu na torre Eiffel tentando voar como os pássaros.

Eu não tenho muito mais o que falar da palestra pois acho que as imagens, videos e websites apresentados durante a exposição falaram por si só. O que deixo aqui no blog é uma relação das coisas citadas por este grande profissional. Mais pode ser encontrado no blog do próprio Gil Giardelli nos endereços à seguir.

Blog do Gil: http://gilgiardelli.wordpress.com/
Relightny: http://www.relightny.com/
The Point: http://www.thepoint.com/
Whatever: http://www.whatever.com.sg/
Huffington Post: http://www.huffingtonpost.com/
Motoboys Zexe: http://www.zexe.net/
Tag Galaxy: http://taggalaxy.de/
Eco Bounty: http://gilgiardelli.wordpress.com/2009/03/10/eco/
Velib: http://www.velib.paris.fr/
Coletivu: http://www.coletivu.com.br/
Green Map System: http://www.greenmap.org/
Planet Ark: http://www.planetark.org/
We Can Solve It: http://www.wecansolveit.org/
Nós que Aqui Estamos: Filme
Ideo: http://www.ideo.com/
Advertka: http://www.advertka.ru/
Video da baleia: YouTube



Roberto Cassano

"Todo jornalista pensa que é Deus e todo publicitário acha que é o Criador". Roberto Cassano tem um jeitão nerd, mas não se engane. Você está escutando um profissional articulado que sabe do que está falando. Profissional da Agência Frog, Roberto trouxe aos nossos olhos a premissa de que não devemos "pular carniça com um unicórnio", ou seja, é besteira brigar contra algo que já está tão irraigado no cotidiano. Cassano fez uma breve apresentação de sua experiência a partir de 10 aspectos que aprendera trabalhando com marketing de redes sociais.

A internet não é mídia de massa pois não tem um local específico em que todos estejam focados (não existe uma Meca digital). Os individuos se reúnem por que pessoas confiam em pessoas, portanto o que vale mais é o quanto você ou a sua empresa está na voz do povo. É o chamado "briefing invertido". Se antes a empresa ia até as pessoas para construir estratégias e necessidades, hoje o povo vai até as empresas dizer: "- É isso que eu quero, não aquilo que você está me oferecendo..." É como diz Nepomuceno: "- Deixe as abelhas fazendo o mel". Faça com que seus consumidores e clientes sejam os próprios porta-vozes de sua campanha, do seu produto, das suas criações. 1% de conteúdo da Internet é original e 4% de conteúdo da Internet é replicado, portanto faça com que repliquem a sua divulgação..

A marca tem que descer do palco e perceber um antigo ditado de que o cliente deve estar em primeiro lugar (até por que nas redes sociais, quem está em último lugar é a sua empresa atrasada e mal falada). Outro ponto importante é não ignorar que existem concorrentes e que hoje há uma gama de serviços baratos ou gratuitos para que a concorrência "coma viva" as empresas que ignorarem as novas mídias e encararem elas de forma correta e não do ponto de vista do sobrinho ou do profissional barato. O conhecimento e a estratégia é que difere o bom profissional e o sobrinho.

Quando o MTV Movie Awards chama o Tom do MySpace para apresentar um prêmio afirmando que este é o primeiro amigo de todo mundo, você vê que alguma coisa está mudando. Quando Barack Obama chama um garoto de 23 anos para dirigir sua campanha e este contrata 80 jovens criativos para criar um campanha online, você vê que algo está mudando. Como afirmou Julius, na Inglaterra em 2011 a economia dita criativa irá superar a economia capital de forma avassaladora. Afinal, como todos sabemos, os profissionais de áreas criativas e de informática são os que mais se atualizam no mundo.

Informe-se também sobre a lei de Cibercrimes que estão querendo implantar no Brasil. Estão quase tirando a nossa liberdade na internet impedindo que as redes sociais se proliferem. Não deixe isso acontecer! Estas leis são feitas por pessoas que não sabem mais lidar com o mundo novo e por isso querem encontrar desculpas para não reprimir o que realmente devem. Lembrem-se que o poder pode estar conosco, mas a caneta está lá em cima... Alguns links oferecidos por Cassano que você vai gostar de ver:

Agência NBS: http://nbscom.com.br/
Blog da Evangelista: http://aevangelista.wordpress.com/
Womma (organização de marketing viral): http://www.womma.org/
Livro "Start up": Start up
Livro "A Cabeça de Steve Jobs": A Cabeça de Seteve Jobs
Livro da Diablo Cody (escritora do filme Juno): Minha Vida de Stripper
Documentário Palavra Encantada: http://www.palavraencantada.com.br/
Blog do Cassano: http://www.cassano.com.br/

Mesa Redonda


A mesa redonda terminou com algumas coisas interssantes. A experiência fornecida pela sua marca, pelo seu site, pela sua forma de comunicação, vale mais do que qualquer ação, afinal, a indústria musical achava que vendia CDs quando na verdade vendia música. O que se denota hoje é a decisão shaekespeariana de ser ou parecer, eis a questão.

Quando você vê o Miojo da Nissin escrito bem grande "ZERO" na sua embalagem para atrair consumidores desavisados de que aquilo não são zero calorias, ou um profissional da Marketing Vision fazendo campanha de cerveja incentivado o comérico ilegal e afirmando que consultou a prefeitura e fez tudo dentro da lei (disse claramente, se a gente não fizer outro vai fazer), começamos a nos perguntar, onde está a ética profissional, onde está a voz do designer e demais profissionais criativos em dizer ao cliente que não concorda com aquilo?

É papel do profissional criativo fazer com que o povo tenha mais consciência e não se entregue apenas ao pão e circo... É nosso objetivo tornar o mundo melhor através das redes sociais e não utilizar o nosso poder de influência para manter tradições, preconceitos, problemas sociais, problemas ambientais, entre outros. Use e abuse das redes sociais! Use de forma consciente!

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Crítica: Watchmen

domingo, março 08, 2009

Quando li Watchmen pela primeira vez eu era apenas um adolescente misturando quadrinhos de super-heróis com Mickey Mouse (adorava a Disney). Mas como todos os produtos de mídia (quadrinhos, tv, filmes, etc.), cada vez que experimentamos uma idéia criativa em uma idade diferente, percebemos coisas fantásticas que nunca reparamos antes. Watchmen é a mesma coisa.

Trazer Watchmen para a visão que tenho hoje de mundo, política, social, criativa, artística, etc., é um desafio e ao mesmo tempo um mergulho fundo na emblemática filosofia do Dr. Manhattan, nos conflitos existenciais do Coruja, nos perigos políticos previstos por Veidt ou os problemas familiares de Espectral. Watchmen nunca esteve mais atual e mostra que não evoluímos. Infelizmente nossa percepção de mundo, do que devemos fazer, de como lutar, da diferença do certo e errado, do respeito, dos preconceitos, continua a mesma de nossos bisavós. O mundo muda mas os intintos humanos continuam os mesmos, incontroláveis, saudosistas e perpetuadores de idéias e conceitos retrógrados que incluem o "errado" disfarçado de ascenção.

Uma nova realidade. Nixon está no quinto mandato, os EUA ganharam a guerra do Vietnam, entre outras coisas que aconteceram diferente de nossa realidade... Em Watchmen, o herói conhecido como Comediante é assassinado e o vigilante Rorscharch parte para descobrir o que pode ser um plano para matar e desacreditar todos os super-heróis do passado e do presente.

Quando ele restabelece a conexão com sua antigaequipe - um confuso grupo de super-heróis aposentados dos quais apenas um possui poderes verdadeiros - Rorschach percebe que existe uma conspiração abrangente e perturbadora com ligações com o passado que eles dividiram e catastróficas conseqüências para o futuro. Sua missão é proteger a humanidade, o problema é quem protegerá os heróis?

Watchmen mostra o que o homem comum não quer ver, a violência e pobreza nas ruas, as guerras, entre outras coisas que são ignoradas por aqueles que podem se afastar. Mas ninguém é inocente e só no fim refletimos sobre os atos que acabaram influenciando nossa concepção do certo e do errado. Os fins justificam os meios? Aquele que comete crimes é de todo ruim? O arrogante é ao mesmo temo uma pessoa má? Para responder estas perguntas é necessário se elevar a um evento intelectual muito maior do que a leitura e os filmes podem lhe trazer. por que sim, existe a coisa certa a se fazer, não depende do ponto de vista, no final só há uma alternativa.

O diretor Zack Snyder (300 de Esparta de Frank Miller) acertou em chamar para Watchmen atores desconhecidos (a semelhança com os personagens é grande), com exceção de Patrick Wilson e Billy Crudup que são bem conhecidos por filmes como Quase Famosos, Peixe-Grande, Missão Impossível (Crudup) e Fantasma da Ópera (Wilson). Atenção para a bela novata Malin Akerman em roupas de super-heroína! Legal rever a atriz Carla Gugino que tem feitos muitos papéis secundários em filmes após o término da série Spin City onde contracenou com Michael J. Fox e Alan Ruck (o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado).

É impressionante como a atuação, as falas do roteiro e os ângulos de câmera são idênticos aos quadrinhos, sem retirar a magia da narrativa cinematográfica. Claro que houveram as licenças poéticas do roteirista, diretor e executivos de estudio, mas vê-se claramente que houve uma tentativa maximizada de tornar o filme um reflexo do ideal crítico de Alan Moore. Já não era sem tempo pois Hollywood conseguiu estragar, ou pelo menos mudar pra pior, algumas histórias de Moore de forma assustadora.

O inicio do filme é uma verdadeira obra prima, algo comparado a filmes hollywoodianos consagrados que relembram décadas passadas, por exemplo Forrest Gump, Nascido em 4 de Julho ou ainda séries de TV como American Dreams, entre outras que mostram cenas clássicas da tv e do rádio, uma viagem pela história americana. Claro que houve a fusão dos heróis em todas as cenas e o uso de uma trilha sonora bem colocada com os melhores clássicos do rock.

O fluxo do filme e o envolvimento com a história se torna muito maior, algo que aconteceu com Superman, Star Wars, Labirinto, Willow, e tantos outros filmes que fizeram sucesso se apoiando mais na história e personagens do que na fama de seus intérpretes. Uma pena que a música dos créditos foi tão mal escolhida. Após ver o filme eu tentei parar para refletir sobre tudo que havia visto, no entanto entrou um heavy metal e aí murchou todo o pensamento e só consegui lembrar de Transformers e Motoqueiro Fantasma.... Que péssima idéia para terminar um filme "cabeça".

Se você não leu e nem pretende ler os quadrinhos, leve um caderninho para o cinema. O filme é cheio de frases de impacto que você vai querer lembra depois pra dizer numa roda de amigos. O roteiro, claro, é quase literário, e a narração de Rorschach compete com os melhores filmes noir da década de 40 (eat this Humphrey Bogart!). O design do figurino e cenários também é um show a parte, mas você vai perceber muitos furos como por exemplo um disquete de 3 1/2 em 1985! Será que eles não sabiam da existêcia do 5 1/4? Eles estavam tão avançados assim? Entre outros furos de reprodução da época, afinal não faz tanto tempo assim e muitos de nós vivemos isso.

Além do símbolo "Have a Nice Day!", é interessante perceber as referências ao mundo dos quadrinhos (claro que o Coruja é o Batman), só que Watchmen traz este universo de uma forma muito mais realista e crítica. Espero ver mais filmes de heróis assim, com menos ação e amsi reflexão! Quem sabem eles resolvem filmar o clássico Marvels, pintado por Alex Ross, daqui a alguns anos...

Como li os quadrinhos há muito tempo, não sou capaz de escrever um post mais eloquente ou de descrever toda as mudanças do filme em relação a história original. Mas aos poucos vou listar aqui no blog o que eu percebi pois estou relendo as revistas para enriquecer este post.

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Quantas e Quais São as Artes?

sexta-feira, março 06, 2009

Você já deve ter se perguntado por que o cinema é a sétima arte. Na verdade, a arte é definida pelo material com o qual trabalha. Tendo origem em uma cultura especifica, a arte é um esforço intelectual-criativo baseada nas inspirações deixadas pors gerações. Desta forma a arte é dividia em 06, de acordo com sua "aparição". As demais artes que surgiram no decorrer da história humana foram adicionadas à lista bem depois. Na ordem as artes são:

1. Música: artes que trabalham com sons;
2. Dança: arte do movimento do corpo relacionada aos sons;
3. Teatro: arte que trabalha o corpo, mas com função narrativa;
4. Pintura: arte de representar o real (ou a idéia) por meio de cores e texturas. Creio que aqui entrem também ilustrações, inclusive digital;
5. Escultura: arte que representa o real ou a idéia usando materiais tridimensionais.
6. Arquitetura: arte de criar edificações e espaços para abrigo das atividades humanas;
7. Cinema: arte de representar o real através da imagem em movimento oferecendo um adicional a prática do teatro, o close. De certa forma une na tela todas as outras 06;
8. Fotografia: a arte de representar pela representação do momento imediato está depois do cinema. Realmente não faz sentido, mas talvez seja por que a arte em movimento está mais presente na história humana do que as representações estáticas (mesmo na caverna de Lascaux vemos ilustrações que representam uma sequencia de movimentos);
9. Quadrinhos: a arte sequencial entra como uma das últimas na história das artes, mas ainda bem que seu valor é reconhecido neste século;
10. Futuro: com as novas tecnologias, photoshop, 3d, ilustrações digitais, realidade virtual, games, quem sabe onde a arte vai chegar?

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Como Comprar Filmes

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Aqui estão algumas recomendações para quem gosta de comprar filmes. Fique atento ao que você compra, como compra e onde compra. Vale a pena seguir estas dicas para comprar seus filmes favoritos ou para montar sua filmoteca. As dicas são importantes principalmente para você comprar originais baratos e com todos os extras que você merece, sem cair na exploração, "enganação" e agressividade do mercado de filmes e fonográfico. Sugiro ler depois o post anterior a este para saber como a indústria no Brasil mudou ao longo dos anos e hoje está em forte decadência, principalmente na qualidade de seus produtos e serviços.

1. Aguarde antes de comprar. As distribuidoras tendem a lançar novos produtos com o dobro do preço que eles valem. Se você conseguir esperar 3 meses, provavelmente vai comprar um produto de R$ 49,90 por R$ 24,90. Sempre aproveite e aguarde promoções;

2. Preços de lojas online são quase sempre mais baratos que lojas físicas;

3. Verifique se o filme ou box existe em lojas estrangeiras como a Amazon. Veja os tipos de extras que a versão americana tem, legendas e outras vantagens. Se a diferença de preço contando o frete for menos de 50%, vale mais a pena comprar a versão gringa com os extras;

4. Verifique em lojas estrangeiras se existe uma versão especial, Director's Cut, box especial ou qualquer outra versão mais "turbinada" do DVD que você quer comprar. Em alguns casos a versão "lixão" é lançada primeiro no Brasil para os apressadinhos comprarem, por isso espere até que a versão mais completa saia no Brasil ou compre a estrangeira. Entre em contato com a distribuidora, em alguns casos eles informam se haverá uma nova versão;

5. Divida o preço das lojas pelo número de discos que vêm na caixa. Se o valor de cada disco sair por mais de R$ 15,00, espere baixar o preço ou procure outra alternativa;

6. Ao pesquisar preços na internet nunca esqueça de considerar os valores de frete, mesmo quando os preços parecem mais baixos;

7. Você não precisa comprar em lojas online muito conhecidas como Submarino, Americanas, Fnac, Saraiva ou Shoptime que quase sempre oferece produtos mais caros (com exceção das promoções pontuais). Procure no Google lojas como 2001 Video, DVD World, DVDs King, 100% Video, etc;

8. Nunca compre o DVD na primeira loja que você vê, na internet você leva segundos para pesquisar e não se cansa, por isso não banque o bobo. Se estiver com preguiça e quiser economizar alguns segundos, procure sites como o Buscapé ou o Bondfaro que compara preços de várias lojas;

9. Aviso por experiência própria. Quando você compra DVDs na internet é mais fácil reclamar e trocar do que nas lojas físicas. É menos cansativo, mais prático e dá menos dor-de-cabeça. Nas lojas físicas você lida com regras específicas de cada loja (apesar de ilegais), lida com funcionários inexperientes que ganham pouco e por isso não têm paciência com suas reclamações e vai perder metade do seu dia. A loja virtual não tem esses problemas e o máximo que vai acontecer é você ter que queimar a loja virtual em sites como o Reclame Aqui.com.br, antes do seu problema ser totalmente resolvido;

10. Pode ser que o Blue-Ray se torne um novo Laser Disc que como este, não fará sucesso e será subsituido por outra mídia. Entretanto, avalie direitinho se vale a pena comprar agora um DVD de baixa definição para depois, quando baratear, ter que comprar todos os titulos que você gosta de novo, em Blue-Ray;

11. Última dica: a tendência real do mercado de produtos "intangíveis" (leia-se filmes, música, sons, videos, softwares, games, etc.) é se tornar tudo gratuito e livre ou no mínimo muito menor (um filme em pendrive por exemplo, para ajudar a manter a indústria que já está perdida com a pirataria), mas se você não quer esperar 10 anos para que o mercado se adapte e isso realmente aconteça, vá na loja e compre um original.

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Crítica: Milk, Voz da Igualdade

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Mesmo se você se diz simpatizante, para ver Milk - A Voz da Igualdade é preciso estar livre de preconceitos e abraçar a causa do filme. Eu não sou gay, mas sei que quando muitas pessoas dizem que não se importam, por trás há um verdadeiro medo e às vezes asco de presenciar situações românticas (mesmo que leves) entre pessoas do mesmo sexo. Na época de Harvey Milk isto era muito pior. Milk foi perseguido para depois ser adorado na sua vizinhança e cada vez que ele crescia politicamente no país, precisava agradar mais gente para continuar à frente de suas idéias.

O filme Milk - A Voz da Igualdade conta a história de Harvey Milk, seu encontro com suas paixões, tanto românticas quanto políticas. Harvey se muda para uma pequena rua de São Francisco para abrir uma loja de fotografia. No principio ele tem problemas com a vizinhança e com a policia, mas logo passa a ser adorado por atrair grande parte do público gay de São Francisco para comprar no comércio local. As ambições politicas de Milk vão crescendo até que ele se candidata diversas vezes ao cargo de supervisor municipal até vencer. No cargo Milk luta pelos direitos civis dos gays e confronta Anita Bryant e John Briggs em diversas ocasiões até ser assassinado ao lado do prefeito Moscone, por um de seus colegas de trabalho que vê sua carreira política arruinada pela força de Milk junto aos eleitores.

Os maiores opositores de Milk durante sua ascensão foram Anita Jane Bryant e John Briggs. Anita, uma ex-cantora, foi uma das maiores ativistas contra os direitos dos homossexuais enquanto Briggs, trazia a Proposição 6, algo como o AI5 gay, o que retiraria direitos civis de pessoas que fossem abertamente homossexuais, inclusive "bisbilhotando" a vida de "enrustidos" e simpatizantes para descobrir suas inclinações. Um McCarthismo ao público GLS. Hoje Anita Bryant é um grande fracasso na vida enquanto Briggs teve mais sorte, porém é um defensor de causas polêmicas como energia nuclear e pena de morte.

O problema do mundo é que só não abre os olhos quem não quer. É como Sean Penn disse na noite do Oscar, se você vota contra os direitos civis do público GLS, seus netos e bisnetos provavelmente terão vergonha de você. O mundo está mudando e está na hora de esquecermos o que é cultural ou socialmente imposto para reavaliarmos a ética, o certo e o errado. Deus faz 10 mandamentos e o homem inventa 500, uma sociedade indiana aceita e no ocidente não, pare para se perguntar se alguém morre por causa disso, como isso afeta a sua vida. Se a sua defesa for somente cultural/social, você provavelmente está errado. Imposições culturais e sociais não são sinônimos de ética.

Você com certeza vai sair do filme revendo seus valores e com vontade de lutar, não pelos direitos gays, mas os direitos de qualquer pessoa seja ela gay, afro, asiática, branca, idosa, criança, mulher, homem, qualquer um. Todos merecem respeito, consideração e compreensão. Mickey Rourke foi muito bom em O Lutador e não ganhou nada por ele, apenas porcentagem dos lucros, mas a interpretação de Sean Penn é que realmente pode mudar os seus valores sobre o universo GLS. Não é a toa que nos Oscars Robert DeNiro perguntou a Sean Penn como ele havia conseguido tantos trabalhos como "straight" (hetero).

Interessante a semelhança dos atores com os personagens reais do filme. Emile Hirsch está irreconhecível como Cleve Jones e mostra mais uma vez por que filmes como Na Natureza Selvagem, Meninos de Deus, entre outros, fizeram tanto sucesso (só não entendo Speed Racer). Josh Brolin (ex-Goonies) participa de Milk como o político que mata Milk. James Franco também trabalhou muito bem, mas acho que há uma tentativa ridícula dos atores hoje emdia de tentar se promover interpretando personagens homossexuais no cinema. Claro que se eles não aceitassem outros iriam aceitar, mas o problema não são os atores e sim a academia.

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Crítica: Operação Valquíria

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Operação Valquíria não tem nada de novo, e desculpe a minha intolerância, mas se você tem mais de 18 anos e é de classe média pra cima e não sabe o que foi a Operação Valquíria, você é bem burrinho(a)..... (pra que Bryan Singer diz no começo que é uma história real?) A tentativa de Stauffenberg de matar o führer já teve um filme alemão (com Sebastian Koch) em 2004, também um especial de 2 horas no Discovery Channel, um documentário da National Geographic, outro no History Channel, e sem contar todos os outros filmes, livros e revistas que falaram do atentado. Por este motivo o filme soa como um dejá vu, algo que você já viu antes.

Isto não tira o mérito do filme, é um bom passatempo, mas uma experiência pobre. É duro aguentar, a cada cena, a tomada terminar com uma "frase de impacto" do tipo: "- Temos que salvar a Alemanha!" aí Tom sai de uma sala: "- Estamos fazendo isso pelo mundo" e depois vai ao banheiro: "- Preciso correr para destruir o mal na Europa!". Meu Deus, pra que frase de efeito toda hora? Mas a reconstituição histórica é muito boa e algumas cenas da Toca do Lobo me lembraram a vez em que fiquei perdido na floresta perto do campo Buchenwald em Weimar em 2005.

Se você forçar um pouco o cérebro dá até para tirar uma mensagem disso tudo. A maioria do povo e dos soldados alemães não tinha simpatia pelas ações do governo. Mesmo aqueles que não gostavam de judeus, homossexuais, imigrantes, etc., não queriam ver essas pessoas mortas e sim fora do país (o que também é errado, mas é menos radical). Só mesmo um grupo de oficiais para perceber que aquela megalomania estava destruindo o país e toda a Europa, e que tudo iria acabar rápido com a chegada dos aliados.

Sempre reclamo de personagens não-americanos falando inglês, mas a "sacada" de Operação Valquíria foi interessante. O filme começa em alemão e o inglês vai se fundindo ao alemão bem devagar até que a única língua seja o inglês. Escute Tom Cruise falando alemão! Muito bom ver Terence Stamp representando novamente um general (seu outro general foi o General Zod de Superman - O Filme) .Tom Wilkinson também prova mais uma vez que é um ótimo ator, e Kenneth Branagah também rouba a cena algumas vezes. Destaque para o ator alemão Christian Berkel que fez um médico do exército alemão em A Queda. Nunca ouvi falar de David, mas David Bamber como Hitler quase me confunde com Bruno Ganz, os movimentos de Hitler parecem ter sido perfeitamente ensaiados, verdadeiro trabalho de um grande ator.

Gostei de ver um filme da II guerra que não mostra só a guerra na Alemanha e Rússia, mostrando a campanha na África que praticamente nunca aparece nas produções. Este filme tinha tudo para ser um novo clássico de guerra (já que os americanos não gostam de filmes em outros idiomas), mas a presença de Tom Cruise não convence e Bryan Singer, pelo amor de Deus, tem que voltar para X-Men pois com filmes de guerra e com Superman ele só consegue fazer filme para o "povão" chorar e não uma real obra artística-comercial.

Há hoje um movimento muito forte nas mídias em geral em defender os alemães civis e soldados rasos (Menino do Pijama Listrado, Um Homem Bom, entre outros). Concordo e apóio pois muitos não podiam deixar de cumprir ordens, outros não sabiam de tudo e outros ficaram calados para não serem presos, e qualquer ditadura é prejudicial para o seu próprio povo. A Alemanha de hoje ainda tem violência contra estrangeiros, mas é menos de 1% da população que sofre de preconceito. É impressionante como eles recebem bem os estrangeiros, gostam de conhecer novas culturas, gostam de festivais brasileiros, jamaicanos, africanos, latinos, e o mais surpreendente é em Berlin o Paralmento ter aquela linda abóbada para que o povo esteja acima do governo.

Tom Cruise é o garoto-propaganda da Cientologia, a igreja criada por L. Ron Hubbard. A Cientologia tem na Alemanha um dos mais elevados índices de resistência, processos, alegações críticas, os alemães detestam a Cientologia. Colocar Tom Cruise no papel de um herói da Alemanha obedece uma estratégia de marketing planejada. Operação Valquíria é um bom filme, mas não espere grande coisa de suas qualidades cinematográficas.
Mais críticas em: http://www.omelete.com.br



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Crítica: Rio Congelado

Diferente outros filmes que vi no Carnaval, Rio Congelado não é para emocionar e chorar, é mais para assistir o pedaço de uma boa história que não tem começo e que não saberemos o fim. Melissa Leo interpreta uma mulher que vive perto da fronteira entre EUA e Canadá, e que se vê diante de uma crise financeira após o marido alcóolatra deixar a família com o dinheiro da compra da casa. Sem conseguir outros meios de ganhar dinheiro para criar seus filhos ela busca meios ilegais de renda ajudando uma indígena mohawk a trazer imigrantes ilegais pela fronteira (como os famosos "coiotes").

Este filme não tem uma mensagem por trás que nem os outros mas mostra uma crise que creio muitas familias passam em diferentes países, os problemas financeiros. Os problemas financeiros levam a personagem de Melissa a procurar meios escusos de ganhar dinheiro, e a facilidade em manter o jogo da ilegalidade faz com que ela permaneça, pelo menos até ser descoberta...

Se você não viu nenhum dos filmes da temprada, eu recomendaria ver os outros, mas se você não viu nenhum, vale muito a pena ver Rio Congelado. É um daqueles filmes que trazem um pedacinho dos problemas americanos para as telas (você acha que primeiro mundo não tem crise?). Há milhares de familias vivendo em trailers, em abrigos, sem dinheiro para as contas básicas e que também não têm orientação sobre o que fazer.

Não tenho muito o que falar sobre Rio Congelado, eu gostei do filme. Veja e tire suas próprias opiniões. Amanhã vou ver Operação Valquiria e Milk - A Voz da Igualdade, não percam as novas resenhas.
Mais sobre Rio Congelado em: http://www.omelete.com.br

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Crítica: Quem Quer Ser um Milionário

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Dos filmes que vi na corrida para o Oscar durante o Carnaval, dois me tiraram da cadeira. Um foi O Lutador com uma trilha sonora de rock empolgante, e outro foi Quem Quer Ser um Milionário com a música indiana misturada aos tambores japoneses. Quem Quer ser um Milionário não é um filme voltado somente para os pseudointelectuais idiotas que acham que o bom cinema acaba em Fellini e Bergman, qualquer pessoa pode aproveitar da mesma forma pois a história não é um simples filme americano de fazer chorar.

Onde Danny Boyle (diretor de Trainspotting e Extermínio) conseguiu atores tão incríveis e ainda fazê-los falar inglês? As crianças pequenas são realmente crianças da favela de Mumbai, acredita? O cinema de Bollywood desponta em produções de diretores americanos que trazem a alegria daquele povo para o mundo, suas tradições, danças, música, medos, problemas, e tudo mais que a empolgante e dicotômica Mumbai pode oferecer. O povo quer crescer, quer ter sonhos, conquistar objetivos, lutar por aquilo que é certo e viver de amor (como diz Jamal para Latika).

Quem Quer Ser um Milionário é a história de Jamal (Dev Patel que não é irmão de Kumar Patel!), um menino que mora em uma das favelas de Bombaim e que passou por vários problemas depois que sua favela foi atacada por rivais e sua mãe assassinada. Ele e o irmão tentam se manter vivos ao lado da menina Latika (Freida Pinto), mas durante uma fuga Latika fica pra trás. Ao crescerem seu irmão está envolvido com a bandidagem de Mumbai e Latika é, contra sua vontade, uma das garotas do chefão do crime na cidade.

Jamal quer muito reencontrar seu amor de infância e tirá-la daquela vida, mas sem forças, resolve aproveitar a chance de participar da versão indiana do "Show do Milhão" (Silvio Santos copiou até a música deste programa indiano). O problema é que os produtores do show não acreditam que um garoto de favela possa saber todas as respostas e desconfiam que eles esteja trapaceando. O filme é justamente Jamal contando à policia local por como sabia todas as respostas. Atenção para a cena em que o jovem Jamal toma um banho de fezes para ver seu ídolo da TV.

Eu sempre anoto no Palm as melhores cenas, frases e comparações, durante o filme. Mas neste filme o Palm ficou guardado no bolso e preferi deixar para escrever minha opinião agora quando cheguei. Você não consegue tirar os olhos da tela e mesmo sabendo todas as respostas do Quiz, você fica esperando a próxima resposta de Jamal como se estivesse para ganhar milhões junto com ele. Destaque para a linda Freida Pinto .

Nota que a Westein Company fez uma campanha, "por baixo dos panos", para promover seu filme O Leitor, dizendo que Danny Boyle usou crianças pobres, pagou muito pouco ou quase nada, e explorou equipes pobres de Mumbai. Tudo uma grande mentira pois Danny fez questão de trazer o máximo de pessoas do filme para a noite do Oscar. A trilha sonora de A. R. Rahman é magnífica .

Não saia do cinema no final, fique para ver o número musical completo. Diferente daquelas comédias bobocas em que todos dançam no final, a dança deste filme é uma ode a felicidade de todos aqueles atores e equipes em estarem participando de um filme que está alcançando milhões de pessoas no mundo inteiro. Só eu já escutei o tema "Jai Ho" umas 100 vezes hoje. No Oscar você via claramente a felicidade daquelas crianças em participarem do sonho, dos closes, da magia do cinema!

O brasileiro ainda tem vergonha de fazer como o americano que levanta no cinema e bate palma, mas até que algumas pessoas desta vez bateram palma e eu acompanhei. Quem Quer Ser um Milionário foi indicado a 10 categorias no Oscar e venceu 8, incluindo os prêmios de canção original e trilha sonora.

Não perca este filme nos cinemas! Não deixe pra ver em DVD e nem na televisão! Melhor, só nesse filme, veja o filme em uma sessão lotada pois você vai ver a emoção nos rostos, o melhor prêmio para qualquer artista.

Filmado nas ruas de Mumbai, a produção inglesa estreou na Índia no último dia 23 e foi acusado de reforçar estereótipos ocidentais sobre o país. Em Bihar, a polícia teve de aumentar a segurança depois que alguns moradores protestaram contra a palavra "dog" (cachorro) durante a exibição do filme. Nas cidades menores o filme - exibido com dublagem em Hindi - também está sendo rejeitado. Um filme mais para o ocidente, os donos de cinema têm poucas esperanças que o filme faça sucesso na Índia. Mais opiniões em: www.omelete.com.br

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Crítica: O Lutador

O Lutador é mais um fantástico filme do diretor Darren Aronofsky, diretor de Requiem para um Sonho, Fonte da Vida e Pi, e futuro diretor do remake de Robocop. Requiem e Fonte da Vida estão no top 10 dos meus filmes favoritos, e foi muito bom ver mais uma obra antes do Oscar. O Lutador é uma metáfora sobre envelhecimento e escolhas. Passamos a vida achando que somos invencíveis e que não precisamos de ninguém, mas a certa altura a vida nos cobra toda aquela reflexão que nunca tivemos.

O Lutador é a história de Randy Ram (O "Carneiro"), um lutador de luta-livre (daquelas tipo telecat, lembra? Tudo arranjado, esporte muito comum no México) muito famoso nos 80, mas que 20 anos depois vê sua carreira se deteriorar por causa de problemas de saúde. Como sempre esteve afastado da familia e de relacionamentos amorosos, Ram vê que naquele momento de desespero não tem a quem recorrer. Destaque para a cena de autógrafos que mostra claramente o drama que passam estes artistas da luta-livre após a idade de continuar lutando...

Ainda acho que Mickey Rourke (de Coração Satânico e o Marv de Sin City) é o mesmo canastrão de sempre, não melhorou nada desde 9 1/2 Semanas de Amor ao lado de Kim Basinger, mas o personagem caiu sobre ele como uma "luva", e este é um dos motivos de sua atuação vencedora. Uma pena que na noite do Oscar ele não levou a estatueta (perdeu para Sean Penn em Milk) e nem tirou aqueles óculos escuros ridículos que escondem sua cara deformada pelo abuso e vícios.

Apesar do papel de Stripper-mamãe já estar batido desde Demi Moore, Marisa Tomei dá um show a parte. Desde Meu Primo Vinny ao lado de Joe Pesci não via mais Marisa como aquela mulher linda (que "corpaço") de outrora. Destaque para a linda Evan Rachel Wood (Aos Treze e O Rei da Califórnia) como a filha de Ram.

Mais uma vez vou me repetir, mas este filme também trata da compreensão humana. É dificil lidarmos com todas os fatores que moldam o comportamento humano. Por que Ram abandonou a familia? Por que ele não tinha mais posses depois de velho? Por que tudo chegou àquele nível? Quem pode responder a estas perguntas? A verdade é que a fama pode vir para o bem ou para o mal, e se a cabeça nã oestiver no lugar, seu saudosismo será seu pior inimigo.

Atenção para a trilha sonora com o melhor do metal dos anos 80. Depois da trilha sonora de Quem Quer Ser um Milionário, esta sem dúvida é a melhor trilha de 2008, Cinderella, Gund 'n Roses, Ratt, Bone Crusher, Scorpions, etc. E mais uma vez a mulher de voz chata da VEJA faz seus bons comentários.

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