A Medicina está Morrendo

sábado, abril 09, 2011

Esta semana meu pai teve um aumento de pressão e foi colocado na UTI sob observação. Este é o motivo de começar a escrever. Entre amigos, familiares, médicos e profissionais da área de saúde com quem convivo, não paro de escutar como os hospitais, clínicias e médicos têm agido de forma incoerente com o próprio código que o CRM (Conselho Regional de Medicina) prega.

Tenho amigos que trabalham em planos de sáude e seguradoras e alguns que são médicos, e eles falam que hospitais na área onde moro como Santa Therezinha, a Rede Dor ('Dor), Hospital Pan Americano, Hospital Evangélico, todos sofrem auditorias dos planos de saúde por causa de colocarem pessoas no CTI, pequenas cirurgias, exames, etc. Já percebeu a bateria de exames que pedem pra fazer, exames estes realizados dentro da própria clínica ou hospital?

Outra vez fui ao médico Leo Portnoi, um dos donos de uma clínica na Tijuca, IOT, Instituto Ortopédico da Tijuca, ex-presidente do Clube Monte Sinai e ex-chefe da ortopedia do hospital Quinta Dor. Ele operou meu joelho em 2003 e em 2009 o ligamento cruzado anterior, LCA, já tinha afroxado. Voltei na clínica e ele me disse que estava normal e passou um antiflamatório. Duas semana depois a mesma dor. Fui a um médico no Leblon e ele me mostrou claramente que meu joelho estava "solto". Fui a outro médico no COB Botafogo que disse a mesma coisa. Veja bem, o Leo Portnoi três semanas antes havia dito que o joelho estava normal e passou antiflamatórios. Quando o achei e o questionei pelo Facebook, ele afirmou que isto é normal, que isto acontece com algumas pessoas (o que não é o que dizem artigos científicos publicados em periódicos da área e nem os médicos que fui consultar depois).

Voltando a história. Meu pai foi internado e no mesmo dia o colocaram no CTI. Ele havia desmaiado, mas naquele momento já estava lúcido, falando, um pouco agitado. A ambulância do plano de saúde Eletros da Eletrobrás demorou 02 horas para chegar e levou ele para o hospital Prontocor no Largo da Segunda-feira, zona norte do Rio de Janeiro. Ele foi internado ainda sem um diagnóstico, mas pelo seu histórico médico, acabou ficando lá.

No dia seguinte minha mãe foi visitá-lo e ele estava normal, conversando, calmo e consciente, só reclamava de ter que ficar deitado o tempo todo e da falta de comida. Segundo a médica, vários exames ainda estavam sendo feitos. Hoje, para nossa surpresa, meu pai estava completamente dopado. As técnicas em enfermagem que ficam no CTI (isso mesmo, somente uma médica para várias técnicas de enfermagem em uma unidade de tratamento intensivo - nada contra os técnicos, mas não deveria ter mais médicos e uma enfermeira formada supervisionando o trabalho em um local tão grande?). Disseram que ele ficou muito agitado durante a noite, queria levantar e não deixava ninguém dar banho nele, por isso deram uma injeção com algo que não quiseram dizer o que era.

A médica que nos atendeu depois do período de visita afirmou a mesma coisa, uma história sem detalhes. Afirmou que o que ele teve é normal e é chamado de "Síndrome do Confinamento". Síndrome? Uma pessoa calma que ficou uma noite só no hospital, na manhã do dia seguinte já apresenta uma "Síndrome"? E se este é o caso e o problema é conhecido, por que não há um psiquiatra ou psicólogo de plantão no CTI para lidar com estes casos?

Se o caso foi na madrugada, por que às 15:00 do dia seguinte meu pai ainda estava dopado? Que remédio deram pra ele ficar assim? Qual o diagnóstico ou possíveis diagnósticos? O que ele teve? Se ainda não sabem o diagnóstico, o que estão fazendo de exames e pesquisa? Se não estão fazendo exames, por que estão mantendo ele no CTI e não em um quarto? Se disseram que ele tomou suco de manhã, como ele tomou suco naquele estado dopado e enrolando a língua com as mãos amarradas a cama? Canudinho? O Prontocor Tijuca e os profissionais do CTI não responderam.

O caso é, achei tudo muito estranho, inclusive as respostas vazias da médica do Prontocor Tijuca. Os médicos têm tratado os pacientes e familiares como se fossem bobos, ou seja, leigos que não merecem ouvir termos técnicos. Fico indignado com a forma como escondem informações ou nos tratam como individuos ignorantes que não sabem nada de medicina. Só consigo encarar isso como uma sensação de superioridade do profissional ou medo do hospital ser autuado caso algo seja feito sem necessidade ou o paciente sofra algum mal.

Eu não confio mais em hospitais e médicos fora do meu circulo pessoal e indicações. Tenho um clínico, uma dermatologista e o meu pediatra da época de criança em quem confio, mas o restante, já entro em qualquer insituição de saúde duvidando de tudo e de todos, não só por causa da ganância, mas também da competência e índole. Será que eles não pensam que mesmo o paciente estando bem, todo esse processo de UTIs, CTIs, é extremamente traumático e isto coloca o paciente em um estado depressivo que só acelera a queda? Será que pensam que não vamos ter consciência e empatia com os profissionais e com a instituição se houver ocultamento de informações ou improibidade médica?

O médico pesquisador, aquele que estudava para descobrir causas, este não existe mais. Os médicos só se baseiam nos conhecimentos de faculdade e de especializações, mas no dia-a-dia não pesquisam nada de seus pacientes, oferecendo diagnósticos como receitas de bolo, "se os sintomas são esses, então pode ser isso ou isso...se apareceu isso também, então é isso". É tudo corrido para atender cada paciente em menos de 10 minutos e cobrar uma fortuna. Mesmo que a desculpa seja o pouco que pagam os planos de saúde, isto não é motivo para brincar com uma vida ou ser negligente.

São os erros, o "pré-conceito" contra nosso conhecimento, a demora no atendimento, cada instituição e profissional tem um problema diferente, senão todos. Mas isto a cada dia me deixa mais triste e tenso com o que pode acontecer quando paro frente a um profissional de saúde desconhecido ou que só tem a "fama" e diplomas na parede (de que adianta frequentar congressos?). Será essa uma forma de os médicos mandarem que a gente se cuide melhor para não ter que visitá-los mais? Um programa do governo para as pessoas começarem a ter uma vida saudável? Pois parece, por que a motivação dos profissionais em ajudar o outro não existe mais, nem nos hospitais particulares...

Antes de cirurgias, de internações, de procurar um profissional, pesquise na internet (Google, Reclame Aqui, etc.), converse com os planos de saúde (principalmente áreas de auditoria se possível), mas não confie em diplomas em cima da mesa, em prêmios "jabá" de clinicas e hospitais, em tamanho do hospital, em aparência da clínica, não confie em nada disso. Confie na experiêcia de outros pacientes.

8 comentários:

Paulo Caramez disse...
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Xandre Lima disse...

Olá Paulo. Não questiono a competência profissional dele e muito menos posso abertamente criticar sua índole pois não sei o que aconteceu de verdade do ponto de vista médico e/ou político (a Rede Dor e o hospital). Coisas que podem sim ter acontecido: (1) O plano não autorizou um material de qualidade e nem o Leo Portnoi e nem o hospital me informaram (ou não perceberam, o que duvido muito); (2) O plano autorizou material de qualidade, mas o hospital, ou seja lá mais quem, usou material de baixa qualidade segurando o restante da verba ou usando o material de qualidade para outro paciente; (3) Erro na criação do canal que prende os ligamentos - pois é, eu estudei um pouco de como é feito e falei com vários médicos sobre erros neste tipo de cirurgia (4) Outros que não sei definir.

O que me deixou mais perplexo Paulo é que ele me disse que era necessário que eu fizesse artroscopia com retirada de parte do menisco junto com a cirurgia do cruzado. Dois meses depois minha mãe foi nele e ele falou pra ela que também precisava fazer a cirurgia de menisco. Um amigo meu foi nele no mês seguinte e ele passou a mesma cirurgia. É como se todo mundo precisasse da mesma cirurgia, cirurgia esta que há muito tempo é contra-indicada pela maioria dos ortopedistas pois a falta do menisco desgasta a cabeça do osso devido ao impacto (principalmente eu que pedalava, corria, etc.). A única solução de reposição é o uso de material cadavérico, o que é quase impossível de se conseguir. A cirurgia para acertar a cabeça do osso também não é nem um pouco tranquila, envolve próteses, etc.

Dificil julgar o Leo Portnoi como bom ou ruim sem ter provas. A única coisa que posso fazer é relatar o que passei e o que outras pessoas estão passando. Repito, é a minha opinião baseada em fatos pessoais e de conhecidos. o meu ligamento está frouxo após 6 anos, vou a uma segunda cirurgia e a cabeça do meu osso dói demais. Pior, os médicos me disseram que não posso acertar o ligamento e colocar a prótese na cabeça do osso na mesma cirurgia pois seria uma agressão muito forte ao osso. Enfim, não tenho escapatória, vou entrar na faca de novo por que da primeira vez houve algo de errado.

Zeca disse...

Xande Lima, vc não é o único.
Esse Léo Portnoi operou meu joelho (também LCA) EM FEVEREIRO DE 2008.
Um verdadeiro calvário.
Meu joelho infeccionou , sendo que depois da operação perguntei se não iria passar antibiótico e ele disse não , só o antinflamatório.
Só depois de infeccionar que ele me passou o antibiótio, mais aí já era tarde, pois a infecção estraga o ligamento, dá fibrose.
Quando tive febre, alertei-o, por telefone e ele disse, que era NORMAL, 37.5 de febre no pós cirúrgico.
Depois, na última vez, disse que parecia que eu tinha um ferro no joelho e na tíbia bem abaixo do joelho, ficou escurecido e sabe o que ele disse? Não mexe nisso não, vai jogar o teu futebol e não mexe nisso.Ora, se mal eu caminhava omo que iria jogar futebol?Levantei da cedeira do consultório dele para nunca mais ou para não fazer algo e perder a razão.
Entrei em depressão profunda e até hoje,melhor com a ajuda de Deus, mas meu joelho, após segunda cirurgia para retirar parafuso na tíbia,que aliviou-me, nunca mais foi o mesmo, só piorou.Inclusive o ligamento está frouxo e dois médicos já disseram que vou perdê-lo.

Xandre Lima disse...

Pois é Zeca. A fase boa da minha cirurgia pelo menos durou 06 anos, mas está me trazendo mais problemas hoje do que antes do rompimento do LCA em 2003. Hoje sei que há anos não se tira mais pedaços do menisco, todos os médicos que fui após o Leo Portnoi me disseram que isto foi errado, que o procedimento há muito não se faz mais pois a única forma de repor é enxerto com partes de cadáver (como um transplante).

Quando fiz ele operou meu LCA-E e o menisco. Pasmem, 02 amigos e minha mãe que se consultaram logo em seguida, ele passou a mesma cirurgia de menisco. Eu achei suspeito, mas não gosto de fazer acusações sem provas.

Por causa desta cirurgia com o Leo Portnói em 2003, hoje vou ter que fazer uma segunda cirurgia de LCA (o enxerto de 2003 afroxou), perdi um pedaço do ligamento da patela que foi utilizado nesta cirurgia e que agora não serve pra nada, vou ter que tirar parte de ligamento de outro local ou abrir o joelho direito para tirar da patela, e pior, ainda terei que colocar uma prótese por causa da retirada de parte do menisco pois a cabeça da tíbia foi debastada por causa destes 06 anos de osso contra osso, sem aliviador de impacto.

A tal prótese é uma peça grande que é fixada ao lado do osso. Ainda não fiz a cirurgia, mas nunca imaginei que eu seria uma daquelas pessoas que fica alguns meses andando por aí com uns parafusos saindo para fora da perna. Tudo por causa do Leo Portnoi em 2003.

Pelo Facebook descobri este caso que não sei se é verdade: "O cirurgião Leo Portnoi responde pelos processos por erro médico de n.ºs:
1) 2001.204.000482-9 (n.º antigo) - 0000503-55.2001.8.19.0204 (n.º novo) - Cartório da 4.ª Vara Cível, Regional de Bangu - Hospital de Clínicas Bangu Ltda.": http://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/14990477/ag-1272458-stj

2)Processo 0044350-22.2010.8.19.0001, 47.ª Vara Cível, Comarca da Capital - Tijutrauma -Centro Ortopédico e Traumatológico Tijuca Ltda."

Eu não volto nunca mais no Léo Portnoi ou na clínica IOT (Instituto Ortopédico da Tijuca). Depois desta experiência escolho meus médicos a dedo e colo neles enquanto viverem, pois é difícil conseguir profissionais de confiança. Como sou da área de TI, já pensei até em criar um site como o Reclame Aqui só voltado para a área de saúde para que as pessoas possam compartilhar suas experiências, nomes dos médicos, clínicas, hospitais, etc. (com direito de resposta para os profissionais, claro). Só preciso ver os aspectos legais de criar uma comunidade como esta.

Boa sorte Zeca! Se você encontrar um bom médico para resolver o seu problema me avisa. Abraço.

JONAS NEVES disse...

Boa tarde, Pessoal, o Dr. Leo operou o meu LCP - ligamento cruzado posterior em fev/2002, na época eu tinha 42 anos, conforme previsto, voltei a jogar bola out correndo igual garoto de 18 anos, alías eu jogava em campo sintetico com caras bem mais novo, joguei e ainda jogo campo de 11. Hoje estou com 52 anos e não sinto nada.indiquei outras pessoas para operar com ele e foi sucesso total..Recomendo o Dr Leo Portnoi com muito segurança...Abraços a todos

Sissi disse...

Já tentaram o Dr. André Luís Pomar Couto? É especiaista em joelho. Trabalhava na Políclínica de Botafogo. Hj em dia, ao eu saiba, só está em sua clínica, na área de Barra da Tijuca/Recreio dos Bandeirantes. Atuava em cojunto, pelo q me disseram na época, com o fisioterapeuta José Roberto Prado Júnior, especializado em medicina desportiva. Fui paciente de ambos e não tenho do q reclamar. Não cheguei ao perar, mas tive deslocamento de rótula e foi o Dr. André o único ortopedista q encontrei q me deu o diagnóstico correto.

Agora, só um lembrete: entre o diagnóstico de um bom ortopedista e um bom fisioterapeuta, fico com o último. Temos de ter os dois profissionais muito bons. Experiência própria.

Unknown disse...

Olá,
Fui atropelada na semana passada e tive um afundamento do platô tibial e fratura no joelho. Estou super preocupada pois fui no Dr. Leo Portnoi, que me indicou cirurgia, pois meu joelho ficaria torto se não a fizesse, enquanto indo ao Dr. Andre Luiz Pomar Couto, a recomendação foi de tratamento conservador, informando que isso não ocorreria, já que não aconteceu até agora.

Por acaso, procurando as histórias de um desses médicos, achei os dois neste blog agora e estou super em dúvida do que devo fazer e angustiada, popis já tenho outros problemas no joelho (instabilidade femuro-patelar e condromalácia) e sei como a vida de problemas no joelho é dura.

Estou à procura de uma terceira opinião (na verdade sexta) pois já passei por 3 médicos durante a internação no Hospital São Lucas e foram três condutas diferentes. Alguma sugestão de ortopedista especialista em joelho?

Estou inclinada a seguir o tratamento conservador, agradeço a todos pelas informações. Esclarecendo, procurei o histórico do Dr. Léo e são 3 processos por erro médico.

Emanuele disse...

Nossa, tô lendo e cada vez fico mais assustada.
Tenho condropatia, nos dois joelhos e já me tratei com inúmeros médicos (leia-se INÚMEROS) e nenhum até hoje me passou segurança.
Quer saber de algo que me deixa confusa?! Fui no Léo, ele me disse que eu estava fazendo os exercícios na academia de forma errada, que estava flexionando demais em diversos aparelhos. Conforme a explicação do próprio, comecei a fazer como pedido, apenas 70% dos movimentos.
Ele foi o único médico que liberou Leg. Agora fico assim, sem saber o que fazer...
Pagamos planos para nos matarmos mais rapidamente.
Fato.
Que vida medíocre a do ser humano, sem valor nenhum...

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